Notas iniciais
GENTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.
Oi, como vão vocês?
Antes que vocês venham com "VOCÊ TA LOUCA? UM MONTE DE FIC PRA ATUALIZAR E VOCÊ ESCREVENDO ONE? VOU MATAR VOCÊ" Queria esclarecer que nos ultimos tempos eu não estava conseguindo escrever NADA, NADA MESMO. E essa One meio que me trouxe de volta para as fanfics, aproveitando as ferias e o tédio, vou me dedicar totalmente as minhas fanfics, então esperem só mais um pouquinho que vou atualizar tudo!!
Enfim, tive a ideia pra essa one no rpg dos marotos que eu jogo e.. Espero que gostem, eu modestia parte, amei.
Enjoy ^^

Ah, que dia! Que dia estava sendo esse. Um dos piores, me arrisco a dizer. Eu estava odiando aquele dia, e não era só por causa da incansável prova de vestidos. Era por que estávamos a exatamente uma semana do meu casamento. Isso mesmo, meu casamento. Andrômeda Black, irmã revoltada, iria se casar com um cara que seus pais haviam escolhido. Um cara rico, arrogante, cruel e puro-sangue.
Onde eu estava com a cabeça quando imaginei, lá no meu sexto ano em Hogwarts, que poderia ir contra as tradições da minha família? Onde eu estava com a cabeça quando sequer cogitei a possibilidade de abandonar tudo? Insano. Como poderia eu, fugir, me esconder para nunca mais ser achada? Não, impossível. Bellatrix me encontraria, e quando o fizesse, me mataria.
Mas o que era pior? Morrer ou viver numa eternidade infeliz? Eu não sei, juro que não sei. Mas isso não era só por mim, era também por ele. Eu não podia por ele em perigo.

─ Andie! Andie! ─chamou-me Narcissa, tirando-me de meu torpor─ Andie, no que está pensando?

─ Eu.. Nada. ─disfarcei olhando-me no espelho. O belo vestido negro deixava meus ombros a mostra, marcava bem a minha silhueta e abria levemente nas pernas. .

─ O que achou deste? ─perguntou ela, com os olhos cinzentos brilhando─ Você está linda.

─ Não, não gostei. ─respondi com pouco caso─Aliás, por que eu tenho que me casar de preto mesmo? Estou parecendo uma noiva cadáver.

─ Andie, é a tradição, casamento entre puro-sangue tem que ser de vestido preto.

─ Isso é doentio sabia? ─ falei fazendo uma careta ─ E não gostei desse, quero ver outro.

E lá veio a costureira, usando sua varinha rapidamente moldou outro vestido ao meu corpo. Ele era tomara-que-caia e marcava bem a minha silhueta, era bonito, mas eu não me parecia nada com uma noiva.

Mas quer saber? Melhor assim, quem sabe eu me esqueça que estou me casando.

─ É esse! ─falei decidida─ Adorei.

─ Mas Andie... O outro é bem melhor. ─argumentou minha irmã.

─ Eu posso escolher pelo menos o meu vestido? ─falei um pouco ríspida.

─ Tudo bem, tudo bem.. ─falou Cissa, já um pouco cansada. ─ É esse.

Quando saimos da pequena alfaiataria já era noite, ventava muito e nós andávamos o mais rapidamente possível, carregando a grande caixa do vestido.

─ Até que enfim conseguimos, depois de umas cinqüenta provas. ─falou Cissa.

─ É, tem razão..

─ Por que está tão quieta Andrômeda? Você não é assim. ─perguntou ela.

─ Nada Narcissa.. É só que.. Deixa pra lá.. ─suspirei

─ Olha Andie, também foi um choque pra mim quando tive que me casar com Lucius, mas nós construímos um amor juntos, tenho certeza que será assim com você e Amycus também.

─ É.. claro. ─concordei forçando um sorriso.

Não, não seria, tanto eu quanto ela sabíamos disso, mas nenhuma das duas nos arriscaríamos a falar em voz alta.

A falar dele novamente em voz alta.

A verdade é que no mundo bruxo, tudo tem ouvidos.

Chegamos à um beco mais escuro e demos as mãos, desaparatando para casa.

