Kate continuou andando pelo deserto desolado, procurando qualquer sinal de vida sapiente ou não-sapiente. Porém, naquele mundo, vasto, feito de morte e desolação, havia apenas um odor de morte e podridão. Ela não enxergava nada naquela névoa.

Deu um passo em falso e escorregou, caindo num buraco e bateu a cabeça, se desorientando por alguns momentos e depois desmaiando. Minutos depois, acordou, e estava em um lugar diferente. Um lugar debaixo da terra, com grama seca, árvores altas e quase mortas. Melodias tristes se desvaneciam no ar. Um cântico podia ser ouvido. Neste local, havia um grupo de algum ser semelhante a um humano. A única diferença eram suas orelhas pontudas. Kate se apoiou no cajado e se levantou. Do meio do grupo de elfos, uma elfa vestida totalmente de branco saiu, dançando levemente, parecendo um ganso. Sua graciosidade era singular diante do lugar triste. Kate perguntou:

— Quem... Quem é você?

— Meu nome é Lyhäid. Eu sou a última elfa branca remanescente. E você quem é?

— Eu sou... sou Kate Marsh. Me explica do começo... Elfa? Elfa Branca?

— ... Ai Sellena. Você é uma fada nascida do ouro e não sabe nada sobre o lugar do qual você veio? Bem... Eu vou te explicar. Você só precisa restaurar a vida daqui.

Kate deu de ombros e bateu o cajado no chão. Uma suave brisa de primavera foi liberada da pedra no seu cajado, porém não foi o suficiente para varrer a solidão e o desolamento do local. Ela bateu cinquenta, cem, talvez duzentas vezes o cajado no chão, mas não gerava mais que flores mortas e um cheiro de primavera quase que enjoativo.

— Eu... Eu não consigo.

— Ok, nem a própria Liraurd conseguiu restaurar isso. Por que eu confiei em uma fada nascida do ouro? Mas não podemos ficar aqui. Se não...

Ela balançou a mão no ar indicando um grupo de elfos. Eles provavelmente eram elfos adolescentes, mas parecia que o ambiente deixava eles quase que mortos. Seus rostos estavam enrugados e seus olhos vermelhos de sono. Suas roupas verdes, azuis, roxas e douradas nada mais eram agora do que trapos sujos que cobriam parcialmente o corpo deles.

— Os elfos não podem viver em um local assim. Você precisa nos levar para algum lugar com vida, com animais, plantas, árvores, flores, sombra...

— Entendi, entendi — reclamou Kate — Então... Serve um templo?

— Sim, talvez. Iremos te seguir.

Um arquejo foi ouvido. Um dos elfos quase caiu no chão morto. Seu rosto estava horrível. Suas orelhas, caídas, quase que humanas, não mais pontudas. Suas mãos, antes aparentemente macias e com dedos finos, agora eram mãos esqueléticas e ásperas.

— Ok... acho que temos que ir. — Disse calmamente Kate. Ela se esgueirou pelo buraco que levava para a superfície e disse para os elfos seguirem ela.

Algum tempo depois andando, a menina perguntou

— Então, Lyh... Posso te chamar assim? Bem, de qualquer jeito, me explique sobre elfas brancas.

— Bem... A hierarquia de elfos é bem complexa, mas digamos que elfos brancos são o segundo nível de hierarquia. Eles são os segundos mais poderosos, belos, inteligentes e carismáticos. Eles são chamados também de Bamliees, os supremos que regem a luz. Os negros são os mais fortes. Eles são o resultado de quando um branco morre segurando algum objeto de prata. Eles são quase deuses. Poucas coisas podem matar um elfo negro. Por falar em elfo negro, ali vem Zalia.

Uma elfa altiva, provavelmente a única sem nenhuma ruga. Seus lábios eram negros, como se fosse com batom, e seus olhos eram cinzentos. Ela vestia um vestido longo, negro, com adornos prateados e escuros. Usava uma coroa feita de alguma pedra branca. Ela disse numa voz alta e melodiosa:

— Espero que não esteja nos levando para a morte certa. Daqui a pouco eu vou perder o meu brilho natural. — Sua voz era melodiosa e ao mesmo tempo cortante com o vidro e fria como o gelo.

— Ah, bem... O lugar é logo ali... E o que é uma fada nascida do ouro?

— Bem, é uma fada pura. Uma fada que foi concebida do ouro e de pura magia. Não tem mistura com nenhuma outra espécie. Sua magia é a mais poderosa. Eles são líderes natos, e seu coração é forte. A maioria nasce de ouro. Há os nascidos de prata, que são a mistura de uma espécie com uma fada. Os nascidos de bronze são a cruza entre duas fadas. Os nascidos da terra são... São apenas fadas, que saíram de qualquer origem e quase não tem nenhuma magia. Alguns consideram nascidos de terra como inatos, o que é uma mentira, pois eles são algumas vezes mais fortes que o ouro, por se esforçarem mais. — Disse Lyhäid.

— Chegamos — Disse Kate, olhando para o grande templo com grama e árvores. — Bem vindos. Agora, eu preciso de respostas. E vocês vão responder.

Notas finais
...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.