Notas iniciais
Primeira Fic a ser publicada. Participou de concursos, sites variados e continua firme e forte. Gosto tanto desses personagens que não consigo me ver sem eles ^^

Tokio — Japão 23:00

Três adolescentes voltavam de uma festa, conversavam alegremente, um rapaz e duas garotas. O Rapaz andava abraçado a sua namorada sorria bobo e ria de tudo que ela falava.

Cruzaram uma rua escura e silenciosa, estavam com medo, havia um ar sinistro no ar. Os três foram surpreendidos por duas figuras que apareceram do nada a sua frente. Investiram contra os jovens, presas a mostra, fome insaciável. Só um deles escapou.

New Jersey — E.U.A. 02:00 (seis anos depois)

Um poste de luz, o único aceso da rua, piscava. Entre dois prédios um homem tinha uma mulher nos braços, ela já estava morta, mas ainda tinha sangue, ele sugava por seu pescoço cada gota desse sangue.

- Largue a moça! — ecoou uma voz pela rua.

- Quem está aí? — assustou-se o vampiro.

- O seu pior pesadelo!

O vampiro se virou, essa foi sua ultima visão, um homem ruivo vestido de azul apontava-lhe uma arma. Essa arma disparou e perfurou certeiramente seu único ponto frágil, seu coração, ele pendeu inerte seu sangue escorreu pela rua se juntando ao de sua vitima. A noite era longa e esse não foi o primeiro nem o ultimo dos vampiros que foram mortos nesta noite.

- Menos um. — disse o homem de azul virando-se e desaparecendo na escuridão.

Indo atrás de outros vampiros o homem de azul acaba em um deposito de lixo. Descobriu que lá era um dos muitos ninhos de vampiros. Havia muitos deles, dezenas, talvez centenas, mas ele estava preparado. Uma pequena granada em sua mão resolveria maior parte desse problema. Jogou-a bem no meio do lugar, uma luz incrivelmente forte queima a maior parte dos vampiros, os mais espertos que se esconderam procuravam freneticamente o atacante, o encontraram, tiveram seus corações perfurados. Um movimento por traz chamou a atenção do homem vestido de azul.

- Ouvi boatos sobre um novo caçador de vampiros. Você seria Blue Nightmare? — perguntou uma voz rouca.

- Talvez. Você era o líder desse grupo de sanguessugas?

- Não, ele já não existe. Se foi como os outros. O seu brinquedinho é uma granada de ultravioleta?

- Perfeitamente. Não vai aparecer? Tem medo de me enfrentar?

O vampiro que apareceu logo em seguida não tinha aparência assustadora, era até belo, um rapaz de feições delicadas vestido de vermelho, com cabelos curtos bem penteados, uma agressão aos cabelos artisticamente bagunçados e emaranhados de Blue Nightmare.

- Satisfeito. Aqui estou eu Blue. Alguém que irá lhe destruir, seus dias de extermínio de vampiros chegaram ao fim.

- Há, Acha mesmo que pode comigo, sanguessuga?

Blue apontou sua arma para o vampiro a sua frente a atirou, ele desviou sem nenhuma dificuldade, com uma velocidade inexplicável ele investiu contra o caçador de vampiros que foi lançado para longe caindo em uma pilha enorme de lixo. O vampiro dava risada.

- Blue você é patético! Minha rainha se preocupou a toa com você. Não vale nada.

Da pilha de lixo Blue atira, esse pegou de raspão. O vampiro mais uma vez partiu para cima de Blue, mas esse o golpeia. Começa uma luta entre os dois, Blue mantêm a luta equilibrada, socos, golpes, chutes são travados, mas logo o caçador de vampiros sucumbe a força descomunal do vampiro, cansado e bastante machucado ele não agüenta mais.

- Eu sabia que um mero humano não seria páreo para mim. Sabe quem eu sou? Sou um dos melhores vampiros que existem sou Cody Takafumi, discípulo numero um de minha senhora Shikaro.

