Lancaster, a lenda
1 O começo de tudo
Capítulo Um
Esse barulho de despertador me irrita. Espera aí... Despertador? Já é de manhã, que droga. Levanto-me coçando os olhos, sento-me na cama e passo as mãos verticalmente sobre meu rosto. Levanto e pego uma dardo em cima de minha escrivaninha, e lanço justo no meio do alvo.
– Isso! – observo melhor – Foi um pouco para a esquerda, tenho que treinar mais. Sou um pouco perfeccionista. Passo pela frente da minha estante de troféus dos torneios de tiro ao alvo. Olho para eles e sorrio. Desci na rapidez passando a mão pelo corrimão polido, fazendo ranger os degraus a cada passo. Fui direto para o banheiro, apoiei-me na pia e olhei fixamente no espelho. Nunca tinha parado para ver que meus olhos são castanho-escuros e não pretos como meus cabelos. Escovei os dentes e tomei um banho rápido. Subi para o quarto e fui me vestir, coloquei uma camisa preta de mangas largas com o nome “The Beatles” em grandes letras brancas, uma calça azul-escuro e um all-star preto de solado branco. Desci até a cozinha, e sentei-me a mesa. Cumprimentei minha mãe que levou um susto e virou para mim com cara de espanto. Eu comecei a rir.
– Desculpa! – Pedi gargalhando – Foi sem querer!
– Isso não tem graça menino! – Fala ela com cara séria. Continuo gargalhando e ela logo ela sede e também começa a gargalhar. – Vai, o café já sai – acrescentou ela.
– Tudo bem. – Peguei meu celular e troquei mensagens com Fred e Alissa, meus melhores amigos. Enquanto isso fiquei sentindo o cheiro maravilhoso de café da manhã recém-preparado.
– Seu pai ligou – comentou – Perguntou se quer ir para a casa dele, nas férias – Dava para ouvir a voz triste dela.
– Claro que não! Eu nunca a deixaria sozinha, muito menos para ficar com o papai! –Respondi intensamente. Meu pai não merece isso, ele nos deixou para ficar com Jessika Clark, que conheceu numa viagem de negócios (ele é banqueiro). Eles tiveram um filho, meu meio irmão, Rowan Clark. Nunca que eu deixaria minha mãe para ficar com Dave Mc’castle. Minha mãe pôs os ovos com bacon na mesa. – Obrigado! Coloquei umas fatias pão com manteiga na torradeira e comi um pouco, depois que terminei peguei minha bolsa no sofá e fui me preparando para ir ao colégio. – Tchau, mãe!
– Tchau, cuidado no caminho! Gritou ela em resposta.
– Pode deixar! Respondi.
– Te amo! Ela falou mais baixo.
– Eu também mãe. Falei e fechei a porta atrás de mim.
Não demorou muito tempo depois que cheguei ao ponto de ônibus, e o ônibus escolar chegou. Eu cumprimentei o Sr. River, motorista do ônibus. Passei os olhos pelos bancos do ônibus como um professor procurando um aluno para responder sua pergunta. Fred e Alissa estavam sentados nos últimos bancos do ônibus. Fred é bem forte (para não dizer obeso), ele é chegou a pesar 210 kg com 12 anos, (!!!) ele até ficou internado por causa disso. Alissa também estava lá, nós três somos amigos desde pequenos. Sentei-me e fui conversando com Fred e Alissa.
– Bom dia, senhoras e senhores! Falei me sentando e sorrindo.
– Mas, só temos nós aqui – Disse Alissa.
– Não é todo dia que faz-se dezesseis anos, certo? – Falei
– Parabéns! Disse Fred.
– Como você é criança Daniel! – Disse Alissa encostando-se ao banco e cruzando os braços– Seu aniversário é só amanhã. Ela só quer manter a pose de durona, mas por dentro é mais mole que gelatina. Ela gosta de se vestir como uma gótica rebelde. Hoje ela está usando uma blusa preta de mangas curtas e um colar que parece uma corrente grossa com um pingente de cruz. Uma calça rasgada na região das coxas e botas de salto. Enquanto o ônibus nos guiava pelas ruas de San Francisco, nós conversávamos. Sempre adorávamos ficar olhando pela janela, quando passávamos pela Golden Gate. Quando nós chegamos à escola nossos amigos estavam nos esperando. Bobby, Penny, Kent, Drake e Angelina.
– Parabéns, semi-aniversariante! – Cumprimentou Drake sorrindo.
– Não é todo dia, não é? – Falou Angelina.
– Viu Alissa? – Perguntei sarcasticamente e ela riu. Logo tocou para a aula e tivemos que ir para nossas respectivas salas, ou seja, do 1°ano (menos Drake e Angelina que são do 2°ano).
Hoje só tiveram aulas das quais eu gosto: Biologia, Teatro, Inglês e Ginástica.
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Depois de um dia cansativo na escola, volto para casa, exausto, e vou direto para o quarto estudar. Aproveitarei hoje, para estudar o máximo que puder, pois amanhã é meu aniversário e vou ter o dia livre. E assim, já de manhã. 10h30min AM.
– Mãe, eu já vou para o show com o Fred e a Alissa, tá? – Gritei da porta. Estava vestindo uma camisa de mangas curtas branco-amarelada com o nome “The Beatles” em grandes letras negras, uma calça preta, um tênis vermelho, preto e branco da RedBull. Eu amarrei um casaco vermelho e preto listrado na cintura, para o caso de frio.
– Está bem, ligue para mim quando chegar lá! – Gritou correspondendo.
