Last Night, Good Night
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Notas iniciais
Aquela foi a melhor – e, ao mesmo tempo, a pior – noite da sua vida.
Deitado em sua cama, o chinês tocava a mão do romano delicadamente. Sentiu a mão grande do outro, a rispidez da sua palma. Cézar era um grande homem, grandes homens não tem mãos macias e delicadas.
O vento frio entrou em seu quarto, arrepiando levemente os corpos nus. Yao fechou os olhos, respirando fundo. Em seguida, voltou a abri-los, olhando o seu amante. Cabelos castanhos, levemente acobreados, combinavam perfeitamente com o rosto quadrado dele. Os pequenos cachos irregulares do cabelo eram fofos e, de certa forma, combinavam com ele.
Yao respirou fundo. Uma, duas, três vezes. Segurou a mão do romano mais forte. Quatro, cinco, seis. Virou-se e deitou sua cabeça sobre o ombro do outro. Sete, oito. Voltou a fechar os olhos e o abraçou. Nove.
“Eu te amo” — Dez.
Era unilateral. O chinês amava Cézar, mas não era bobo. Sabia que não era o único em sua vida. Ele ainda tinha Hellena, Cleópatra e vários outros. Ele era apenas mais um na lista de Roma.
O romano se moveu na cama, virando de frente para o chinês. Abriu um pouco seus olhos, encarando o outro.
— Yao... Nunca me esquecerei de você.
Não precisou pedir os motivos daquela frase. O Império Romano estava enfraquecido, podendo acabar a qualquer momento. E todos sabem o que acontecem com nações quando elas acabam.
— Eu também não me esquecerei de você, aru. — Se aconchegou num abraço.
Cézar fechou os olhos e sentiu sua cabeça pesar. O sono estava chegando. Yao o abraçou mais forte, fechando os olhos com força.
— Eu te amo, Yao. — Cézar falou baixo — Posso ter milhões de amantes, mas é você quem eu amo.
Yao sorriu. Em seguida, levantou sua cabeça e depositou um beijo nos lábios do romano.
— Eu também te amo, aru. — O respondeu, sorrindo.
— Vamos dormir. Tenho um longo dia amanhã.
— Sim. — Yao o abraçou mais forte, deitando a cabeça em seu braço.
Infelizmente, não teve “amanhã”. Quando Yao acordou pela manhã, não havia ninguém lá. Nenhuma notícia, nenhuma carta. Seguiu sem informações até o momento em que descobriu – o Império Romano havia acabado. Cézar havia acabado.
—X—
Yao estava na sala, montando um quebra-cabeça com Mei. A garota se encontrava pensativa, distraída. Não era normal, afinal de contas, a menina sempre foi de conversar bastante.
Após algum tempo em silêncio, ela finalmente quebrou o silêncio.
— Nini... Você já se apaixonou? — Ela o perguntou, apoiando o cotovelo na mesa.
Yao sorriu. Algumas memórias vieram em sua cabeça, fazendo seu sorriso abrir mais.
— Já, uma vez. Mas isso foi há muito tempo...
Ele nunca se esqueceria.
É um milagre que eu somente acredito
Não deixar nada para lhe dizer
Não posso dizer adeus
Última noite, boa noite
Notas finais
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