Lana e o Vale Encantado
4 Operação Anaconda parte Two.
Notas iniciais
Capítulo Três — Operação Anaconda parte two.
Pov Érica
Estavamos próximas a entrada da rua que dava acesso a casa de Lana, depois de duas multas e um hidrante parcialmente quebrado, vários sustos e orações, conseguimos chegar a tempo, ou era o que pensávamos.
— PARA! — Bea ao meu lado gritou, fazendo Diana imediatamente frear. — Olha lá, chegamos tarde.
Meu olhos atentos repararam em Day e Lana entrando na kombi e a mesma seguindo seu destino, diretamente para o Elite Way School. Encostei minha cabeça contra o banco de couro, minhas mãos massageram minhas têmporas, tinha que haver um jeito, as coisas não poderiam simplesmente acabar alí. E ainda, tínhamos a Day, precisávamos resgatá-la, mas como?
— Merda, e agora? — Mih perguntou, debruçada sobre o banco do motorista.
— Acabou, falhamos…— Bea desolada se pronuncia ao meu lado.
— Tá, mas e a Day?— Perguntei.
— É Barbe… E a Day, e agora? Fudeu!— Diana sem paciência soca o volante, fazendo a buzina soar. De repente a ficha caiu, Day precisava de ajuda e até o momento nenhuma de nós tínhamos pensado num plano caso tudo falhasse, até que…
— Gente!— Tentei chamar atenção de todas, mas a discussão parecia mais interessante. — Pessoal…— Mais uma tentativa.
— Caralho, o que vamos fazer? O QUE VAMOS FAZER?— Maria que tinha evitado dar palpites no plano perguntou, fazendo todas se calarem.
— Eu sei exatamente o que precisamos fazer. Diana, pisa fundo em direção ao Elite Way, temos uma Lana Parrilla para raptar e de quebra, resgatar nossa mascote. — Respondi.
Alguns minutos depois…
Paramos a kombi na esquina do Elite Way, o local estava cheio de alunos para lá e para cá, pelo visto o furacão Lana Parrilla tinha acabado de passar por ali.
— Ok, é o seguinte: Bea, eu e Mih, iremos nos infiltrar como pessoas da produção. Diana e Maria serão da equipe de make.— Falei.
— E eu, eu vou ser o que?— Barbe me perguntou curiosa
— Você vai se infiltrar entre os alunos e ir atrás da Day. — Repondi.
— Ok, será fácil fazer isso.— ela responde.
— Ok, “Agente Carter”, e como vamos nos infiltrar?— Bea me perguntou, descrente.
— Ora bolas, com o que temos de melhor querida.— Maria se adianta e responde por mim.
— E o que nós temos?— Bea retruca inocente.
— Cara de pau!— Todas olhamos Maria incrédulas, até cairmos na risada.
— Ainda bem que passei Peroba na minha hoje. — Disse Barbe.
— Barbe, você não precisa, sua cara já se ilustra sozinha.— Mih fala, arrancando mais risadas de todas.
— Ok, foco aqui, vamos seguir o plano da Érica, dessa vez tudo irá dar certo.
Todas assentiram para Bea, juntamos as mãos em um montinho e partimos, cada uma para sua missão. Enquanto caminhava em direção a uma van da produção estacionada em frente ao colégio, pude ver Barbe, Maria e Diana seguindo na direção oposta, acenaram mais uma vez e sumiram entre as pessoas que estavam ali.
Tudo aquilo era uma loucura, sabíamos disso, mas estava tarde demais para voltar atrás agora, o que um dia era um sonho distante, estava prestes a se tornar realidade e eu tenho certeza que minhas companheiras estavam tão eufóricas quanto eu, afinal, era Lana Parrilla, nossa Divindade, nossa Luz, nosso Amor, nosso Final Feliz. Vi Bea surrupiar três credenciais que estavam dando sopa, colocamos no pescoço e partimos em direção ao palco, em direção a Lana Maria Parrilla.
Pov Day
— Eu já disse, sou da turma SaLaMeMinGuê.— Falei, tentando parecer séria, tinha que driblar aquela loira insistente.
— Eu não lembro de termos essa turma aqui, você sabe Vick?— Vi que ela perguntou a uma igualmente loira com mechas rosas ao seu lado.
— Eu não conheço também, mas vai que seja verdade, ela não tem cara de quem está mentindo.
— Talvez… Mas vou ficar de olho.