- A vampira velha precisa escolher melhor seus lacaios, você é um dos melhores? Nem quero ver o pior.

- Não admito que insulte minha rainha, seu humano estúpido!

Cody socou o estômago de Blue fazendo-o cuspir muito sangue.

- É isso que eu quero, seu sangue! Que gosto será que tem?

Cody o prensou contra a parede, forçou seu pescoço para o lado. Blue nada podia fazer, estava fraco, esperava a mordida. Apenas uma coisa lhe passou pela cabeça, suas ultimas forças lhe proporcionaram formular uma única frase:

- Perdão, Yuki.

Blue acordou assustado, estava morto? Não, estava em um local imundo deitado em uma cama improvisada, tinha curativos por todo corpo, estava tonto, machucado, cansado, mas estava vivo.

- Onde eu estou? — perguntou em voz alta.

- Em baixo da avenida principal. Praticamente no esgoto da cidade, — respondeu alguém que estava praticamente ao seu lado.

-Cody!

Afastou-se subitamente, achou que era Cody, pelo menos a voz era a mesma, mas a pessoa que estava a seu lado não era Cody. Seria se não estivesse com uma aparência fraca, tinha olheiras enormes, suas roupas estavam extremamente sujas, e seus cabelos compridos estavam muito sujos e despenteados, não viam um shampoo e uma tesoura há muito tempo.

- Não. — disse o rapaz tentando faze-lo voltar pra cama — Não se mecha, está muito machucado.

- Quem é você? — perguntou se afastando mais ainda, sentindo uma dor agonizante nas costas.

- Me chamo Coity, Coity Takafumi. Sou o irmão gêmeo de Cody. Por favor, volte pra cama, vai acabar piorando.

Blue já estava a um passo de pegar suas armas, que estavam junto de seu casaco azul pendurados na parede, e caiu estatelado no chão. Coity foi até ele e o levantou do chão. O caçador de vampiros tentava ao máximo se desvencilhar do rapaz que o segurava.

- Não toque em mim sanguessuga!

Desviou dos braços do vampiro e pegou uma de suas armas, apontava para seu coração.

- Se quer tanto me matar, mate, mas prometa que depois vai ficar deitado até melhorar.

- O que está planejando? O que seu irmão e a sanguessuga mor mandaram você fazer comigo?

- Não estou planejando nada, ninguém me mandou fazer nada. Só quero que se deite e fique quieto. Se quer me matar faça isso logo.

- Por que pede para ser morto?

O matador de sanguessugas afrouxou um pouco o braço que apontava para o vampiro, mas permaneceu em alerta.

- Se é o único modo de você ficar quieto, e além do mais, eu já morri há muito tempo.

Viu nos olhos do vampiro uma lágrima, Coity tinha a cabeça baixa, Blue achou isso estranho, não sabia que vampiros choravam, que eles sentiam. Abaixou sua arma e sorriu para o vampiro.

- Volto pra cama se você me prometer contar sua historia.

- Me diga primeiro seu nome, sei muito bem que não é Blue Nightmare.

- Laijin, Laijin-Maru Hana.

Laijin se deitou e escutou com atenção o que Coity lhe contava.

-Já faz trinta e seis anos, minha família foi morta por vampiros. Eles deixaram meu irmão e eu vivos, mas nos transformaram em vampiros. Teríamos de obedecer a rainha deles, Shikaro, a mãe de todos os vampiros. Cody tinha medo dela, muito medo, ele a obedece como um cão obedece ao seu dono. Eu não queria obedecê-la, não queria me alimentar dos humanos, como diziam que eu deveria fazer. Eu fugi, me escondi, nos esgotos eu não incomodaria ninguém. Para saciar minha sede eu me alimentava com o sangue de ratos que passam por aqui, acabei me tornando o que vê agora. Eu daria tudo pra voltar a ser humano, a andar na luz do dia, me livrar dessa sede de sangue que eu tenho. Pode ser que não acredite em mim, tem todo o direito, mas tudo que disse é pura verdade.

