Lança-de-vento

6 Capítulo 6 - Alianças


Notas iniciais
Peço muitas desculpas aos meus leitores pela demora em postar o sexto capitulo. A facu tah apertando aki e eu estive um tempinho tentando escrever um segundo livro que, se der certo, vai agradar qm gosta de historias mais modernas e de "super-poderes". Mas nada garantido ainda.

Dário supervisionava a construção dos aríetes e das torres de sítio que havia acabado de começar, a cidade de Jikur era gigantesca e por várias vezes, Dário se pegou pensando se seria capaz de tomá-la. A cidade estava cercada e os homens já estavam descansados e prontos para o combate que viria nos próximos dias.

_ Senhor, os engenheiros reportam que a construção de todos os equipamentos levará cerca de oito horas nas condições atuais. _ Disse um dos capitães a Dário.

_ Ótimo. Vá descansar, pois quando os equipamentos estiverem prontos, nós atacaremos. _ Disse Dário, retomando parte de sua confiança.

Eldion observava o movimento nas muralhas de Jikur. Como o ataque aconteceria em breve, ele já se encontrava pronto e fazia breves anotações sobre a organização inimiga em um caderno. Enquanto isso, um de seus soldados afiava a bela espada de duas mãos que ele usava em combate. Era uma espada longa e larga, com detalhes em ouro em forma de plumas no cabo, uma espada que, em conjunto com o seu elmo atual, lhe rendeu um novo apelido: A águia cega.

Os engenheiros já estavam todos terminando seus trabalhos e Dário decidiu que era hora de preparar os homens. Cornetas soaram em todo o acampamento e logo em seguida todos os homens já corriam para onde haviam deixado seus equipamentos. Um frio percorreu a espinha de Dário. Algo estava errado, ele nunca sentira medo antes, e sabia que a cidade seria facilmente tomada, pois os Samithenos não tinham costume de lutar a pé, e não podiam montar seus cavalos sobre as muralhas. Mas por que então ele estava tendo aquele mau pressentimento? Ele podia não saber, só sabia que colocaria aquela cidade abaixo se pudesse, mas o rei não havia permitido que a população fosse prejudicada.

Já não havia mais tempo de pensar, os homens estavam todos em formação e aguardando ordens e os equipamentos já estavam todos prontos.

_ Homens de Aenor e Tévia, vocês foram chamados mais uma vez para a batalha, talvez a última contra os Samithenos, homens de pouca moralidade, que pilharam e saquearam suas terras, que mataram seus conterrâneos, que destruíram plantações e vilas, tudo isso em uma sede de saque e pilhagem que nunca respeitou fronteiras. Hoje é o dia em que acertamos nossas contas com esses desgraçados, de uma vez por todas, mostraremos que somos os melhores e ensinaremos a lição definitiva a eles! Eles pagarão com suas próprias vidas o preço de atacar inocentes e civis Aenorianos e Tévios! Agora, para a guerra senhores! _ Disse Dário e então, colocando seu elmo, se dirigiu à frente do acampamento acompanhado por seus homens, que gritavam e riam de tanta expectativa e vontade de lutar.

Uma trombeta com um som grave soou ao fundo enquanto a retaguarda Aenoriana se unia aos soldados Tévios, subindo nas torres de sítio e se preparando para atirar enquanto a vanguarda Aenoriana se posicionava para levar as torres e os aríetes.

Tão logo as forças de Dário começaram a se aproximar dos muros da cidade, milhares de arqueiros começaram a disparar suas flechas sobre os Aenorianos, que tiveram poucas baixas e apertaram o passo em direção à batalha. Os aríetes logo estavam batendo contra os portões reforçados com ferro. Os arqueiros de Dário começaram a matar também, agora que as torres estavam mais próximas dos grandes muros de pedra arenosa. As dezenas de milhares de flechas cobriam os céus do campo de batalha impressionando os soldados com uma chuva de morte que atingia homens tanto de um lado quanto do outro. Os estandartes Aenorianos avançavam uniformemente no chão enquanto o caos já se estabelecia em um dos setores da muralha, onde a primeira torre havia chegado e descarregado os bravos homens de Tegon, que faziam uma limpeza com suas espadas duplas enquanto Hoth, que estava comandando a vanguarda que os levou, já subia apressadamente a torre, com sua marreta em punho, pronta para matar.

