Last Kiss - O Conto do Lago
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
É a minha primeira vez escrevendo um drama - principalmente um conto! - então sejam bonzinhos com as críticas ♥ *morre*
Aah, quase me esqueci, o porquê de "O Conto do Lago" iniciar a estória vocês vão entender no decorrer da fic ^.~
Espero que gostem ♥ Ja nee *3*v
Last Kiss
- A Canção de Fogo e Gelo —
Suas pernas cansadas de tanto correr pareciam pesadas, sua pele gelada ardia em contato com os pequenos flocos de neve. Seu corpo, que ameaçava não aguentar mais nem um passo, desabou abandonado ao chão. Em meio à paisagem desconhecida ela se perguntava como havia parado ali. Ah, é mesmo! Havia corrido por tanto tempo sem direção que já nem mais sabia onde estava.
Seu vestido branco de finas alças não era o suficiente para a baixa temperatura, assim o corpo lançado ao chão já não dava resposta, apenas as lágrimas continuavam a cair como se tivessem decorado o caminho. O pedaço de papel já amassado em suas mãos parecia queimar; queimar como aquelas palavras que abrasavam dolorosas em seu peito.
Encostada em uma árvore qualquer, com seus pés machucados por caminhar tantas horas sem proteção, se encolhia abraçando seus joelhos. A dor da perda, da culpa, da saudade, embalava seu frágil corpo. Ele contraía com a baixa temperatura, mas ela já nem ligava, qualquer dor infringida a seu corpo era bem menor que a dor que parecia lhe consumir.
Se ele estivesse aqui, talvez risse da sua cara e diria o quão acabada estava, acolhendo-a em um terno abraço, assim como naquela manhã. Mas ele não estava mais aqui; a dor da perda mais uma vez ardeu em seu peito, com a lembrança desfazendo-se em mais lágrimas.
~ ♥ ~
Com seus longos cabelos loiros e pele clara, tinha a aparência de uma garota meia e ingênua à medida, uma aspirante à romântica, mas essa era uma mera imagem criada por aqueles que mal a conheciam.
Catherine possuía uma personalidade forte e decidida, tão impenetrável quanto uma parede sólida. Parecia esnobar qualquer um que não lhe fizesse diferença, seu orgulho acentuado era facilmente percebido. Mas sua aparência a traía, a tornava popular entre os garotos, que pra sua ira vivam lhe correndo atrás com suas declarações fúteis e vazias, completamente desnecessário.
Dama de gelo; esse era o apelido que a atribuíram naquela escola que há tanto frequentava. Já era uma lenda entre os alunos pelo número de declarações rejeitadas, conhecida pelo mau-humor e imparcialidade. Nem lhes dava importância, seus livros pareciam ser bem mais interessantes, afinal eles não ficavam ao seu lado apenas por aparência ou imagem idealizada.
"Quem pensam que são para esperar que eu retribua qualquer sentimento? Eles por acaso me conhecem o suficiente para se beneficiar de tal regalia?"; era o que pensava quando oferecia palavras frias a qualquer correspondente que lhe chegasse perto.
Já ele, com seu corpo esguio e definido, o rosto fino e delineado, à primeira impressão lhe comparariam àquelas pessoas impenetráveis e inatingíveis – nem de longe a verdade. Seus cabelos eram lisos e desalinhados, de um tom de castanho um tanto singular, assim como sua personalidade. Estava sempre animado e pronto para fazer uma piada. Sua presença e simpatia era sempre bem desejada, um quadro completamente oposto à primera vista.
Dragão de fogo; era o apelido pelo qual o chamavam. Imponente e forte como um dragão, mas tão belo e caloroso quanto o fogo. Sendo amigo de todos, sua simpatia fazia fama, aumentando o número de garotas apaixonadas por seu sorriso. Ainda assim, todas conheciam a impossibilidade de ter seu amor correspondido, pois todas sabiam do amor unilateral e insistente do Dragão de Fogo pela Dama de Gelo.
Ele gostava de dizer que o tamanho do seu amor era muito maior que o de todos os outros, só faltava ela perceber isso. Dizia sempre rindo de seu coração de bobo apaixonado o quanto achava meigo o modo como ela fazia as coisas, o como borboletas pareciam brotar em seu estômago toda vez que ela sorria, mesmo que fosse um riso singelo.
