Lamb of God
6 Capítulo 6 - Destinos Cruzados
Peter sorriu em minha direção, logo levantando-se, para me acompanhar num tour pela cidade estranha de Hemlock Grove. Abriu a porta, abrindo caminho para que eu passasse. Antes de me retirar, olhei para Destiny com um sorriso gentil, como um agradecimento silencioso que ela entendera perfeitamente. Finalmente estávamos na calçada e era bom sentir o ar fresco do lado de fora. Suspirei fundo, fechando meus olhos por um momento, enquanto sentia o vento da manhã bater em meus cabelos. Aquela era uma sensação totalmente libertadora, depois de tudo o que havia passado em tão pouco tempo na cidade.
— Então... Está pronta para o seu tour particular? — Peter me perguntou com um sorriso animado nos lábios. Concordei com a cabeça, e começamos nossa caminhada até o centro da cidade, onde havia uma variedade de restaurantes, cafés, sorveterias e lojas, muitas delas até exotéricas.
— Sobre o que a Destiny disse... Acha que é possível sentir a energia das pessoas? — Olhei para ele, com olhos de uma criança curiosa, que queria colocar em prática seus planos mais loucos.
— Não sei... Mas falam que o mundo é feito de energias. Então... Não custa tentar. — Ele disse, me olhando de relance, com um meio sorriso nos lábios. — Vamos entrar numa loja e ver se você consegue sentir algo. Se concentre o máximo que puder.
Concordei com a cabeça, e logo entramos em uma loja de variedades e presentes. Fomos recepcionados por uma garota simpática, que nos pedia para ficarmos à vontade. Olhei para ela, concentrando todas as minhas forças em sentir sua energia, e o que veio a seguir foi uma melancolia que tomava conta de cada célula do meu corpo. Era como se por trás daquele sorriso simpático, havia algo obscuro. Engoli em seco, balançando a cabeça ao sentir uma rápida vertigem. Senti Peter segurar meus ombros, enquanto colocava uma de minhas mãos na testa.
— Ei, você 'tá bem? — Ele perguntou, me ajudando a voltar a não tropeçar em meus próprios pés.
— Sim... Só... Consegui sentir. Infelizmente era uma energia melancólica, algo pesado e sufocante. — Respondi, respirando fundo, tentando trazer o ar de volta para meus pulmões.
— É uma bênção e uma maldição, Nova York. Nem sempre as pessoas vão transmitir coisas boas. E você vai ter que aprender a lidar com isso. — Peter deu de ombros, logo me puxando para fora da loja.
Estar ao ar livre novamente era reconfortante. Eu podia sentir o vento fresco da manhã, e sentia minha respiração voltando ao normal gradativamente. Como as coisas foram de 0 à 100 tão rápido? O que aquela maldita cidade tinha que só me atraía problemas? Balancei a cabeça em negação, tentando espantar o pensamento repentino.
Continuamos andando, falando sobre absolutamente tudo, coisas normais, tentando nos desprender de todo o misticismo que nos rodeava, quando um grande carro de luxo começou a nos acompanhar em baixa velocidade. Vi Peter mudar a expressão rapidamente, bufando numa clara frustração. Eu ainda estava sem entender nada, até que o vidro abaixou-se e pude ver os olhos esverdeados de Roman Godfrey.
— Peter Rumancek. Sempre sendo tão gentil com as novatas. — Roman disse numa ironia evidente, torcendo os lábios em reprovação. — Você realmente não cansa de ser um merda, não é?
— Tem certeza que sou eu o merda? Já te avisaram que ser CEO de uma empresa não te dá passe livre pra comer qualquer garota que você encontra? — Peter franziu o cenho e cerrou os pulsos, como se tentasse ao máximo conter sua raiva.
— As contagens dizem o contrário, Rumancek. — Roman apoiava o queixo em uma das mãos, com aquele mesmo sorriso cínico que havia me dado no dia seguinte. — Como vai, Irina Williams, do New York Times? Achou algo mais interessante para sua matéria? — Ele me olhava em desafio. Como se quisesse ver até onde eu ia. Maldito Godfrey.
— Qualquer coisa parece mais interessante que um menininho rico brincando de empresário. — Franzi o cenho, levantando minha cabeça numa falsa confiança. Aquele rapaz tinha a capacidade de me desestabilizar por algum motivo.
— Sei... Andar com gente de sangue ruim? Super interessante! Consigo até ver as manchetes. — O loiro soltou um riso debochado, ainda olhando em minha direção. — Vocês formam um casal de fracassados perfeito. Parabéns, Peter. Conseguiu algo melhor do que essa vida de merda que você leva.
Vi Peter ficar calado, desviar o olhar, mas havia uma chama de fúria em seus olhos azuis. Suspirei, afastando Peter para o lado e indo em direção de Roman, apoiando-me na porta do carro.
— Você não tem que brincar de chefe? Não tem alguma vagabunda para azarar com esse seu dinheiro sujo? — Umedeci meu lábios, encarando-o nos olhos, quando senti uma energia furiosa emanar dele. Era como se tivesse até mesmo uma aura colorida, vermelha, em volta do jovem Godfrey. — Não sei de onde vem toda essa raivinha que você guarda, mas vá você e ela se foder. Me deixa em paz, e deixa ele em paz. Não queremos nada a ver com você ou ninguém da sua laia.
Me afastei do carro, colocando uma das mão nas costas de Peter, como se indicasse para irmos andando, enquanto ainda mantinha contato visual com Roman.
— Você vai se arrepender de andar com os Rumancek. Eles tiram tudo de você e desaparecem. É só um aviso de amigo. — Roman falava de seu carro, ainda parado. Virei-me para ele novamente, com meus olhos ardendo em fúria.
— Você não é meu amigo. E essa conversa já acabou.
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