Lapso Paradoxal

36 Capítulo 34 - Labirinto Negro


O que estava acontecendo? Eu vomitei muito, perdi a consciência e agora estava vendo tudo branco, ok que aquela sala era toda branca, mas eu não conseguia me mover, parecia paralisada, será que estou dopada? Alguém pode ter feito isso, tudo que enxergava era uma luz forte em meus olhos, e mesmo assim eu não podia fechá-los.

— Você está mesmo bem com isso? – Vitor falou comigo, mas eu não sabia onde ele estava, afinal, eu não podia me mover, mas a voz parecia vir do alto, bem do alto.

— Estou bem com o quê? Você é idiota? Deveria me odiar! Por que está aqui? Veio se vingar?

— Me vingar? Você apenas livrou toda dor e sofrimento que estavam por vir, não é sua culpa, você matou por mim, você se tornou insana, sujou suas mãos com sangue e agora não consegue mais se limpar, por que se culpa tanto Naiara? Vou ser bem direto, vá se foder. Você não é assim! Dando para vários? Se drogando? Agindo como idiota? Até parece que está possuída, mas não passa de uma criança, você não cresceu totalmente ainda, por ter feito algo errado, uma escolha que deveria ser a certa, agora vai abandonar tudo e se tornar um lixo ambulante por conta disso? Deixe-me te falar uma coisa, eu não te amava como antes. Desde que tive aquele problema nossa relação podia parecer a mesma, mas não era. Você no fundo percebia mas não queria falar, eu sempre evitava falar com você, sempre evitava te ligar, você achava que era por causa da doença e que eu estava sofrendo com isso, mas está errada, está totalmente enganada Naiara, eu apenas não queria te ver sofrer, era a última coisa que desejaria, eu fui me afastando aos poucos, não pensando em mim, mas pensando em você, por mais que eu ainda te desejasse, se você me visse morrer sua vida não seria a mesma, eu então fui matando todo amor que tinha por você para que ninguém sofresse, sabe, pensei no futuro, visei o que seria melhor para ambos, mas você não colaborou, continuou me visitando, continuou querendo meu bem e... fez tudo isso por mim! Quantas pessoas você matou por um cadáver? Eu morri, você me matou, e isso foi por nada? Naiara, essa chave, acha mesmo que foi dada a você por capricho? Por que foi escolhida? Pense nisso, você não é só um rostinho bonito, há algo que você não sabe, há algo que só você pode fazer, então me escute, mesmo que sendo pela última vez, se ainda sente algo por mim, me perdoe por te enganar, por ter feito meu amor por você acabar, mas eu não tinha escolha, eu no final só queria descansar e que você ficasse bem, que fosse feliz com outra pessoa, apenas isso Naiara, quero que siga em frente, não pare, não pare nunca, você não está corrompida, ainda há volta desse inferno, você tem uma longa escalada pela frente, é uma montanha com pregos em cada rochedo, mas se cair agora, acabará indo nas profundezas do inferno mais escuro, então, você escolhe continuar subindo ou se jogar e ver sua vida em chamas pela eternidade? Mais saiba que se você fizer isso eu jamais lhe perdoarei. Vença essa merda Naiara. – Eu acordei. Acordei e cerrei meus punhos, estava deitada no chão daquela sala branca, o ‘narrador’ havia dado mais 20 minutos até o próximo jogo, eu não sei porque havia desmaiado, acho que toda pressão que eu carregava não me fez bem, e agora, essa merda de ilusão que vem me atormentar... essa ilusão que vem querer me fazer viver.

— Você finalmente acordou, hein. Pensei que estava morrendo, mas seria uma pena se a famosa Naiara morresse de forma tão patética. E então, o que achou da primeira rodada? – Paulo estava em minha frente, ele era um garoto irônico e com um sorriso cínico em seu rosto, de alguma forma ele parecia não ter medo, então eu supunha que sua habilidade era bem formidável, e me irritava o fato dele querer minha ajuda mas não revelar o seu ‘poder’.

