Last Battle

35 Epílogo


Vinte anos haviam passado desde a formatura em Hogwarts.

Vinte anos desde que Hailey, Grace e Sara haviam atravessado pela última vez os portões da escola como estudantes, carregando diplomas, usando anéis de noivado e olhando para o futuro com a estranha sensação de que, depois de tudo o que haviam vivido, talvez finalmente tivessem direito a uma vida que não fosse definida por batalhas, profecias ou pela necessidade constante de sobreviver. Naquela época, nenhuma das três sabia exatamente o que os anos seguintes trariam. Sabiam apenas que queriam viver. Queriam amar. Queriam construir alguma coisa que pertencesse somente a elas. E, duas décadas depois, olhando para tudo o que haviam construído, era impossível não perceber o quanto haviam conseguido.

Hailey e Gareth foram os primeiros a transformar o noivado em casamento. Não demorou muito para que a cerimônia acontecesse. Alguns meses depois da formatura, os dois estavam no Rio de Janeiro, cercados por uma mistura improvável e maravilhosa de mundos que, durante tantos anos, haviam parecido impossíveis de conciliar. O casamento aconteceu em terras brasileiras, escolhido pelo casal. Não era um casamento enorme. Era íntimo, acolhedor e cuidadosamente preparado, mas havia nele uma energia impossível de conter, principalmente porque parte da família e dos amigos de Hailey havia atravessado continentes e mundos para estar presente.

Grace e Tobias estavam lá. Sara e Draco também. Hermione, Rony, Harry e Gina chegaram juntos, acompanhados pela família Weasley, George, Percy, Gui, Carlinhos e Fleur. Alguns irmãos semideuses de Gareth e filhos de Hefesto também estavam lá. Minerva McGonagall apareceu com a mesma elegância austera que mantivera durante todos os anos em Hogwarts, embora não conseguisse esconder completamente o sorriso ao observar Hailey vestida de noiva. Hagrid também estava presente, enorme demais para passar despercebido e emocionado demais para fingir que não estava.

A maior surpresa, entretanto, foram as presenças de Zeus e Hefesto.

Ao lado de Lucy, Zeus acompanhou Hailey até o altar. Hefesto também estava presente, mais reservado, observando tudo com a discrição que lhe era característica. Como pai biológico de Gareth, sua presença carregava um significado diferente, mais silencioso, mas não menos importante. Em algum momento antes da cerimônia, ele foi apresentado oficialmente a Hailey, e ela percebeu imediatamente que, apesar de toda a distância entre o mundo divino e o mortal, havia um orgulho silencioso nos olhos do deus ao olhar para o filho.

Gareth também havia mudado. Continuava alto, forte, de cabelos bagunçados e aquele sorriso que fazia parecer que alguma ideia perigosa estava sempre prestes a surgir, mas havia nele uma serenidade que não existia quando era mais novo.

O casamento foi animado do começo ao fim. A presença da família brasileira de Hailey acrescentou uma energia que rapidamente contagiou todos os convidados, e mesmo aqueles que não estavam acostumados com aquele tipo de celebração acabaram entrando no ritmo.

Foi também naquele dia que Hailey conheceu oficialmente a mãe de Gareth, Helena, e seu padrasto, Arthur Travers. Arthur era um homem alto, de cabelos claros já começando a apresentar alguns fios grisalhos, de expressão séria à primeira vista, mas com um humor discreto que aparecia sempre que menos se esperava. Helena era diferente, mais calorosa e expansiva, com cabelos castanhos claros e olhos castanhos atentos, daqueles que pareciam perceber tudo o que acontecia ao redor. Os dois receberam Hailey como se ela já fizesse parte da família havia anos. Gareth tinha um carinho genuíno por Arthur, que estivera presente em sua vida e que ele considerava parte importante de sua família, e a emoção daquele encontro foi especialmente significativa para ele, que observava de longe a mulher que amava sendo acolhida pelas pessoas que faziam parte de sua história.

Depois daquele dia, Rio de Janeiro deixou de ser apenas a cidade natal de Hailey e passou a ser definitivamente a casa dos dois.

Hailey havia decidido permanecer no mundo mágico. Seus resultados nos N.I.E.M.s haviam sido excepcionais, e ela havia conseguido notas máximas, algo que não surpreendia ninguém. Pouco tempo depois, ingressou no Ministério da Magia brasileiro como auror. Mas, depois de ter passado tantos anos acreditando que poderia perder tudo a qualquer momento, aprendera a valorizar profundamente as horas em que podia simplesmente voltar para casa, tirar os sapatos, abraçar Gareth e esquecer por algumas horas que o mundo mágico continuava cheio de problemas.

Gareth, por sua vez, encontrou seu próprio caminho.

Os dons herdados de Hefesto sempre estiveram presentes nele, e embora os trouxas jamais soubessem a verdadeira razão pela qual tudo o que suas mãos produziam parecia alcançar um nível quase impossível de perfeição, eles rapidamente perceberam que havia alguma coisa diferente naquele homem. Gareth abriu uma oficina no Rio de Janeiro que começou pequena, quase artesanal, mas cresceu rapidamente. Ele trabalhava com metais, ferramentas, equipamentos, objetos mágicos discretos e todo tipo de projeto que exigisse habilidade manual e criatividade. Nada saía de suas mãos de maneira comum. Suas criações eram precisas, resistentes e extraordinariamente bem feitas. Entre bruxos, sua reputação se espalhou ainda mais rápido, mas mesmo entre os trouxas a oficina acabou se tornando conhecida pela qualidade excepcional do trabalho.

Os anos seguintes trouxeram aquilo que nenhum dos dois havia imaginado completamente durante a juventude: filhos.

Primeiro veio Nicolas Travers, um menino de cabelos castanhos e olhos castanhos, curioso desde os primeiros anos e dono de uma energia que fazia Hailey acreditar que talvez tivesse criado uma versão ainda mais inquieta de Gareth. Depois nasceu Henrique Travers, também de cabelos e olhos castanhos, mais observador e tranquilo, embora a tranquilidade desaparecesse completamente quando o irmão inventava alguma aventura. Por último veio Lily Travers, a única menina, também de cabelos e olhos castanhos, que cresceu sabendo exatamente como conseguir aquilo que queria dos dois pais e, principalmente, como fazer Gareth acreditar que qualquer ideia dela era absolutamente sensata.

E então, quando os três chegaram aos onze anos, as cartas de Hogwarts chegaram.

Hailey chorou.


Não foi um choro discreto ou contido. Foi uma explosão de emoção que fez Gareth rir enquanto tentava esconder o próprio orgulho. Para Hailey, aquela carta significava muito mais do que uma vaga em uma escola de magia. Significava continuidade. Seus filhos teriam a oportunidade de conhecer Hogwarts não como um campo de batalha, mas como estudantes. Teriam a chance de correr pelos corredores sem medo, descobrir passagens secretas, reclamar dos deveres, fazer amizades e viver aquilo que ela própria quase perdera.

Ela organizou uma festa na piscina da casa deles com os casais amigos e os avós, Lucy Cipriano, Helena e Arthur Travers, para comemorar. Gareth estava tão orgulhoso que não conseguia parar de falar. Quando finalmente chegaram a Hogwarts e foram selecionados para a Grifinória, Hailey teve a sensação de que alguma coisa dentro dela havia se completado.