Dário podia ouvir os gritos furiosos e o ruído das armas se chocando enquanto aguardava ansioso com sua guarda o aríete quebrar os portões. Quando finalmente os portões cederam, uma massa de cavaleiros saltou para fora, surpreendendo os Aenorianos. Dário se esquivou de uma lança que quase o acertou no peito e então, com sua lâmina, acertou um dos cavaleiros, arrancando-o de sua sela. O combate havia finalmente começado para todos.

O progresso era lento tanto nas muralhas quanto em solo. Hoth havia tomado uma das torres de guarda do inimigo e Tegon a guarneceu com parte de seus homens para terem um ponto de defesa. Eldion, que acompanhava Dário com sua comitiva, viu uma oportunidade imperdível e se separou de Dário, seguindo uma das ruas laterais enquanto o progresso na rua principal era difícil devido à cavalaria pesada dos Samithenos, que fazia uma enorme pressão contra a muralha de escudos de Dário.

Já haviam se passado várias horas desde que o combate se iniciara e nenhum dos exércitos parecia estar se cansando. O sol já estava quase se pondo e um combate noturno poderia por em risco o exército Aenoriano já que lutavam em terreno desconhecido. Dário não viu outra saída senão ordenar que os homens se retirassem.

Aos poucos os Aenorianos iam cedendo e recuando, quase sem ter nenhuma baixa. Quando Dário chegou com sua comitiva ao portão da cidade, viu que boa parte dos muros já lhes pertencia. Seria muita estupidez abrir mão daquela conquista, mas o sol já estava se pondo e ele não poderia continuar o combate nas ruas.

_ Eldion, diga para os homens montarem guarda nas torres dominadas e ceder o resto da muralha, o combate acabou por hoje. _ Disse Dário.

_ Mas o senhor quer mesmo dividir as tropas e isolar aqueles homens nas muralhas? _ Respondeu Eldion.

_ Eles têm mais vantagem do que nós. Afinal de contas estão abrigados e fortificados, Hoth fica no comando de todas as tropas que estiverem nas muralhas. Diga a ele que ao toque das cornetas, nós recomeçaremos o ataque das duas frontes.

O acampamento estava mais agitado do que pela manhã. Feridos urravam de dor enquanto cirurgiões berravam ordens aos assistentes, a noite seria longa.

Não demorou muito para que Hoth, após ter recebido as ordens, mandasse seus homens recuar para as torres de vigia e montar barricadas nas portas externas. Sentinelas foram postos nas seções de muro entre as torres, formando assim uma espécie de mini-quartel. Mas a noite não seria fácil para eles, e ele sabia disso.

Mal os homens começaram a relaxar, o ruído do que parecia um exército marchando pôde ser ouvido pelos homens dentro da torre leste. Todos se postaram de pé e sacaram suas armas, esperando um ataque feroz dos Samithenos. E não esperaram por muito tempo. Uma série de golpes de machado rompeu rapidamente as portas da torre e a barricada feita pelos Aenorianos e uma horda de Samithenos com os rostos tingidos de sangue e tinta preta saltou para dentro do recinto, pegando de surpresa alguns homens que ainda não haviam entrado em formação. O rugido que os Aenorianos deram antes de atacar os Samithenos pôde ser ouvido do acampamento e Dário já estava preparado para isso, afinal, eles não seriam estúpidos de entregar tão facilmente seus muros. Dário então ordenou que as comitivas de reforço que ele havia separado fossem ajudar os outros. Eram uma comitiva dos arqueiros Tévios e uma comitiva de Vanguarda Aenoriana. Tão logo os reforços chegaram à parte superior da muralha, eles foram surpreendidos pela quantidade de inimigos presentes. Um verdadeiro exército serpenteava com tochas por trás da torre leste, que já sofria com os ataques, já que os Aenorianos tiveram tão pouco tempo para se organizar. Os Tévios tiveram pouca coisa a fazer além de disparar por cima das cabeças de seus aliados e esperar que atingissem alguém, o que não era tão difícil. Não havia sequer espaço para uma mosca entre os homens Aenorianos, a muralha estava mais firme do que nunca sob a liderança de Hoth, que estava dando ordens de cima de uma mesa.

