Lamentos do Mar
1 Sub o luar que me reje
Notas iniciais
Esse é um trabalho meio antigo, porém postarei todos aqueles que achei um pouco interessante, independente da época do qual foi escrito. Apenas estou avisando para que entendam um pouco da minha situação, haha.
Sinto muito por essas notas imensas, boa leitura.
Pela primeira vez em muito tempo, não tinha para onde ir. Não possuía um rumo ou alguém para me acolher. Claro, Tatsumiya era incrível e uma ótima pessoa, porém não poderia lidar com o peso de meus longos anos carregados de culpa, banhados com uma maré de “e se” mesclados com uma névoa de “poderia ter feito melhor”. Não é como se fosse culpa da mesma, isso era algo meu, algo que mesmo minha pessoa não poderia lidar com exatidão, e mesmo assim, eu fugi. Apenas desejava dar um tempo em toda essa pressão que carregava e trazia um grande peso à mim. Estava apavorado com a possibilidade de matar pessoas queridas, e acima de tudo, eu temia ter de enfrentá-lo.
Fui para o único lugar que consegui imaginar que estaria em paz: a Star Isle, era um lugar calmo e bastante belo onde finalmente poderia me encontrar só e ter minha tão desejada paz. O luar banhava minha pele, fazendo com que sentisse certo conforto por ter tamanha calmaria ao meu redor, o cheiro de praia e sons suaves contribuíam para tudo presente nessa sensação. Andava a passos lentos em meio à areia macia, não tinha pressa alguma, não havia motivos para tal. Estávamos em meio a uma guerra iminente e talvez não tivesse um amanhã para mim.
Mesmo não admitindo em voz alta, estava com medo. Medo de perder. No decorrer de minha vida não eram poucos aqueles que havia me deixado, porém a maior delas havia sido com meu mais fiel companheiro. Aquele que sempre esteve ao meu lado. O único que ouviu cada uma de minhas lamúrias e receios. Aquele cujo sempre tinha um conforto e bons conselhos. Ele era de longe aquele em que mais confiava, porém as coisas não eram tão simples, não mais.
A luz da lua iluminava minha pálida face, assim como naquele dia. Old era apaixonado por mim e mesmo tendo grande apreço pelo tubarão, não poderia fazer nada, o sentimento não era recíproco e não poderia forçar a mim mesmo, afinal, já tinha um lugar para mim junto de minha amada. A maior questão havia sido a forma que ele lidou com tal coisa.
Não demorei muito até sentir as leves ondas em meus pés, o mar estava calmo, porém frio, o que fez com que um arrepio passasse por todo meu corpo.
Gostaria de ter tido mais tempo. Gostaria de ter sido mais generoso em minhas palavras. Gostaria de ter sido mais compreensivo. Havia perdido uma das pessoas mais importantes para mim por pura ignorância e hoje nos encontrávamos em lados opostos de uma guerra que apenas traria a destruição de todos.
Tinha saudades dos dias em que apenas olhava para o céu em busca de respostas para um futuro incerto, e infelizmente hoje as respostas chegaram com o aviso de uma entropia totalmente destrutiva que levaria diversas vidas em questão de segundos, sendo que boa parte dessas tinha a sobrevivência em minhas mãos. Eu seria aquele a ditar o rumo de toda essa guerra, eu era o único com poder para tal e isso me corroía por dentro. Todos estes sentimentos conflitantes batalhavam em meu peito e faziam um pesar crescer dia após dia, mas não poderia vacilar de forma alguma, isso era inadmissível, afinal precisava me manter de pé e passar essa imagem perfeita faria com que a confiança de todos se mantivesse estável.
Entrei mais afundo no mar, a água agora batia em minha cintura. Minha capa e chapéu estavam na areia, sem eles eu quase me sentia como se voltasse àquela época em preocupações ou pesares. Sem eles, por alguns instantes, eu já não era mais Meikai: o grande feiticeiro, mas sim apenas uma criança com medo do amanhã, uma criança que só quer retroceder até uma época com menos preocupações e mais sorrisos, uma criança que só está com saudades de casa.
Peguei minha flauta, um precioso presente, esse que hoje me trazia lembranças dolorosas de um amigo perdido, mas que mesmo assim, seria carregado em meu coração com toda compaixão que possuía no âmago de meu coração. Uma suave melodia saia da mesma, porém diferente de outras vezes, essa surgia de forma melancólica e solitária. Esperava que essa chegasse aos ouvidos de Old, como um pedido de perdão, pois mesmo sabendo que era estúpido, não conseguia deixar de acreditar. Naquele momento eu tocava para o luar, para todos aqueles cujo sabia que nunca iriam me perdoar. Toquei para liberar minhas dores. Eu tocava para o mar, eu tocava para Mikotsu e todos aqueles que pudessem escutar. Eu tocava para o silêncio e mesmo o rei do mar. Tocava para todos aqueles cujo não poderia alcançar. Enquanto lamentava em meio ao frio, lágrimas escorriam. Ali eu não precisava mais fingir, podia ser quem era, podia ser fraco mesmo que por míseros segundos.Ali eu me permitia desabar, compartilhando meus lamentos apenas com o silêncio e um velho amigo cujo nunca poderia me perdoar.Jogando todos os meus lamentos pelo mar e deixando meu rosto desaguar. Tudo isso para ter forças para construir um novo amanhã.
Notas finais
Sinto muito por este desastre, prometo corrigir quando possível, apenas quero terminar de repostar meus trabalhos por aqui.
Fale com o autor