A Mansão Black estava silenciosa a não ser pelos rangidos no andar de cima, onde Flink, nosso elfo doméstico, ficava.

─ Chegaram.. ─disse a voz grave de nosso pai, chegando no hall de entrada.

─ Demoramos mas conseguimos! ─ falou Cissa, abrindo um sorriso.─ O vestido da Andie é lindo.

─ Não importa se é lindo ou não, o que importa é que você se case o mais rápido possível Andrômeda. ─disse ele, severo, me fitando com dureza.

Quantos verões eu não suportara esse olhar? Não batera de frente com ele? Gritara e depois sofrera as conseqüências no maldito porão escuro e frio?
Ele me dava raiva. A maneira como ele se dirigia a mim me dava raiva. Como uma pessoa doente que precisava imediatamente ser salva.

Eu não precisava ser salva, eles é que precisavam, eles todos.

─ Boa noite. ─falei com pesar na voz e subi as escadas, em direção ao meu quarto.

Subi as escadas e cheguei no primeiro patamar de quartos.

“Bellatrix Black”

“Narcissa Black”

E finalmente

“Andrômeda Black”

Entrei direto e me joguei na cama, fitando o teto.

Merda, merda, merda.

Por que eu não podia ser corajosa como o Sirius? Por que eu não podia largar tudo sem medo?

A única diferença era que Sirius não tinha por quem temer, seu único amor –uma garota trouxa- morrera aos quatorze anos, pelas mãos de minha irmã, Bellatrix. E por que? Simplesmente para “não sujar o sangue da família”.

Eu não podia deixar que o mesmo acontecesse comigo. Não podia.
─ Você está fazendo o certo. Essa é a coisa certa a se fazer. ─sussurrei baixinho para mim.

A quanto tempo eu não o via mesmo? Um ano e sete, oito, nove meses?

Não importava, a única coisa que eu conseguia compreender era que era muito tempo, e a saudade me machucava mais a cada minuto.
Será que ele havia me esquecido? Encontrado alguém melhor? Alguém que fosse bom o suficiente para ele?

Eu não queria que ele tivesse encontrado. Mas eu não podia ser tão egoísta.

Que pelo menos um de nós conseguisse ser feliz.
Puxei o cobertor que estava em meus pés e me cobri até a cabeça. Eu só queria dormir para ver se talvez o tempo passasse mais rápido.
Com um turbilhão de lembranças, eu adormeci.

xx-xx

Maldita foto. Por que eu tinha que ter guardado uma foto dele? Só pra poder lembrar exatamente como era seu rosto? Como eram charmosas as covinhas que apareciam toda vez que ele ria ou de como seu olhar me passava segurança?

Céus, Andrômeda, é só uma foto.

Estou a exatamente dois dias do meu casamento, e não poderia estar me sentindo mais infeliz.

Eu nunca passei mais que duas horas seguidas com meu noivo e ultimamente apenas minha irmã mais nova tem falado comigo.

Decididamente, eu estou infeliz.

Me arrastei da cama até a escravinha e apanhei papel e pena.

Querida Sophie,
Estou confusa. Tudo está uma droga. Queria poder deitar no seu colo agora e virar a noite chorando, mas isso já não é mais possível. Estou com vontade abandonar tudo, por que mesmo que eu tente me fazer acreditar de que esse é o melhor pra mim, uma pequena chama de esperança ainda arde em meu peito.
Estou morrendo de saudades. Mande saudações ao Evan por mim.
Com carinho,
Andie.

Sophie Cooper é nada mais nada menos do que a minha melhor amiga desde o quarto ano. Ela era a única Sonserina que me ajudava a escapar do dormitório a noite sem que Bellatrix percebesse, e era a única também que me apoiava e consolava.

Agora ela estava fazendo um tour pela frança, com seu noivo, Evan Rosier.

Ah, como eu precisava dela aqui. Mas, acho que o maximo que poderia conseguir agora seria uma carta.

Peguei o pergaminho enrolado e o prendi ao pé de minha coruja.

─ Você sabe pra quem é ─sussurrei e fiz um carinho na cabeça dela, que logo saiu pela janela.

Passados quarenta minutos mais ou menos, ela voltou, com outra carta presa ao bico.

