Last Hope

1 Gotta let it happen.


Notas iniciais
Ahn, é a minha primeira fanfic yaoi então não sei se está boa, mas espero que gostem. A ideia surgiu quando eu terminei de ler A Casa de Hades e vi que não teve nem um climazinho Pernico (nem unzinho poxa), então eu mesma resolvi criar um, é uma one bem curtinha pra ninguém enjoar na metade do caminho. A one só começa mesmo depois do que está em itálico, que é o começo do penúltimo capítulo de A Casa de Hades. A música escolhida foi Last Hope, do Paramore, porque é uma das minhas músicas preferidas e que me lembra muito o Nico, então... Se alguém aqui shippa Percabeth, Jasico ou qualquer outra coisa e tem preconceito com Pernico eu gostaria de pedir para não defecar pelos dedos nos comentários porque shipper não se discute galera, cada um tem o seu. Enfim, espero que gostem :3

“AO ENTARDECER, PERCY ENCONTROU NICO.

O filho de Hades estava amarrando cordas em torno do pedestal da Atena Partenos.

— Obrigado — agradeceu Percy.

Nico franziu a testa.

— Por quê?

— Você prometeu levar os outros até a Casa de Hades — disse o filho de Poseidon — e cumpriu.

Nico amarrou as pontas das cordas juntas, fazendo uma espécie de alça.

— Você me tirou daquele jarro de bronze em Roma. E salvou minha vida novamente. Era o mínimo que eu podia fazer.

A voz dele soou firme e contida. Percy desejava saber o que fazia aquele cara demonstrar emoção, mas nunca conseguiu descobrir. Nico não era mais um garotinho nerd da Westover Hall com cartas de Mitomagia. Nem era o solitário ressentido que perseguiu o fantasma de Minos pelo Labirinto. Mas quem era ele?

— Além disso, você visitou Bob... — disse Percy.

Contou a Nico sobre a viagem pelo Tártaro. Achou que se havia alguém que pudesse entendê-lo, este era Nico.

— Convenceu Bob de que podia confiar em mim, apesar de eu nunca ter ido visitá-lo. Nunca mais pensei nele. Você provavelmente salvou nossas vidas por ter sido legal com ele.

— É, bem... — disse Nico. — Não pensar nas pessoas... isso pode ser perigoso.

— Cara, eu estou tentando agradecer.

Nico riu sem humor.

— Estou tentando dizer que não precisa. Agora tenho que terminar isto, se puder me dar um pouco de espaço.

— Claro, claro, tudo bem.

Percy deu um passo para trás enquanto Nico ajustava as alças de cordas. Jogou-as no ombro como se a Atena Partenos fosse uma mochila gigante.

Percy não conseguiu evitar ficar um pouco chateado ao ser dispensado daquele jeito. Mas afinal, Nico tinha passado por tanto. O cara tinha sobrevivido sozinho no Tártaro. Percy sabia por experiência própria quanta força foi exigida dele”

Ele ouviu a voz de Annabeth chamando-o do convés e virou-se em direção às escadas, quando Nico o fez parar.

– Na verdade... – Nico parecia mais pálido do que o normal – se é que isso era possível – e parecia estar em um conflito interno muito grande.

– Sim? – disse Percy um pouco espantado com a proximidade repentina do garoto. Nico percebeu e se afastou ficando... corado? Percy não sabia dizer, a cor sumiu de seu rosto com a mesma velocidade em que apareceu. Nico não era o tipo de pessoa que se aproximava de alguém por conta própria. A não ser Hazel e... Bianca. Percy afastou o pensamento antes que a culpa voltasse a tomá-lo.

– É só que... – Nico se interrompeu, olhando pra baixo e balançando nos pés. O garoto havia soltado as cordas da Athena Partenos e parecia ponderar sobre a decisão que tomaria a seguir. Percy o encarou, aguardando. – Tem uma coisa que talvez você possa fazer.