— Qual o seu nome?— Perguntei, afinal, queria saber quem era aquela loira seca petulante.
— Me chamo Mia Colucci, por quê?
— Me chamo Day e eu sou nova sim, agora se me dá licença, eu tenho uma palestra para assistir.
Me desvencilhei daquelas duas, mas não antes de tombar meu ombro contra o de Mia, quem ela pensa que é? Eu precisava encontrar as meninas, dizer que entrei na kombi errada, mas como eu faria isso? Ai meu Deus, eu estou perdida.
Pov Mih
Aquela situação toda, das coisas não saírem como planejado, estava me deixando irritada. Paciência nunca foi uma das minhas características. Quando aceitei compactuar desse plano, além do meu imenso amor por Lana, foi também pelo meu espírito aventureiro. Porém, eu não esperava que o plano saísse do controle, mesmo que temporariamente. Depois de Bea conseguir pegar as credenciais, seguimos caminho para o interior do colégio, senti um frio na barriga ao olhar o prédio tão luxuoso. Estar no Elite Way School me causou uma tensão descomunal. Congelei meus passos enquanto Érica e Bea seguiam caminho.
— Hey Pocket Swan, vamos!— Gritou Érica. — Não temos tempo pra você admirar a arquitetura do colégio.
— Já disse que te odeio, Érica? Odeio mais quando me chama desse apelido ridículo.— Falei com cenho franzido.
— Sabe, eu realmente adoro essas trocas de elogios entre vocês, mas o momento não é oportuno, então sejam “menas”.— Bea disse sem paciência
— Ok, ok!— Érica levanta as mãos para cima indicando rendição — Vamos senhoritas estressadinhas, temos um plano para concluir.
— Meninas esperem! — Falei nervosa. — Não podemos entrar aí!
Observei as duas me lançarem olhares confusos.
— Qual é Mih, o que aconteceu com você? Desde que chegamos aqui você ficou estranha. Não me diga que a aspirante de Emma Swan ficou com medo e desistiu do nosso plano?— Erica diz carregada na ironia.
— CALA ESSA BOCA ÉRICA! NÃO FALE O QUE NÃO SABE!— Gritei.
— CHEGA!— Bea falou em tom sisudo. — Vocês estão me irritando. Não percebem que estamos perdendo tempo?— Me encarou se aproximando — O que aconteceu Mih, porque está tão nervosa?
— Eu... — Encarei Bea e depois Érica. Respirei fundo, tentando dissipar a tensão. — Eu só estou um pouco irritada porque nosso plano não correu da forma que traçamos. Estou preocupada com as meninas. Não era pra estarmos aqui. — Digo mais para mim do que para elas. — E antes que duvidem, não, eu não desisti do plano. O que eu quis dizer é que não podemos entrar aí sem definirmos a que parte da produção pertencemos.
— Puxa, eu não tinha pensado nisso—afirma Bea.
— Pois é, lá dentro vão nos questionar. As normas aqui são um saco.— Falo revirando os olhos. — Prestem atenção, minha mochila tem alguns equipamentos, então vamos utilizá-los como acessórios do nosso disfarce. Érica, você será o operador de VT.— Abro a mochila pego a filmadora entregando.
— Bea, você será a assistente de fotografia.— Tiro uma câmera profissional e dou a ela. — Cuidem bem dos meus tesouros.
— Mas e você? - As duas me questionam em uníssono.
— Eu... Bem, eu serei a diretora de fotografia. Resumindo, sou a chefe de vocês. — Dou um sorriso sarcástico.
Érica e Bea se olham e voltam a me fitar.
— Ridícula!— Dizem ao mesmo tempo.
— Eu também amo vocês. Agora vamos, quanto antes sairmos daqui melhor.
Seguimos para a entrada principal. Apresentamos nossas credenciais na catraca nos identificando como equipe fotográfica do evento, sem empecilho fomos autorizadas a entrar. Entramos no grande pátio do Elite Way School.
— Ual! Esse lugar é lindo. Eu adoraria ter estudado aqui nos meus tempos de escola.— Érica revelou animada.
— Tenho que concordar com você, deve ser demais estudar aqui.— Bea aproveitou para bater umas fotos do local. — Digam: Lana Deusa Parrilla, meninas!— Disse antes do click nos pegar de surpresa. E depois conferindo a câmera orgulhosa. — Hum, muito bom! Acho que levo jeito pra coisa.
— Parem de gracinhas que não podemos ser vistas por aqui. Vamos para o palco.— Falei impaciente.