Querida Andie,

Estou morrendo de saudades e só Merlin sabe como eu queria estar com você agora, mas você sabe o que eu diria, certo?
Seja qual for sua decisão, sempre irei te apoiar.
Logo estarei ai,

Com amor,

Sophie.

Yeah. Esperei quarenta minutos para, basicamente, nada.

Mas, não a culpo, com uma família igual –se não pior- que a minha, ela não pode ficar demonstrando que apóia a minha “rebeldia”.

Bom, meu casamento seria daqui a dois dias, e depois que eu me casasse estaria tudo acabado.

A pequena chama de esperança enfim se extinguiria.

Havia algo que eu precisava fazer.

Me vesti rapidamente e apanhei na gaveta um convite para o meu casamento ainda em branco. O preenchi rapidamente e enfiei no bolso do casaco. Sai do meu quarto pé ante pé, sem fazer barulho nenhum, até chegar na sala e...

─ Onde você pensa que vai? ─ perguntou a voz estridente de Bellatrix.

Suspirei. Calma Andie, você consegue, vamos lá.

─ Vou levar o convite do casamento para uma amiga.

─ Amiga? Que amiga? Já convidamos todas.

─ Não. Falta uma.

─ E quem seria?

─ Prewett. Molly Prewett.

─ Prewett? ─perguntou com nojo na voz─ aquela ruiva nojenta? Não mesmo.

─ Bellatrix.. ─falei me aproximando─ esse é o MEU casamento, e eu vou chamar quem eu bem entender.

─ Não vai ─sua voz subiu uma oitava e ficou ainda mais fina─ eu não permito que você coloque uma traidora do sangue dentro da igreja.

Calma Andie, você contorna essa.

─ Ela não vai querer ir a um lugar cheio de gente arrogante e hipócrita Bellatrix, mas éramos amigas na escola, preciso manter aos bons modos e pelo menos convida-la.

─ Deixe-a ir Bella ─interviu Cissa─ ela está certa, precisamos manter a boa educação. Além do mais, Prewett jamais aceitaria ir ao casamento da Andie.

─ Vá então Andrômeda ─disse ela se aproximando─ mas se eu descobrir...

─ Não há nada para descobrir ─disse Narcissa─ eu tenho certeza disso. Vá Andie.

Sem pensar duas vezes, eu sai e bati a porta as minhas costas. Respirei fundo. Livre, por pouco tempo, mas livre. Os finos raios de sol da manhã penetravam dentre as pesadas nuvens, fazendo cócegas em meus olhos.

Andei até um beco ali perto e fechei os olhos, deixando a total escuridão me engolir.

CRAQUE.

Abri os olhos. Lá estava ele, como plano de fundo, o Castelo de Hogwarts, onde eu passara os melhores anos da minha vida. A minha casa. Comecei a andar pelo vilarejo pensando no que exatamente eu fazia ali.
Nem sequer sabia se depois de quase dois anos ele ainda morava ali, se havia mudado de casa, cidade ou até de país. Quase que automaticamente, meu pés me levaram a um velho prédio de cinco andares, eu olhei para cima, a janela do quinto andar estava entreaberta, suspirei e entrei.

─ Andie? ─perguntou Charles, o homem que cuidava da portaria do prédio. ─ o que faz aqui? ─ele sorriu.

─ Eu... hã... Vim ver uma pessoa.

─ Eu sei que veio ─sorriu ele─ Quinto andar, continua lá. Pode subir.

Meu coração deu um pulo. Não, não, vá embora Andrômeda, não estrague tudo.

─ Menina ─chamou ele, percebendo minha hesitação─ Não tenha medo, vá em frente, você não tem nada a perder.

Eu sorri.

─ Obrigada Charles. ─me adiantei para o elevador*

Em alguns instantes o elevador se abriu, e lá estava eu, olhando para uma porta preta e fechada. Meu coração parecia querer explodir. Andei até o apartamento sem fazer o menor barulho, e fechei os olhos e bati.

Depois de alguns momentos a porta se abriu.

O primeiro vislumbre que eu tive foi dele sorrindo, um sorriso sincero, aqueles sorrisos que fazem nossos olhos se fecharem.