— Eu apenas tive um mal-estar, acho que é falta de comida, aliás, não teremos comida nessa merda não? – Eu gritei para que aquela voz me ouvisse enquanto me levantava e olhava para todos naquela sala deprimente. O corpo de Marica ainda estava espalhado no chão, Keno chorava isolado em um canto, alguns caras olhavam pra ele querendo mata-lo, as mulheres estavam quase que todas chorando e algumas orando, uma cena lamentável, mas isso me fez perceber que eu não podia perder ali, morrer ali seria uma afronta com Vitor, Marco, Heitor, com todos que estiveram comigo até agora. O que eu estive fazendo esse tempo todo? Eu vomitei porque senti nojo de tudo que fiz, senti pena de mim por ser tão fraca, deixei meus amigos de lado, matei a pessoa que mais amo, ok que eu fiz isso com uma boa intenção, mas não posso fugir nem negar esse fato, eu vou encarar de frente, vou vencer esse jogo, ficarei de pé mesmo sangrando, qual outro objetivo de vida eu teria? Não sou assim, eu não quero ver as pessoas sofrendo, não quero isso, não quero que o mundo acabe, eu... quero me redimir pelo que fiz. Se eu pudesse fazer isso...

— Aliás, está dando xilique aí mas a segunda rodada vai começar em menos de 5 minutos, enquanto você dormia o ‘narrador’ anunciou.

— E que merda será agora?

— Bem, se eu entendi, vamos todos entrar em um labirinto, e nesse labirinto, estará tudo escuro, cada um será colocado em um lugar, e a pessoa que ficar mais para trás nesse labirinto será a perdedora, ele disse que cada um será colocado em um lugar dependendo do ‘sorteio’ que tivemos antes, aliás, como você estava apagada, não viu mas, você... pegou a última posição. – Então aquele maldito queria me testar. Esse é um portador difícil de lidar, estou dentro de um espaço onde ele controla tudo, como eu poderia saber se aquelas pessoas não são boots? Se Paulo não é apenas alguém querendo me enganar? Não tinha como confiar em um maldito portador, ele apenas queria saber onde estava a chave, eu estava dormindo? Como fui tão sonsa, eu quase me deixei levar, mas agora era hora de jogar sério. E acabei de me lembrar do que vi antes de desmaiar, Keno estava desesperado implorando, dizendo que não era ele quem tinha matado Marica.

— Paulo, o que você quer? Se quer a chave, desculpe mas, vai acabar morrendo. Se quer minha ajuda pra sair daqui eu também não posso confiar em você, então desista, não vou ser sua amiga, eu nem acredito que você é um portador, me poupe, acha que sou tão idiota?

— Não acredita, né. Acha que eu poderia me revelar assim, sendo que estamos sendo observados? Cara, esse ‘narrador’ aí está brincando, ele podia matar todos quando quisesse, é um sádico, mas você sabe, ele não pode matar você, não com seu poder! Os portadores podem conseguir a chave, mas seus poderes não afetam você, a portadora da chave, Naiara, não sei se sabia disso mas, eles só podem te matar se for sem os poderes, ou seja, se eu quiser te matar também, terá que ser no punho, mas acho que você é mais forte e insana que eu hahahaha, bem, deixando isso de lado, você não está tão em desvantagem aqui, você vai ou não colaborar comigo? Eu posso não dizer minha habilidade, mas posso dizer o que essa ‘sala de jogos’ faz e como funciona. – Paulo soou muito suspeito, duvido que ele saiba de alguma coisa, ele estava tentando me manipular apenas, era um rapaz perspicaz e bom de lábia.

— E como pode me provar que é verdade o que fala?