Nicolas, Henrique e Lily cresceram sabendo que possuíam algo diferente dentro de si. Herdaram pequenas manifestações dos dons divinos de seus pais, assim como traços daquilo que havia sido transmitido por Zeus e Hefesto, mas nenhum deles precisou viver sob o peso das histórias que os pais carregavam. Para eles, Hogwarts era simplesmente Hogwarts. E, talvez por isso, Hailey tenha sido tão feliz ao vê-los construir uma infância e uma adolescência que não precisavam ser marcadas pela guerra.


Três meses depois do casamento de Hailey e Gareth, foi a vez de Sara e Draco.

Narcisa e Lúcio fizeram questão de bancar praticamente toda a celebração, insistindo que o casamento do filho precisava acontecer à altura do nome Malfoy. O resultado foi uma cerimônia sofisticada na propriedade da família, cuidadosamente organizada em cada detalhe. Havia jardins impecavelmente preparados, velas flutuando sobre os convidados, flores claras espalhadas pelo caminho e uma elegância quase aristocrática que combinava perfeitamente com o lugar.

Ainda assim, apesar de toda a sofisticação, o casamento não perdeu aquilo que realmente importava.

Sara estava feliz. Draco também.

E todos que os conheciam sabiam exatamente o quanto aquela felicidade significava.

Hailey e Gareth estavam presentes, assim como Grace e Tobias, e os quatro acompanharam cada momento com uma emoção muito forte. O casamento era menor e mais reservado, mas havia uma alegria profunda entre os convidados. Draco olhava para Sara com uma tranquilidade que não existia nos primeiros anos de sua vida, enquanto ela parecia finalmente compreender que felicidade não precisava significar esquecer tudo aquilo que havia perdido.

A surpresa daquela vez veio da presença de Hades. O deus apareceu para acompanhar a filha até o altar.

Sara caminhou ao lado dele carregando dentro de si todas as lembranças da mãe, de sua infância e de tudo o que havia precisado aprender cedo demais. Hades não era um homem de grandes demonstrações públicas, mas naquele dia sua presença dizia tudo o que as palavras provavelmente não conseguiriam. Ele estava ali porque a filha havia chegado àquele momento. Porque ela havia escolhido viver. Porque estava feliz.

Quando Sara encontrou Draco no altar, viu diante de si não apenas o homem que amava, mas alguém que havia aprendido a permanecer ao seu lado mesmo quando não podia protegê-la de todas as coisas. Era exatamente aquilo que Hades havia exigido dele anos antes. Draco não prometera apagar o passado de Sara. Prometera ficar.

E ficou.

Depois do casamento, Sara permaneceu no mundo mágico junto dele. Os dois receberam como presente de casamento uma sofisticada propriedade em Londres, localizada em uma área reservada do mundo bruxo, grande o suficiente para que pudessem construir uma vida própria sem abandonar completamente as tradições da família Malfoy. Sara Vanye se tornou Sara Malfoy, mas nunca deixou que o sobrenome apagasse quem ela havia sido antes dele. Continuava carregando a lembrança de Amélia, a força que aprendera com Hades e a identidade que construíra por conta própria.

Ela e Draco também ingressaram no Ministério da Magia inglês. Nenhum dos dois alcançou as notas perfeitas de Hailey nos N.I.E.M.s, mas ambos tiveram resultados suficientemente altos para seguir a carreira de auror. O trabalho os aproximava ainda mais, embora eles fossem diferentes o bastante para tornar cada missão uma experiência particular. Sara possuía a concentração silenciosa que aprendera durante os anos mais difíceis de sua vida, enquanto Draco desenvolvera uma capacidade de observação e estratégia que fazia dele um profissional extremamente eficiente.

Foi nesse mundo que nasceram os dois filhos deles.

O primeiro foi Adrian Malfoy, loiro como a família paterna, mas com os olhos completamente negros de Sara. O segundo foi Ethan Malfoy, ruivo, uma característica que surpreendeu tanto os pais quanto o restante da família, e dono dos olhos cinzentos herdados de Draco. Os dois cresceram muito diferentes entre si, mas compartilhavam uma ligação e irmandade quase impossível de romper.

Quando as cartas de Hogwarts chegaram, Draco e Sara sentiram um orgulho que mal conseguiam esconder. Adrian e Ethan foram selecionados para a Sonserina, seguindo uma tradição familiar que, por si só, não surpreendia ninguém. O que surpreendeu foi a maneira como os dois ocuparam aquele espaço. Nenhum deles carregava a arrogância que tantas vezes fora associada à casa. Eram populares, amigáveis, leais e extremamente queridos pelos colegas. Adrian tinha facilidade para fazer amigos e Ethan possuía uma capacidade quase natural de transformar desconhecidos em companheiros de conversa.

Ambos se tornaram especialmente próximos dos filhos de Hailey e Gareth e dos filhos de Grace e Tobias. As casas diferentes jamais significaram uma barreira para eles. Quando estavam juntos, eram simplesmente sete crianças que haviam crescido juntos, ouvindo histórias sobre como seus pais se conheceram, lutaram, sobreviveram e acabaram construindo uma vida completamente diferente daquela que o destino parecia ter preparado para eles.


Grace e Tobias foram os últimos dos três casais a se casar.

Não porque houvesse qualquer dúvida entre os dois, mas porque os outros dois casamentos já haviam sido marcados antes. Assim, quando finalmente chegou a vez deles, a espera tornou a cerimônia ainda mais especial.

O casamento aconteceu em Nova York, perto de Evelyn, porque Grace queria que a mãe estivesse presente em cada detalhe daquele momento. Foi uma cerimônia mais íntima do que as anteriores, com menos convidados e uma atmosfera mais familiar, mas isso não significou que tivesse sido menos animada. Hailey e Gareth já estavam casados, Sara e Draco também, e os quatro estavam ali para testemunhar o último dos três casais transformar o noivado em uma promessa definitiva.

Grace foi acompanhada até o altar por Evelyn e Poseidon.

A presença de sua mãe ao lado dela tinha um significado impossível de medir. Evelyn carregava consigo todos os anos em que havia tentado proteger a filha, todas as verdades que precisara esconder, todos os medos que carregara e, acima de tudo, o orgulho de vê-la finalmente vivendo uma vida que não precisava ser construída em torno da sobrevivência.

Poseidon seguia ao lado das duas com uma expressão de orgulho silencioso. Ele havia visto Grace lutar, cair, levantar-se e escolher continuar. Agora a via caminhar até Tobias.

E Tobias estava esperando.

Os anos haviam transformado o homem que um dia sobrevivera à Audácia em alguém capaz de ensinar outras pessoas a sobreviver. Tornou-se professor de artes marciais e instrutor de tiro, utilizando as habilidades desenvolvidas durante a juventude para formar pessoas, ensinar disciplina e transformar aquilo que um dia fora necessário para sobreviver em uma profissão. Havia algo de profundamente simbólico naquilo. Tobias não passara a vida apenas preparando pessoas para lutar. Ele ensinava controle, responsabilidade e, acima de tudo, a diferença entre saber lutar e escolher quando não lutar.

Grace também permaneceu no mundo mágico. Suas notas nos N.I.E.M.s foram excelentes e, assim como Hailey, Sara e Draco, ela seguiu a carreira de auror. Trabalhava no Ministério da Magia americano, onde construiu uma reputação própria e encontrou uma maneira de unir sua inteligência, sua magia e tudo aquilo que aprendera durante os anos de combate. Depois da formatura, Grace assumiu definitivamente o sobrenome Blackthorn, tornando-se Grace Blackthorn e escolhendo carregar oficialmente a linhagem de sua mãe como parte de sua própria identidade e da família que estava construindo com Tobias.

A vida dos dois ganhou novas dimensões quando nasceram seus filhos.