Dário percebeu uma chance que não podia perder. Levando consigo algumas cordas e uma comitiva de retaguarda além da sua de vanguarda, ele correu, fora do alcance da visão dos Samithenos até o fim das linhas inimigas e ordenou que seus homens subissem. Por sorte, ninguém os havia visto e em minutos, cerca de duzentos homens já se organizavam por trás de uma torre que ainda pertencia aos Samithenos. Da mesma forma que seus inimigos fizeram, eles arrombaram as portas da torre e a retaguarda, com sua agilidade e mobilidade, dizimou em segundos a guarda interna e abriu as portas, já avançando contra o inimigo. Não havia tempo de entrar em formação naquela situação, todos os homens partiram num ataque insano contra as forças Samithenas e assim se iniciou um combate de duas frontes. Dário sabia que não havia muitos outros soldados inimigos além daqueles que agora se concentravam nas muralhas e viu ali a sua chance de tomar de uma vez por todas aquela maldita cidade.

O combate seguia selvagem enquanto a noite avançava. Dário e seus homens fizeram um bom trabalho ao atacar os inimigos pelas costas pois, com aquilo, a moral dos Samithenos havia baixado. De cima da mesa, Hoth gritava furiosamente para seus homens, que recuavam lentamente devido à pressão exercida pelos inimigos. Seus números já estavam ficando escassos e Dário ainda estava longe demais dali.

_ Recuem! Recuem para a torre anterior! Mantenham a formação! _ Gritou Hoth, decepcionado com sua falta de opções.

Os homens recuavam passo a passo e parecia que cada passada matava um deles. A linha Aenoriana foi ficando cada vez mais fina enquanto eles atravessavam a secção de muro entre uma torre e a outra, que era o último refúgio antes da casa de guarda sobre os portões. Os homens da retaguarda, já quase sem munição, eram obrigados a cobrir os buracos na formação enquanto todos recuavam, esperando refúgio na torre de guarda que ficava a cerca de vinte metros de distancia, os vinte metros mais longos que qualquer um ali jamais havia caminhado.

Dário percebeu que os inimigos estavam se movendo a uma velocidade maior e temia o pior. Temia que os soldados na torre, incluindo Hoth, pudessem ter sido mortos. Um arrepio correu sua espinha ao pensar na possibilidade de seu melhor amigo ter sido morto e então, num acesso de fúria, Dário empurrou os soldados que estavam na sua frente e com a lança-de-vento, saiu dilacerando vários inimigos, que começaram a recuar de medo. Os homens que seguiam Dário ficaram perplexos com sua atitude e quase o abandonaram por um instante ao ver seu líder, que sempre fora um homem de relativa calma, girando sua lâmina cegamente no ar enquanto avançava sobre o inimigo, sem deixar nenhuma brecha que pudessem aproveitar para cercá-lo.

Hoth olhou para trás e viu que a torre estava próxima agora, só mais alguns metros e eles teriam novo fôlego para deter o inimigo antes que o dia chegasse. Tão logo percebeu aquilo, ele logo empunhou sua marreta, que ainda não havia trabalhado aquela noite, e tratou de ir para frente, onde apenas restavam poucos soldados de sua vanguarda e vários de retaguarda, em conjunto com os Tévios, que faziam um trabalho interessante, usando suas lanças para atrasar o avanço inimigo como uma pequena falange que, mesmo sem escudos, era eficiente o suficiente para mantê-los longe. Hoth quebrava escudos e armaduras com certa facilidade enquanto recuava passo a passo, deixando uma pequena trilha de inimigos por onde passava. A torre se aproximava mais e mais e os homens que estavam na parte de trás da formação já estavam quase na porta. Cerca de dois metros depois, a comitiva de Hoth presenciou o que para eles era quase um milagre. Uma chuva espessa de flechas, dardos e lanças atravessou o ar sobre suas cabeças, atingindo dezenas de Samithenos, que recuaram num reflexo, dando a oportunidade que os Aenorianos precisavam para correr para a torre. Tão logo os aliados entraram, os soldados que estavam na torre dispararam mais uma vez seus projéteis contra os Samithenos e trancaram as portas, que haviam sido reforçadas da forma que eles puderam.

