L'amour..
4 Capítulo 4
Roberta chegou em casa e encontrou Carla na cozinha, preparando um chá. ― Já voltou? ― Carla indagou, surpresa. ― Não estava me sentindo muito bem hoje... ― Roberta colocou sua mala no chão e se sentou na cadeira. ― Aconteceu alguma coisa? ― se virou para ela, preocupada. Roberta fitou um ponto qualquer na parede, pensando no que havia deixado que acontecesse naquela noite. Ainda não acreditava que havia deixado que ele a beijasse... Ela balançou a cabeça, expulsando aqueles pensamentos. ― Nada demais... só não estava com cabeça pra isso. Carla assentiu com a cabeça e pegou mais uma xícara de chá, colocou o liquido quente nela e a ofereceu para Roberta. ― Obrigado. Carla pegou sua xícara e se sentou em frente a Roberta, a fitando com atenção. Sabia que havia acontecido algo para deixá-la daquela forma. Roberta não era de deixar o trabalho por qualquer motivo. Ela precisava de dinheiro para... Roberta percebeu que a amiga a fitava com atenção e ergueu os olhos para ela. ― O que foi?. ― Sei que não é da minha conta ― Carla se mexeu na cadeira e suspirou. ― , mas eu me preocupo com você... ― O que você quer saber? ― Quando que você vai deixar isso tudo pra trás? Roberta tomou um gole de seu chá e colocou a xícara de volta na mesa. Aquela era uma pergunta que ela vivia se fazendo também... ― Não sei... ainda não posso deixar isso. ― Roberta, você é uma mulher tão linda, tão cheia de encantos, doce... você não nasceu para fazer isso! Roberta mordiscou o lábio, tentando se controlar e não deixar que as emoções a invadissem. ― Eu sei... mas... simplesmente não posso. Não ainda... ― Você deveria tentar outra coisa que... ― Que não me daria o dinheiro suficiente que preciso. ― a interrompeu. ― Carla... não posso me dar ao luxo de parar com isso. Ter que ir lá toda a noite e deixar que façam o que quiserem comigo, me mata por dentro, mas... ― encolheu os ombros. ― Tenho que fazer isso. Não posso pensar em mim quando estou fazendo isso. Tenho que pensar nele... Carla engoliu em seco, sentindo uma lágrima rolar pelo seu rosto. Se pudesse ajudar a amiga de algum jeito... se pelo menos conseguisse arranjar o dinheiro suficiente para o tratamento... ― Sabe... eu tenho orgulho de você, Roberta. ― O-orgulho? ― gaguejou, a fitando com atenção. ― Sim. Acho que eu nunca seria capaz de deixar meu orgulho de lado e fazer um sacrifício desse, só para ajudar outra pessoa... Roberta deu um sorriso leve e alcançou a mão da amiga sobre a mesa. ― Faria sim. Eu sei. ― Talvez... se eu tivesse um bom motivo... ― Quer melhor motivo do que o que eu tenho? ― Roberta deu um pequeno sorriso. ― Não existe nenhum melhor... ― também sorriu. ― Falando nele... está no quarto? ― Sim. deixei ele lá tem uns dez minutos... Roberta parou na porta do quarto e olhou para dentro. Ele estava virado de costas para a porta, todo encolhido na cama. Ela deu um sorriso leve, sentindo seu coração se apertar com aquilo. Se não continuasse na boate, não saberia quanto tempo ainda teria ao lado dele... Caminhou até a cama e se sentou ao lado dele, passando a mão pelo seu rosto. ― Te amo tanto, meu filho... O menino pareceu perceber que havia alguem no quarto e acordou, se virando para a mãe e sorriu. ― Olá, meu amor... ― Chegou cedo. ― Gabriel respondeu meio sonolento. Roberta deu um sorriso de lado e se inclinou na direção dele, depositando um beijo em seu rosto. ― E você deveria estar dormindo. Gabriel deu um sorriso típico de uma criança de cinco anos. ― Eu sei... mas você me acordou. ― Certo, mocinho. Então, volte a dormir! ― Dorme comigo, mãe? ― Claro que sim, meu anjo. Vai para o canto. Gabriel fez o que a mãe pediu e Roberta se deitou ao lado dele, ficando de lado e passando uma mão por cima do peito dele, o puxando para trás. ― O trabalho foi bom? Roberta sentiu seu coração se apertar e seu estomago se revirar. Se seu filho soubesse o que ela fazia para ganhar a vida... Afastando isso da mente, ela se lembrou do dinheiro que havia recebido naquela noite. Setecentos dólares poderia não ser uma quantia muito alta para aquele homem, mas ele nem ao menos sabia o que ela poderia fazer com aquele dinheiro. ― Sim... ― ela se viu respondendo. ― Foi bom. Vou poder comprar seu remédio para duas semanas. Gabriel se aproximou mais dela e colocou uma mão em cima da dela. ― Mãe? ― O que, meu anjo? ― Eu te amo. Roberta sentiu os olhos ficarem marejados e seu coração se apertando forte dentro do peito. As vezes a dor era tanta, que parecia que seu coração diminuía até ficar no tamanho de uma moeda de cinco centavos. ― Eu também te amo, meu amor. Nunca se esqueça disso. ― Não vou esquecer... Eles ficaram em silencio por um tempo, e logo Roberta percebeu que ele havia dormido. Soltou um suspiro profundo, sentindo as lágrimas rolarem livremente pelo seu rosto. Aquele homem não tinha a menor idéia do que ele lhe havia feito. Não sabia que com aquele dinheiro, seu filho poderia viver um pouco mais. Precisava arranjar um jeito de juntar dinheiro o suficiente para a cirurgia, que talvez desse a seu filho a chance de viver por muito mais tempo. Tinha alguma soma satisfatória guardada em uma conta do banco, mas aquilo não era o suficiente. Precisava de muito mais. Talvez, se conseguisse um emprego em alguma loja na parte da tarde poderia juntar um pouco mais e, finalmente, pagar a tão sonhada cirurgia. Apertou o abraço em seu filho e depositou um beijo no alto da cabeça dele. Queria tanto que tudo fosse diferente...
Fale com o autor