Laijin sorriu para Coity, sabia o que ele sentia, mesmo sofrera algo parecido, sabia a dor de perder entes queridos.

- Acredito em você Coity, vejo em seus olhos que me diz a verdade.

Laijin levantou-se mais uma vez, puxou a arma de seu casaco e atirou. Coity fechou os olhos assustado e ouviu um grito vindo de suas costas. Um vampiro! Não era só um, eram vários entrando pelo bueiro.

- Eles te seguiram até aqui. Coity venha pra cá. — gritou Laijin apontando sua arma para o bueiro, já matara todos os que tinham entrado e esperava os que vinham. Já tinha posto o casaco, teria lançado uma granada de raios ultravioleta mas isso mataria Coity também. — Existe outra saída? — perguntou a Coity que estava atrás dele morrendo de medo.

- Tem uma pelos encanamentos principais.

Laijin olhou para o relógio, não faltava muito para o sol nascer, mas teriam de correr para encontrar um abrigo e rápido.

- Tire-nos daqui, lá em cima eu penso no que fazer.

- Me siga!

Laijin seguiu Coity pelos encanamentos atirava habilmente para trás para afastar os vampiros que o perseguiam, chegaram no fim da avenida principal em poucos minutos, já não haviam vampiros atrás deles.

- Vamos! — advertiu Laijin — Logo o sol vai nascer.

- Certo! — disse Coity arfante.

- Mas que coisa linda! O humano patético e o vampiro traidor juntos. Não é bonitinho meu amor.

Era Cody, estava junto de uma mulher muito bonita de longos cabelos negros e olhos acinzentados.

- Yuki! — exclamou Laijin.

- Conhece minha mulher Blue? Que mundo pequeno.

A vampira ao lado de Cody ria maleficamente e sem ao menos tirar os olhos de Laijin beijou o marido.

- O que fez com ela seu idiota? Yuki o que está fazendo?

- Yuki agora é minha, ela é minha mulher. Deixou de ser humana, agora é uma vampira.

- Maldito! Vai me pagar caro por isso. Morra!

Atirou várias vezes em Cody, mas este desviou de todos os tiros facilmente. Laijin estava fora de si, com muita raiva. Cody tentou golpeá-lo, mas Coity se colocou entre os dois, e levou o soco.

- Coity! — gritou Laijin.

Coity não se mexia, a raiva de Laijin só aumentava, este dessa vez pegou duas armas, uma em cada mão, atirou em Cody, este desviou dos primeiros, mas os que vieram a seguir o atingiram perto do peito, seu coração vulnerável estava em perigo. Pulou para cima de um prédio, seguido de Yuki.

- Por hoje chega, não é. Logo o sol nascerá, eu tenho de ir pra cama. Nos vemos em breve, Humilhação Azul.

Laijin foi até onde estava Coity, tinha levado uma pancada e tanto, estava desacordado. Normalmente teria ido atrás de Cody, mas Coity precisava de ajuda e no estado em que estava acabaria morto.

Chegou em casa esgotado, tinha o vampiro nos braços, e cada parte de seu corpo doía. Colocou Coity em sua cama e deitou-se no sofá. Acordou meio dia completamente faminto, foi até a geladeira e começou a fazer seu almoço. Mas uma dúvida lhe ocorreu, o que ia fazer com Coity? Não tinha como arranjar sangue para ele, a menos que...

Coity acordou algumas horas depois, se perguntando as horas, será que já podia sair do quarto? Olhava para os lados, a escuridão era total.

- Bom dia! — disse Laijin entrando no quarto e ascendendo a luz.

- Que horas são? — disse bocejando.

- Três e meia. Ainda está claro lá fora.

- Ah, tá.

- Toma. — disse Laijin jogando pra Coity algumas roupas limpas.

- Pra que isso? — perguntou Coity confuso.

- Pra você vestir depois de tomar banho.

- Como?