Primeiro veio Thomas Blackthorn, um menino de cabelos castanhos e olhos verdes como os de Grace. Depois nasceu Nora Blackthorn, uma menina de cabelos castanhos e olhos azul-escuros herdados do pai.

Quando Thomas e Nora completaram onze anos e receberam suas cartas de Hogwarts, Grace chorou tanto que quase desmaiou. Tobias tentou manter uma postura mais controlada, mas o orgulho estampado em seu rosto o entregava completamente. Ambos foram selecionados para a Lufa-Lufa, exatamente como Grace e Evelyn antes deles, e aquilo se tornou motivo de uma orgulho familiar.

Assim, ao longo dos anos, os filhos dos três casais cresceram juntos.

Nicolas, Henrique e Lily Travers. Adrian e Ethan Malfoy. Thomas e Nora Blackthorn.

Os sete nasceram em anos muito próximos, com apenas um ano de diferença entre os mais velhos e os mais novos, e por isso cresceram praticamente na mesma faixa etária, compartilhando as mesmas fases da infância e da adolescência e vivendo Hogwarts como uma única geração.

Sete crianças que pareciam formar uma pequena família dentro da família maior que seus pais haviam construído. Eles cresceram juntos ouvindo as mesmas histórias, frequentando as mesmas reuniões, passando férias juntos e aprendendo desde cedo que suas diferenças de casas não os separavam. Três estavam na Grifinória, dois na Sonserina e dois na Lufa-Lufa, embora, na prática, as casas nunca conseguissem impedir que aquela pequena multidão estivesse sempre reunida.

Eles se tornaram uma espécie de panelinha inseparável dentro de Hogwarts, atravessando corredores juntos, estudando juntos, dividindo segredos, inventando pequenas confusões e defendendo uns aos outros com a mesma lealdade que seus pais haviam demonstrado décadas antes. A amizade entre eles era tão forte que os professores frequentemente os encontravam espalhados por diferentes mesas da biblioteca ou pelos jardins do castelo, sempre próximos uns dos outros, como se as cores das casas fossem apenas detalhes.

E talvez fosse justamente isso que tornasse aquela nova geração tão especial.


No fim do ano letivo do quinto ano dos jovens, Hogwarts voltava a receber os seis adultos que, muitos anos antes, haviam atravessado aqueles mesmos corredores carregando muito mais preocupações do que deveriam ter conhecido tão novos. Dessa vez, porém, não havia profecias, guerras, criaturas mágicas ou ameaças escondidas esperando por eles. Havia apenas o céu azul de uma tarde de primavera, o barulho de centenas de alunos reunidos e uma partida de quadribol que faria metade do castelo esquecer qualquer outra coisa durante algumas horas.

A final da Copa de Quadribol de Hogwarts era o acontecimento mais esperado daquele semestre. Grifinoria e Corvinal disputariam o título, e as arquibancadas estavam completamente lotadas. Bandeiras vermelhas e douradas tremulavam ao vento, misturadas às faixas azuis e bronze da Corvinal. O campo estava cercado por alunos de todas as casas, professores espalhados pelas áreas reservadas e famílias que haviam recebido autorização para assistir à partida.

Entre elas estavam seis adultos que, apesar dos anos, ainda pareciam estranhamente ligados àquele lugar. Hailey estava sentada entre Gareth e Lily, com Henrique do outro lado. Ao lado deles estavam Grace e Tobias, acompanhados por Thomas e Nora, e Sara e Draco, sentados com Adrian e Ethan. Todos junto aos estudantes da Grifinoria. Nicolas já havia descido para o campo junto aos outros jogadores da Grifinoria.


Os sete jovens haviam crescido juntos. Tinham personalidades diferentes demais para passar despercebidos e, justamente por isso, funcionavam tão bem como grupo. Nicolas, o mais velho dos filhos de Hailey e Gareth, havia herdado do pai uma facilidade quase irritante para transformar qualquer situação em brincadeira, mas também carregava uma determinação que aparecia sempre que alguém que amava estava em dificuldade. No quadribol, essa combinação fazia dele um batedor agressivo no sentido esportivo, atento e extremamente protetor com os companheiros. Fora do campo, porém, era conhecido por ser o primeiro a provocar os amigos e o último a admitir quando estava preocupado com eles. Talvez fosse justamente por isso que quase todos os seus amigos tinham percebido antes dele que havia uma pessoa diante de quem sua segurança habitual desaparecia. Nicolas podia enfrentar um balaço sem pensar duas vezes, podia provocar Ethan até fazê-lo perder a paciência e podia discutir com Henrique por horas, mas bastava Nora sorrir para ele para que toda aquela confiança parecesse vacilar por alguns segundos. Ele gostava dela havia tempo suficiente para que os amigos já tivessem transformado aquilo em uma espécie de segredo coletivo, embora Nicolas ainda achasse que conseguia esconder.

Henrique era diferente. Tinha um temperamento mais observador e uma inteligência silenciosa que fazia com que percebesse coisas que os outros preferiam esconder, igual a mãe. Não precisava ser o centro das conversas para se divertir; muitas vezes, bastava observar os irmãos e os amigos e guardar mentalmente tudo o que poderia usar contra eles mais tarde, especialmente quando queria provocar alguém. Era também extremamente leal e tinha um carinho profundo pelos irmãos, embora raramente demonstrasse isso de maneira sentimental. Preferia implicar com eles, competir, rir de suas trapalhadas e aparecer no momento em que realmente precisavam dele. Por isso, havia sido um dos primeiros a perceber a forma como Nicolas procurava Nora em qualquer lugar, mesmo quando fingia estar prestando atenção em outra coisa. Lily, por sua vez, tinha herdado a energia mais aberta da família. Era espontânea, curiosa e incapaz de permanecer calada diante de uma injustiça. Tinha um jeito naturalmente caloroso que fazia com que se aproximasse das pessoas com facilidade e, apesar de ser a mais nova dos três, frequentemente era quem conseguia colocar os irmãos no lugar quando eles passavam dos limites. Talvez fosse justamente essa facilidade em se aproximar das pessoas que tornasse ainda mais evidente a diferença em seu comportamento quando Adrian estava por perto. Com ele, Lily continuava sendo extrovertida, mas havia momentos em que sua espontaneidade dava lugar a uma delicadeza diferente, principalmente quando percebia que ele estava olhando para ela. Ela gostava de Adrian, gostava de conversar com ele e, embora ainda não soubesse exatamente o que fazer com aquele sentimento novo, já havia entendido que o coração acelerava um pouco mais quando ele estava perto.

Adrian Malfoy era quase o oposto de Henrique em algumas coisas. Tinha a confiança característica dos Malfoy, mas sem a arrogância que poderia ter herdado da família. Gostava de vencer e tinha uma competitividade que aparecia principalmente quando alguém questionava sua habilidade. Ao mesmo tempo, era extremamente leal aos amigos e tinha um senso de humor ácido que costumava aparecer nos momentos mais inesperados, como o pai. Era seguro de si em quase todas as situações, sabia argumentar, não se intimidava facilmente e raramente ficava sem resposta. Lily era a exceção. Quando ela sorria para ele ou quando se aproximava demais, Adrian esquecia a resposta que tinha preparado e precisava disfarçar o nervosismo com alguma piada. Ethan, seu irmão mais novo, era mais descontraído, como a mãe. Ruivo, de olhos cinzentos e dono de uma facilidade impressionante para conversar com qualquer pessoa, era aquele que quase sempre sabia das coisas antes dos demais. Tinha talento para perceber mudanças de comportamento e, sobretudo, uma satisfação quase profissional em provocar os amigos quando descobria alguma coisa que eles preferiam esconder. Ethan havia percebido a paixão do irmão por Lily muito antes de Adrian admitir para si mesmo que aquilo já não era apenas uma amizade, e fazia questão de lembrá-lo disso sempre que encontrava uma oportunidade.