— Lembra daquele maldito chat? Bom, você colocou a polícia pra foder com ele, mas antes disso, esse louco nos revelou o que sua habilidade fazia. Uma sala que cria jogos para as pessoas, ele é um jogador, um apostador, pra ser mais claro, ele pode escolher no máximo 15 pessoas para jogar, mas há regras pra ele também, só uma das 15 pessoas pode sair viva dali, mas ele não pode matar ninguém diretamente, por isso ele pediu para que as pessoas se matassem, quando ele disse que as duas pessoas que não jogassem seriam mortas, é uma mentira, elas iriam continuar vivas, e ele seria obrigado a jogar até que só restasse um vivo, mas sem sua interferência, e é claro, elecomo jogador, possui um personagem também, alguém que ele escolheu para ‘apostar’, ou seja, ele só poderá vencer se essa pessoa também vencer Naiara, caso contrário, ele morrerá.

— Então quer dizer que mesmo se eu morrer o jogo continuará? É algo bem arriscado, se ele quer a chave, vai ter que me manter viva, digamos que eu perca um dos jogos... terá como ele me salvar? Ou ele confia demais em mim, ou é um idiota. E digamos que essa pessoa que ele escolheu, morrer agora, nessa rodada, tudo que preciso fazer é... – Paulo me interrompeu.

— Sim, achar essa pessoa, esse é nosso objetivo Naiara, e é por isso, que eu quero que se una a mim! Essas pessoas não precisam morrer, acha que quero que alguém morra? Eu não ligo pra ninguém mas também não quero mortes, me sentiria culpado, sendo que posso mudar isso, não sei porque ele me jogou aqui, devia estar com raiva por uma coisa que falei no chat, me sinto um idiota e quero me vingar! Quero mostrar pra ele, acima de qualquer coisa, que não se brinca comigo. – Eu não sei se podia acreditar no que aquele cara me dizia, mas a informação sobre a habilidade do portador não parecia mentira, se tudo aquilo estivesse mesmo correto, alguém daquelas pessoas ali era a pessoa que o portador está apostando.

— O objetivo dele então é a chave, como de todos vocês, e pra isso, ele me colocou nesse espaço, assim como Carlos fez no ônibus, ele tentou matar outras pessoas, mexer com meu psicológico para que eu revelasse onde a chave está... – Antes de completar meu pensamento, Paulo me interrompeu.

— Tem algo que você ainda não sabe Naiara. Por quantos dias você ficou fora de si, hein?

— Como assim?

— Ele não quer a chave. – Me espantei com aquela afirmação.

— Como ele não quer a chave?

— Sabe, aquele blog que vocês acharam, era apenas um blog onde nós entramos para ser direcionado pra outro fórum, os policias não vão encontrar nada lá, o outro fórum está ativo ainda, mas os portadores restantes não estão entrando mais lá, apenas eu e o ‘Kamihate’ — o nick do portador dessa habilidade – éramos os únicos a entrar naquele chat, e uma pessoa com o apelido X, eu não sei quem é, e ele/ela nunca falava nada, mas antes de morrer, Lucia nos informou que a chave estava com algum amigo seu, em Americana mesmo, o Kamihate ao saber disso falou algo no chat como ‘você já sabe o que fazer, eu prenderei ela por enquanto’, e depois disso ele saiu e nunca mais entrou, e hoje quando acordei estava aqui, eu acho que ele me descobriu, deve ser algum tipo de hacker, e se eu não estiver errado... a pessoa X é alguém que trabalha junto de Kamihate, e agora, ela deve estar atrás da chave. – Respirei fundo enquanto tremia ao ouvir aquilo. – Então Naiara, você está sendo apenas mantida presa para não interferir na busca, a Lucia, mesmo depois de morta, acabou te fodendo. – Eu não tinha mais dúvidas, Paulo era um portador, mas eu não sabia se ele queria mesmo se aliar a mim, aquilo tudo era muito estranho, por que ele não queria a chave? Por que não queria vencer?

— Me diga, você não quer a chave? Normalmente qualquer ser humano faria qualquer coisa pra se ter QUALQUER desejo, você pode ser milionário, pode ter poderes, ser um Deus, por que ajudaria alguém que poderia lhe dar tudo isso?