- Não lembra mais dessa frase? Tomar banho é quando você...

- Eu sei o que isso significa.

- Mesmo? Então sabe como entrar no banheiro. — apontou a porta do banheiro — E que lá dentro tem um chuveiro, e desse chuveiro sai água...

- Chega dessa idiotice, está começando a me irritar.

- Então por que faz perguntas idiotas?

Laijin começou a empurrar Coity para o banheiro, este simplesmente se deixou levar, não ia adiantar de nada argumentar. O banheiro estava sombrio, a janela estava coberta com um pano preto a única luz no teto não era muito forte, se alguém desprevenido entrasse lá pensaria que Laijin estaria fazendo algum ritual satânico.

- Sabe tirar a roupa e tomar banho sozinho ou vou ter de fazer isso pra você também?

Laijin dava risada, Coity não agüentava mais essa brincadeira boba, o expulsou do banheiro e bateu a porta com força.

- Pra ligar o chuveiro é só girar o negocinho na parede para a direita! — gritou pra porta.

- Cala a boca! — gritou Coity, impaciente, do banheiro.

Coity despiu-se e se enfiou debaixo do chuveiro. Fazia tempo que não tomava banho, estava mesmo precisando. Demorou, mas finalmente terminou, já tinha colocado as calças quando ouviu uma batida na porta.

- Acho que posso me trocar sozinho. — disse abrindo a porta.

Laijin sorriu sem jeito, este sorriso que ele fazia estava começando a incomodar Coity, ele não sabia porque. Laijin não disse nada apenas entregou um frasco a Coity.

- O que é isso? — perguntou confuso.

- Creme pra pentear. — respondeu — É só uma ajudinha.

- Obrigado.

Finalmente Coity saiu do banheiro, limpo, bem vestido, decente. Saiu do quarto, incrivelmente arrumado, foi até a sala. Laijin teve um trabalhão, até as fendas das paredes estavam forradas com tecido escuro, não havia como a luz do sol entrar naquela casa.

- Até que enfim. — disse Laijin encostado na porta que separava a sala da cozinha — Achei que tinha morrido lá no banheiro.

- Desembaraçar esse cabelo não foi uma tarefa fácil.

- Imagino. Vem almoçar?

- Almoçar? — perguntou surpreso. Laijin sabia que ele era um vampiro e que se alimentava de sangue, o que tinha em mente?

- É, sei que isso não vai te saciar em nada, mas pelo menos tenta, se não gostar não precisa comer. Experimenta só um pouquinho vai, fiz com tanto carinho.

Laijin usava um tom irônico ao falar, Coity não estava gostando disso, mas não tinha escolha, acompanhou-o até a cozinha. Não ia comer muito, só queria que Laijin parasse de fazer este tipo de brincadeiras, mas acabou comendo mais do que devia Laijin era um ótimo cozinheiro, tinha feito um prato oriental que Coity conhecia muito bem e adorava. Mas nada o havia saciado, não que ele esperasse o contrário.

- E aí. Gostou? — perguntou Laijin.

- Muito.- respondeu. — -Você é um ótimo cozinheiro. Mas...

- Isso não adiantou de nada não é. — concluiu.

- É — murmurou Coity tristonho.

- Espera só um pouco que tem sobremesa.

- Tem sobremesa?

- Se eu disse que tem é porque deve ter não é mesmo?

- Tá certo, fui infeliz no comentário.

- Fecha os olhos.

- Isso é necessário? — perguntou constrangido.

- Sim. — disse fechando os olhos de Coity. — Não abre.

Laijin se dirigiu a geladeira e tirou algo de lá de dentro, fazia tempo que não se divertia assim, estava adorando brincar com Coity, ele ficava tão bonitinho constrangido.

- Posso abrir?

