Laranja Azeda

35 Capítulo 35 – Faça silêncio!


Notas iniciais
Gente o capítulo tendeu pro lado bizarro e ficou muito tenso rsrsrsrsrs Espero que gostem :)

Santana estava sentada na posição de lótus, sua concentração era tamanha que estava levitando.

–Parabéns Santana! Nunca vi ninguém evoluir tão rápido em apenas dois dias!

–Obrigada James– Disse de olhos fechados– Acho que em breve poderei retornar pra tribo e colocar ordem naquele caos.

Dois dias antes.

Santana rolou por um barranco indo parar num pântano, diante dela, estava uma enorme estatua de um bode esculpido em mármore negro. Ao cair da noite se deparou com uma pessoa sentada na cabeça do animal inanimado.

–Quem é você?!

–Seria mais educado você se apresentar primeiro, antes de perguntar quem sou.

–Eu sou Santana Watson, possuidora do hormônio da repulsão.

–Então você é uma moradora da tribo do escorpião. Eu devia saber.

–Agora é sua vez, quem é você?

–Sou James, sou o xamã da Ilha do Escorpião.

–Xamã? –Santana se levantou se aproximando da estatua, James desceu do animal indo de encontro da garota –Xamã não é um tipo de macumbeiro?

–Na verdade estamos mais para guias espirituais.

–Acertei, macumbeiros mesmo.

O homem revirou os olhos desistindo daquela discursão. Ele observou mais atentamente aquela ruiva suja de lama, ela lhe parecia familiar.

–Por que você não mora na tribo? Vai me dizer que mora nesse pântano?

–Não moro neste pântano, venho aqui apenas para lembrar de casa, é o mais perto que posso chegar da tribo.

–Por que?

–Eu fui banido a muito tempo por adorar um deus que não era um dos seis. Religião até mesmo nesta ilha tão liberal, causa segregação.

–E onde você mora então?

–Moro muito longe daqui, numa cidade pequena, mas infelizmente estou preso lá.

–Você consegue sair e voltar da ilha?!

–Na verdade eu não estou aqui.

–O que? –O homem se aproximou dela estendendo sua mão, como se pedisse um aperto de mão, Santana ergueu a sua, mas quando ia toca-la, sua mão atravessou-a como um fantasma –Que bruxaria é essa?

–Não sou um fantasma, meu corpo esta meditando e meu espirito viajou até aqui, adoraria poder visitar minha verdadeira casa, a tribo, mas sou impedido de retornar.

Santana encarou o homem em silêncio pensativa e com um olhar determinado. James pensou que ela ou estava em choque ou estava soltando gazes.

–Me ensine! –Disse a ruiva com convicção.

–O que?

–Me ensine a ser uma xamã! Desse modo posso viajar pelo plano espiritual e ter uma conversinha com um certo espirito estraga casamento!

A convicção dela foi tão grande e ainda James vivia sempre tão entediado que resolveu ajuda-la.

–Tudo bem, farei de você minha aprendiz, no entanto não é todo mundo que tem aptidão para ser um xamã. Você tem que saber esvaziar sua mente, ficar leve, deixar seu espirito fluir e...

–Entendi, tenho que ter cabeça de vento, pode deixar, sou ótima em pensar em nada.

James riu do jeito dela. E eles começaram o treinamento.

Dois dias depois.

Raul guiou Mike até a entrada de uma caverna.

–Sua fantasia é transar numa caverna?

–É que eu adoro a escuridão.

–Hum que macabro.

Eles entraram rindo e foram seguidos por Beatriz e Charmosa que mantinham uma certa distância. A caverna era espaçosa e tinha um pé direito de uns quatro metros.

–Vamos começar –Disse Mike puxando o homem mais velho e beijando-o na boca com vontade. O beijo foi quente, Raul fez um movimento violento jogando o jovem na parede, e fechando uma corrente em seu pulso –Então você curte coisas assim? Essa caverna deve ter sido usada como prisão antigamente, hoje em dia dificilmente alguém da tribo é preso.