— Naiara, quem disse que eu não quero? – Ele sorriu enquanto me encarava sem medo, ele fitava meus olhos como alguém preparado para tudo. – Eu só quero sua ajuda pra sair daqui, Kamihate deve me ter visto como obstáculo em seu caminho e me colocou aqui, mas quando sair, eu e você seremos inimigos, só quero uma trégua no momento, pode ser? – Eu já havia entendido tudo aquilo. Eu precisava mesmo achar quem era a pessoa que o Kamihate apostou, antes que eu pudesse analisar um por um ali, o maldito anunciou que o jogo começaria. O jogo havia começado, tudo ficou escuro, eu me vi separada de todos os outros, eu tentei andar e dei de cara com uma parede, não conseguia ver nada, era tudo penumbra, eu fui para todas as direções mas era difícil achar algum rumo, aquele jogo era insano.

— Vocês têm 30 minutos, avancem o quanto puderem, no começo do labirinto há uma bandeira, a pessoa que no final, estiver mais próxima dessa bandeira, perderá! – Eu tentei me mover novamente ouvindo aquela voz irritante, foi quando senti algo tocar meu braço. Estiquei minhas mãos e senti um pano grosso... – Isso é sério? – Eu estava do lado da bandeira citada. Ele queria mesmo me testar, o filho da mãe. Tentei me concentrar e caminhar na escuridão, esbarrei várias vezes contra a parede, mas fiz o que acho que a maioria também fez, me encostei na parede e andei assim, encostado nela, tentando seguir uma linha linear, eu ouvia algumas pessoas gritando pedindo ajuda, duvido que todos teriam força pra fazer isso, mas eu era quem estava em desvantagem, pois ouvia as vozes bem distantes de mim. Cada participante que saía do labirinto, o Kamihate anunciava, depois de 20 minutos, só restavam eu, Dioni e Paulo.

— O participante Paulo acaba de ser libertado. Agora só restam 10 minutos e 2 participantes, eu esqueci de falar mas, mesmo se todos saírem, perde quem sair por último. – Meu coração começou a acelerar, eu estava em uma situação crítica mesmo, eu ficava ansiosa e esbarrava com tudo nas paredes, não conseguia achar a saída, foi então que pensei em algo. Eu comecei a assoviar.

— Merda, eu quero sair daqui, por favor, alguém me ajuda! – Ouvia Dioni de longe gritar, ele ainda estava na minha frente, mas assoviando eu conseguia fazer o eco do assovio passar pelas partes sem parede, assim, eu saberia onde o som estava se propaganda e seguiria isso, eu comecei a achar o meu caminho, mas não era o bastante, Dioni continuava gritando bem à frente, será que não tinha jeito?

— Eu acho que estou vendo um feixe de luz! – Dioni gritou parecendo aliviado. Era meu fim? Eu iria morrer aqui? Isso é impossível! Mesmo que eu morra, o maldito ainda pode achar a chave, ou melhor, deve ter achado! Eu fui muito idiota com Lucia, ela me venceu se eu for analisar um todo, matou minha mãe, fodeu com Heitor, conseguiu informação sobre a chave...e agora eu iria desapontar Vitor? Eu não iria conseguir minha redenção? Depois de mata-lo, depois de destruir várias vidas, eu seria apenas jogada no inferno? Não, impossível! Comecei a assoviar bem rápido e alto, eu esbarrava nas paredes até me machucar mas continuava caminhando mesmo toda roxa e ralada, eu precisava sair.

