Lar
7 Sete
SETE
Domingo, 03 de setembro de 2017 – 07h42min
O dia finalmente havia chegado. Eu estava tão ansioso que nem mesmo havia conseguido dormir. E quem acabou pagando o preço de minha ansiedade foram meus amigos, que obriguei a levantarem antes das seis para me ajudar a arrumar a tal festa do JungKook.
Sem escolhas, todos estavam no parque às seis e meia da manhã, arrumando a decoração da festa e agora finalmente havíamos terminado. Observo o lugar e já consigo imaginar as reações das crianças ao verem os brinquedos e o parquinho que havia a nossa frente. Eles com certeza se divertiriam muito.
— Manse, Daehan e Minguk vão amar esse lugar. – Comento com meus amigos que riem.
— Você parece um pai orgulhoso falando desses garotos. – Afirma Jimin, sentando-se na toalha de piquenique ao lado do namorado. JungKook dá um beijo na testa de Jimin e o abraça. – Isso é realmente fofo.
— Bom, não é como se ele não planejasse se tornar pai deles. – Provoca Taehyung, deitado no colo de Hoseok. – No fim, eu ganhei um pacote família de um cunhado com três criancinhas super adoráveis.
— Você é bem irritante. – Digo, dando um chute leve no pé do meu irmão, que ri, divertido.
— Eu sei. – Responde meu irmão mais novo, se aconchegando ainda mais no colo do namorado. – Mas pensa pelo lado positivo. Agora você não vai mais ser a vela do grupo.
— Finalmente! – Exclamo, fazendo os outros rirem. – É sério. Eu já não aguentava mais isso. E eu só percebi que eu realmente odeio ficar sozinho entre casais, depois que eu experimentei como é incrível andar de mãos dadas pelo parque e agir como um casal.
Suspiro e me sento entre os dois casais, olhando para meu relógio. Meu coração batia mais rápido a cada minuto que se passava. Ao ver o quão tenso eu estava, meu irmão se levanta e me abraça de lado. Respiro fundo e encosto minha cabeça na dele. Tudo daria certo. Eu precisava confiar nisso.
De repente, uma bola é jogada em nossa direção e ela acaba parando bem de frente para mim. Pego a bola e olho para o lugar de onde veio e não consigo evitar não sorrir ao ver os três garotos que havia me apegado tanto correndo e gritando para chamar minha atenção.
Afasto-me de Taehyung e me coloco de joelho, não demorando a ser abraçado com força pelos três garotinhos de seis anos. Com a animação deles, acabo não conseguindo suportar o peso e vamos os quatro ao chão, com risadas altas.
— Tio NamJoon! Tio NamJoon! – Gritavam os três ao mesmo tempo. Eu não conseguia esconder a minha felicidade de estar com Minguk, Manse e Daehan em meus braços.
— Crianças, vocês vão machucar o tio NamJoon. – SeokJin os repreende, enquanto se aproxima de nós com Yoongi ao seu lado. – Bom dia a todos.
— Bom dia. – Cumprimentam meus amigos, acenando para SeokJin e Yoongi, que apenas balança a cabeça em um breve cumprimento.
Taehyung, Jimin, Hoseok e JungKook pareciam atordoados com a reação com as crianças. Ainda que soubesse que eu me dava bem com os trigêmeos, eles provavelmente não imaginavam a magnitude do meu carinho por aqueles garotos.
— Tio NamJoon, nós vamos mesmo poder brincar com você o dia todo? – Pergunta Minguk sorrindo esperançoso.
— É claro que sim, Minguk. – Afirmo e ele bate palmas, animado.
— Ele disse que sim, papai. – Conta Minguk ao pai.
Aproveito aquele momento para admirar SeokJin. Ele vestia uma bermuda jeans branca, uma camiseta branca com listras horizontais pretas e um par de sapatênis. Pendurada na gola de sua camiseta estavam óculos de sol, que provavelmente não demoraria a usar. Ele estava lindo, como um verdadeiro anjo.
— Nós trouxemos presentes, tio NamJoon. – Conta Manse, apontando para SeokJin que estava com três pacotes diferentes em mãos.
— Entreguem os presentes ao tio JungKook, crianças. – Pede SeokJin, apontando para JungKook, que se levanta para receber os presentes. – E desejem feliz aniversário para ele.