– Pode deixar! – Fechei a porta e saí. O Fred e Alissa já estavam na frente de casa. Pegamos o ônibus, ele passou a maior parte da viagem fazendo uma verdadeira degustação de sanduíches.
– Fred – falei – Eu acho melhor você parar de comer tanto – reclamei – Não lembra que ficou doente por causa disso?
– Relaxa, não vai acontecer nada.
– Depois não diga que eu não avisei.
– Guarde essas palavras para você! Não vai precisar dizer “Eu avisei”. Dava para ver a Alissa retorcendo o rosto do meu lado.
– Espero!
– Descemos perto da ilha de Alcatraz (Onde está ocorrendo o show, já dá para escutar o som de Counting Stars). Mas, dito e feito, o Fred começou a soar muito e a ficar cansado.
– Você trouxe sua bombinha?
– Tro...u... xe – Falou ofegante, pegou a bombinha do bolso e usou. De nada adiantou. Alissa começara a ficar agitada e começou a teclar apressadamente no celular, provavelmente ligando para a emergência.
– Minha visão tá ficando embaçada – Disse ofegante outra vez.
– Vamos para o hospital, rápido! – Disse Alissa. Pegamos outro ônibus, descemos no hospital. Ele ficou desacordado, mas, o importante é que arrumamos um leito. Quase na hora do almoço, 11h 57min AM.
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– Uh... Tá doendo.
– Já acordou?– Comentei — Ah, eu te avisei –Falei com ar sarcástico.
– Ha, ha, ai!
– Hum, vou ligar para minha mãe avisando –Avisei– Aí eu aproveito para pegar o almoço e pedir para a enfermeira encher seu soro – Ele estava meio cansado– E... Ah, a Alissa teve de ir embora, mas, ela deixou isto– Dei para ele um papel dizendo:
“Querido Fred,
Fica bom logo, tive de ir embora, mas, me mantenham informada. Alissa Mendller!”
Saí da sala, peguei o celular e liguei. Ela atende já falando.
– Já chegou? – Pergunta na rapidez.
– Sim, mas no hospital! – Respondi.
– Ai meu Deus! O que houve? – Perguntou com voz preocupada.
– O Fred voltou a ficar doente – Respondi mais uma vez.
– Vou avisar a mãe dele – Falou
– Obrigado, Tchau – Desliguei o celular e bufei alto, estou cansado e não posso dormir. Assim, passei pela enfermeira sentada atrás de um balcão numa ala separada do hospital, que estava “vadiando” em serviço. Lixando as unhas ainda por cima!
– Olá, meu amigo precisa de mais soro e...
– Depois eu vou – Respondeu, sem tirar os olhos das unhas que estava lixando.
– Mas ele...
– Já disse que depois eu vou! – Interrompe-me.
– Mas ele precisa agora! – Falei quase gritando. – Ela finalmente levanta a cabeça e fala:
“Já vou! É cada nervosinho que aparece por aqui!”. Hum, incompetente. Peguei um almoço e voltei para o quarto. Depois que o Fred comeu eu sentei numa poltrona vermelha e peluda ao lado de Fred; Foi um descanso merecido, mas, quando acordei o Fred já não estava mais lá.
– Fred, cadê você – Fui andando em direção ao corredor repleto de ladrilhos brancos e cinzas. Quando ia saindo uma enfermeira alta de cabelos ruivos cacheados estava passando.
– Senhora! Quer dizer... Senhorita. A senhorita sabe o que aconteceu com o paciente Frederik Sanderson? – Perguntei.
– Sinto informar, mas não sei sobre o senhor Sanderson, Pergunte ao Dr. Oliver. Ele está ali. – Apontou para um senhor de cabelos grisalhos e óculos fundo de garrafa, conversando com uma garota loura de cabelos presos por uma presilha azul, que julguei ser a recepcionista.
– Tudo bem. – Fui me aproximando do balcão, e quando cheguei perto, ouvi o Dr. Oliver dizer:
“Se chegar aqui, alguém de sobrenome Sanderson. Apenas mande me chamar”.
– O que houve com o Fred?
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Frederik Sanderson, 08/06/ 1998- 04/05/ 2014. Meu avô sempre dizia “Todo mundo tem sua hora Dan, todo mundo”. Vou sentir saudades. Acabei saindo de lá à noite, fiquei acendendo e apagando uma lanterninha contra o asfalto, triste, no caminho de casa. Um homem com um pano preto com buracos para os olhos e de terno cinza, impecável, me parou e me apontou uma arma: “Vamo, Ô playboy, perdeu!”. Nem liguei para a arma apontada para a minha cabeça, dava para ver um plástico descolando com o nome “MADE IN CHINA”. Ele estava tão bem vestido que poderia participar de um “Bandido Fashion Week”. Dei de ombros e entreguei minhas coisas sem contestar, pois mesmo a arma sendo de brinquedo, ele era duas vezes maior e mais forte, não que eu não me ache em boas condições físicas. Continuei apenas com a lanterninha na mão. Acendendo e apagando.
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– Que pena filho! – Já foi se lamentando, a minha mãe, assim que entrei-Meus pêsames! – Disse minha mãe, assim que cheguei em casa.
– Não há nada o que sentir, fique calma. – Tranquilizei-a.
Entrei no meu quarto, e apenas enfiei meu rosto no travesseiro com cheiro de produto de limpeza. Que droga, pensei, tenho que avisar à Alissa. Mas acabei ficando lá, quando uma lágrima rolou sobre meu rosto e deixou uma esfera molhada no travesseiro. Eu adormeci.
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