— Eu consigo, eu consigo ver! – Dioni soltou outro grito de alforria, eu não queria que ninguém mais morresse, mas não podia desistir, ou era eu ou ele, e se eu perdesse agora, tudo teria sido em vão, eu precisava descobrir quem é a pessoa que o maldito apostou. – O quê? Mas o... – Dioni falou essas frases e em seguida se calou, ele achou a saída? Ele conseguiu? Aquilo foi bem estranho, tudo ficou em silêncio. Eu ignorei isso e continuei a correr e me espreitar contra as paredes, eu finalmente conseguia ver no alto um feixe de luz, com isso, fui apenas seguindo o feixe, não sabia se Dioni havia saído, não sabia se já tinha perdido, mas fui atrás daquela luz, fui atrás das palavras de Vitor, eu finalmente consegui sair do labirinto. Me ajoelhei no chão, estava sangrando e sem fôlego, eu tinha medo de olhar para frente e ver Dioni ali, mas encarando esse fato, abri bem meus olhos, e não pude ver o rapaz.

— Você? – Letícia me olhou com assombro.

— Mas o Dioni parecia estar perto! O que aconteceu com ele? Ei, voz maldita, tem armadilhas no labirinto? – Luilton, o ruivo, esperou por uma resposta.

— Não, sem armadilhas! E bom, com isso, finalizamos nosso jogo. – O que havia acontecido? Era mesmo muito estranho, por que Dioni não havia saído? Por que ele parou de falar? Olhei para Paulo e ele parecia bem sério. – O perdedor do jogo é: DIONI. E ah, esqueci de falar, mas a penúltima pessoa a sair, vai ser quem irá matar o rapaz! – Então era isso? Eu teria que matar novamente. Olhei para trás e vi um quadrado escuro, era o labirinto que estávamos, quando ele se desfez, Dioni apareceu debruçado no chão, e na minha frente, apareceu uma motosserra.

— Eu não podia pedir para alguém matar outro alguém sem alguma arma, né? Até porque aquele maluco é forte hahaha.

— Isso é loucura, não pode acontecer de novo, não tem como! – Bruna começou a gritar e a chorar, todos olhavam para mim, eu peguei a motosserra quando vi que Dioni se levantou.

— Quer me matar? PODE VIR PORRA, pode vir agora mesmo, isso foi trapaça, foi trapaça! – Como assim trapaça? O que havia acontecido? Eu estava começando a entender tudo aquilo. Liguei a motosserra, eu não podia hesitar, era eu ou ele, se eu não matasse... mas, espera, Paulo me disse que mesmo se ninguém morrer o jogo continuará, continuará até a pessoa que ele escolheu vencer ou morrer. O maldito estava trapaceando para a pessoa que ele apostou ganhasse? Mas Paulo disse que ele não pode interferir em nada, nem matar ninguém! Droga, o que estava acontecendo? Foi quando Dioni começou a demonstrar um comportamento estranho, ele se ajoelhou e olhou para o chão, começou a chorar levando suas mãos na cabeça.

— Eu vou morrer, não é? Não tem escolha, tem? Se não, nós dois vamos morrer... – Eu queria dizer que aquilo era uma mentira, mas não conseguia. – Eu não quero mais prejudicar a vida de ninguém, chega disso, apenas chega disso! – Diono retirou uma faca de sua cintura e começou a enfiar em seu peito, ele enfiava e puxava ela de volta que saía com muito sangue que se espalhava por aquele chão branco, ele ia perdendo a consciência aos poucos, era forte demais para morrer com algumas facadas, foi então que ele passou com tudo em sua garganta, abrindo-a como pano, e assim, caiu no chão espalhando sangue para todos os lados, eu deixei a motosserra cair e comecei a chorar sem tirar os olhos daquele corpo. Quantos corpos? Quantos foram? Quantos mais serão? Chega.

— Ei, todos vocês... – Pedi atenção de todos naquela sala. – Eu tenho algo a dizer. – A maioria ali fez uma pausa silenciosa, apenas Paulo falou.

— E o que seria? – Ele sorriu.

— Eu sou a culpada de trazer todos vocês aqui, eu tenho o que a pessoa por trás desse jogo quer, eu sou a dona da chave do fim do mundo