–Na verdade não curto isso, mas gosto de manter um estoque.

–Estoque?

–Mike, Mike. Não vou transar com você hoje, estou te guardando pra depois, vou transar com uma adorável loira uma última vez antes dela estragar.

–Do que você esta falando?

Raul foi atrás de uma pedra e voltou com uma mulher nua nos braços e a jogou no chão diante do asiático que reconhece sua amiga Preciosa com os olhos abertos e sujos de areia, ela estava morta.

–Aaaaaaaaa!

Mike gritou horrorizado e seu grito chegou até os ouvidos das duas morenas.

–É a voz do Mike! –Diz Charmosa que começa a correr em disparada para ajudar o amigo. Beatriz a segue.

Raul ri do desespero do asiático puxando as correntes, tentando se libertar, mas era inútil. O homem repleto de cicatrizes se abaixou e alisou docemente o corpo morto da loira.

–É isso que me excita, este corpo frio, esse olhar congelado, odeio o barulho de mulher gemendo, mas amo seu silêncio quando as penetro quando estão mortas.

–Seu louco o que você fez com ela?! Preciosa! –Mike gritava e chorava.

Charmosa e Beatriz entraram correndo na caverna, deparando-se com a cena. Mike acorrentado, Raul ajoelhado alisando um corpo, o corpo de Preciosa.

–Preciosa se levanta e sai daí! –Gritou Charmosa.

–Acho que não vai ser possível –Diz Raul a puxando pelos cabelos direcionando seu rosto para as morenas –Preciosa não gosta mais de fazer barulho.

O horror as atingiu, Beatriz se deu conta de que estava certa sobre aquele homem. Charmosa olhou para o rosto de sua amiga morta, sua rival de toda a vida, jazia naquele lugar escuro e frio, nos braços de seu carrasco.

–Maldito!

–Charmosa!

A morena correu pra cima do latino o pegando desprevenido, já que ele estava agachado. Ela lhe deu um soco que o derrubou, montou sobre ele o socando. Raul se recompôs e segurou os braços dela, num impulso lhe deu uma cabeçada na cara com toda força. Charmosa caiu pro lado com o nariz coberto de sangue.

–Puta escandalosa faça silêncio! –Disse ele se levantando.

–Raaaa!

Raul se virou e foi surpreendido por um chute na cara, recuou e olhou incrédulo para aquela baixinha morena.

–Pelo jeito alguém aqui sabe lutar.

Beatriz estava com muito medo, mas não conseguia deixar alguém pra trás, ela poderia ter corrido e ido pedir ajuda, mas não conseguiu abandonar aqueles dois. Raul partiu pra cima dela tentando agarra-la, ela se abaixa desviando de sua investida, chuta a dobra da perna dele o fazendo cair de joelho, Beatriz gira e dá um soco de direita, um de esquerda, puxa a cabeça dele pra baixo e lhe dá uma joelhada na cara o derrubando no chão.

Ela sabia mesmo se defender, mas não era idiota e sabia que a diferença de tamanho iria acabar acarretando na vitória do brutamontes psicopata latino. Ela pegou uma pedra e correu até Mike.

–Cuidado com a mão! –Numa só batida abriu a corrente libertando o asiático.

Raul se retorcia no chão com o rosto doendo e de repente teve lembranças de seu passado conturbado, lembrou-se de sua madrasta o trancando no armário:

–Faça silêncio garoto chorão! Silêncio!

Lembrou-se das surras que levou naquela enorme casa eduardiana em que sempre devia se fazer silêncio. Do ódio que crescia a cada dia, de quando tinha dezesseis anos e um dia cansou das surras de sua madrasta e revidou, ele bateu nela a jogou sobre a mesa, rasgou sua roupa, gritou com ela, lhe bateu com seu chicote da disciplina até quebra-lo.

–Faça silêncio! Faça silêncio! Silêncio! –Gritava o adolescente aos berros e lágrimas, ele abriu as pernas dela e a penetrou, a estuprando e a espancando, a mulher gritava –Faça silêncioooo!

