Lamentos de Um Bardo

2 Pergaminho Desgastado II


[...] Entre as belezas que vagam sem rumo por estas terras vastas, nenhuma é mais mortal que ela. A encontrei em uma dentre as minhas infinitas viagens pelos planos desabitados de emoções, onde só lhe resta o calor do desespero e a companhia da solidão. Eis que ela era a beleza mais pura, divina, digna de uma divindade que tive o prazer, e desprazer de encontrar. Suas palavras flutavam, acariciavam, machucavam. Seu sorriso lhe fazia sentir seguro, quando você estava na verdade no olho de um furacão. Seu toque era quente, aconchegante, como a seiva morna e receptiva de uma planta carnívora. Uma loba em pele de cordeira.

- Ó bela dama... o que trazes nesta cesta?

Ela ria, um riso meigo, este aquecia o meu coração. Seus olhos verdes eram profundos, profanos, invadiam minha alma sem pedir licença, e eu a recebia de bom grado.

- Maçãs envenenadas, jovem bardo... deseja uma? — Me oferecera ela, estendendo sua mão. Uma brilhante e rubra maçã vívida com o mais vívido sabor da morte me era oferecido.

O cavalo grande de madeira havia adentrado os impenetráveis muros. Aceitei. [...]