— Feliz aniversário tio JungKook. – Deseja Daehan, entregando seu presente primeiro. JungKook pega o embrulho e acaricia a cabeça do garoto.
— Obrigado... – JungKook começa a agradecer, mas olha para SeokJin, pedindo um auxilio para saber qual dos gêmeos ele era.
— Daehan. – Respondo, rindo.
— Obrigado, Daehan. – Repete JungKook e o garoto abre um grande sorriso e volta para perto de mim.
— Feliz aniversário, tio JungKook! Fui eu quem escolheu. Papai disse que é bem bonito e eu também achei. – Fala o tagarela do Manse. Ele então abraça as pernas de JungKook e sorri docemente.
JungKook ri, achando fofo a espontaneidade do garotinho. Ele me encara, pedindo ajuda novamente sobre quem era o pequeno garoto agitado que o abraçava. Sussurro “Manse” e ele balança a cabeça, agradecido.
— Obrigado, Manse. Eu tenho certeza de que eu vou amar. – Agradece JungKook, entregando os dois presentes que entregava para Jimin. Manse sorri ainda mais largo e, assim como o irmão, vem para o lado.
E por último, era a vez de Minguk. Desconfiado como sempre, ele pega a mão do pai e se aproxima de JungKook com o presente em mãos. Tímido, ele entrega a caixa para JungKook e agarra a perna de SeokJin. Minguk ainda murmura algo que imaginei ser “Feliz aniversário” e se esconde atrás do pai.
— Ele é tímido. – Explica SeokJin a JungKook, rindo. – Feliz aniversário, JungKook.
— Obrigado, SeokJin. E obrigado pelo presente, Minguk. – JungKook afaga a cabeça de Minguk, sorrindo. Ele com certeza havia se identificado com a timidez do garoto.
— Por que você não vai brincar com seus irmãos no parquinho enquanto tio Yoongi e eu arrumamos as coisas? – Sugere SeokJin a Minguk, que se anima no mesmo instante.
— Vamos brincar no parquinho! – Grita Minguk a Manse e Daehan.
Os dois se soltam de mim e corre com o irmão mais velho para o parquinho que ficava de frente para o local em que estávamos. SeokJin pega as coisas que Yoongi segurava e o ajuda a colocar tudo no chão. Eles haviam trago alguns lanches e brinquedos das crianças, provavelmente, temendo que não tivesse nada para os distrair no parque.
— Vocês trouxeram muitas coisas. Não precisava de tudo isso. – Comenta Jimin, guardando os sucos dentro da caixa térmica.
— Apenas força do hábito. Tendo três crianças em casa, é melhor andar prevenido. – Explica SeokJin, sentando-se ao meu lado. Por impulso, acabo beijando sua testa e ele sorri envergonhado. – Oi.
— Oi. – Cumprimento de volta, sorrindo.
— Eu sabia que deveria ter trago alguém. – Resmunga Yoongi, fazendo careta. – Agora eu vou ficar segurando vela.
— Do jeito que você é, não duvido que encontre alguém nesse parque em poucos minutos para te fazer companhia. – Brinca SeokJin e Yoongi dá de ombros, com um sorriso presunçoso em seus lábios.
— Isso é verdade. – Concorda o melhor amigo de SeokJin, fazendo-nos ri.
— Eu vou ao banheiro e já volto. Yoongi, fique de olho nos meninos. – Pede SeokJin, levantando-se.
— Pode deixar. – Afirma o loiro, observando o parquinho com atenção.
SeokJin vai em direção aos banheiros, enquanto permanecemos em silêncio, apenas observando as crianças brincarem. Era confortável está embaixo daquela árvore, sentindo a brisa refrescante de outono bater em nossos rostos.
— Você e o SeokJin são amigos há muito tempo? – Pergunta Taehyung, curioso.
— Desde que eu nasci nós somos amigos e nunca mais nos separamos. – Responde Yoongi, sorrindo. — Nossas famílias eram vizinhas quando os pais dele ainda eram vivos, então fomos criados juntos.
— Impressionante. – Comento, admirado com o tempo de amizade deles.
— Impressionante é fato de você conseguir diferenciar os gêmeos. – Yoongi passa a me encarar com intensidade. – Nem mesmo eu, que convivo com eles desde sempre, consigo fazer tão feito com tanta confiança quanto você.
