Lar
1 ❅ único,
Notas iniciais
Oikawa Tooru é um homem partido em dois mundos completamente opostos
O primeiro, no Oriente: o Japão. O país em que nasceu, a casa de sua família e a maior parte de seus amigos. Ali, as pessoas o chamavam de Oikawa e a maioria de suas memórias de infância e adolescência estavam ali, principalmente nas ruas de Miyagi. Por isso, o homem não pode negar a nostalgia e os sentimentos (bons e ruins) que estão anexados a sua experiência no Japão.
O segundo, o Ocidente. Mais especificamente, a América. A Argentina é o país que acolheu Tooru, seus sonhos e sua paixão incalculável pelo vôlei. Um país tecnicamente recente na vida de Oikawa, seus primeiros anos ali foram infernais, mas Oikawa era determinado, forte e bom o suficiente para encantar todos ao seu redor, romper com todos os obstáculos de ser um atleta naturalizado em uma cultura diferente da sua e consequentemente sentir toda a dita magia latina em seu total esplendor.
Entretanto, existe um porém quase não dito em ser um ser humano de “dois mundos”: não pertencer a lugar nenhum.
Tooru é japonês, mas também é argentino. Nunca um japonês e um naturalizado argentino. Sua família está no Japão — obviamente de braços abertos para Oikawa, a qualquer momento -, mas agora toda sua vida está totalmente construída no outro lado do oceano. Ser de dois mundos não quer dizer pertencer a dois universos opostos, mas sim que esses universos não o aceitam completamente; é sempre em partes, é sempre apenas uma pequena porcentagem de Oikawa.
Por isso, às vezes, Oikawa pensa: não tenho um lar de verdade. E, bem, talvez seja verdade. Talvez Oikawa não tenha um lar, um lugar no mundo que o aceite por inteiro.
Porém, todo esse pensamento se esvazia quando Oikawa Tooru chega na vila olímpica construída para as Olimpíadas de Tóquio.
Ali, Oikawa Tooru reencontrou Iwaizumi Hajime: melhor amigo de Tooru desde a tenra infância, seu noivo e o que Oikawa pode raciocinar mais tarde o que é — melhor, quem é — seu lar, seu porto seguro.
O mesmo Iwaizumi que, ao ver Tooru, passou a bater o pé impaciente esperando o noivo se aproximar porque logicamente o treinador japonês não queria criar a cena tirada de um romance gay na frente de milhões de atletas do mundo inteiro.
(Decididamente não funcionou, porque Iwaizumi segurou Oikawa fortemente em seus braços musculosos por minutos a fio, sussurrando eu te amo, eu senti tanto sua falta no pescoço de Tooru incontáveis vezes, trazendo uma onda de arrepios ao naturalizado latino.
Também não funcionou, porque Tooru grudou suas testas logo após a demonstração de afeto de Hajime, empenhado em dizer eu te amo mais, eu senti tanta saudade mais vezes que seu noivo.
Os companheiros de equipe de Oikawa também não ajudaram com a discrição do reencontro, filmando o ocorrido, vaias felizes e um grito brincalhão em um inglês não tão claro e recheado de um sotaque claramente latino:
— Ei, vocês podem, por favor, arranjar um quarto?
Foi obviamente Hinata Shouyou que complementou a fala argentina, mesmo que posteriormente o ruivo tenha colocado a culpa em Miya Atsumu:
— Talvez vocês consigam quebrar a cama anti-sexo!).
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