Notas iniciais
Acho que escrevi isso como uma carta. Não sei de onde veio, ou talvez saiba. Só escrevi. Não contei a ninguém, não pedi o auxilio de um beta, não pensei, só escrevi, chorei e postei.
Dedico esse texto aos meus fantasmas - não que um dia eles saberão sobre isso. Espero.
Espero que gostem.

Acho que você sabia.

Acho que você sabia que seu toque não me levava a loucura. Você me excitava, claro, mas não me fazia perder a cabeça, ficar insana. Eu sempre escutava cada mínimo barulhinho em volta de nós. Algo me dizia que não, mas agora, acho que você sabia disso. Que eu nunca havia sido totalmente sua.

Eu poderia facilmente usar a justificativa de que eu apenas era assim e pronto. Você também parecia ser assim, sempre tão atento, tão observador, tentando estar sempre no controle das coisas, nunca totalmente focado numa só coisa. Eu odiava isso. Não combinava comigo, eu não que queria ser controlada, eu não queria que alguém ditasse o que eu devia fazer ou não.

Eu não me conheço. Não sei ainda o que realmente gosto ou desgosto, mas eu quero tanto tanto descobrir, que mal consigo descrever. Quero sentir um par firmes de mãos me segurando, passeando pelo meu corpo, me apertando, me abraçando, me distraindo tanto que não consigo pensar em qualquer outra coisa. Quero olhar para alguém e desejá-lo, como poucas vezes aconteceu, e que esse alguém olhe pra mim e me deseje. Com roupas, sem roupas, num lugar aberto ou fechado, seja com olhares cruzados ou palavras sussurradas, gritadas.

Eu tenho medo, sabe? Medo de que isso nunca vai acontecer. Medo que você tenha me estragado para outros homens, por ter feito com que eu os desprezasse tanto, acreditando que todos são como você. Eu sei, eu sei, não são. Eu sei! Mas que garantia tenho? O que, no mundo, me garante que por baixo de sorrisos e olhos gentis, toques delicados e palavras adocicadas – como você era – na verdade há alguém que quer me controlar e que diz que me ama sem me aceitar, e que me julga, e me confunde, e me manipula, tentando me mudar, por que me ama, mas não me aceita. Não consigo confiar algo assim ao universo.

Então eu me lamento. Me lamento por não me sentir como sempre quis me sentir. Por não gostar como sempre quis gostar. Por não ser gostada como sempre quis que gostassem. Você me estragou, e sei que se soubesse disso hoje, ficaria feliz, por que me odeia por eu ter te deixado. E eu te odeio pelo que acha que sou hoje. Por achar que tudo o que tivemos foi uma mentira.

Eu acredito em almas gêmeas, tanto quanto sei que você não era a minha. Mas não acredito na sorte de encontrá-la, simplesmente por que não acredito que possa sentir uma felicidade assim, tão gigante, tão arrebatadora, tão aliviadora.

Eu não sou o que você precisa, e lamento. Você não é o que eu preciso, e lamento. Você me estragou, e isso é o que lamento mais do que qualquer coisa. Você me deixou assim: apenas lamentando. Me estragou me fazendo achar que eu não sou boa o suficiente.

E agora eu te odeio por isso.

Notas finais
Eu sei, não tem muito sentido. Começo falando de uma coisa mas vou pra outra, e mudo o foco e o lamento. Mas essa é uma despedida, uma tentativa de despedida.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!