– O que? – perguntou um pouco espantado com a intensidade que Nico o encarava, se antes Percy o achava incapaz de sentir algo, olhando-o nos olhos percebeu que ele sentia coisas até demais, só sabia esconder melhor.

– Percy, eu... – ele começou a dizer, mas foi interrompido pela voz de Annabeth chamando novamente o namorado. Percy a ignorou. Demorara anos para conseguir qualquer tipo de aproximação com Nico e não ia perder a única oportunidade que tinha.

– Esqueça, vá ver o que Annabeth quer, aproveite e chame o treinador Hedge e Reyna, estou pronto pra partir – o filho de Hades tornou a ficar com olhos frios e vazios e andou em direção as cordas.

– Não, Nico, diga. Se tem algo que eu possa fazer pra te agradecer pelo que fez, diga – Percy disse correndo até ele e colocando a mão em seu ombro. Até que se lembrou que Nico não gostava de ser tocado e tirou mão, com medo que o garoto se irritasse.

– Hm, Percy, Annabeth está te chamando – Percy ouviu a voz de Piper falar de cima do navio. Ele estava começando a se irritar com a insistência de Annabeth, ela não podia esperar cinco minutos?

– Diga a ela que já estou indo – o garoto falou virando pra filha de Afrodite que assentiu e voltou pra onde quer que estivesse.

Percy virou-se novamente para Nico e foi surpreendido com nada mais, nada menos, que um beijo. Um beijo calmo, mas ansioso, como se há muito fosse planejado. Ele ficou tão assustado que no primeiro momento a única coisa que conseguiu fazer foi... Nada. Estava completamente paralisado. Demorou alguns segundos até conseguir se mover e o que fez, por incrível que pareça, foi fechar os olhos e retribuir.

Na hora em que fez isso, parte da mente de Percy começou a gritar o nome de Annabeth e perguntar se ele estava maluco por estar beijando um garoto. A outra não gritava nada, apenas se concentrava no toque dos lábios incrivelmente macios para um filho do Deus dos Mortos e no toque suave da língua de Nico encontrando-se com a sua. Era um beijo bom, diferentemente do de Annabeth, tinha gosto de romãs recém-colhidas. No começo foi calmo e ficou mais intenso e quente, como se a cada segundo fosse ficando mais perigoso. Exatamente como o mundo inferior, pensou Percy. Nico colocou uma mão atrás de seu pescoço e a outra em sua cintura, puxando-o pra mais perto. Nenhum dos dois sabia quanto tempo ficaram ali, e nem se importavam, até que outra voz gritou pela terceira vez o nome do filho de Poseidon. Nico o empurrou pra longe no mesmo segundo.

– Percy, por que você... – Jason dizia do topo das escadas, mas se interrompeu. O garoto olhou de Percy para Nico e vice versa, tentando compreender o que exatamente acabara de acontecer ali. Percy olhava pra ele de forma tensa pensando em uma forma de explicar o que o loiro vira, mas a expressão de Jason mostrou que ele entendera. Na verdade, parecia conter um sorriso. – Quando – ele pigarreou – puder, suba até aqui, queremos lhe mostrar uma coisa – e sumiu de vista.

Percy se virou para Nico. O garoto se afastara de novo e fingia estar com dificuldade em recolocar as cordas que prendiam a estátua em seus ombros.

– Ahn, o que foi isso? – ouviu-se perguntar.

– Isso o quê? – Nico olhava fixamente para as cordas, como se procurasse alguma falha nelas. Falou com tanta naturalidade que Percy pensou que tivera imaginado o que acabara de acontecer. Porém percebeu que o garoto não conseguia olhá-lo.

– Nico, eu... – Percy começou.

– Esqueça isso, ok? Você namora a Annabeth e eu não sei por que fiz isso. Foi mais como... como... um imã. Quando eu vi, eu já estava em cima de você. – Nico falou e foi diminuindo cada vez mais seu tom de voz. – Me desculpe. – disse num sussurro.