Thomas Blackthorn possuía uma personalidade mais tranquila. Era paciente, ponderado e tinha o hábito de observar uma discussão inteira antes de decidir de que lado ficaria. Não era tímido, mas não sentia necessidade de falar o tempo todo. Quando finalmente dizia alguma coisa, geralmente era o comentário calculado que encerrava a discussão. Também era, entre os sete, aquele em quem os outros mais confiavam quando precisavam guardar um segredo. Ele havia sido o único a quem Nicolas e Adrian disseram com todas as letras que estavam apaixonados por Nora e Lily, justamente porque sabiam que Thomas não transformaria aquilo em espetáculo. Nora, sua irmã, era mais sensível e intuitiva. Tinha o jeito acolhedor característico da Lufa-Lufa, mas não era passiva. Sabia se impor quando necessário e possuía uma coragem tranquila que aparecia principalmente quando alguém que amava precisava dela. Entre os sete, era talvez quem mais facilmente conseguia perceber quando alguém estava fingindo estar bem. E, embora não fosse tão óbvia quanto Nicolas, também havia deixado de conseguir esconder o que sentia. Gostava dele havia tempo suficiente para reconhecer cada pequeno detalhe que o diferenciava quando estavam juntos: o jeito como ele procurava sua reação depois de uma piada, a maneira como sempre encontrava uma desculpa para ficar ao seu lado e, principalmente, como seu sorriso mudava quando os olhos dos dois se encontravam.

Naquele momento, porém, seis deles estavam na arquibancada, enquanto Nicolas entrava no campo.

Hailey apoiou os braços sobre a grade e acompanhou o movimento dos jogadores. Nicolas estava com o uniforme vermelho e dourado, o bastão apoiado no ombro e o cabelo castanho completamente desalinhado pelo vento. Ele conversava com um dos outros batedores, mas, por um instante, virou o rosto na direção da arquibancada.

E não olhou para os pais.

Hailey acompanhou o olhar do filho.

Nora estava sentada entre Grace e Tobias, segurando um cachecol vermelho e dourado no colo. Apesar de ser da Lufa-Lufa, ela havia deixado claro desde o início da temporada que, quando Nicolas estivesse jogando, sua lealdade esportiva seria à Grifinória. Thomas estava ao seu lado, comentando alguma coisa sobre a escalação, mas Nora mal parecia prestar atenção. Quando percebeu que Nicolas a observava, levantou os olhos.

Os dois sorriram. Foi um sorriso pequeno, quase tímido, mas completamente diferente daqueles que trocavam com o restante dos amigos. Havia algo quase íntimo naquele instante, uma familiaridade construída durante anos de amizade que agora começava a carregar outro significado. Nicolas conhecia aquele sorriso e sabia exatamente quando Nora sorria apenas por diversão e quando sorria daquele jeito para ele. Nora, por sua vez, conhecia o olhar de Nicolas melhor do que gostaria de admitir e sabia que ele sempre a procurava antes de qualquer outra pessoa depois de uma boa jogada. Não era apenas uma paixonite passageira ou uma admiração distante. Havia carinho, confiança e uma afeição que vinha crescendo junto com os dois, tão naturalmente que nenhum deles sabia dizer exatamente quando a amizade havia começado a se transformar em algo diferente.

Nora desviou o olhar primeiro e Nicolas parecia orgulhoso. Hailey voltou-se lentamente para Gareth.

— Você viu?

Gareth tinha visto. Ele acompanhou novamente o filho com os olhos e depois olhou para Nora. Um sorriso divertido apareceu em seu rosto.

— Vi.

Hailey tentou conter o próprio sorriso.

— Desde quando?

— Pelo jeito, há algum tempo.

— E você não me contou?

— Eu estava esperando você perceber sozinha.

Ela deu um pequeno empurrão no braço dele.

— Você sabia e não falou nada?

— Eu queria ver quanto tempo ele conseguia esconder.

Hailey voltou a olhar para Nicolas. O filho estava fingindo prestar atenção na conversa do companheiro de equipe, mas seus olhos haviam voltado para Nora quase imediatamente.

— Ele está apaixonado por ela.

— Parece que sim.

Hailey soltou uma risada baixa.

— Isso significa que ele vai ficar completamente idiota.

Gareth pensou por um instante.

— Mais do que já é?

Hailey riu.

Grace havia percebido a movimentação e agora observava os dois. Ela não precisou de muito tempo para entender o motivo dos olhares de Hailey e Gareth. Ao olhar para Nora, encontrou a filha tentando acompanhar a conversa de Thomas enquanto, a cada poucos segundos, seus olhos escapavam novamente para o campo. Grace conhecia aquele comportamento. Não precisava que Nora dissesse nada para saber que havia alguma coisa ali.


— Vocês estão vendo a Nora?

Hailey virou-se para ela com um sorriso.

— Seu marido também já percebeu, pelo visto.

Grace olhou para Tobias. Ele estava com os braços cruzados, acompanhando a preparação da partida com atenção, mas havia um pequeno sorriso em seu rosto.

— Eu percebi faz tempo — ele respondeu.

Grace soltou uma risada.

— E não me contou?

— Achei que você já soubesse.

— Eu sabia que eles eram próximos mas não próximos assim!

Tobias finalmente olhou para ela.

— Grace, ele olha para ela como se o resto do mundo desaparecesse.

Grace voltou os olhos para a filha. Nora estava sorrindo para alguma coisa que Nicolas havia dito do campo, e havia uma delicadeza no modo como ela o observava que tornava a resposta óbvia.

— E ela olha para ele do mesmo jeito — disse Grace.

Tobias sorriu.

— Então talvez não seja só ele.

Grace encostou a cabeça no ombro do marido.

— Eles ainda nem tem coragem de admitir.

— Nesse caso, temos sete crianças e dois casais apaixonados.

— Dois?

Tobias acompanhou o olhar de Grace.

Mais adiante, Adrian estava sentado ao lado de Draco, mas não prestava atenção na conversa do pai. Seus olhos estavam fixos em Lily.

Ela havia acabado de se levantar para participar da torcida da Grifinoria, os cabelos castanhos se movimentando com o entusiasmo, e Adrian sorria sem perceber. Havia uma ternura quase involuntária em sua expressão, completamente diferente da postura confiante que costumava assumir diante dos amigos. Ele podia provocar Henrique, discutir com Ethan ou sustentar uma provocação de Nicolas sem demonstrar o menor desconforto, mas Lily conseguia desmontar aquela segurança apenas sorrindo para ele.

Draco também viu quando percebeu que o filho parara de ouvi-lo. Sua expressão permaneceu impassível por alguns segundos. Depois, muito lentamente, ele olhou para Sara. Ela já estava olhando para ele e sorria abertamente.


— Não diga nada — Draco murmurou.

Sara mordeu o lábio para esconder o sorriso.

— Eu não disse.

— Mas está pensando.

— Ah, isso com certeza.

Draco voltou a olhar para o filho. Adrian percebeu que estava sendo observado e tentou imediatamente assumir uma expressão neutra. O problema era que, alguns segundos depois, Lily se sentou novamente e disse alguma coisa para Henrique. Adrian voltou a olhar.

Draco soltou um suspiro.

— Isso está ficando evidente.