Raul pegou uma pesada estatua de querubim e golpeou repetidas vezes a cabeça da madrasta até que finalmente se fez silêncio. Ele riu e chorou enquanto fodia a buceta daquela maldita mulher, mas agora podia usufruir de um maravilhoso silêncio.

Esse foi o momento em que ele começou a gostar de transar com mortos, e o silêncio era o que mais lhe excitava. Algumas de suas cicatrizes foram feitas por sua madrasta, mas a maioria fora causada vinte anos depois, quando ele invadiu um cemitério para abusar de uma linda mulher recém falecida, enterrada naquela tarde, a terra ainda estava fofa, o que facilitou desenterrar. Ele fodeu com vontade, acontece que aquela era a esposa de um coronel da marinha, que resolveu visitar o túmulo de sua falecida companheira naquela mesma noite e se deparou com aquele monstro gozando dentro da morta.

O coronel podia ter chamado a polícia, mas seu ódio foi enorme e ele queria fazer justiça com as próprias mãos, golpeou o estuprador de cadáveres e o levou para um galpão abandonado, onde o torturou por dias. Raul sofreu muito nas mãos do general, mas um dia, uma serpente entrou em seu calabouço, o latino estava tão acabado que ficou feliz ao ver o animal, pensou que seria ótimo se ela fosse venenosa e o picasse, deste modo morreria logo e acabaria com aquela dor, mas não foi o que aconteceu.

A serpente se ergueu assumindo a forma de um homem nu. Raul pensou que estivesse tendo alucinações por causa da dor, mas aquele homem o soltou.

–Pode fugir agora, mas um dia irei cobrar esse favor.

–Obrigado, mas não vou fugir.

O homem sorriu e voltou a ser uma serpente e foi embora. Raul se escondeu, esperou até que o coronel voltasse para mais uma seção de tortura, quando o velho entrou foi golpeado pelo latino, que o prende.

–Eu poderia te torturar por dias, mas acho que vão procurar por você, então vou fazer algo mais no meu estilo.

Raul tirou a roupa do velho pançudo, lhe deu vários socos, o jogou no chão e o penetrou, ouvindo seus gritos.

–Faça silêncio! –Disse cortando a garganta do coronel e em seguida fodendo seu corpo morto.

Raul abriu os olhos na caverna, todas essas lembranças se passaram em poucos segundos. Viu Beatriz libertar Mike e os dois irem até Charmosa que chorava abraçada ao corpo de Preciosa. O latino ouviu o sibilar de uma serpente e sorriu.

–Eu quero que mate duas pessoas pra mim, mas pode matar quantos quiser pelo caminho –Disse uma voz sussurrante ao seu ouvido.

–Tudo bem –Foi a resposta de Raul se levantando.

–Pessoal! –Chamou Beatriz.

–Nenhum de vocês vai sair daqui vivo.

–Raaaaa!

Mike partiu pra cima dele, ele desviou e lhe deu um soco tão forte que o derrubou no chão. Beatriz avançou para lhe dar um chute, Raul segura sua perna e sorri.

–Não vou deixar que me bata duas vezes seguidas.

Beatriz pula dando um impulso com a outra perna, o chutando na cara. Os dois caem no chão e a morena se levanta.

–O que você disse mesmo?

Raul se levantou furioso, Charmosa saltou em suas costas e lhe mordeu a orelha. Ele gritou e correu pra trás e se jogou na parede.

–Charmosa! –Gritou Mike.

Charmosa bateu com a cabeça na parede e caiu desmaiada. Raul tocou a orelha para confirmar que ela ainda estava no lugar e atacou os outros dois. Mike e Beatriz o atacaram juntos, mas ele parecia possuído, chutou o peitoral do asiático, deu um tabefe na cara da morena. Mike avança e lhe acerta um soco na barriga, Beatriz aproveita e lhe dá um na cara, e os dois avançam espancando o brutamontes que recua até encostar na parede. Num rápido movimento Raul prende o pulso de Mike novamente, agarra o braço de Beatriz a prendendo também, mas os dois ainda o atacavam. Ele agarrou as cabeças deles com suas enormes mãos e as bateu uma na outra com toda sua força.

