Lalas Bizarre Adventure
2 Death Nut Melody Pt. 2
Notas iniciais
Um homem de aparência horripilante, coturnos e uma cicatriz enorme no olho esquerdo me aguardava na minha própria cama. Usava uma roupa verde escura com uma faixa roxa no braço e era muito musculoso. Na hora eu pensei “ vou virar purê de Laércio” e olhei pela janela na esperança de me jogar. Só quando eu estava muito perto que me lembrei de que tinha medo de pular de janelas. Ó vida cruel.
O meu visitante indesejado me encara com olhos frios como o aço e parecia capaz de me radiografar, se quisesse. Após muitas tentativas de homicídio mentais e mais uma boa doze de encaradas o General, como decidi chamá-lo, falou.
- Você é bobo ou algo do tipo?
Aquilo me pegou de surpresa. Um General, vindo do nada, com mais músculos e cicatrizes do que eu havia aprendido a contar durante a quinta série, a qual refiz três vezes por motivos maiores, me chamando de bobo? Inaceitável.
- O que você, digo, o que o senhor faz aqui? Quem é Vossa Majestade, ou seja lá como chamam caras músculos de cicatrizes com fardas por ai?
O General me estudou dos pés a cabeça com um olhar de desaprovação. Sei que não sou o mais atlético ou o mais bonitos dos garotos da minha idade, mas isso já é sacanagem. O cara me aparece na minha cama e ainda quer que eu corresponda às expectativas dele? Ridículo.
Um silêncio mortal tomou conta do ambiente e até mesmo o vento se aquietou. As árvores pararam de tocar sua sinfonia de folhas e galhos e pareceu prestar atenção no General. Depois que o frio e a escuridão tomaram conta do quarto ele se levantou. Era alto. Mais alto do que qualquer outra pessoa que eu já vira e olha que meu primo Fernando é bem grande e igualmente feio, mas isso não vem ao caso.
Ele andou de um lado para o outro como se tentasse descobrir porque um adolescente magricela de 18 anos, com sérios problemas mentais, fazia na sua presença. Olhou-me e voltou a andar. Novamente me olhou e voltou a andar. Finalmente parou, eu já estava ficando zonzo, e falou.
- É você mesmo? Não é possível que eu tenha vindo de tão longe por sua causa. Que tipo de poder você teria para ser capaz de me invocar? Isso não é possível.
Atônito, olhei bem para a cara daquele General safado que insistia em me zoar. Com toda a coragem que pude reunir eu fiz algo que deixaria muitos assustados, mas mesmo assim eu fiz.
- MÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
Tentei levantar , mas minhas pernas estavam pesadas como chumbo e, mesmo que não estivessem , a mão do General se “apoiou” em meu ombro com a delicadeza de um cavalo sentando em um ovo de codorna. Aquilo devia pesar mais de setenta quilos, pois nem respirar eu conseguia direito.
- Não adianta gritar, menino. Eu isolei toda a área, ninguém poderá ouvi-lo em um raio de 1 quilometro.
E foi assim que eu recebi a noticia de que eu estava sozinho em meu quarto com um general de 2 metros e meio de altura que pesava mais de 160 quilos e de onde ninguém poderia me ouvir. Pelo visto sutileza não era o forte do General.
A rocha fardada sentou-se novamente em minha cama, cruzou os braços e me fitou com tamanha intensidade que tombei de costas. Tão repentinamente ele sentara, começou a falar.
- Eu esperava alguém mais digno, realmente. Mas se é esse o caso, acho que está na hora de te explicar tudo.
Você deve imaginar o que eu pensei quando ouvi isso. Já era esse cara é meu pai. Ele vai me contar que conheceu minha mãe na faculdade, que ela era linda e que se apaixonou. Saíram juntos e ela acabou engravidando. Devido ao trabalho no Exército ele teve que partir e agora que eu havia completado 18 anos resolveu aparecer e me contar tudo. Mas não era isso.
- Você me invocou através daquele objeto ali – e apontou para a noz – e eu estou aqui, contra a minha vontade, quero deixar bem claro, para fazer de você um líder, alguém que é respeitado e impõe medo. Eu sou o General Schwartz e derrotei os Sentoryus em 2043, mas você pode me chamar de General Schwartz. Agora se levante, temos muito trabalho a fazer.
Okay. Um General lendário aparece em meu quarto. Checado. Ele veio de uma noz. Checado. Ele quer fazer de mim um líder bombado que bota medo em todo mundo. Opa, isso não vai dar certo.
Ele começou a andar em direção à porta, certo de que o assunto estava encerrado. Levantei, o que me pareceu incrivelmente fácil agora, e corri atrás dele gritando que só poderia ser um mal entendido e que eu jamais havia querido arremessar aquela noz na velhinha, mas ele não me deu ouvidos. Cheguei à cozinha e o encontrei bebendo um grande copo de Refrigerante de Acerola, vulgo Cero Cola. Parecia-me que ele não tinha problemas com as tecnologias atuais, o qeu me impressionou, afinal não é todo dia que você vê um homem de 400 anos usando uma geladeira.
- Hã, me desculpe, mas o que, na verdade, você quis dizer com “ temos muito o que fazer” ? – Perguntei crente de que ele me chamaria para jogar uma partida de vídeo game e não me fazer levantar jipes.
- Treinar, ora. O que mais poderíamos fazer? Agora mexa esse seu traseiro magro para fora da cozinha e vamos correr.
Então ele me empurrou para fora da minha zona de segurança e agora eu já estava novamente na rua. E assim começa o meu treinamento com o General Schwartz, ou como prefiro chamá-lo quando não está por perto, o que é muito raro, o “Saco de Músculos”.
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