Mas tão rápido quando veio o sorriso foi embora, se desmanchou assim que colocou os olhos em mim.

E ficamos ali, um olhando para o outro, sem nada dizer.

─ Andie! ─ exclamou uma voz a suas costas ─ Andie! Você aqui? Cara, vocês voltaram e você nem me conta? Poxa.. ─ falou Amos Diggory, pelo o que eu sei, melhor amigo de Ted, saindo de dentro do apartamento e me abraçando.

─ Nós não voltamos Dig.. E hum.. cala a boca. ─ murmurou ele.

Senti meu rosto enrubescer.

─ Ah não? Desculpe. ─disse ele, me fitando─ Como vai Andie? A quanto tempo eu não te via.

─ Vou bem Amos.. ─sorri.

─ Bom, mas voce não veio até aqui para me ver, certo? Vou indo nessa, até mais gente.

Ele se foi. Silencio de novo.

Vai Andrômeda, fala alguma coisa agora.
Enfiei a mão dentro da casaco, onde estava o convite, e o apertei forte.

─ Oi. ─falei olhando para baixo.

Legal, você vem aqui e o melhor que pode fazer é “Oi”? Idiota. Idiota. Idiota.

─ Então... Você quer entrar? ─pediu ele, com a sombra de um sorriso no rosto.

─ Hã... tudo bem. ─ falei entrando.

A casa dele estava exatamente como eu me lembrava, apesar de ter vindo aqui apenas uma vez, eu me lembrava de cada detalhe. Havia cobertores no sofá, como quem os puxara até ali para se esquentar diante a lareira, um pote com doces na mesa de centro e sapatos jogados. O cheiro ali era de café misturado ao de biscoitos de chocolate. Por o apartamento ser pequeno, a lareira esquentava tudo, deixando ali um clima mais quente que lá fora, de modo que meu grosso casaco começou a me sufocar.

─ Você.. Aceita algo? Suco, Café, Cerveja Amanteigada? ─perguntou ele.

─ Não, obrigada ─respondi, do jeito que minhas mãos tremiam, eu derrubaria qualquer copo que pegasse nas mãos.

Ele, em contrapartida, parecia irritantemente calmo, com pleno controle sobre tudo, como sempre.

─ Pode tirar seu casaco se quiser. ─disse ele, de um modo quase divertido.

Só então reparei que ele usava apenas uma calça de moleton e uma regata branca, colada ao corpo.

─ Eu.. hã.. Não precisa. ─respondi, segurando o convite do bolso com força.

─ Está quente aqui.. ─ele de adiantou para minhas costas e escorregou o casaco pelos meus braços, de modo que fui obrigada a largar o convite, deixando-o levar o casaco para longe.

O que eu fazia ali mesmo? Eu nem sequer me lembrava.

─ Obrigada.. ─falei olhando ele pendurar o casaco.

─ E então...? ─perguntou ele quando voltou.

─ Eu... Queria é... Chamar... ─comecei, porém ele me interrompeu.

─ Só um minuto ─correu para a cozinha─ Ah, olha isso, a lasanha está pronta ─gritou de lá.

Com tudo isso nem me lembrava que já era quase hora do almoço. Meu estomago roncava em protesto, mas eu não queria comer. Nem ao menos sabia o que era uma lasanha.

─ Olha, eu... Volto em outra hora, tudo bem? ─falei indo até ele na cozinha.

─ Ah, não mesmo, você veio até aqui.. Deve ter algo para dizer. Por que não almoça comigo? ─perguntou ele colocando a grande travessa em cima da mesa. ─ A lasanha está uma delicia.

─ Eu não sei se confio no seus dotes culinários –ri- e o que seria uma lasanha?

─ Ah, é uma comida trouxa, deliciosa. E fique tranqüila, foi minha mãe que fez mais cedo, quando veio aqui me ver.

O cheiro estava realmente bom, e eu não queria ir pra casa já.

Bom, eu já estou aqui mesmo.

─ Nesse caso então... Eu fico. ─falei encolhendo os ombros.

Ele sorriu, como estava sorrindo quando abriu a porta para mim.

─ Eu arrumo a mesa. Onde ficam os pratos?

