Lamb of God
1 Capítulo 1 - Bem-Vinda à Hemlock Grove
Não podia acreditar que finalmente teria uma entrevista com Roman Godfrey. Seria o auge da minha carreira de jornalista, até então, e a ansiedade de chegar logo em Hemlock Grove não podia ser contida por meu coração saltitante. Ah, Hemlock Grove. Uma cidade com tantas controvérsias, com tantos mistérios e uma série de assassinatos que tomaram conta da pacata cidade durante o ano passado. A polícia local nunca deu uma declaração oficial para toda a chacina, apenas colocaram a culpa em um animal selvagem, o que, em tese, faz sentido. Mas não foi convincente, principalmente porque o xerife parecia traumatizado demais para uma declaração decente. Fiquei sabendo que o mesmo deixou o cargo depois de perder suas gêmeas. Pobre homem, não o vejo como culpado nessa história.
Deixei meus pensamentos de lado assim que vi a placa da cidade. Um suspiro de alívio e excitação veio espontaneamente e um sorriso de canto dançava em meus lábios. Finalmente poderia conhecer a infame Hemlock Grove, a aparente pacata cidade em algum lugar no meio das florestas da Pensilvânia. O lugar era realmente esquecido por Deus, ou era apenas um pensamento de quem viveu em Nova York a vida toda, vai saber? O GPS do carro cedido pelo NY Times fazia praticamente seu trajeto sozinho para o Godfrey Institute, onde em poucos minutos conheceria pessoalmente o mais jovem bilionário da Pensilvânia; o encantador Roman Godfrey. Digo encantador porque é claro que o rapaz acha que tem o mundo em suas mãos, e seu encanto faz parte de todo seu show.
Estacionei o Toyota Corolla prata em frente ao instituto, logo saindo do carro para analisar a grande torre em minha frente com mais atenção. Realmente, os Godfrey eram pretenciosos até demais para mim. Respirei fundo, tomando meu caminho para dentro do instituto com um sorriso acolhedor em meus lábios. Assim que cheguei na recepção, fui analisada pela bela recepcionista que tentava ser o mais simpática possível.
— Irina Williams, New York Times. Tenho uma entrevista marcada com o Sr. Godfrey. — Sorri, deixando minha ansiedade transparecer totalmente. Eu estava parecendo uma idiota.
— Último andar, Srta. Williams. Seja bem vinda à Hemlock Grove. — A recepcionista sorriu e me entregou o crachá da imprensa, logo voltando seu olhar para seus outros afazeres.
Concordei com a cabeça, logo me dirigindo ao elevador, ainda um pouco confusa com a situação constrangedora da recepção, numa simpatia forçada e minha ansiedade transparente. Estava acostumada com pessoas não receptivas, afinal, cresci em Nova York, onde todos ignoram a existência de todos até você esbarrar em alguém com um café quente. Dentro do elevador, olhava para o espelho atrás de mim, garantindo que tudo estava em seu devido lugar. Uma vez ou outra, abaixava a saia que ia até os joelhos e limpava qualquer mínima sujeira em minha blusa carmim. Queria muito causar uma primeira boa impressão, e parecer o mais profissional possível. Roman parecia um rapaz muito observador ao meu ver, e qualquer pequeno deslize podia ser trazido à tona.
O elevador parecia levar uma eternidade até o último andar, e eu já sentia meu corpo esquentar devido ao nervosismo. Mas como se meus pensamentos fossem ouvidos, logo ouvi o barulho do elevador parando no andar certo. Respirei fundo novamente, ajeitando minha postura e andando com graça, como se me forçasse a aprender a andar de saltos de última hora. Passei por um grande corredor branco, com salas de vidro. Um silêncio ensurdecedor me deixava ainda mais nervosa. A única coisa que ouvia era meus próprios passos, que ecoavam por todo o corredor. Logo avistei Um homem sentado atrás de uma mesa, com uma camisa preta impecável, uma gravata e o cabelo totalmente perfeito. Sim, Era Roman Godfrey.
Meu coração parou por um momento, me forçando a parar no meio do caminho para puxar ar para os pulmões que pareciam falhar. Pigarreei, balançando a cabeça e me trazendo novamente a realidade. Retomei a pose confiante, enquanto fazia o caminha até a sala de Godfrey. Parei em frente a porta, onde ele claramente não me via, ou simplesmente ignorava minha presença. Bati na mesma duas vezes, chamando sua atenção, onde logo o vejo dar um sorriso de canto que me tira o ar mais uma vez.
— Com licença, Sr. Godfrey? — Tomei a liberdade de abrir a porta eu mesma, colocando apenas uma parte do corpo para dentro da sala gélida.
— Posso ajudá-la? — O homem tombou a cabeça um pouco para o lado, como se estivesse curioso com minha presença ali.
— Ãhn, sim! Irina Williams, do New York Times. Tínhamos uma entrevista marcada para essa manhã. — Disse tentando manter o tom de voz estável. Roman parecia ter algum tipo de feitiço que me desestabilizava por completo.
— Ah, claro. — Roman levantou-se de sua cadeira, vindo em minha direção com ambas as mãos no bolso da calça social. Deus, ele era mais alto do que eu imaginava. — Seja bem-vinda, Srta. Williams. — O rapaz pegou uma de minhas mãos, depositando um beijo enquanto mantínhamos contato visual. — Pode entrar, fique à vontade. Ele me deu as costas, caminhando novamente para trás de sua mesa.
Merda, Godfrey.
— É um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Godfrey. — Disse, sentindo os pulmões falharem novamente. O segui devagar, sentando em frente a ele, colocando minha bolsa na outra cadeira livre ao meu lado. — Podemos começar a entrevista?
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