Sara segurou a mão dele.

— Ela também gosta dele.

Draco olhou para Sara.

— Você tem certeza?

— Tenho.

— Como?

Sara sorriu.

— Porque conheço aquela expressão.

Draco ergueu uma sobrancelha.

— A de alguém tentando fingir que não está olhando para a pessoa que está olhando.

Ele permaneceu em silêncio. Sara aproximou-se um pouco mais.

— Adrian não olha para a Lily como olha para o resto das pessoas. E ela também não olha para ele como olha para os outros meninos.

Draco voltou os olhos para os dois.

Lily estava falando alguma coisa diretamente com Adrian agora. Ele respondeu, ela riu e deu um pequeno empurrão em seu ombro. Adrian sorriu de um jeito que Draco nunca havia visto. Lily também sustentou o olhar por mais tempo do que normalmente faria e, antes de voltar a prestar atenção na partida, deu a Adrian um sorriso pequeno e reservado, daqueles que pareciam existir apenas para ele.

— Então é recíproco.

— É.

Draco respirou fundo.


— Isso significa que vou precisar aceitar.

Sara riu.

— Você não precisa aceitar nada. Eles só estão começando a descobrir que gostam um do outro. E você vai ficar quietinho.

Draco olhou para ela.

— Eu vou tentar.

Sara beijou discretamente sua mão.

— Já é um começo.

No campo, o som do apito cortou a conversa de todos.

Os jogadores já estavam no ar e começaram a se movimentar.

Nicolas foi um dos primeiros a ganhar a maior altitude. O bastão estava firme em sua mão enquanto ele acompanhava o movimento das bolas no campo. Do outro lado, os batedores da Corvinal fizeram o mesmo. No centro, os artilheiros avançavam rapidamente e, poucos segundos depois, a partida estava em andamento.

A torcida explodiu em gritos.

Hailey segurou o braço de Gareth.

— Eu nunca me acostumo com isso.

Gareth sorriu.

— Você viu o nosso filho jogar centenas de vezes.

— E continua sendo nosso filho na mira dos balaços.

— Tecnicamente, continua.

Ela lançou um olhar para ele.

— Você sabe o que eu quis dizer.

Gareth apertou sua mão.

No campo, Nicolas desviou de um balaço e imediatamente mudou de direção. Um dos jogadores da Corvinal estava se aproximando de Tiago Sirius, que voava alguns metros acima deles, atento à procura do pomo.

Tiago era o capitão da Grifinória e ocupava a posição de apanhador, igual ao pai. Tinha herdado de Harry não apenas o talento para aquela posição, mas também uma concentração impressionante quando estava em campo. Diferentemente do pai, porém, Tiago tinha uma personalidade mais extrovertida. Gostava de liderar, gostava de provocar os amigos e parecia perfeitamente confortável carregando sobre os ombros a responsabilidade de ser capitão. Não precisava falar alto para ser obedecido, mas tinha aprendido cedo que uma boa equipe não dependia apenas de quem segurava a taça no fim da partida.


Harry assistia à partida algumas fileiras atrás. Gina estava ao lado dele junto com os filhos Lily e Alvo. Lá também estavam Rony e Hermione com seus filhos Rose e Hugo.

No campo, um balaço passou perigosamente perto de Tiago. Nicolas percebeu. Sem hesitar, mudou a trajetória e acertou o balaço com força. Os olhos de Nora brilhavam na arquibancada. Ela se levantou um pouco, acompanhando a jogada com a atenção presa nele, e só voltou a respirar normalmente quando viu que o balaço havia mudado de trajetória.

A bola desviou no último instante, passando longe de Tiago.

O capitão olhou para baixo. Nicolas levantou o bastão em sua direção e sorriu maroto. Tiago sorriu de volta. E continuou procurando o pomo. Na arquibancada, Hailey levou uma mão ao peito.

— Meu Deus.

Gareth riu.

— É só um balaço.

— Você não tem noção da força disso. Já quebrou meu braço.

— Ele está fazendo exatamente o que treinou para fazer.

Ela respirou fundo.

— Mas continua sendo meu filho se jogando na frente dos balaços.

Gareth passou um braço ao redor dos ombros dela.

— Nosso filho está bem.

Nicolas voltou a ganhar altitude.

E, por um breve momento, olhou para a arquibancada. Nora estava de pé, batendo palmas. O sorriso dele apareceu imediatamente. Havia orgulho no rosto dela, mas também havia algo mais. O tipo de admiração que fazia Nicolas endireitar os ombros sem perceber, como se, no fundo, uma parte dele quisesse ser ainda melhor simplesmente porque sabia que ela estava olhando.

Não era o sorriso confiante que usava quando provocava Henrique ou Ethan. Era mais discreto, quase envergonhado, e desapareceu no instante em que percebeu que ela ainda o observava.

Nora também desviou o olhar. Thomas, ao lado dela, percebeu.

Não comentou. Apenas sorriu para si mesmo. Thomas sabia também que Nora não estava apenas gostando da atenção. Havia momentos em que ela falava de Nicolas sem perceber que o próprio rosto mudava, ou em que ficava genuinamente preocupada quando ele se machucava durante os treinos. Thomas nunca a pressionara a admitir nada, mas achava divertido observar os dois tentando esconder de todo mundo algo que já era evidente.


A partida se tornava cada vez mais intensa. A Corvinal saiu na frente. A torcida azul estava em êxtase.

Cinquenta pontos depois, a Grifinória respondeu. O placar ficou empatado, e os jogadores começaram a voar mais rápido. Os gritos das arquibancadas se misturavam ao som dos apitos, aos chamados dos capitães e ao impacto dos balaços sendo desviados.

Nicolas parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele protegia os artilheiros, afastava os balaços dos companheiros e mantinha uma atenção constante sobre Tiago. Não era apenas habilidade. Era confiança. Eles haviam jogado juntos durante anos e sabiam exatamente quando o outro precisava de ajuda.

Nicolas também conhecia Tiago o suficiente para saber que o capitão nunca pediria ajuda no meio de uma jogada. Tiago preferia confiar que os companheiros entenderiam o que precisava ser feito. E Nicolas entendia.

A certa altura, Tiago fez uma curva brusca.

Nicolas percebeu imediatamente. Havia alguma coisa à frente. Um brilho dourado. O pomo. Tiago também o havia visto. Os dois apanhadores começaram a persegui-lo.

A arquibancada inteira se levantou e todos gritavam histericamente.

Tiago acelerou. O apanhador da Corvinal estava logo atrás e tentava alcança-lo. Nicolas percebeu um balaço vindo em direção a Tiago lançado pelo batedor da Corvinal. Ele poderia acertá-lo. Mas precisaria fazer isso sem atrapalhar Tiago.

Nicolas não hesitou. Girou o corpo, bateu no balaço com toda a força e o lançou para longe e conseguiu atrapalhar a perseguição do corvino.

Tiago ganhou alguns metros de vantagem. Foi tudo o que precisava. Estendeu a mão e os seus dedos se fecharam em volta do pomo encerrando a partida.

O estádio explodiu.

A Grifinória havia vencido.

Hailey se levantou imediatamente. Gareth a acompanhou. Grace abraçou Tobias. Sara gritava. Draco, apesar de toda a tentativa de manter a dignidade, bateu palmas com entusiasmo.