Aproveitou-se de seu atordoamento e acorrentou os outros braços e ainda acorrentou a desmaiada Charmosa e então se afastou ofegante.

–Pelo jeito meu estoque ficou maior do que planejei.

–Nos solte agora seu maldito! –Gritou Beatriz.

–Só os soltarei quando for a vez de vocês.

Ele não disse mais nada, foi até o corpo de Preciosa, abriu suas pernas e em silêncio a penetrou. Eles gritavam e xingavam o latino, que abusava do corpo de sua amiga. Ele meteu se deliciando com o silêncio da morta, até gozar dentro. Riu e se levantou de bom humor. Segurou uma das pernas dela e saiu arrastando-a para se livrar do corpo.

No centro da ilha, Eve estava deitada pensativa.

–Nem a Santana e nem os deuses apareceram pra me visitar, estou tão sozinha.

–Vamos acabar com essa solidão então.

–Adam!

Eve correu até os braços de Otto e o beijou. O rei sentiu aquele cheiro maravilhoso da primeira mulher, sentiu o amor preencher todo o seu corpo, aquela era a mulher de sua vida, de todas as suas vidas. Eles continuaram se beijando e sentiam que seu amor era a coisa certa à existir, qualquer sacrifício era diminuto comparado a sua grande paixão.

Eve pensou em Santana, um dia ela entenderia que tinha que abrir mão do Otto em nome do primeiro amor. E nesse dia voltariam a ser grandes amigas.

–Meu amor me coma, sinto tanta saudade de você me comer.

–E eu senti muita saudade dessa sua buceta.

–A primeira buceta.

Os dois riram e se deitaram na grama. Otto nem estava chateado por ser chamado de Adam por ela, por que de certo modo ele era mesmo o Adam, ele...

–Oi pessoal! –Eve e Otto se levantaram num pulo, olhando pra cima, lá estava a dona daquela voz, sentada nos galhos da árvore da vida.

–Santana?

–Vim visitar vocês para dar um aviso.

–Santana você tem que entender que já não te amo mais.

–Escute aqui seu parasita de almas, pois meu aviso é principalmente pra você! Eu vou te dar uma surra e pegar o meu amor de volta.

–Você não esta dizendo coisa com coisa.

A ruiva desceu levitando da árvore para o espanto dos outros dois.

–Não me diga que você comeu do fruto proibido Santana? –Perguntou Eve espantada.

–Não, só aprendi uns truques novos.

–Santana você tem que me entender –Eve se aproximou dela e quando foi toca-la passou direto –O que? Você é um fantasma?

–Na verdade não queridinha –Santana andou em direção de Otto –Vocês são muito egoístas em sacrificarem o amor dos outros em nome do de vocês. Quantos casais vocês destruíram? Li a história do Senhor Dois, ele amava perdidamente uma tal de Lilith, mas quando o Adam saltou pra dentro dele, ele a esqueceu e ela morreu de desgosto. Imagino como teria sido a vida daquele velho se ele tivesse continuado com o seu amor.

–Santana eu não te amo mais e não adianta lutar por isso.

–Eu juro que vou acabar de uma vez por todas com seus saltos de alma em alma, Adam.

–Não tem como você fazer isso.

–É mesmo? Então fique só olhando.

Santana deu mais dois passos e saltou pro corpo de Otto. Ele fechou os olhos e ao abri-los não via mais a ruiva.

–Onde ela esta?

–Dentro de você –Respondeu Eve assustada.

–Aaaaaa –Otto caiu de joelhos gritando de dor e de susto.

–Otto, eu vou te achar –Disse o espirito de Santana, a laranja azeda, a possuidora dos hormônios dos deuses, a aprendiz de xamã.

Notas finais
O capítulo não foi muito sexy, mas ele foi muito necessário pro desenrolar da história. Santana is back!