— Apesar da aparência deles serem idênticas, suas personalidades são diferentes. – Respondo, dando de ombros. — Não é tão difícil assim diferenciar os três.
— É verdade. Mas se vocês tiverem dúvida, o Jin colocou pulseiras de cores diferentes em cada um deles. Daehan está com a pulseira azul, Minguk com a pulseira verde e Manse com a pulseira vermelha. – Revela a meus amigos que parecem felizes em saber que não precisariam consultar a SeokJin ou a mim para diferenciar as crianças. — Bom, agora eu entendo o porquê de você ser a exceção do Jin. – Comenta Yoongi, sorrindo aliviado.
— O que quer dizer com “exceção”? – Pergunto curioso e atento aos gestos de Yoongi.
— Jin jamais levou ninguém para casa depois de um encontro. E muito menos dormiu com essa pessoa no primeiro encontro. Ele me disse que foi uma coisa casual o caso de vocês, mas, entendam, Jin jamais conseguiria se envolver com alguém de maneira casual. Ele é o tipo de pessoa que jamais iria para cama com alguém que não ama. Quando ele me disse que vocês passaram o dia juntos, eu soube no mesmo instante que ele tinha se apaixonado por você. – Explica Yoongi, dando de ombros. – Ele sabe que você só se aproximou dele para transar com ele e que você, provavelmente, não gostava de crianças, mas ele se sentiu atraído por você, então resolveu que merecia, pelo menos uma vez na vida, uma noite de sexo casual.
— Ele sabia? Como? – Pergunto surpreso.
— Acha mesmo que você é o primeiro a se aproximar dele com essa desculpa de que gosta de crianças? – Questiona Yoongi, rindo com ironia. – Ele apenas achou interessante você ter concordado em sair com ele em um sábado a noite para assistir a uma peça teatral infantil. O ego dele se inflou. Um cara disposto a qualquer coisa para levá-lo para a cama? Jin achou isso interessante. Ainda que soubesse que para você seria apenas sexo por uma noite, ele se apaixonou pelos seus singelos gestos.
— Gestos? Que gestos? – Eu ainda estava atordoado com as novas informações de Yoongi. Meus amigos ouviam a conversa, atentos.
— Ah, você sabe. Ter aparecido no horário marcado, pagado o lanche das crianças, saber reconhecer cada um dos meninos, ter dado carona a eles, ter ajudado a levar os meninos para a cama, não ter fugido quando acordou, esse seu lance de dar beijos na testa, ter conquistado a confiança dos trigêmeos. Enfim, por inúmeras coisas. Eu nunca o vi tão animado falando de alguém, como ele falou de você. – Conta o loiro, parecendo feliz pela alegria de SeokJin. – Eu nunca o vi tão feliz desde a morte dos pais. Mesmo que eu tivesse ficado triste por ter sido somente sexo casual, ele ficou feliz em te conhecer. Acredita que no dia que você foi embora, ele se despediu rapidamente, porque queria chorar?
— Então foi por isso que ele não hesitou em me dizer adeus. – Sussurro, relembrando a noite em que nos despedimos.
SeokJin volta para perto de nós e se senta ao meu lado novamente. Yoongi fica encarando as crianças como se nada tivesse acontecido. Ele parece estranhar o silêncio que fazia entre nós, mas não arrisca o quebrar. As palavras de Yoongi ecoam em minha mente. Eu era a exceção de SeokJin. Por estar tão concentrado em meus pensamentos, nem noto que meus amigos conversavam com SeokJin.
— NamJoon. – SeokJin me chama, balançando meu ombro levemente. – Está tudo bem?
Levanto-me no mesmo instante, assustando SeokJin e os outros. Estendo minha mão para ele, que me encara confuso. Eu não sabia bem o que estava fazendo, mas eu precisava conversa com SeokJin de uma vez por todas ou não conseguiria ficar em paz.
— Vamos dar uma volta pelo parque. – Peço e ele sorri, pegando em minha mão. Ajudo-o a se levantar e me viro para os outros, que nos encaravam com sorrisos presunçosos em seus rostos. – Não façam nada de estúpido.
— Nós que deveríamos dizer isso. – Fala Taehyung rindo sarcástico.