Por todos os longos anos que frequentou aquela escola, empenhara-se em conquistar sua amada, parecendo falhar em todas as suas tentativas. O modo como ela o olhava com frieza... A distância que ela impunha entre eles, tão dolorosa! Mas ainda assim ele se negava a desistir. Quanto mais distante, mais desejava tê-la. Às vezes via um pequeno avanço, assim apegava-se à ideia de que a cada dia a barreira que os separava, pouco a pouco, ruía.
– Bom dia! – Saudou-a animadamente em uma manhã qualquer. Em resposta, ela apenas abaixou um pouco o livro a sua frente, cumprimentando-o com o olhar. Para ele, aquilo bastava para fazer seu dia, afinal, não o tinha ignorado, como sempre acontecia... Se sentindo incentivado a continuar, tomou ar e puxou assunto. – E então, o que você está lendo hoje?
Naquele dia ela estava sentada em um banco isolado no campus, e como sempre, escondida em algum tipo de livro. Ela era ainda mais linda quando olhava com seriedade para o conjunto de letras a sua frente, e era ainda mais fascinante observar o quão rápido ela movia as páginas. Mas mesmo tentado só observá-la, o Dragão de Fogo preferia muito mais ter a atenção de sua dama completa para si, mesmo que apenas para receber seu olhar gélido.
Viu que não obteria resposta, mas isso não o convenceu a se afastar. Sentou ao seu lado como se tivesse sido convidado, assobiando folgadamente uma música qualquer. Sabia que estava atrapalhando, mas era essa a tática que aprendera com o passar dos anos para atrair a atenção de sua amada.
– Por acaso você é algum tipo de masoquista nojento? – Ela perguntou de forma ríspida, sem ao menos desviar os olhos do livro.
– Hm, será? Nunca pensei sobre isso... É, talvez seja. – Respondeu divertido. – De qualquer forma, esse parece ser um bom livro. – aproveitou tentou novamente começar uma conversa.
– “O Conto do Lago” – respondeu em um suspiro, derrotada pelo bom humor do homem ao seu lado. Em resposta apenas obteve um olhar confuso do rapaz ao seu lado. – Oras, o nome do livro! – Informou de modo impaciente. – Além de irritante é idiota... – Murmurou.
– Ah! Mil perdões, é que não estou muito acostumado a ser respondido. – Confessou sem graça, não querendo julgá-la ou algo do tipo, apenas sendo sincero. Antes que pudesse ser mal compreendido, aproveitou a oportunidade para puxar uma conversa. – E então, do que se trata? – Usou de seu melhor sorriso, os olhos mostrando a veracidade de seu interesse; afinal, qualquer coisa que pudesse saber sobre ela era fascinante.
– É uma história antiga escrita por um autor nem um pouco conhecido. – ela sorriu para o livro em suas mãos, esboçando algum sentimento. Aquele singelo sorriso fez o coração do garoto dar uma volta, almejando ver aquele pequeno brilho em seu rosto pelo menos mais uma vez.
Havia algo nela que apenas ele percebia; que por trás de toda aquela frieza, havia uma garota tímida e com medo de se machucar. Aquilo o fazia desejar cada vez mais compreendê-la, desvendá-la, mergulhar naquele turbilhão de emoções desconhecidas e por fim resgatá-la daquela escuridão.
– Realmente nunca ouvi falar, mas como havia dito, parece ser muito bom... Afinal é você quem está lendo. – disse com sinceridade, guardando um riso apaixonado nos lábios.
Assustada pela confissão dita de modo suave, virou-se ligeira a fim de cortá-la antes que tivesse de dispensar o garoto. Ah, logo quando estava começando a gostar da conversa... Ainda assim as palavras morreram em seus lábios, olhando-o nos olhos pela primeira vez, perdeu-se no brilho que lá possuía. Tão sincero! Normalmente, ninguém se interessava por sua leitura, mas com ele era sempre diferente, ele parecia se interessar verdadeiramente com tudo o que ela fazia, como se tudo fosse de extremo valor e importância. Sem dizer nada, ela fechou o livro e o ofereceu.