Ele apontou para um armário no alto da parede. Fui até ele e me ergui na ponta do pés, mas sem sucesso em alcançar. Continuei tentando até que ele riu do meu esforço em vão e veio me ajudar, chegou pelas minhas costas, deixando seu corpo perigosamente perto do meu e pegou dois pratos, colocando-os nas minhas mãos. Instintivamente suas mãos escorregaram para a minha cintura e ele encostou sua testa contra minha cabeça.

Meu coração estava descompassado e a minha respiração acelerada, e eu sentia que poderia derrubar aqueles pratos a qualquer momento.

Ele se afastou de mim rapidamente e se ocupou em arrumar a lasanha em cima da mesa.

Fui até lá e arrumei os pratos e os talheres. Ele foi até o armário e pegou uma garrafa de hidromel.

─ Está tentando me embebedar? ─brinquei para quebrar o clima tenso que havia se formado devido ao episodio anterior.

─ Quem sabe... ─ele sorriu de canto─ brincadeira.

Eu sorri. ─ Vamos comer? Estou ansiosa para provar essa...

─ Lasanha. ─ele me lembrou─ Você vai adorar, é uma delicia, meu prato preferido.

Ele cortou um pedaço e colocou no meu prato, fazendo o mesmo no dele. Encheu nossas taças com hidromel.

─ Então.. Voilà ─ disse ele me indicando o prato.

─ Hmmm, deixe-me ver. ─falei e comi um pedaço da massa, e realmente, é delicioso.

─ Então, me de seu veredicto ─ele brincou enquanto comia também.

─ É simplesmente maravilhoso, céus, acho que nunca comi nada tão bom.

─ Eu avisei... ─ele sorriu enquanto tomava um pouco do hidromel.

─ Então.. O que tem feito? ─perguntei querendo iniciar uma conversa casual.

─ Ah, eu tenho trabalhado no Ministério, sabe, no departamento de Execução de Leis da Magia, e também tenho ajudado meu pai com os negócios da família quando sobra tempo.

─ Ah, claro, entendo...

─ E você?

─ Ah, nada demais, sabe... Eu ainda estou estudando para ser curandeira, o curso é longo, enfim...

─ Tenho certeza que você conseguir, sempre foi uma das melhores do nosso ano. ─ ele sorriu.

─ Ah, tomara... Obrigada.

─ Como vai a Sophie? Tem falado com ela?

─ Claro, sempre, mas ela está na França agora..

─ Ah sim.. ─ele sorriu─ eu ainda me lembro de quando nós três fugíamos para a Sala Precisa e viravamos a madrugada cantando qualquer musica... E no final ela sempre saia dizendo que odiava ficar de vela, deixando-nos lá.. ─ele desviou o olhar.

─ Eu tenho tantas saudades desse tempo.. ─falei mais baixo.

─ Eu também.. ─ disse ele, e assim terminamos nossa refeição.

─ Vou te ajudar com essa bagunça ─falei apontando a louça na pia.

─ Não precisa se incomodar.. ─ ele tentou argumentar.

─ Isso é baba pra mim ─ri e com um aceno da varinha as louças começaram a se lavar sozinhas.

─ Hum, me ensine a fazer isso, ainda lavo a louça do modo trouxa ─disse ele rindo.

─ É fácil.. –sorri

─ Vem aqui.. ─disse ele, me chamando para a sala.

Eu o acompanhei até lá, então ele se adiantou para a lareira, onde havia um pequeno radio, o ligou e uma sintonia calma invadiu o apartamento.

─ Não sabia que você gostava de musica clássica.. ─comentei.

─ Bom, eu até gosto.. ─disse ele se aproximando de mim─ Me concede essa dança?

─ Eu acho que é melhor não, Ted...

─ Vamos lá Andie, só uma dança.. E além do mais, você veio aqui para me dizer algo, não foi?

─ É... Acho que sim.

Então ele pegou minha mão e me guiou para o centro da sala, me fez dar um giro e me puxou para perto pela cintura, guiando numa dança calma e suave,como de costume, passei os braços pelo seu pescoço.

─ O que você precisava dizer? ─disse ele, num tom não mais alto que um sussurro.

─Eu... Não sei. ─eu estava nervosa e me esforçava para manter a voz natural, mas não estava me saindo muito bem.