— Divirtam-se com responsabilidade, crianças. – Orienta Yoongi e SeokJin revira os olhos, envergonhado.
— Cala a boca, Yoongi. E olhe...
— Eu vou ficar de olho nas crianças. Não se preocupe. Agora vá com o seu Romeo. – Yoongi o interrompe, sorrindo carinhoso.
Um pouco mais tranquilo, SeokJin concorda e permite que eu o guie. Começamos a andar de mãos dadas, observando o movimento o movimento do parque. Por ainda ser cedo, não havia tantas pessoas assim, o que dava para aproveitar a calmaria do lugar. Eu estava nervoso. Temia dizer alguma besteira e acabar estragando tudo.
SeokJin, por outro lado, estava pensativo e admirava a paisagem em silêncio. Provavelmente sabia que eu precisava de um tempo para organizar minhas ideias e finalmente revelar o que se passava em minha mente. Procuro por um lugar mais tranquilo, encontro uma pequena ponte mais afastada dos lugares onde o fluxo de pessoas era maior. Conduzo SeokJin até lá e o encaro intensamente.
— Obrigado por ter vindo e trago as crianças. – Agradeço e o vejo sorri, envergonhado.
— Eu que tenho que agradecer pelo convite. Eles estavam sentindo muita falta do tio NamJoon. – Conta, olhando para o rio que passava por debaixo da ponte. – E eu também. – Sussurra baixo, provavelmente, porque não queria que eu ouvisse.
— Eu também senti sua falta. – Afirmo, pegando no queixo de SeokJin, fazendo com que ele me olhasse. – Mais do que gostaria de sentir. Desde o dia em que fui embora de sua casa, depois daquele dia incrível que passei ao lado de vocês, eu não parei de pensar em você, em nós, Jin.
— NamJoon... – Ele tenta falar, mas balanço a cabeça, negando.
Eu precisava expor tudo o que estava sentindo e sabia que se eu não falasse de uma vez, jamais conseguiria novamente. Levo minha mão ao rosto alvo e delicado de SeokJin. Acaricio sua bochecha e presto atenção em cada traço de sua face. Seus olhos, nariz, boca...Tudo era perfeito para mim.
— Eu confesso que estou com medo desse sentimento dentro de mim. Em toda a minha vida, essa é a primeira vez que me sinto assim. Perdido, ansioso, medroso, apaixonado. É tudo tão intenso e repentino e estranho. Quer dizer, eu nem mesmo gosto de crianças, mas eu adoro os seus filhos. – Digo, rindo e sou acompanhado por SeokJin. – Eu tenho me arrependido de ter ido embora todos os dias, desde que nos despedimos em frente ao seu apartamento. O que eu quero dizer, Kim SeokJin, é que eu sou completamente e loucamente apaixonado por você. Eu te amo tanto que já nem mesmo consigo imaginar viver minha vida com outra pessoa que não seja você. E se você aceitar ficar comigo daqui para frente, eu prometo que farei de tudo para fazer nosso relacionamento valer a pena até o fim de nossas vidas. Eu quero dormir e acordar do seu lado, poder sair com as crianças como uma família. Quero fazer as pessoas morrem de inveja de nós, porque, porra, nós somos lindos e perfeitos um para o outro!
SeokJin ri e me encara com tanta doçura que preciso fazer uma força sobrehumana para não o beijar. Ele respira fundo e morde o lábio inferior, provavelmente, pensando em minha proposta. Por fim, ele sorri e leva sua mão ao meu rosto. SeokJin encosta sua testa na minha.
— Não sabe o quanto eu desejei ouvir isso de você. – Ele sussurra com um lindo sorriso em seus lábios. – Eu amo você.
E então nos beijamos. O choque de nossas bocas traz à tona toda a saudade que eu sentia de SeokJin. Sedento por mais contato, aprofundo o beijo, enquanto o trago para ainda mais perto de mim. E assim como na noite em que demos nosso primeiro beijo, eu sentia que estava no lugar certo.
Era como se cada poro de meu corpo dissesse que SeokJin era o que eu sempre estive procurando. Como se tivéssemos ligados em nossas vidas passadas e provavelmente nas próximas também para ficarmos juntos. Porque meu coração palpitou por SeokJin desde o início e seria assim por toda a eternidade.
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