– Mas você não deseja saber o final da história? – Perguntou confuso, afinal, se era um bom livro, por que ela deixaria de ler ainda na metade?
– Eu já li milhares de vezes, até já decorrei suas palavras com exatidão... – E sem dizer mais nada, levantou-se do banco, andando em direção a sua primeira aula.
Para ele aquele livro era como uma parte de sua garota, mais um de seus mistérios, um pedaço seu do qual ela o permitira decifrar. Com um sorriso no rosto, ele correu até ela, acompanhando-a – sem parar de falar, como sempre – até sua primeira aula.
Os dias se passavam e a neve começava a cobrir as calçadas, mas conforme o tempo esfriava, mais aberta a diálogos se encontrava a Dama de Gelo. Talvez fosse o olhar, o livro, ou até mesmo o tempo, não se sabe dizer, mas ela começava a gostar da presença quente e confortável do Dragão de Fogo. Foi em um dia em que a neve caía deixando sua marca no solo frio, mais intensa que qualquer outro dia, que a canção que os conectava chegava a seu último refrão.
O céu cinza parecia ainda mais solitário quando o Dragão de Fogo buscava desesperadamente pela Dama de Gelo. Esta havia desaparecido desde a terceira aula, quando a neve deu seus primeiros sinais de que iria cair.
– Parece que a Dama de Gelo pretende voltar para suas raízes! – um grupo de garotas comentava entre si, rindo em deboche.
– Credo! Mas confesso, espero que ela morra de uma vez! Assim ela aprende a ser mais gentil. – a frase ríspida desencadeava outra sequência de risos entre as outras do grupo.
– Tenho dó daquela lá. Mas tudo bem, ela que pediu para terminasse assim. – outra comentava.
Como assim? O que elas queriam dizer? Onde ela estaria em uma hora dessas? Sem pensar direito, correu até tal grupo transbordando em perguntas.
– Onde ela está?! – Abordava afoito àquelas garotas.
– O que? Do que você está falando? – Uma delas rebatia, fingindo-se desentendida. Era simplesmente frustrante ter sido rejeitada pelo Dragão de Fogo, tudo por causa de uma garota idiota e prepotente.
– Me diga onde ela está! Eu sei que você sabe, agora, por favor, me conte! – Por fim, encontrando o desespero nos olhos espelhados do garoto a sua frente, o grupo confessou tê-la visto próxima à campina há alguns minutos.
Tomado em desespero, correu o mais longe que podia. Correu para fora da escola, deixando para trás seu casaco de neve, sua presa e desespero encobriam qualquer frio que viera a sentir. E quando já estava perto da floresta que ficava em torno da escola, ouviu-se ao longe uma canção, meio murmurada e sem letra, muito parecida com aquela que assobiara naquela manhã, mas esta carreava um som tão mais... triste? Caminhando um pouco mais devagar, aproximou-se da origem daqueles sons.
Encontrou-a deitada no chão, quase que coberta de neve, mas com seus olhos fechados, não percebeu sua chegada. Sua beleza envolta em branco era perfeita, um acordo triste e irônico, que causava angústia àqueles que o viam. Abaixando-se ao seu lado, o garoto passou a mão sobre a pele fria de seu rosto, chamando sua atenção. Seus olhos trêmulos se abriam devagar, revelando a imagem daquele que a resgatara.
– O que faz aí? Essa roupa não é adequada para se fazer anjos de neve. – Sua voz, meio cansada da corrida, dizia brincando. Ela estava com apenas o uniforme de inverno da escola a qual freqüentavam, sem nenhum casaco ou algo que a protegesse do frio.
– Eu só estou descansando – Respondeu de forma ríspida, com sua típica ignorância.
– Pra mim parece que você está querendo morrer congelada. – Agora sua voz era séria e severa, sem nenhum pingo de brincadeira. Ele queria arrancá-la daquele monte de neve, aquecê-la o mais que conseguisse, e dizer que ela não estava sozinha, que ele estava ali para ela. – Me diga! Qual é seu problema? Por que você se porta da maneira mais difícil? – Brandia alto enquanto chacoalhava o corpo magro da garota a sua frente, com olhos tão repreensivos que até mesmo ela foi pega de surpresa.