— Ok. O segurança falou que devemos seguir a rampa da direita e encontraremos o teatro do colégio.
— Eu não quero ser o centro das atenções disso aqui, e nem é bom para nós ficarmos expostas. Venham comigo que sei de um atalho que nos levará ao fundo do palco. — As duas me olharam com cara de espanto.
— Como assim, você conhece um atalho. Por acaso já esteve aqui antes, Mih?— Bea me questionou, me deixando aflita.
— Então Pocket Swan, não vai responder?— Érica pergunta curiosa.
— Vocês perguntam demais, não acham?— As duas cruzaram os braços esperando minha resposta. — Ok! Sim, eu já estive aqui.— Érica tentou falar alguma coisa mas a impedi. — Olha, faz muito tempo, e agora não é hora para explicações, vamos pegar Lana e as meninas e dar o fora daqui.— As duas assentiram e me seguiram.
Corremos para o fundo do colégio e por alguns instantes procurei o local onde havia a porta de entrada, abri e entramos, nos deparando com um corredor apenas com as luzes de emergência acesas. Continuava como nas minhas recordações.
— Venham por aqui.— Andamos por uns cinco minutos — Só mais um pouco e chegaremos direto nos camarins do teatro.
— Ai, que bom! Pois já estou com medo disso aqui. Acho que poderíamos ter entrado pela frente. Seria um pouco mais refinado.— Ri do comentário de Érica.
— Ah claro! Que tal a gente fazer uma sessão de autógrafos para os alunos também? E revelar em entrevista coletiva os nossos planos para Lana Parrilla?— Bea respondeu, trabalhada na ironia.
— Pronto, chegamos. Atrás dessa porta fica um dos camarins mais próximos do palco.— Abrimos a porta e adentramos o local
— Olha só que com quem me deparo. Que mundo pequeno, não, meninas?—
Olhamos espantadas, uma para as outras, e depois seguimos o som da voz, que nos encarava com um sorriso cínico estampado no rosto.
— VOCÊ?— Gritamos ao mesmo tempo. Katya gargalhava.
— A PRÓPRIA! — Disse debochando do nosso susto.
Pov Bea...
Deus me odeia. Antes eu tinha minhas dúvidas, mas agora eu tenho completa certeza de que o Senhor do Universo me odeia. O plano começou dando errado, Day estava perdida por aí e agora a víbora está bem na nossa frente… Tem como ficar pior?
— O que caralhos você tá fazendo aqui, Katya?— Meus nervos estavam à flor da pele e a paciência por um fio, não queria distrações a essa altura do campeonato.
— Por enquanto, só quero ajudar…— Ela olhou para a credencial pendurada no meu pescoço e deu um riso irônico. — Charlotte.
Bufei e revirei os olhos, a sonsa ainda estava sorrindo.
— Não precisamos da sua ajuda.— Mih disse e deu as costas, pronta para continuar o nosso plano.
— Eu não tenho tanta certeza assim, acho que vocês não gostariam que um barraco atrapalhasse o planinho quase perfeito e patético de vocês.— Pegou uma mecha de cabelo e enrolou nos dedos, mascando um chiclete como em todas as outras vezes. Parece uma vaca, pensei.
— Katya, seja lá o que você quer, podemos resolver isso outra hora.— Disse por fim. — Caso não tenha percebido, estamos um pouco ocupadas e se eu fosse você, pro seu próprio bem, não entraria no nosso caminho agora.
Érica estava alheia a nossa conversa enquanto mexia no celular, torci para que ela estivesse falando com Day.
— E outra, como diabos você aparece em todos os lugares, praga?— Mih leu meus pensamentos e Katya revirou os olhos.
— Eu sempre sei de tudo, pode me chamar de Deus.
Comecei a rir atraindo, finalmente, a atenção de Erica.
— Ih, olha ela se achando importante.— Disse enquanto tentava parar de rir. — Faça-me o favor, viu. Você acha que está um passo à frente mas eu sei que você está escondendo alguma coisa e quando eu descobrir… Ah, quando eu descobrir esteja preparada para falar com o Demônio.
Ela me encarou com raiva e antes que pudesse responder, Érica atraiu nossa atenção.
— Gente, consegui falar com a Day. Ela disse que pegaram a van errada, o que já sabemos, e que tem umas meninas pegando no pé dela. Algo como Vicky e Mia.
— Mia está aqui?— Mih se exaltou, ficando pálida.
