Notas iniciais
Desvendando coisas do passado

Emma começou a olhar para o teto. Não gostava do cheiro daquele lugar. Parecia que tudo fedia a enxofre, e a musgo. Isso a irritava. Mas ela já estava ali e não podia fazer mais nada. Ouviu alguém batendo a porta. Devia ser as meninas. Emma levantou-se e a abriu. Era o menino que vira antes. Fellipe. Ele deu um susto nela:

- Booohh!

- Que susto Fell! O que está fazendo aqui? Você não pode estar aqui, é o dormitório de meninas.

- Eu sei. – disse ele rindo – Só vim te ver. Já recebeu a farda?

- Já. – ela respondeu baixando o olhar.

- Bom amanhã tudo começa. De que é a sua primeira aula?

- Eu nem sei. Nem olhei aquele papel direito. – Emma sorriu.

- Ah. – ele disse num tom irônico – Estou indo no cemitério agora. Quem ir comigo?

- E pode? – perguntou Emma erguendo o olhar.

- Pode sim. Vamos? Só dar uma volta.

- Certo. Vamos.

Emma trancou o quarto e eles dois desceram as escadas, atravessaram alguns corredores lotados de alunos e saíram pelos fundos da escola. Chegando ao portão do cemitério, Fellipe o empurrou e eles entraram. O cemitério era frio, e havia um nevoeiro fraco entre os sepulcros. Havia estátuas de anjos espalhadas para quase todos os lados e árvores altas. Fellipe sentou-se num banco e fez sinal para que Emma sentasse ao seu lado. Então ele disse:

- O que acha daqui?

- Sinceramente?

- Sim. – Emma respirou fundo e disse:

- Não gosto desse lugar. É frio, e me assusta um pouco. O que sabe sobre o incêndio de 1959?

- Hm, andou pesquisando? – ele riu – Não sei muito. Mas parece que a causa foi disputa de território. Os fundadores de Landulf compraram por engano esse terreno, e construíram a escola, sem saber que já havia proprietário de terra. Eles se desentenderam, e por vingança ou acerto de contas o proprietário mandou que incendiassem a escola. Somente duas alunas sobreviveram. Anice e Pietra. Mas Pietra morreu alguns meses depois, porque o havia respirado muita fumaça e não resistiu. Então no caso, só quem sobrou para contar a história foi Anice, que é a mãe do diretor.

- Nossa. Todos enterrados aqui... – disse Emma.

- Sim, infelizmente. – disse Fell.

Um fino raio de sol passou por entre as árvores, e corvo fez um forte barulho. Ambos se assustaram, e Emma começou a tremer de frio.

- Tome. – disse Fellipe dando o seu casaco para Emma.

- Não precisa. É só esse nevoeiro que fez a temperatura daqui cair ainda mais. – respondeu Emma.

- Deixa de ser chata. Pega. – Fell disse sorrindo.

- Nossa tá bom. – Ela deu de ombros e vestiu o casaco com a ajuda dele.

Nesse momento, uma professora apareceu e disse:

- O que vocês estão fazendo aqui?

- Oi Senhorita Brandon, vim apenas apresentar o cemitério a novata. – disse Fell.

- Certo. Mas voltem logo para a escola. Está frio aqui fora. – rebateu a Senhorita Brandon.

- Fell, vamos logo. – disse Emma.

Emma e Fellipe saíram e a professora logo em seguida, trancando o cemitério com uma corrente. Eles não ouviram quando a Senhoria Brandon sussurrou:

- Ah... Se soubessem o que tem nesse lugar, provavelmente nem teriam pisado aqui.

Logo anoiteceu. Emma, Charlote e Rebecca estavam conversando em seus quartos. Charlote disse:

- Emma, você saiu à tarde. Aonde foi?

- Fui ao cemitério com o Fellipe. Ah é mesmo! Esqueci-me de devolver o casaco dele. Que droga. Acham que eu posso ir lá devolver?

- No dormitório dos meninos? Não acha perigoso de mais não? – perguntou Rebecca.

- Bem, acho que não. Ah não ser que vocês queiram ir comigo. – disse Emma, com um sorriso torto.

- Emma, espere aí, deixe-me ver se entendi. – disse Charlote – Você tá chamando a gente para ir devolver o casaco do Fellipe, e para isso teremos que entrar no quarto dos atletas? Tô dentro!

- Ai meu Deus. – disse Rebecca – Essa expedição é realmente necessária?

- Ah deixa de ser besta Rebecca! Vamos logo Emma!

- Ok. – disse Emma revirando os olhos.

Notas finais
Segundo capítulo de Landulf pra vocês! Continuem lendo! Não esqueçam de comentar ou fazer suas críticas! beijos.