– Você não entenderia. – E aquela frase simples proferida por aqueles lábios rosados foram o limite. Ele já nem pensava direito, agarrou-a com força, levantando-a do chão frio.
– Se você não entendeu até agora, deixe eu te contar uma coisa: é isso que eu estou tentando fazer desde o início! Tentando te entender! Tentando entender o que se passa em sua mente, em seu coração; o que se passa dentro de você! – Ele a abraçava forte. – Por que eu te amo! – Seus olhos marejados tornavam sua visão turva, mas nem se importava, tentava passar a veracidade daquelas palavras o mais que podia.
– Por quê? Por que você tem que ser tão bom comigo?! – Ela dizia entre os soluços. Ele nem havia percebido, mas ela chorava em seus braços. – Eu não mereço nada disso! Então por quê?
– Porque eu te amo! – Repetiu, apertando cada vez mais forte. – Te amo como se você fosse a última coisa restante no mundo!
– Mas eu... – Não queria ouvir mais nada! E sem pensar, seus lábios foram ao encontro daquela que tanto amava, selando aquela declaração em um beijo, um beijo cálido e apaixonado. – Eu também te amo. Sempre te amei, só não mereço isso. – declarou-se em um sussurro, assim que os lábios se separaram.
– Fico feliz por me amar, mas nasci para ser seu, isso não muda. – E com palavras sinceras e um sorriso fraco, ele perdeu a consciência nos braços de sua amada. – Mas antes de tudo...
A frase simplesmente sumiu. Sua testa estava quente e sua respiração irregular, havia se declarado com todas as suas forças restantes e agora estava desmaiado nos braços de sua amada. O desespero a tomava e ela gritava por ajuda, mas parecia que sua voz não era alta o suficiente. Não queria sair do lado daquele que desfalecia, mas tinha de buscar alguma ajuda dentro da escola, o medo de perdê-lo tornava difícil pensar.
Com as forças que ainda tinha, ao mesmo tempo em que gritava por ajuda, arrastava o corpo do maior pelo caminho até a entrada da escola. Ela estava com frio, a neve que a embalava trazia dores ao seu corpo, mas tinha que continuar. Quando faltavam alguns passos para chegar à escola, professores correram em sua direção, ajudando-a a carregá-lo para a enfermaria.
A enfermeira fazia o que podia para aquecer o corpo do jovem e abaixar sua febre, mas esse nem ao menos recobrava a consciência. Depois de um tempo, concordaram que seria melhor levá-lo a um hospital e contar para sua família o que havia acontecido. Por mais que houvesse insistido, implorado e até esperneado para que pudesse acompanhá-lo ao hospital, fora dito para que ela voltasse para casa – para que também se aqueça – e esperasse por mais informações. Vendo que por mais que tentasse, qualquer pedido lhe seria negado, deixou seu endereço e telefone com os professores e voltou para casa.
Com o aquecedor ligado ao seu máximo e seu corpo aquecido pelo banho, a Dama de Gelo colocara seu camisola branco e encarava a neve cair pela janela de seu quarto. Estava preocupada, ninguém a havia ligado desde o momento que saíra da escola. Será que a haviam esquecido? Bem provável. Afinal, o moreno era o único que gostava dela em toda a escola.
Um carro estacionara em frente a sua casa e um homem de preto descera em direção à porta. Sem nem ligar para o caso de estar de camisola, ou para o fato que nem conhecia a pessoa do lado de fora, correu o mais rápido que podia para atendê-lo.
– Boa Noite – Cumprimentou afoita, quando abriu a porta.
– Hm, boa noite. Seria a senhorita Catherine Spark? – ela assentiu, dando-o permissão a prosseguir. – Elliot pediu para que lhe entregasse esta carta. – O homem de aparência envelhecida entregou-lhe um pequeno pedaço de papel.
– Ele está bem? –Perguntava ansiosa por respostas.