Na frente deles, Lily pulava de alegria e Henrique gritava o nome do irmão. Nora estava de pé, sorrindo para o campo, e quando Nicolas olhou na direção das arquibancadas, ela ergueu as duas mãos em comemoração. Ele sorriu diretamente para ela. Dessa vez, não tentou esconder. Nora percebeu e, em vez de desviar o olhar, sustentou o sorriso. Havia orgulho em seus olhos, mas também uma alegria pessoal que fez Nicolas sorrir ainda mais. Por alguns segundos, no meio de toda aquela multidão, os dois pareciam enxergar apenas um ao outro.

Tiago foi imediatamente cercado pelos companheiros. Harry e Gina desceram para o campo. Mas antes de chegar até o filho, Harry parou por um instante para olhar para Nicolas. O garoto ainda segurava o bastão.


Harry sorriu.

— Belo trabalho. Você é realmente filho da Hailey.

Nicolas abriu um sorriso.

— O capitão precisava de uma ajudinha.

Tiago apareceu ao lado deles.

— Eu ouvi isso.

— Era para ouvir.

Tiago colocou um braço sobre os ombros de Nicolas.

— Se ele não tivesse acertado aquele balaço, eu não teria pego o pomo.

Gina abraçou Tiago.

— Você foi incrível.

— Obrigado, mãe.

— E você também — disse ela, olhando para Nicolas.

Nicolas sorriu triunfante.

— Obrigado, senhora Potter.

Poucos metros adiante, os outros filhos já corriam em direção aos dois. Lily foi a primeira a chegar e abraçou o irmão, enquanto Henrique apareceu logo depois, ainda comemorando como se ele próprio tivesse jogado.

— Eu falei que vocês iam ganhar!

Nicolas riu.

— Você sempre fala isso

— E estava certo!

Henrique abriu um sorriso orgulhoso. Não precisava ter entrado em campo para se sentir parte da vitória; para ele, torcer pelos irmãos e amigos era suficiente. Lily, por outro lado, ainda estava animada demais para conseguir ficar parada.

— E o que foi aquela jogada? — perguntou a Nicolas.

— Qual delas?

— A que você acertou o balaço na direção do apanhador nos últimos instantes. Você quase acertou o jogador da Corvinal junto.

Nicolas riu.

— Isso estava no plano.

Ela deu outro abraço nele antes de se afastar. Thomas chegou logo depois, mais tranquilo, mas com um sorriso genuíno.

— Foi uma boa partida.

— Valeu, irmão — Nicolas respondeu.

Nora vinha logo atrás. Ela parou diante dele. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.

— Você foi muito bem — ela finalmente falou.

Nicolas sorriu.

— Você gostou?

Nora pareceu surpresa.

— É claro que sim.

— A última jogada?

— Principalmente aquela.

Ele abaixou o olhar por um instante.

— Eu vi que você estava olhando.

Nora ficou vermelha.

— Você viu?

— Eu sempre procuro você na arquibancada.

A confissão saiu antes que Nicolas pudesse pensar melhor. Nora ficou em silêncio por alguns segundos, claramente surpresa, mas o sorriso que apareceu em seu rosto não deixou dúvidas sobre como havia recebido aquilo. Ela aproximou-se um pouco, como se aquela pequena distância entre os dois tivesse se tornado desnecessária.

— Eu também procuro você — respondeu.

Nicolas levantou os olhos. Dessa vez, foi ele quem ficou sem saber o que dizer. Não porque estivesse arrependido de ter confessado, mas porque ouvir aquilo de Nora tornava real algo que ele havia guardado durante tanto tempo. O sorriso dela era tranquilo, quase tímido, mas seus olhos estavam firmes nos dele.

Nora riu baixinho.

— Acho que estamos empatados.

— Acho que sim.

Por alguns segundos, permaneceram simplesmente olhando um para o outro, até que Nora tocou de leve o braço dele.

— E eu fiquei muito preocupada quando aquele balaço veio na sua direção.

Nicolas sorriu.

— Você estava preocupada comigo?


— Sempre fico.

A resposta saiu tão naturalmente que os dois ficaram em silêncio novamente.

Nicolas inclinou um pouco a cabeça.

— Então acho que gosto ainda mais de você.

Nora sorriu.

— Ainda bem.

Ethan apareceu atrás deles no momento exato.

— Finalmente vocês dois resolveram falar em voz alta.

Nicolas fechou os olhos.

— Ethan, cala a boca…

— O quê? Eu estava começando a achar que vocês nunca iam admitir um pro outro.

Nora cobriu o rosto com as mãos, morrendo de vergonha, enquanto Nicolas empurrava o amigo de leve. Henrique, Lily e Adrian começaram a rir. Thomas observava a cena com um sorriso tranquilo.

— Vocês são impossíveis.

Ethan apontou para ele.

— Você também sabia.

Thomas deu de ombros.

— Todo mundo sabia.

Nicolas olhou para Nora.

— Todo mundo?

Ela riu.

— Acho que sim.

— Você contou? — Nicolas perguntou a Thomas, incrédulo.

Thomas abriu um sorriso discreto.

— Não. Vocês que são péssimos em esconder mesmo.

Nicolas ficou alguns segundos olhando para o amigo.

— Então por que nunca falou nada?

— Porque você confiou em mim.

A resposta simples fez Nicolas sorrir.

— Valeu, irmão.


Thomas deu um tapinha em seu ombro.

— Só não estraga tudo. Ela ainda é minha irmã

Nora riu.

— Ele não vai.

Ethan ergueu as sobrancelhas.

— Olha só. Agora ela já está defendendo ele.

— Ethan — Nora advertiu, embora estivesse sorrindo.

— Estou feliz por vocês — ele respondeu, levantando as mãos em rendição. — Mas alguém precisa aproveitar enquanto vocês ainda ficam vermelhos.

Henrique concordou imediatamente.

— Essa é a melhor parte.

Lily balançou a cabeça, rindo.

— Vocês não têm jeito.

Mais atrás, Adrian estava com Lily.

Ele havia participado da comemoração, mas sua atenção continuava voltando para ela. Não importava quantas pessoas estivessem ao redor ou quantas vezes Ethan, Nicolas, Thomas e Henrique começassem outra brincadeira, Adrian sempre acabava procurando Lily com os olhos. Gostava de vê-la sorrindo, de ouvir sua risada e, principalmente, daquela sensação estranha e agradável que surgia sempre que ela se aproximava. Era diferente do que sentia pelos amigos. Com Lily, ele parecia prestar atenção em coisas que normalmente passariam despercebidas: o jeito como ela mexia nos cabelos quando estava distraída, a maneira como seus olhos brilhavam quando alguma coisa a deixava feliz e até o modo como ela conseguia fazê-lo esquecer, por alguns instantes, qualquer outra coisa ao redor.

Lily percebeu. Havia percebido outras vezes também, mas até então preferira fingir que não. Agora, depois de ver Nicolas e Nora finalmente admitirem o que sentiam, parecia menos assustador permitir que Adrian soubesse que ela sentia o mesmo.

— Você está me olhando.

Adrian pareceu considerar negar, mas não conseguiu. Não queria mentir para ela, principalmente quando, pela primeira vez, começava a sentir que talvez pudesse dizer em voz alta aquilo que vinha tentando entender havia algum tempo.

— Estou.

Lily sorriu.

— Por quê?

Adrian passou a mão pela nuca, uma rara demonstração de nervosismo em alguém que normalmente tinha resposta para tudo. Ele desviou os olhos por um instante, como se procurasse uma maneira de explicar uma coisa que, de repente, parecia muito mais difícil de dizer do que imaginara. A verdade era simples, mas justamente por ser simples parecia impossível escondê-la.

