Last Dance In The Sand
1 Eu te amo, Thomas Willians
Notas iniciais
Recomendo que a leiam ouvindo "U Got It Bad - Phillip Phillips".
>> http://www.youtube.com/watch?v=02OnHX6HQsU
- Eu te amo. – Estremeci ao ouvir sua voz.
Essa frase me mudou várias vezes e de várias formas, trouxe-me alegria e imensa tristeza, trouxe-me alívio e dor, calma e raiva. Deu-me e tirou-me quem um dia fora importante. Mas e agora, o que tal palavra traz-me?
Agora, tal palavra traz-me a paz que só o mar e a lua poderiam me trazer; agora eu pude esquecer tudo o que fez com que eu escolhesse o Alasca ao invés de Roma, a famosa cidade do amor.
Eu não pude ter qualquer reação enquanto cada lembrança vinha em minha mente, fazendo-me sentir uma facada em meu peito por saber que nunca mais faria novas lembranças na qual juntaria às antigas.
- Bom dia. – Olhei para o lado e vi um menino sorridente, com olhos esverdeados e bem animados, fios castanho-claros voando por conta do vendo e uma estatura não muito surpreendente, apenas maior que a minha.
- Bom dia. Aluno novo? – perguntei, tentando alcançar um tom simpático.
- Infelizmente. Chamo-me Thomas. – Thomas novamente sorriu, agora ele possuía um nome... Bonito, por sinal.
- Clarice, porém pode chamar-me de Clair. – sorri de volta para o menino novo.
- Clair, pare de bobeira! – Thomas estava andando pelo parque abandonado que descobrimos quando andávamos até uma lanchonete nova, enquanto eu me escondia atrás da entrada para a sala de sustos.
- Bu! – Pulei em sua frente e ele pulou para trás, fazendo-me rir.
- Nunca mais irei a qualquer lugar abandonado com você, sua doida. – ele estava ofegante.
- Nossa, nunca avistei um menino tão medroso quanto você, Thomas Willians. – me apoiei no batente da porta da sala de espelhos.
- Dança comigo, Clarice. – era a decima vez que ele tentava me tirar do sofá.
- Eu não sei dançar, Thomas! – cruzei os braços e ele se jogou em cima de mim.
- Eu te ensino, princesinha. – ele continuou sentado em minhas pernas, tentando fazer a carinho do gato do Shrek.
- Apenas uma vez. Uma vez! – repeti. – E saia de cima de mim. – o empurrei e ele ficou rindo.
Naquela tarde, Thomas me fez dançar até cair, e finalmente eu aprendi a dançar em perfeita sincronia com meu melhor amigo, com meu príncipe, com meu amor.
- Eu também te amo, Thomy. – gaguejei e continuei para a sua frente, imóvel.
Após seis meses de namoro, ele finalmente havia dito que me amava, após seis meses de namoro, ele me provara que me amava.
O vento estava um pouco frio e o som do mar junto a luz do luar, eram coisas na qual ajudavam para que cada segundo ao lado de meu amado ficasse ainda mais perfeito.
- Dança comigo? – ele estendeu a mão e eu a segurei.
- Nossa última dança na areia. – sussurrei e pude ver os olhos dele brilhando por estarem marejados.
Eu estava com um leve vestido branco curto, estava descalça, já que meus sapatos estavam dentro de minha bolsa em algum lugar da areia, meus fios ruivos estavam soltos, voando no ritmo do vento, meu sorriso era indestrutível e sincero, tanto quanto meu olhar embaçado pelas lágrimas contidas, para Thomas.
Pude sentir a areia roçando em meus pés, o som das ondas quebrando, se misturando ao de nossas respirações; e a única claridade era a que a lua nos proporcionava enquanto estava centralizada no céu, envolta de estrelas.
- Você é a melhor coisa que me aconteceu e que tenho, Thomy. – sussurrei enquanto encostava minha cabeça em seu peito.
- Não quero que vá embora, princesinha. – fiquei um pouco fraca e o abracei com um pouco mais de força.
- Olhe para as estrelas, lembra? – abri os olhos pela última vez e o olhei. – Eu te amo, Thomas. – minha visão escureceu e tudo se silenciou.
Thomas fora o único que amei, o único que fez com que eu tivesse mais alguns dias de vida após ser avisada de não passar de uma semana. E o melhor, Thomas conseguira fazer com que cada dia valesse a pena, como nenhum dia antes fizera.
Não sei o que aconteceu após isso. Não sei como ele ficou, o que sentiu ou como lidou com tudo isso, porém sei que ele nunca me esquecerá, como eu nunca o esqueceria.
-Princesinha, não quero que você se vá. – Nós estávamos no jardim de minha casa, olhando as estrelas.
- Eu sempre estarei com você, em sua memória. Quando sentir minha falta, venha até aqui e olhe as estrelas, talvez dance aqui, como se estivesse me sentindo. – O abracei e pude perceber que lágrimas estavam a cair por seu lindo rosto.
- Sempre lembrarei de ti, minha pequenina princesa. – dessa vez não pude conter as quentes lágrimas que rolavam em meu rosto, demonstrando a dor de saber que nunca mais o veria, graças ao maldito câncer que me consumira por todo o corpo, mesmo sem parecer.
Thomy, ame as estrelas, como se elas fossem eu, como se fossem Clarice James; dance na areia como se estivesse comigo; lembre-se de nós, mas não pare de viver; sorria como sorri para ti, pois isso era o que me dava forças e apenas veja que eu estarei dançando com as estrelas. Eu te amo, Thomas Willians.
Notas finais
É isso que nos motiva a continuar escrevendo. Beijinhos da Nistsy.
Fale com o autor