– Sinto muito, mas seu corpo não agüentou. Sua saúde já estava em estado grave antes mesmo de ser exposto à baixa temperatura da estação. Ele recobrou a consciência por alguns instantes, o suficiente para escrever essa carta, mas logo sua febre voltou ainda mais forte. Os médicos fizeram de tudo, mas parece que realmente não havia nada a ser feito. – informou-a, e sem resposta prosseguiu. – Com sua licença, irei voltar para organizar a cerimônia. Meus pêsames. – E com uma reverência se retirou, voltando para o carro.
Seu rosto estava sem expressão, a descrença a tomava por completo. Aquilo só podia ser algum tipo de brincadeira de mau gosto, ele não podia estar morto. Como algo assim poderia estar acontecendo? Abriu apressadamente o papel na esperança de estar escrito algo como “Isto não passou de uma brincadeira. Amanhã mesmo ele sairá do hospital!”, mas as palavras ali escritas nem de longe se passavam por piada.
– “Para minha querida e amada Catherine;” – iniciava-se a carta. – “Eles não me deixam usar o telefone, acredita? Dizem que não posso me movimentar muito, porque meu corpo está fraco demais para isso. Você viu? Eles estão me chamando de fraco! Se eles soubessem quem eu sou estariam morrendo de medo da minha fraqueza, não é mesmo?”.
– Aquele idiota! Faz piada até quando não deve... – Ela ria entre lágrimas, voltando a ler as palavras trêmulas escritas naquele singelo pedaço de papel.
– “Agora, falando sério, há algo sério sobre o qual precisamos conversar. Como não tenho muito tempo, acho melhor confessar agora... Minha saúde desde pequeno é muito frágil, e parece que o frio desse ano foi mais que o esperado, então meu corpo não vai aguentar por muito tempo. Não se sinta culpada, não foi por causa do que aconteceu hoje que eu fui parar no hospital, eu já havia tido algumas recaídas nos dias anteriores. Mas se bem que beijar-te foi tão maravilhoso que acho que meu corpo ficou feliz demais para aguentar...” – Novamente brincava em meio à carta.
“Sabe aquela canção que você murmurava hoje à tarde? Ela realmente me tocou, que canção era? Nunca havia escutado, só sei que era muito bonita. E sabe aquele livro? “O conto do lago”? Eu não entendi nada do que o autor quis dizer... Por que o fogo tem que morrer no final? Eu preferia muito mais que eles ficassem juntos para sempre...
Bem meu amor, parece que os médicos querem fazer mais algumas baterias de exames, mas fique tranqüila que logo sairei desse lugar que me dá calafrios. Logo sairei daqui para te levar a uma sorveteria, mesmo ainda sendo inverno. Espere por mim.
Com todo o meu amor, Elliot Fontaine. ”
Ao terminar de ler, suas pernas não agüentaram, derrubando-a no chão frio. Aquilo não podia estar acontecendo... Ele não preferia que fogo e gelo vivessem juntos para sempre? Então porque ele teve de partir?
Por mais que ele negasse era tudo culpa dela. Se ela não tivesse saído da sala, ele não teria ido procurá-la e muito menos se exposto ao frio. Se ela tivesse sido mais amável, ele poderia ter aproveitado seu tempo restante. E ainda pior, se ela jamais tivesse nascido ele jamais teria de ter passado por isso, não teria gastado seu tempo em conquistá-la ou em entendê-la, era tudo culpa dela.
Ela queria sair correndo dali, como se correr fosse aliviar a dor que sentia, e foi isso o que ela fez, correu. Correu para o mais longe que podia, sem se importar com a direção, sem ligar para o fato que estava apenas com aquela fina camisola. Com a carta em sua mão e com os olhos marejados correu por toda aquela imensidão branca que se formava a sua frente.
Seus pés e braços estavam feridos pelas pedras e gravetos que raspavam sem cuidado, o solo coberto pelo branco era manchado de um vermelho escarlate. Já próximo ao bosque que ficava aos arredores da escola, em um canto desconhecido, mais uma vez naquela noite suas pernas cederam, abandonando-a em um canto qualquer.