A noite demoraria muito para acabar e Dário estava se vendo forçado a ceder o muro se a situação continuasse assim, mas quis tentar um pouco mais e ver no que aquilo daria já que, afinal de contas, eles tinham vantagem numérica sobre os inimigos. Mas logo, o que parecia uma oportunidade acabou se transformando em um pesadelo quando ele viu que os Samithenos agora haviam se virado contra suas tropas e os atacavam com tudo que tinham. Dário então percebeu que provavelmente tinha perdido os soldados que estavam do outro lado.

_ De volta para a torre homens! Vamos lutar onde os números não servem pra nada! _ Ordenou Dário, em choque por achar que perdeu seu grande amigo e centenas de homens.

Os homens obedeceram e recuaram rapidamente para a torre, formando logo em seguida uma muralha de escudos na porta. Os arcos e bestas Aenorianos eram disparados com uma freqüência cada vez maior quando os homens começaram a colocar cadeiras e mesas por trás da muralha de escudos e subindo nelas para ter um melhor ângulo de fogo. Os Aenorianos estavam na defensiva agora, mas conseguiam manter suas posições em ambas as frontes. Porém, o dia já estava chegando e devolvendo a esperança aos Aenorianos e aos Tévios, mas junto com ele, uma mancha negra que cobria parte do horizonte. Vários batedores retornavam ao acampamento informando que os Argores estavam chegando e contavam com um contingente grandioso. Com Dário e Hoth, os dois líderes do exército nos muros, os homens ficaram confusos e desorientados com tudo aquilo. Os capitães organizavam seus contingentes como podiam, mas sem alguém que os liderasse como um só, era difícil manter a ordem. A batalha agora seria lutada em três frontes e seria travada entre quatro exércitos. O mau pressentimento de Dário tinha agora uma explicação. Os Samithenos haviam se aliado com os Argores, mas Dário estava impotente diante da situação, já que estava preso na torre e nem sequer sabia que tinha um novo inimigo naquela batalha.

O sol havia nascido havia pouco tempo e os homens haviam feito barricadas e pequenas torres improvisadas no acampamento, aguardando o ataque Argore, que seria ainda mais pesado do que eles haviam previsto. Eles vieram com falanges mais pesadas e com uma cavalaria relativamente numerosa, que seria suficiente para cercar o acampamento. Eldion sabia que se perdesse o acampamento, as forças de Dário e Hoth seriam dizimadas em segundos. Não lhe restava outra opção senão enviar um mensageiro até as forças no muro e segurar os inimigos até que ele voltasse com a resposta de Dário, e assim o fez, Eldion enviou o homem mais rápido que pôde encontrar com a mensagem de que estavam cercados.

Dário se encontrava encostado na parede da torre quando o mensageiro surgiu ofegante na porta da torre e correu em sua direção. Quando finalmente soube do acontecido, Dário se deu conta de uma coisa: Estavam perdidos. Não havia mais nada a ser feito a não ser lutar bravamente até o fim, fosse ele qual fosse.

Sem pensar duas vezes, Dário disse ao mensageiro que mandasse Eldion enviar todas as tropas ao topo dos muros, a fim de ter pelo menos alguma chance. Assim que o mensageiro o deixou, Dário logo pegou uma corneta de um de seus homens e a soprou a plenos pulmões para que seus homens iniciassem um último avanço sobre os Samithenos. Hoth, que também ouvira o toque da corneta, tratou logo de incitar seus cansados homens e todos os outros a também avançar sobre os inimigos. O ataque Aenoriano começou a fazer pressão sobre os Samithenos e a fúria dos Aenorianos os empurrava cada vez mais. Os Aenorianos avançavam como touros, não podiam ser detidos pela leve infantaria Samithena.