– Tudo bem, eu acho. É melhor eu... ver o que a Annabeth quer. – Percy disse tão sem graça quanto o garoto a sua frente. Tentava não pensar no ultimo minuto.

– É, vá ver o que sua amada Annabeth quer – Nico disse de forma amargurada. Percy ignorou o tom de sua voz e subiu para o navio.

– Percy, venha ver isso – ouviu Annabeth falar animada. Ela estava ajoelhada de frente pra uma imagem tremeluzente. Percy ainda estava meio zonzo por causa do que acontecera e demorou um pouco pra perceber que era uma mensagem de Íris. Mostrava Tyson e Ella, os dois falavam animados, mas Percy não estava realmente interessado no que eles tinham a dizer, sua mente vagava pra outro lugar, mais especificamente para o lugar de onde tinha acabado de vir.

– Você está se sentindo bem? – Annabeth olhou-o preocupada e veio ao seu encontro passando as mãos por seu pescoço. Percy esperou a sensação de conforto que sempre sentia quando Annabeth o tocava mas ela não veio da mesma forma que antes, parecia que as mãos dela eram do tamanho errado. – Percy, você está verde. Aconteceu alguma coisa? – ela olhava-o cada vez mais preocupada.

– Não, eu... está tudo bem. Onde está Reyna e o treinador? Nico pediu pra chamá-los. – Percy desvencilhou-se da namorada e foi chamar os dois. Não sabia se conseguiria olhar pra ela sem mostrar a culpa que sentia, não por ter beijado Nico, mas por ter gostado.

– Estamos aqui – Reyna falou subindo ao convés com uma mochila, seguida pelo treinador.

– Ahn, Nico está...

– Nos esperando, eu sei. – Reyna o interrompeu. Percy apenas assentiu.

Três minutos depois todos estavam fora do navio para ver o treinador, Reyna e Nico partirem. Por incrível que pareça, Annabeth e Reyna se abraçaram. Depois todos começaram a se despedir, mas foram interrompidos.

– Não temos tempo pra isso. – disse Nico impaciente. Ele olhou pra Percy como se nada tivesse acontecido, como ele conseguia se esconder tão bem? – Então, até mais. – ele olhou pra tripulação e voltou para Percy. — E, me desculpe, de novo.

Percy queria socá-lo e pedir para que ele parasse de se desculpar. Certo, ele não devia ter feito aquilo, mas não fora só ele quem fizera algo. Percy retribuíra, certo? Era tão culpado quanto o filho de Hades.

Antes mesmo de ter tempo para responder, Nico aproximou-se da sombra da estátua e misturou-se a ela, levando o treinador e a pretora com ele. Percy ficou olhando para o ponto onde eles sumiram e quase desejou ir junto. Queria uma explicação, queria saber porque Di Angelo fizera aquilo, mas decidiu esperar, ele teria tempo para isso depois que derrotassem Gaia e voltassem para a tranquilidade do Acampamento Meio Sangue. Mas uma coisa tinha certeza: Nico estava planejando aquilo havia muito tempo, mas escondia isso muito bem com todo seu ar revoltado de filho do Deus dos Mortos. Percy queria saber porque nunca falara nada. E principalmente, queria saber mais sobre Nico, quem estava por detrás daquelas barreiras que ele colocava envolta de si, e sabia que hoje, o garoto havia lhe dado um vislumbre do que realmente era, e Percy não iria sossegar até descobrir mais.

Notas finais
Se você leu até aqui: muito obrigada. Se você está lendo isso agora: muito obrigada de novo. E se você puder comentar o que achou: muito obrigada também. Comente, diga o que pode ser mudado ou o que está bom, ou então só diga que leu pro meu coração ficar feliz hahahahahah críticas e sugestões são muito bem-vindas. Pra quem ficou curioso com a letra da música, tá aqui o link com a letra:http://letras.mus.br/paramore/last-hope/traducao.html Enfim, é isso, espero que tenham gostado, beijos da Milk.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!