- Ainda não

Laijin puxou uma cadeira e sentou-se em frente a Coity, sorriu rindo de si mesmo, do que estava prestes a fazer. Tirou do bolso uma agulha e espetou o dedo, cerziu o dedo para que sangrasse ainda mais e o levou vagarosamente a boca de Coity passando levemente pelos lábios do rapaz. Inconscientemente Coity segurou a mão de Laijin e sugou seu indicador suavemente, aproveitando cada gota de sangue que saia. Quando se deu conta do que estava fazendo, Coity largou a mão de Laijin e o olhou surpreso, como queria não ter feito isso, como queria que Laijin parasse de sorrir.

- O que estou fazendo?

- Perdão, eu não resisti.Não devia ter feito isso. Pegue. — disse jogando algo para Coity.

- O que é isso? Mas isso é... Não pode ser!

- Mas é. E te garanto que é de primeira.

- Onde conseguiu isso? — Coity tinha em mãos um saquinho de coleta de sangue, e com muito sangue.

Laijin sorriu mais uma vez e levantou a manga da blusa mostrando um pequeno furo na veia do braço.

- Eu não posso aceitar. Você não devia ter feito isso.

- Essa frase este sendo dita muitas vezes hoje, devo estar fazendo muitas besteiras. Se você não aceitar vou ter me furado a toa. Sabe o medo que eu tenho de agulhas?! Se não beber isso, vou ficar muito chateado com você.

- Mas eu fico sem jeito.

- Não seja por isso. Vou tomar com você.

- O que?

Laijin foi até a geladeira e pegou outro saquinho, logo depois foi ao armário e pegou dois canudinhos.

- Não se importa se eu trocar o sangue por \"Mupy de Morango\" não é?

- Ah Laijin! Que susto você me deu.

- Só estava brincando com você. Anda, me dá o saquinho que eu furo pra você. — disse estendendo a mão.

- Você é doido! — suspirou entregando seu \"Mupy de Sangue\" para Laijin.

- Só um pouquinho.

Coity sorriu e sugou feliz o sangue que lhe foi dado, Laijin não conseguia parar de olhá-lo, ele era tão bonitinho. Ficou admirando o vampiro por um bom tempo, até que sentiu uma vertigem enorme e desmaiou sendo amparado por Coity.

Acordou um bom tempo depois e estava em sua cama, olhou para o lado e lá estava Coity.

- Até que enfim. — exclamou o vampiro — Achei que não acordaria.

- O que aconteceu? — Laijin levou uma das mão a testa, sua cabeça doía muito.

- Não sei, você simplesmente apagou.

- Que horas são?

- Tarde. Não tenho relógio, mas já anoiteceu.

- Estou atrasado.

Laijin fez menção de levantar-se mas Coity o impediu.

- Você não vai sair dessa cama. Ficou louco! Não vou deixar você sair no estado em que se encontra.

- Você vai ficar cuidando de mim?

Mais uma vez Laijin lançou a Coity aquele sorriso, o vampiro corou levemente. Virou o rosto com força para o lado.

- Que pergunta idiota. É claro que eu vou.

Laijin sorriu ainda mais, dessa vez era um sorriso maroto e infantil.

- Conta um estolinha pla eu mimi Tio Coity?

Coity atirou uma almofada em Laijin que ria sem parar. Como Laijin conseguia ser chato. Mas... Não deixava de ser um rapaz bonito. Rapaz bonito? Aonde estava com a cabeça em pensar em Laijin dessa maneira? Laijin adormeceu, Coity ficou velando seu sono até que ouviu um barulho vindo da sala, foi averiguar.

- Maninho!!!!! — respondeu o intruso que estava sentado no sofá.

Coity olhou para seu irmão, e lhe lançou um sorriso forçado.

- A que lhe devo essa visita Cody?

- Querer ver meu irmão querido não é razão suficiente? — perguntou lançando o mesmo sorriso.

- Não. — respondeu secamente.

- Vou direto ao ponto. Nossa rainha não agüenta mais esperar. Acha que você está demorando muito.

- Mas cheguei ontem. E preciso de tempo.