— Porque eu gosto de olhar para você. Eu sempre acabo procurando você quando estamos todos juntos. E quando encontro, não sei... parece que o resto fica um pouco mais fácil de ignorar. Eu gosto de ver você feliz, gosto de ouvir você rindo e gosto de estar perto de você, mesmo quando a gente não está fazendo nada de especial. Acho que comecei a perceber que você virou uma das primeiras pessoas que eu procuro sem nem pensar.

Lily ficou completamente imóvel por alguns segundos, surpresa pela sinceridade. Adrian respirou fundo, já sentindo o rosto esquentar.

— E porque você fica muito linda quando está feliz. Não que você não seja linda… quer dizer... Ah, você me entendeu.

Lily sorriu de um jeito diferente. Não era apenas o sorriso divertido que ela costumava dar quando queria provocá-lo. Havia ternura nele, uma delicadeza que fez Adrian perceber que talvez ela tivesse entendido muito mais do que ele conseguira dizer.

— Você também.

Adrian piscou e ficou vermelho. Ela deu de ombros, como se aquilo não fosse importante, embora o sorriso entregasse exatamente o contrário.

— Acho que gosto quando você está feliz — ela continuou, depois de um pequeno silêncio. — Talvez porque eu goste de saber que, de alguma forma, eu faço parte disso. E porque eu gosto quando você está perto de mim também. Mesmo quando você fica tentando fingir que não está nervoso.

Adrian soltou uma risada baixa.

— Eu não fico nervoso.

Lily ergueu uma sobrancelha.

— Adrian...

Ele acabou rindo novamente.

— Está bem. Com você, talvez um pouco.

Ela sorriu, e aquilo foi suficiente para deixá-lo ainda mais sem jeito.

— Eu gosto de estar perto de você — Adrian admitiu. — Mais do que deveria, provavelmente.

Lily olhou para ele por alguns segundos.

— Eu também.

Os dois permaneceram lado a lado, mas dessa vez havia algo diferente entre eles. Não era mais apenas aquela amizade que fazia com que se procurassem no meio da multidão, sentassem próximos sem perceber ou encontrassem qualquer desculpa para continuar conversando. Havia uma consciência nova entre os dois, uma espécie de certeza ainda tímida de que aquilo que sentiam não era passageiro. Adrian percebeu que não queria apenas estar perto de Lily quando tudo estava acontecendo. Queria conhecer cada versão dela e continuar sendo alguém que ela procurasse quando estivesse feliz, preocupada ou simplesmente precisando de companhia.

Discretamente, Adrian tomou coragem e segurou a mão de Lily. Ela entrelaçou seus dedos nos dele sem hesitar. Ambos sorriam largamente. O gesto era simples, mas para os dois significava muito mais do que qualquer declaração grandiosa. Adrian olhou para as mãos entrelaçadas e depois para Lily, como se ainda estivesse tentando acreditar que ela realmente havia correspondido. Havia passado tanto tempo tentando entender o que sentia que, naquele momento, ter a mão dela entre a sua parecia tornar tudo mais real.

Lily apertou de leve os dedos dele, deixando claro que não pretendia soltá-lo tão cedo.

Adrian sorriu.

— Você sabe que agora eles nunca mais vão nos deixar em paz, não sabe?

Lily olhou para os amigos e soltou uma risada.

— Eu sei.

Adrian acompanhou o olhar dela até o grupo. Ethan já parecia ter percebido alguma coisa, Henrique provavelmente também, e a expressão divertida dos dois deixava claro que aquela descoberta renderia provocações por muito tempo.

Ele voltou a olhar para Lily.

— Ainda vale a pena?

Ela voltou os olhos para ele.

— Muito.

A resposta fez Adrian sorrir de um jeito que Lily já começava a reconhecer. Era aquele sorriso mais aberto, quase desprevenido, que aparecia sempre que ele esquecia de tentar parecer confiante. Ela apertou novamente a mão dele, e os dois permaneceram assim por mais alguns segundos, completamente alheios ao fato de que não estavam tão discretos quanto imaginavam.

— Finalmente! — a voz de Ethan veio do outro lado do campo.

Adrian fechou os olhos por um instante.

Lily começou a rir.

Quando os dois olharam para os amigos, Ethan estava com os braços cruzados e uma expressão de satisfação exagerada no rosto. Henrique estava ao lado dele, claramente se divertindo, enquanto Nicolas, Nora e Thomas observavam a cena com sorrisos que deixavam evidente que já tinham entendido tudo.

— Eu estava começando a achar que vocês iam passar mais cinco anos nessa história de “somos só amigos” — Ethan continuou.

— Nós não estávamos fazendo isso — Adrian respondeu, embora o vermelho que voltava ao seu rosto dissesse exatamente o contrário.

Henrique soltou uma risada.

— Claro que não. E eu sou um elfo doméstico.

Nicolas balançou a cabeça, divertido.

— Vocês realmente achavam que ninguém percebia? Adrian olha para a Lily como se o mundo fosse irrelevante.

Lily arregalou os olhos.

— Nicolas!

— O quê? É verdade.

Nora riu.

— E a Lily olha para ele do mesmo jeito.

Adrian olhou para Lily, que agora estava tentando esconder o sorriso.

— Traidores — ele murmurou.

Thomas, que até então permanecera mais quieto, deu um pequeno sorriso.

— Não é traição se todo mundo já sabia.

Ethan apontou para as mãos dos dois.

— Principalmente porque vocês esqueceram um pequeno detalhe.

Adrian olhou para baixo. Ainda estava segurando a mão de Lily. Ele levantou os olhos lentamente e Henrique abriu um sorriso enorme.

— Vocês estão de mãos dadas ainda.

Lily olhou para os dedos entrelaçados e começou a rir.

— Estamos.

— E não parecem muito interessados em soltar — Thomas observou.

Adrian apertou de leve a mão dela.

— Não estamos.

Os amigos imediatamente começaram a comemorar e provocar os dois, e Lily escondeu o rosto por um instante no ombro de Adrian, rindo. Ele também acabou rindo, embora ainda estivesse vermelho.

— Eu odeio todos vocês — Adrian declarou.

— Mentira — Nicolas respondeu. — Você está feliz demais para odiar alguém agora.

Adrian olhou para Lily. Ela levantou o rosto para ele. Os dois sorriram.

— Talvez — ele admitiu.

Ethan colocou uma mão no peito, fingindo estar emocionado.

— Que lindo. Mais um casal para o grupo.

Nora soltou uma gargalhada, e até Thomas desviou o rosto para esconder o próprio sorriso. Adrian balançou a cabeça, mas não soltou a mão de Lily.

No fundo, apesar de todas as provocações, havia algo reconfortante naquela reação. Nenhum deles estava realmente zombando dos dois. Estavam felizes. Assim como haviam ficado quando Nicolas e Nora finalmente deixaram de esconder o que sentiam, agora pareciam genuinamente satisfeitos por ver Adrian e Lily dando aquele pequeno passo. Eram sete amigos que haviam crescido juntos, compartilhado segredos, aventuras, vitórias e dificuldades, e talvez por isso aquela felicidade simples de dois deles começarem a descobrir o amor parecesse pertencer um pouco a todos.

Henrique ainda encontrou uma última oportunidade para provocar.

— Só uma coisa, Adrian.

— O quê?

— Se você ficar vermelho desse jeito toda vez que a Lily segurar sua mão, isso vai ficar muito divertido.

Adrian estreitou os olhos.

— Quer testar?

Henrique deu um passo para trás, rindo.

— Não. Já estou satisfeito com o resultado.

Lily apertou a mão de Adrian novamente. Ele olhou para ela, e dessa vez não tentou esconder o sorriso. Não precisava. Todos já sabiam.