No acampamento, Eldion havia recebido a mensagem de Dário, mas já era tarde demais a luta estava prestes a começar e uma debandada àquela altura mataria muitos homens. Ele foi obrigado a fazer o mais difícil, deixou algumas dezenas de homens protegendo o acampamento enquanto se retirou, junto com os demais, para reforçar as forças de Hoth e Dário nos muros, dividindo as tropas para que cada parte reforçasse um lado. Enquanto corria com seus homens para as cordas do lado do muro em que estavam Dário e sua comitiva, Eldion olhou para trás e viu o acampamento sendo atacado pela cavalaria Argore, como ele havia previsto. O ataque não durou muito, apenas alguns bravos ainda estavam vivos, fazendo sua parte e dando tempo suficiente para que os outros pudessem chegar à parte de cima dos muros.

As cordas e torres de sítio foram usadas pelas forças extras para subir mas, antes que todos pudessem chegar à parte superior do muro, os Argores alcançaram os soldados que se encontravam ao pé do muro. Não havia outra alternativa para os que se encontravam na parte de cima senão cortar as cordas e queimar as torres para que os Argores não pudessem subir atrás deles. As cordas foram rapidamente cortadas pelas espadas Aenorianas, mas as torres se mostraram difíceis de ser destruídas. Num ato de genialidade porém, Hoth mandou que os homens apenas golpeassem as plataformas de madeira que saíam das torres para o muro para enfraquecê-las. Os Argores já não podiam usar as cordas para subir no muro, mas não hesitaram em usar as torres para perseguir os Aenorianos mas, assim que os primeiros grupos de homens tentaram passar pelas plataformas eles logo perceberam o plano dos Aenorianos. Perceberam tarde demais, pois pelo menos três das plataformas já haviam caído, levando cerca de quarenta homens com elas. Mas algo havia acontecido que Hoth não havia previsto. Duas das plataformas haviam resistido ao peso dos Argores e agora eles estavam chegando ao topo do muro aos montes e atacando o contingente de Hoth, que já havia sofrido muito com aquela batalha, por trás. Por sorte, Dário viu tudo aquilo e resolveu avançar, na tentativa de chegar à torre que estava sob o comando de Hoth e ajudá-lo ao mesmo tempo em que acabaria com boa parte das forças restantes dos Samithenos. O comando foi dado aos homens e eles começaram a empurrar lentamente os Samithenos para trás e a matá-los.

Enquanto a batalha se estendia sobre os muros, a força Argore havia conseguido de alguma forma, abrir os portões de Jikur e milhares de soldados puderam entrar e subir nos muros por dentro. Agora tanto Hoth quanto Dário se viam cercados pelos inimigos, mas também cercavam um deles, os Samithenos. Dário resolveu continuar com seu avanço, já que a chance de vitória era bem menor agora ele não viu mais nada que pudesse fazer senão acabar com os Samithenos pois assim, sua missão seria ao menos cumprida, mesmo que ele morresse. Mas Dário precisava avisar Hoth de alguma forma. Para que ele pudesse ajudá-lo naquela tentativa. Ele então tentou seguir os planos da noite anterior e ordenou que se soassem as cornetas. Com aquele som, Hoth não pensou duas vezes. Ele conhecia seu amigo Dário, que era ótimo com planos rápidos e já tinha quase certeza de que aquilo era uma ordem de avanço. Seus homens começaram a empurrar os Samithenos também e, apesar de serem poucos, eles faziam uma enorme pressão contra a leve infantaria Samithena, que já não causava mais tantas baixas em suas tropas, parte por causa da exaustão, que já atingia a quase todos, com exceção dos Argores, e parte por estarem agora completamente cercados e sem fuga.

Dário já avistava a pequena comitiva de Dário por cima das cabeças inimigas e, quando viu Hoth matando alguns, ele sentiu um alívio imenso por seu amigo ter se mostrado vivo e aparentemente bem.

Somente alguns metros os separavam agora e Hoth já havia avistado Dário também. Ambos lutavam com fervor para matar os últimos Samithenos, que faziam uma pequena barreira de pouco mais de três metros. Sem chences de se render, os últimos Samithenos se mostraram com mais vontade de lutar e, com isso, houve uma certa demora para que os contingentes Aenorianos se encontrassem mas logo os últimos caíram e Hoth e Dário se encontraram novamente, o exército Aenoriano era um só novamente e agora eles podiam compartilhar seus planos e tentar dar um jeito de escapar dali com vida. Eles teriam que planejar rapidamente ou seriam massacrados pela força incrivelmente maior dos Argores. Após pensar bastante, Dário viu que o único plano possível naquela situação era lutar até que todos os Argores tivessem subido nos muros ou que eles estivessem pelo menos longe dos portões mas, as forças Aenorianas eram poucas a essa altura e era muito provável que eles não tivessem tempo.