- Tempo pra que? Tenho certeza que o Azulão já está encantado com o jeitinho tímido e idiota que o vampirinho camarada tem.

- Vá embora e me deixe trabalhar em paz. — gritou impacientemente.

- Certo, estou indo. Mas apresse-se , nossa rainha não costuma dar terceiras chances.

Coity voltou para o quarto, Laijin ainda dormia profundamente. Coity ficou um bom tempo observando Laijin adormecido, mas logo foi vencido pelo sono e adormeceu ajoelhado no chão encostado na cama.

Laijin acordou e viu o vampiro adormecido ao seu lado, colocou o vampiro na cama e se dirigiu a cozinha. Começou a preparar seu café da manhã. Coity acordou logo depois, estava morto de fome. Ao perceber que o vampiro se aproximava da cozinha Laijin foi até o congelador e tirou de lá o café da manhã de Coity. O vampiro que, não se agüentava de fome, nem fez questão de canudinho fincou os dentes no saquinho e sugou o sangue vorazmente, lambuzando-se todo.

- Importasse? — disse Laijin — Ainda estou comendo.

Coity parou e olhou pra Laijin, cuja face estampava uma expressão de puro nojo. Coity apressou-se logo em limpar o rosto e se desculpar pela atitude repulsiva.

- Deixa quieto. Agora já foi, não é mesmo? — disse um sorridente Laijin.

Coity corou mais uma vez. Os sorrisos de Laijin constrangiam Coity de uma maneira que ele não conseguia explicar. Gostava desse sorriso, e muito. Mas algo nele o incomodava.

O dia foi passando, Coity ficou sentado no sofá assistindo tv, Laijin andava de um lado para o outro, ora para arrumar alguma coisa, ora parra varrer, ora para passar pano. Um tempo depois Coity desligou a tv e começou assistir Laijin limpando a casa.

- Você não pára nunca? — disse finalmente.

- Não até estar tudo limpo, estaria limpando as janelas se não estivessem cobertas.

- Estou preso em uma casa com um maníaco por limpeza. Que pesadelo! Não fica cansado não?

- Eu estou cansado! Mas não consigo ver minha casa suja.

- Pararia para me responder uma pergunta?

- Depende, o que quer perguntar?

- Por que você decidiu se tornar um caçador de vampiros?

Laijin não esperava uma pergunta dessas, vislumbres de seu passado vieram a sua mente, o dia em que tudo acontecera, o por que de odiar os vampiros. Coity percebeu que não devia ter lhe perguntado isso.

- Desculpe. — se apressou a dizer — não precisa responder se não quiser.

- Não precisa se desculpar, você tem o direito de perguntar, e eu o dever de lhe responder. Além do mais, eu precisava mesmo desabafar isso com alguém. — deitou-se no sofá e apoiou a cabeça no colo de Coity, que corou violentamente. — E eu também estou muito cansado.

-Não é pra menos. — disse tentando ao máximo não olhar para Laijin. — Ficou limpando a casa feito louco o dia todo.

- Esse é um modo meu de relaxar.

- Relaxar? Não vejo como andar de cá pra lá limpando tudo seja relaxante, fiquei cansado só de olhar.

- Você tem seu jeito de relaxar e eu tenho o meu. Eu preciso relaxar, mas não consigo ficar parado durante muito tempo.

- Deve precisar mesmo. Ser o inimigo número um dos vampiros não deve ser nada fácil. — Coity relaxou a cabeça no sofá um pouco.

- Coity, você é descendente de japonês ou é japonês?

- Eu morava no Japão, eu nasci em Okinawa. Mas depois de tudo que aconteceu, eles me arrastaram pra cá.

- Entendo. Eu morava em Tokio, com meus pais e minha irmã mais nova. Um dia voltávamos de uma festa eu, minha irmã e minha namorada quando dois vampiros nos atacaram. Mataram Samy e levaram Yuki embora. Eu disse a mim mesmo que mataria todos os vampiros que passassem na minha frente.

- Yuki é a garota que estava com meu irmão não é?