A alguns metros dali, Draco observava. Sara segurava seu braço.

— Não faça essa cara.

— Que cara?

— A cara de quem está tentando decidir se deve falar alguma coisa.

Draco respirou fundo.

— Eu não vou falar nada.

Sara sorriu.

— Boa escolha.

— Mas vou conversar com ele depois.

— Draco.

— Uma conversa normal. De pai pra filho.

— Claro.

Enquanto os adultos conversavam, os sete jovens começaram a caminhar juntos pelo campo. Nicolas ia ao lado de Nora, os dois conversando baixo. Adrian caminhava perto de Lily ainda de mãos dadas com ela, e Ethan e Henrique seguiam alguns passos atrás, claramente se divertindo mais com a situação dos dois casais do que com a própria vitória da Grifinoria. Thomas caminhava ao lado deles três, observando tudo com aquela serenidade que fazia parecer que nada no mundo conseguia realmente surpreendê-lo.

Lily ainda comentava sobre a partida quando Adrian disse alguma coisa que a fez rir. Nicolas ouviu a risada e olhou para os dois por um instante.

Nora percebeu.

— Está tudo bem?

— Está.

— Tem certeza?

Nicolas sorriu.

— Só estou pensando que também já era hora deles dois assumirem.

Nora olhou para Adrian e Lily de mãos dadas. Depois voltou-se para Nicolas. Ela sorriu.

— Acho que eles demoraram tanto quanto nós.

— Talvez porque estavam esperando a gente tomar coragem primeiro.

Nora soltou uma risada.

— Pode ser.

Nicolas olhou para ela por um momento antes de passar os braços ao redor dos ombros dela e a puxar para mais perto. Nora se acomodou contra ele naturalmente, sem constrangimento, como se aquele gesto tivesse sido esperado pelos dois durante muito tempo. Ela apoiou a cabeça de leve em seu ombro enquanto continuavam andando, e Nicolas baixou o rosto por um instante, sorrindo para ela.

Alguns passos atrás, os pais observavam. Hailey olhou para Gareth.

— Você viu isso?

— Tudo.

— Nicolas e Lily estão apaixonados.

— Parece bastante claro.

Hailey sorriu.

— Eles cresceram tão rápido.

Gareth passou um braço ao redor dela.

— É. E agora nossos filhos estão apaixonados.

Hailey riu.

— Não fala assim. Eles vão morrer de vergonha se ouvirem.

— Eles não vão ter paz nas férias.

— Você está se divertindo demais.

— Um pouco.

Mais atrás, Grace observava Nora caminhar abraçada a Nicolas. Tobias percebeu o sorriso dela.

— Está feliz?

Grace assentiu.

— Muito.

— Por quê?

Ela demorou alguns segundos antes de responder.

— Porque eles estão tendo uma vida normal.

Tobias olhou para os sete jovens.

Eles discutiam sobre a partida, provocavam uns aos outros, riam e caminhavam pelo gramado como se o maior problema daquela tarde fosse decidir onde comemorariam a vitória. Ethan e Henrique continuavam provocando Nicolas e Adrian, mas havia carinho por trás de cada brincadeira. Nenhum dos dois parecia realmente querer constrangê-los; estavam felizes por ver os amigos finalmente assumirem sentimentos que todos já haviam percebido. Thomas seguia ao lado deles, satisfeito por ver Nicolas tranquilo depois de tanto tempo escondendo aquilo, enquanto Lily e Nora trocavam olhares divertidos sempre que os dois meninos ficavam vermelhos diante das provocações.

Nenhum deles carregava uma profecia.

Nenhum precisava salvar o mundo.

Nenhum precisava lutar para sobreviver.

Eles só eram jovens.

Tinham amigos.

Tinham famílias.

Tinham sonhos.

E alguns deles estavam começando a descobrir o que significava gostar de alguém.

Sara se aproximou de e Hailey Grace.

— Acho que nós conseguimos.

Elas olharam para a ruiva.

— O quê?

Sara sorriu.

— Dar a eles uma tranquilidade que nós não tivemos na idade deles.

Grace ficou em silêncio por um instante. Então olhou para Hailey, para Gareth, para Tobias, para Draco e, finalmente, para os filhos.

— Acho que sim.

Nora estava rindo de alguma coisa que Nicolas havia dito. Quando percebeu que ele não conseguia nem piscar de admiração, sorriu para ele. Ele respondeu da mesma maneira, sem o constrangimento de antes. Havia algo novo entre os dois agora, não porque o sentimento tivesse surgido naquele dia, mas porque finalmente haviam parado de escondê-lo. Nicolas continuava olhando para Nora como se ainda se surpreendesse com a sorte de tê-la ao seu lado, e ela continuava sorrindo para ele com aquela ternura tranquila que sempre aparecia quando acreditava que ninguém estava observando.

Alguns metros à frente, Adrian também não conseguia mais disfarçar seus sentimentos por Lily.

Ela percebeu. Dessa vez, não tentou disfarçar. Apenas sorriu e deu um beijo na bochecha dele o deixando mais vermelho ainda. Adrian levou a mão ao próprio rosto por um instante, completamente sem saber como reagir, enquanto Lily ria baixinho da reação dele. Ainda assim, quando ela voltou a caminhar, ele imediatamente procurou sua mão outra vez, entrelaçando os dedos nos dela como se já tivesse decidido que não queria deixar aquele momento terminar.

Ethan flagrou o momento na hora.

— Ah, não.

Adrian virou-se.

— O quê?

Ethan apontou para ele.

— Você está fazendo a mesma cara que ele.

Ethan olhou para Nicolas.

Depois para Adrian.

— Cala a boca.

Henrique e Thomas começaram a rir. Lily e Nora se entreolharam, agora entendendo perfeitamente o motivo da diversão.

— Vocês dois são muito infantis — Lily comentou.

— Estamos só felizes pela vitória. Só não to dizendo que é do quadribol que estamos falando— Ethan respondeu.

Os sete começaram a rir. Ethan passou um braço pelos ombros de Henrique, enquanto Thomas balançava a cabeça, divertindo-se com a confusão. Lily apertou a mão de Adrian e Nora permaneceu próxima de Nicolas, e nenhum dos dois casais parecia mais particularmente interessado em esconder o que sentia. Os amigos continuavam provocando, mas havia uma alegria verdadeira naquelas brincadeiras. Eles estavam felizes por ver dois de seus amigos encontrarem coragem para admitir algo que já fazia parte da vida deles havia algum tempo.

Os adultos observaram a cena.

Gareth começou a rir também. Draco fechou os olhos por um instante, como se já previsse todos os problemas que viriam. Hailey encostou a cabeça no ombro de Gareth. Grace segurou a mão de Tobias. Sara entrelaçou os dedos aos de Draco.

E, por alguns minutos, ninguém precisou dizer mais nada.

Porque ali, naquele campo de Hogwarts, entre uma taça de quadribol, sete jovens inseparáveis e duas paixões que começavam a se tornar impossíveis de esconder, havia algo que nenhum deles teria conseguido imaginar vinte anos antes.

O futuro não precisava mais ser uma batalha.

Às vezes, ele podia ser apenas um grupo de amigos rindo depois de uma partida de quadribol, dois casais em potencial descobrindo seus primeiros sentimentos e seis adultos observando, com uma mistura de orgulho, nostalgia e carinho, a geração seguinte ter a liberdade de viver aquilo que eles mesmos não haviam tido tempo de viver.

E talvez fosse justamente essa a maior vitória de todas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.