─ Diga Andie...

O corpo dele tão próximo ao meu, e a sua respiração contra o meu pescoço não me deixavam pensar, a única coisa que se passava pela minha cabeça era o nosso ultimo encontro, a forma como eu terminei tudo, a dor em seus olhos, quase dois anos sem se ver.

Tudo isso estava vindo a tona agora, um sentimento que eu me esforçara ao maximo para sufocar. Tudo isso voltava com força total. Maldita hora em que eu fui sair de casa. Meus olhos já estavam cheios d’agua, eu não agüentaria chama-lo para o meu próprio casamento, não agüentaria.

─ Ted... Eu não posso... Eu não posso... Eu preciso ir –falo me afastando dele.

─ Mas Andie.. –diz ele, um tanto confuso.

─ Só preciso ─falo a beira das lagrimas. Pego minha bolsa e saio porta a fora.

Desço as escadas correndo, pra que elevador afinal? As lagrimas já escorrem pelo meu rosto, por que diabos eu fui vim aqui? Desfrutar de um belo almoço e boa musica e depois convidar casualmente o homem que eu amo para o meu casamento? Não Andrômeda, não. Idiota. Ainda esqueceu o seu casaco.

Cheguei ao hall de entrada correndo, passei pela portaria sem nem sequer dar tchau a Charles, sai pelo portão e senti a chuva bater em meu rosto. Merda, merda de dia, merda de vida, merda de século.

Continuei andando, ignorando a chuva, e quando estava atravessando a rua alguém me puxou com força pelo braço.
Considerando que velocidade é igual a distancia vezes tempo, sim era ele.

─ Ted, eu...

─ Você vai se casar Andromeda? ─ele parecia irritado─ foi por isso que veio até aqui? ─olhei para sua mão e vi que ele segurava o convite.

─ Eu... eu queria..

─ Me convidar? ─havia tristeza em sua voz─ Acha que eu gostaria de ver a mulher que eu amo casando-se com outro?

Meu coração deu pulo.

“A mulher que eu amo”

─ Me desculpe.. É que eu... E não sei... ─grossas lágrimas já escorriam e se misturavam com as gatas da chuva.

Então ele me abraçou forte pela cintura e me beijou. Um beijo calmo, intenso e cheio de saudade.

Eu não sei explicar as conseqüências daquele beijo. Meu corpo parecia feito de pó, sem nenhum peso mais, e eu estava tão nervosa que podia sentir meu coração batendo rápido demais.

A chuva não importava, o casamento não importava, nem meus pais, irmãs, ou o mundo. Nada mais importava. Apenas nós dois.

─ Ted.. ─murmurei interrompendo o beijo por falta de ar.

─ Eu não vou deixar você ir embora de novo, não vou.

─ Mas eu preciso...

─ Shhhh... Está frio aqui fora e estamos sem blusa –ele sorriu─ vamos entrar ─disse já me puxando para dentro novamente─

Assim que entramos no apartamento novamente, ele me abraçou por trás, dando leves beijos em meu pescoço.

─ Ted... Eu não vou conseguir re... Resistir. –sussurrei

─ Só me diga... Você ainda gosta de mim Andrômeda? ─perguntou ele, sussurrando em meu ouvido.

─ Sim... ─a resposta saiu quase como uma suplica, já que agora suas mãos passeavam pela minha cintura.

─ Gosta o bastante para abandonar tudo?

─ Eu te amo. ─falei virando-me para ele.

─ Então vai dar tudo certo. ─ele sorriu e me beijou.

Eu correspondi o beijo empurrando-o até a parede. Desejo. Eu não conseguia mais pensar em nada, apenas em nós dois. Ele desceu os beijos para o meu pescoço, enquanto acariciava minha cintura, deixando um rastro quente por onde suas mãos passavam. O puxei pelo queixo e o beijei novamente, mordendo de leve seu lábio inferior. Ele me encarou e sorriu.

Como eu passara tanto tempo sem aquilo? Sem aqueles toques? Sem aquele sorriso? Sem aquela voz? Aquele cheiro?

─ Merlin... Que saudade. ─sussurrou ele, no meu ouvido.