— Quem é Mia? E quem dá essa porra de nome para uma filha?! Não acredito que temos mais um problema.— Eu disse, andando de um lado para o outro no pequeno espaço.
— Isso é história para outra hora, mas não posso cruzar com ela aqui.— Mih respondeu, aparentemente nervosa.
— Você, Miss Swan, vai explicar direitinho essa história depois.— Olhei pra ela incomodada por ter um problema que não tinha conhecimento até aquela hora.
— Olha, que legal! Era exatamente sobre isso que eu queria falar. Aquela outra coleguinha de vocês, Barbie, sei lá, sabe o meu preço. Então só vou avisar que posso livrá-las do problema temporariamente.— Katya disse e deu um sorriso falso.
— E por que deveríamos confiar em você? A propósito, é Barbe, sua embuste. — Érica disse e eu revirei os olhos para a víbora.
— Parece que vocês não têm outra opção e nem tempo para bolar um novo plano, ops!
— Ela está certa.— Eu disse refletindo. — Faça o que tem que fazer e depois, seja lá qual for, acertaremos seu pagamento.
— Sábia decisão.— Ela piscou para mim e se virou em direção à porta. — Ah, e essas duas não são o único problema.
— Do que está falando agora?— Mih perguntou.
— Logo irão descobrir.— Katya saiu do camarim.
— Ô, inferno!— Exclamei enquanto socava a porta que ela havia acabado de passar.
— Calma, Bea, se estressar agora não vai resolver nosso problema. — Mih disse calma e eu respirei fundo antes de assentir. — Onde está a Day, Érica?
— Perto do palco, devemos ir para mais perto agora.
Saímos do camarim bancando a egípcia e falando de fotografia como se fôssemos profissionais naquilo. Até que meus olhos pararam em um grupinho próximo da gente. Isso só pode ser brincadeira. Tinha quatro meninas que eu nem sequer prestei atenção ao rosto, estava olhando as blusas ridículas. Lana estava aqui para uma palestra que nada tinha a ver com a série que a mesma fazia e era extremamente infantil aquelas camisetas. “Colifer is real”, “Lana leave once upon a time”, “CS is better than SQ” e “Jen don't like you, Lana”.
— Ah, mas isso não vai ficar assim.— Falei meus pensamentos em voz alta, atraindo a atenção das meninas.
— O que houve?— Érica disse, alheia ao grupo adiante.
Corri meus olhos pelo lugar que estávamos, o pátio estava cheio e havia alguns stands sabe lá Deus de que. Foquei em um e meu sorriso foi involuntário. Andei em direção ao stand que tinha escrito “Faça aqui o seu cartaz” e olhei as latas de tinta, escolhendo uma cor. Preto. Preto sempre é a melhor escolha.
— Eu devolvo depois.— Disse para a menina morena e de sorriso simpático. — Se sobrar.
— O que você vai fazer, Bea?— Érica me olhava confusa, dei um sorriso para ela e pisquei um olho.
— Observe.
Fui até o grupinho e tropecei acidentalmente, derrubando um pouco da tinta em uma das gurias e ela gritou. Um grito agudo que me fez ter vontade de socá-la.
— Você está louca?— Ela disse enquanto tentava limpar sujando ainda mais o pano de chão que ela usava enquanto me fuzilava com os olhos.
— Louca? Eu estou te ajudando! E vocês...— Olhei para as outras sonsas que me encaravam sem reação. — Não precisam se preocupar. Tem tinta pra todo mundo.
Antes que elas pudessem falar alguma coisa, joguei tinta nas camisetas horrorosas e ri quando elas gritaram.
— Isso não vai ficar assim!— Uma delas gritou e meu sorriso aumentou.
— E o que vai fazer, uh?
— Eu vou acabar com você!— Uma delas rosnou pra mim e eu simulei uma tremedeira.
— Vou adorar te ver tentar. — Dei as costas e olhei por sobre o ombro. — Apareçam na minha frente usando esses lixos de novo que o que fiz hoje vai parecer bobagem perto do que farei de novo. Bye, bitches.
Soltei um beijo no ar e voltei para onde minhas amigas me esperavam a uma distância segura e com um sorriso no rosto enquanto observava as patricinhas sem reação. Levei o resto da tinta para o stand e disse um obrigada para a menina que me olhava atônita.
— Já disse que te venero hoje?— Érica disse e eu ri.
— Não e nem precisa, pois eu sei. Agora vamos que temos um plano para concluir.
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