_ Muralha de escudos, homens! Defendam-se e mostrem o que é coragem a esses desgraçados! Vamos tirar-lhes homens até que o último de nós esteja morto! _ Disse Dário, na esperança de aumentar a moral de seus homens, assim como sua atenção na batalha. Mas ele sabia que provavelmente nenhum daqueles homens sairia vivo dali, enquanto ele e os outros oficiais escapavam e isso lhe causava uma enorme tristeza.

Durante mais alguns minutos a batalha se estendeu e, devido à formação dos Aenorianos, eles conseguiram resistir o suficiente para que Dário tivesse tempo de ordenar que as últimas cordas dos soldados fossem presas às bordas do muro. Assim que as cordas foram amarradas, Dário e Hoth foram os primeiros a descer por ela, seguidos por Tegon e Eldion, e em seguida os outros oficiais sobreviventes. Dário viu que os soldados restantes não desciam também e achou estranho que ninguém ali parecia querer se salvar, até que um dos soldados chegou à borda e finalmente disse:

_ Vá, senhor! Nós os seguraremos aqui por quanto tempo for possível! Não se preocupe conosco, só nos prometa que se vingará! _ Disse o soldado e depois de cortar as cordas, voltou rapidamente para a fina formação que restava dos Aenorianos sem olhar para trás.

_ Vamos homens, vocês ouviram. Nós temos almas para vingar, não percamos tempo aqui. Voltemos para Ergellion. _ Disse Dário, em um volume baixo, mas audível e então todos partiram correndo o mais rápido possível, antes que fossem detectados pelos inimigos.

Os oficiais Aenorianos já corriam havia horas e estavam exaustos, mas aparentemente não havia ninguém os seguindo. Eles então resolveram fazer uma parada e arrumar alguma comida, pois já devia ser meio-dia e eles não haviam comido nada desde o início do assalto no dia anterior. Eldion e Dário saíram para caçar, enquanto os outros pegavam lenha e preparavam algumas fogueiras.

Tanto Eldion quanto Dário seguiam em silêncio, mas não porque haviam visto alguma presa e sim por causa do luto causado pela perda dos homens. Ambos já eram oficiais há algum tempo e sabiam o quão ruim era a perda de homens valorosos como aqueles. Ainda mais Eldion, que era oficial muito antes de Dário entrar para o exército. Eldion era um homem de meia idade, com cabelos grisalhos, que não tinha vergonha de mostrar, mas com cicatrizes das quais nunca falava, exceto a Hoth, que acabou virando um grande amigo após a batalha no forte, com o qual compartilhava boa parte de suas experiências. Ele e Hoth eram pessoas parecidas, até certo ponto, o que facilitava essa amizade, já que ambos eram de personalidade forte e endurecida. Dário já havia aprendido a respeitá-los por isso, quando ele havia entrado no exército ele chegou a servir no contingente regido por Eldion, sob o comando do general Julian, o qual fez mudanças significativas no exército, deixando a porta aberta para a grande reforma militar que se seguiu.

Eldion avistou um cervo e sinalizou para Dário para que fossem atrás dele. Quando se aproximaram o suficiente para um tiro o cervo acabou se assustando com o som da corda do arco sendo puxada e partiu em fuga. Os dois começaram a correr atrás dele, já com os arcos armados e a perseguição durou algum tempo até que finalmente encurralaram o pobre animal, que ofegava mas, não tanto quanto Dário e Eldion, que correram o mais rápido que podiam, pois a chance de eles encontrarem outra caça num lugar como aquele eram remotas, já que a vegetação era relativamente escassa e haviam poucos lugares com água doce disponível. Apenas uma flecha foi necessária para abater o animal que já não respirava mais, pois teve sua garganta perfurada pela flecha de Dário.