─ E eu então... ─murmurei arranhando de leve sua nuca.
Num movimento rápido ele me deixou contra a parede, beijando e mordendo meu pescoço, colo... Aos poucos seus dedos começaram a abrir devagar os botões da minha blusa, com toda calma do mundo... Logo ele terminou, e passando as mãos pelos meus ombros tirou a blusa lentamente.

─ Andie... ─sussurrou ele, olhando para o meu busto.

─ Shhhh... ─sorri e voltei a beija-lo.

Devagar comecei a erguer sua camisa, acariciando sua barriga definida e mordendo de leve seu lábio inferior. Tirei sua camisa e joguei em um canto da sala. Ele me prendeu contra a parede e puxou mais pernas, deixando-as envolta em sua cintura, de modo a me segurar em seu colo.

─ Quarto... ─disse ele, dando uma mordida de leve em meu queixo e voltando a me beijar.

─ Quarto.. ─concordei e ele me levou pra lá.

A cama estava bagunçada ainda, e o seu quarto tinha o cheiro dele, nada muito bagunçado nem muito organizado.

Ele se sentou na cama comigo em seu colo e voltou a me beijar, passando as mãos pelas minhas coxas. Arranhei suas costas de leve e o empurrei, fazendo-o se deitar e me deitando sobre ele.

─ Eu te amo. ─sussurrei enquanto o sentia abrindo o fecho da minha calça.

─ Eu te amo muito mais. ─ sussurrou ele de volta.

xx-xx

Abri meus olhos lentamente. Que cama quentinha. Que cheiro bom. A quanto tempo eu não acordava sentindo cheiro de café e biscoitos de chocolate.

Ah, eu tinha que me levantar, mas que preguiça...
Olhei pela janela e o céu estava escuro. Desde quando a gente acorda com o céu escuro...?

Merda.

Droga.

Em um segundo todas as lembranças das ultimas horas invadiram minha mente.

Olhei debaixo das coberta se eu vestia apenas uma camisa larga demais para ser minha.

Porque era dele. Uma camisa dele.

A noite já havia caído e eu ainda não havia voltado para casa. Era só uma questão de tempo até Bellatrix juntar os pontos e vir bater aqui na porta do apartamento de Ted.

Isso se ela não estivesse fazendo isso agora mesmo.

Me levantei rapidamente caçando minhas roupas e vestindo-as.

Cheguei na cozinha e lá estava ele, com uma bandeja de cookies recém feitos. Se cabelo estava despenteado e ele tinha o maior dos sorrisos no rosto.

─ Ted... Eu tenho que ir. ─falei com a expressão triste.

─ Andie... ─ele se aproximou de mim─ Eu não estava brincando quando disse que não vou te perder uma segunda vez.

─ Eu não tenho escapatória...

─ Quem disse isso? ─falou uma voz conhecida as minhas costas.

─ Sophie! ─exclamei e corri abraça-la. ─ O que está fazendo aqui? Não estava na Franç?

─ Ted me contou tudo e bom... Eu peguei uma chave de portal e vim ajudar.

─ Ajudar a que?

─ A fugir, horas. ─disse ela rolando os olhos.

Olhei para ele, que sorria para mim.

Eu não iria desmanchar aquele sorriso novamente.

─ O que iremos fazer? ─ perguntei decidida.

xx-xx

─ Mãe? Cissa? ─chamei entrando em casa─ Cheguei.

─ Já não era sem tempo, não é? ─falou Bellatrix, aparecendo no hall.

─ Desculpe a demora, eu acabei de distraindo lá...

─ Perdendo tempo com traidores do sangue Andrômeda? ─ela gritou─ Mas isso vai acabar. Amycus vai te colocar na linha assim que vocês se casarem.

─ Ta.. Tá bom Bella.. Agora eu vou subir e me deitar ok? Estou exausta.

─ Não vai jantar? ─ perguntou minha mãe, aparecendo ao lado de Bellatrix.

─ Já jantei. ─respondi subindo as escadas.

─ Escória. A escória está levando essa garota para o mau caminho. ─resmungou Bellatrix enquanto eu me distanciava.

Quando entrei em meu quarto, a mascara de cansaço e infelicidade que eu preservara por meses se foi. Sophie estava lá dentro e jogava todas as minhas coisas dentro de um grande malão.