– Você disse que me amava – ela murmurava em meio às lágrimas. – Então por que você teve de partir? – Seu corpo frágil encostado em um carvalho parecia ruir e desfazer-se em pedaços. A neve, assim como naquela manhã, caía tristemente, como se o céu chorasse com a linda e triste canção do vento solitário. – Mas tudo bem meu amor, porque fogo e gelo vão ficar juntos para sempre. – E murmurando aquela mesma canção, viu seu corpo perder a consciência e a neve embalá-la para a eternidade.
O Conto do Lago
Há muito tempo atrás, fogo e gelo desejaram um ao outro, mas enquanto o fogo transformava em brasas seu amor, o gelo parecia negá-lo veemente.
Tentando mantê-lo à distância, o gelo construíra uma forte barreira entre ele e o fogo, com medo de se ferir, tamanho o calor que este emanava. O fogo, completamente apaixonado, vendo a barreira não desistiu, sentou-se ao lado dela e enquanto murmurava canções de amor, esperou que a barreira que os separava derretesse.
Muito tempo se passara e o fogo continuava a cantar, atingindo os ouvidos de seu amado. Seu coração gelado aquecia-se com a voz cálida e apaixonada, arrependendo-se de tê-los separados. Seu arrependimento transformava-se em uma triste canção, misturando-se com a canção apaixonada que era cantada do outro lado. Ambos sentados de costas eram divididos por uma fina e transparente camada de gelo que parecia negar-se a derreter.
O fogo, tocado pela dor da canção que ressonava do outro lado, cantou ainda mais alto, tentando passar seu fogo pela barreira, conseguindo derrubá-la. Sem forças por ter seu corpo molhado pela barreira derretida cantava seus últimos versos. Em desespero ao ver seu amado partir, o gelo deitou sobre seu corpo em um abraço tentando usar todo o seu amor para aquecê-lo. Mas era tarde demais, o fogo havia passado muito tempo ao lado daquela barreira fria, estava fraco e não agüentava mais manter-se aceso.
Sem desistir, por mais que ardesse estar tão próximo daquela brasa que se mantinha acesa, o gelo abraçava-o cada vez mais forte, derretendo-se em lágrimas. Olhando para cima, via-se que o fogo lhe sorria calidamente, ainda sussurrando seus versos de amor. O gelo sabia que aquela seria sua última vez, e unindo-se ao fogo, cantou também sua última canção.
Sendo aquecido pelas fracas brasas restantes, enfraqueceu-se junto ao seu amado. Ao fim da canção ambos partiram, deixando para trás um pequeno lago onde águas frias se encontravam com águas ferventes. Quando ambas as temperaturas se chocam, diz-se que ao fundo ainda se ouve uma linda e triste canção. E mesmo depois de muito tempo, ainda se vê ao longe aquele pequeno lago, que para sempre ali ficará, um linda lembrança do triste amor entre fogo e gelo.
Notas finais
Bem, o conto do lago foi uma história que havia pensado há um tempo, e escrevendo essa fic, achei que seria interessante colocá-la ao final... O conto do lago é praticamente uma história sem sentido, mas achei que combinou com a fic em si.
Lendo a fic depois, acho que joguei tantos elementos dramáticos que a fic perdeu seu sentido O_O, mas enfim, vou tentar melhorar nas próximas vezes... Nunca leio Sad Endding, nem havia escrito um, e então? Será que é melhor desistir desse gênero e continuar com minhas fics bobinhas? SHUAHSUAHSUH
Eu sei que é uma oneshot, mas comentem mesmo assim TTuTT quero saber o que acharam, nee? Como essa é apenas a minha segunda fic aqui no Nyah, eu ainda sou só uma iniciante... Por tanto, é muito importante para eu saber o que falta e o que não falta, então, por favor, gastem um minuto de suas ocupadas vidas escrevendo mesmo que um Gostei ou Não Gostei nos comentários. Eu ficaria extremamente feliz *u* *vomita um arco-íris*
E pra quem quiser, leia minha outra fic: "A vingança de Ciel"; é yaoi,é lemon, e é de Kuroshitsuji -qq *apanha*
O link: http://www.fanfiction.com.br/historia/114249/A_Vinganca_De_Ciel
Já nee ♥
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