Quando os caçadores se aproximaram para pegar sua presa, Dário viu algo que o assustou. Um pouco mais abaixo do lugar em que eles estavam, ele avistou um exército em marcha em direção ao desconhecido. Eles eram homens de grande estatura, cabeludos e barbudos em sua maioria, mas com cabelos e barbas trançados ou arrumados de alguma forma. Eles portavam machados largos de duas mãos, espadas ou lanças como armas e usavam cotas de malha e escudos redondos de madeira para se proteger. Haviam poucos arqueiros entre eles e quase nenhum cavaleiro. Dário não quis chamar atenção e então voltou para a caça, que era pesada demais para alguém carregar sozinho.

_ São os Dunars. Não se preocupe jovem general. Apesar de serem um povo briguento, eles já estão em paz com o reino de Aenor há alguns anos. Basta que nós não os provoquemos e tudo ficará bem. _ Disse Eldion, colocando as patas do animal sobre os ombros, enquanto Dário pegava as outras. Não houve muita conversa entre os dois depois disso, até que chegaram ao acampamento. Após uma curta, mas satisfatória refeição, os oficiais finalmente partiram para Ergellion. A comitiva de pouco mais de vinte homens, oficiais em sua maioria, marchava com tristeza em seus rostos, mas Dário não. Dário tinha um olhar diferente. Um olhar pensativo, como se planejasse algo. Hoth, ao perceber aquilo, apertou um pouco o passo e acompanhou o general, que se encontrava alguns metros a frente da comitiva, seguindo a passos largos em direção ao sul.

_ O que o perturba, meu amigo? _ Perguntou Hoth.

_ Não é nada, Hoth. Eu apenas tive uma visão da realidade... _ Respondeu Dário, sem dar muitos detalhes.

_ Mas que realidade, Dário?

_ De que Aenor não passa de um reino pequeno e frágil, que acabou de descobrir que possui poder suficiente para agüentar uma luta fraca. Mas não vai além disso.

_ Se é por causa da batalha, nós não podíamos...

_ Não Hoth, não é por causa da batalha. Eu vi há algumas horas, um exército que seria capaz de, no mínimo, nos causar um grande estrago. E com certeza não é o único que o reino de Dun possui. Nosso exército já não possui a mesma eficiência para a qual foi planejado, e eu pude constatar isso não só pelo exercito deles, mas por todas as batalhas diferentes que travamos e os diferentes tipos de táticas e armamentos usados nessas batalhas. Nós precisamos de uma mudança em nosso estilo, Hoth. Precisamos ser melhores e não nos limitarmos por tradições de cunho militar. Isso já se provou um fracasso antes e não mudará. Nós precisamos ser mais adaptáveis. _ Disse Dário, ainda com o olhar fixo no horizonte. Ele já parecia ter tomado sua decisão.

_ E como você pretende fazer isso, Dário? _ Perguntou Hoth, com ainda mais interesse.

_ Uma reforma militar, Hoth. Uma reforma é do que o exército de Aenor precisa. _ Disse Dário, empolgado._ Nós podemos manter nossas tradições, mas apenas onde elas são eficientes, temos que focalizar em não perder homens, em sermos reconhecidos por nossa eficiência militar como somos pela grandeza de Ergellion. Ao observar nosso combate no topo das muralhas de Jikur, eu pude ver que nós possuímos uma grande força em nossa defesa, mas nosso ataque é falho em alguns pontos, como velocidade. Se nós tivéssemos sido mais rápidos naquela batalha, talvez estivéssemos festejando no palácio de Jikur nesse exato momento. Eu preciso pensar muito nisso antes de apresentar essa idéia ao rei, mas não pretendo partir para outra batalha ignorando o fato de que precisamos melhorar ainda mais nossas táticas, Hoth.

_ Espero que tudo dê certo, meu amigo. Nós realmente precisamos de mais força. _ Disse Hoth, diminuindo o passo e deixando Dário sozinho novamente, perdido em pensamentos e planos.

Notas finais
Eu vou postar uma pequena "demo" da outra história, mas como eu disse, naum eh nada garantido. E vou tentar enrolar menos o setimo cap. Brigadao.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.