─ Merlin Sophie.. ─resmunguei indo até ela.

─ O que quer? Que eu dobre peça por peça? ─perguntou irônica.

─ Shhhh, fale baixo, se encontrarem você aqui teremos que dar boas explicações.

Sophie aparatara direto no meu quarto, por que para a minha famila ela ainda estava na frança.

─ E pare de jogar minhas coisas assim ─sussurrei e saquei a varinha, com um movimento amplo e um “Arrumar malas” as coisas foram para dentro do malão em perfeita ordem.

─ Garota, você precisa me ensinar isso. Até as meias estão dobradas. ─disse ela, observando a organização.

─ Tá, ta, mais tarde. ─sussurrei. ─ agora vamos.

─ Andie! Andie! ─a voz de Narcissa me chamou, seguida de batidas na porta.

─ Merda. ─sussurrou Soph.

Olhei para ela em total desespero. O malão estava aberto no chão, ao seus pés. Apontei a varinha para o armário, que se abriu.

─ Vai. ─ indiquei com a cabeça o armário aberto.

─ Não mesmo ─ ela sussurrou ─ deve ter aranhas ali.

─ Vai e leva o malão. ─sussurrei.

─ Andie! Abra!

─ Não vou.

─ Vai.

─ ANDIE!

Empurrei a garota lá pra dentro e chutei o malão em seguida, fechando a porta, corri até a porta do quarto e a abri.

─ Por que demorou tanto? ─ perguntou Narcissa.

─ Eu estava.. Trocando de roupa.

─ Mas você está com a mesma roupa. ─ disse ela, me encarando.

─ Ah... É.. Acho que me esqueci.

─ Andie... Você está estranha.

─ Não... Estou apenas estressada, nada mais. ─falei forçando um sorriso.

─ Ah.. ─disse ela, como quem não engole a mentira─ mamãe está perguntando se você não quer mesmo jantar.

─ Não, obrigada, eu estou bem. Quero me deitar. ─falei dando a deixa para que ela saísse.

─ Tudo bem.. ─disse se dirigindo para porta.

Quando ela estava prestes a sair, eu a chamei.

─ Sim?

─ Eu te amo, Cissa.

Ela sorriu.

─ Também te amo, Andie. ─com isso, saiu do quarto.

Eu sabia, e algo me dizia que ela também sabia. Nós nunca mais no veríamos.

Fui até o armário e o abri, deixando Sophie sair.

─ Tem aranhas ali ─ ela sussurrou indicando o armário ─ assim que isso acabar, eu mato você.

Eu ri.

─ Tudo bem, vamos.

Então nós demos as mãos e desaparatamos.

Assim que chegamos no apartamento de Ted, suas malas também já estavam prontas.

─ Dig vai desmontar tudo aqui e levar para a nossa nova casa, em breve.

─ E onde ficaremos enquanto isso? ─ perguntei.

─ Que tal um tour pelo meu local favorito no mundo? ─sorriu Sophie.

─ Nós vamos pra Paris, Andie ─ disse Ted.

xx-xx

Anos haviam se passado, agora tenho uma filha e três anos de idade que pode parecer com o que quiser.

Amo minha família mais do que qualquer coisa nesse mundo.

Uma guerra está acontecendo lá fora, e eu ainda sou o alvo preferido de minha irmã, eu e minha família, o que não é lá muito estimulante.

Voldemort está conquistando poder e tem um ódio especial por nascidos-trouxas como meu marido, e traidores do sangue, como eu.

Recentemente descobri que meu nome foi queimado na arvore genealógica dos Black, e minha única família, Sirius Black, foi preso por um suposto assassinato, mas devo acrescentar que acredito totalmente em sua inocência.

Ou seja, as coisas não poderiam estar piores.

Mas eu tenho o meu marido, e a minha filha, é eles que me dão forças para continuar.

Então, se eles estão bem, eu também estou.

Muito prazer, eu sou Andromeda Tonks.

Notas finais
*Elevador = bom, não sei se tem elevador no mundo bruxo, mas vamos fingir que era algo encantando que facilitava a subida, certo?
Bom, então, o que acharam?
Conto com a opnião de vocês!
Beijos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!