- É, não acredito que ela tenha se tornado um deles. Por que? Ela não gosta mais de mim?

Laijin chorava, doía em Coity vê-lo assim, as lágrimas de Laijin escorriam por seu rosto e molhavam o colo de Coity. Vagarosamente o vampiro enxugou as lágrimas do rapaz deitado em seu colo. Acariciando seus cabelos tentava acalmá-lo.

- Não é culpa de Yuki. Ela não agüentou a sede, ninguém agüenta. Atacar humanos e lhes sugar o sangue torna os vampiros cruéis.

- Mas você agüentou não foi? Rebelou-se contra Shikaro.

- Você viu o estado em que eu estava! Estava morrendo, decaindo aos poucos. Ninguém em seu juízo perfeito escolheria uma vida como a que eu tinha, teria se matado, mas eu tenho medo de morrer.

- Então beber sangue humano deixa os vampiros cruéis?

- Não exatamente, atacar humanos e beber friamente seu sangue torna.

- Vampiros tem sangue não tem? — Laijin puxou a mão de Coity e via em seu pulso suas veias.

- Tem, mas não sacia a sede beber o próprio sangue. Os de outros vampiros sim, se um vampiro suga o sangue de outro se torna mais forte. Somos a raça mais repulsiva que existe, se eu pudesse voltar no tempo.

- Mas existe um jeito de você voltar a ser humano.

- Não tem como matar Shikaro, ela é invencível.

- Não. Ninguém é invencível, posso matá-la, se não vou morrer tentando. Por isso vim a New Jersey, vim procurar aquela maldita. Tenho motivos e armas contra ela.

- Que tipo de armas? Prata, água benta, alho?

- Alguém anda vendo filmes americanos demais. Isso tudo é pura superstição, a única coisa vulnerável em um vampiro é seu coração, basta destruí-lo.

- Falando assim parece fácil.

- Teoricamente é fácil, o problema é a força descomunal que vocês tem. Já apanhei bastante.

- Eu sempre achei que os caça vampiros fossem frios, sem emoção, mas você é brincalhão até demais.

- De novo, você anda vendo muitos filmes. O que tem de mal nisso?

- Nada. Só mais uma pergunta. Por que Blue Nightmare?

- Pegou, uma vez me chamaram assim, eu gostei e ficou. Deve ter sido por causa daquela minha frase clichê.

- \"Sou seu pior pesadelo\" ?

- Essa mesmo. Isso eu tirei dos filmes. Que horas são?

- Cinco e meia.

- Menos de uma hora pra começar o trabalho. Queria que a noite não chegasse nunca.

- Bom, uma hora ela tem que chegar.

Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo. Laijin não tirava os olhos de Coity, o que estava deixando o vampiro bastante contrangido.

- O que foi? — perguntou.

- O que foi o quê?

- Por que está me encarando?

- Só estou te admirando, por acaso não posso?

- Me admirando! — Coity estava agora mais corado do que nunca.

- É, vejo que está bem melhor. Não parece mais um zumbi.

- Eu parecia um zumbi?

- Bom, um pouco. Estava branco pálido, magro. Mas agora posso até dizer que engordou um pouquinho.

- Isso foi graças a você. Eu... Muito obrigado. Laijin, você salvou minha vida.

O caçador de vampiros sorriu, e enxugou uma lágrima solitária que escorria do rosto do vampiro e timidamente lhe puxou uma mecha dos castanhos e compridos cabelos, brincando com ela entre os dedos. Enquanto que Coity lhe acariciava os ruivos cabelos.

Laijin adormeceu no colo de Coity enquanto esse lhe afagava os cabelos. Yuki costumava fazer isso e ele sempre odiou, mas, não sabia o por que, quando Coity fazia o deixava relaxado.

Quando acordou viu Coity dormindo, eram sete horas deitou Coity devagar no sofá e foi se trocar. A calça azul marinho, a camisa preta, o colete azul com as armas presas nele e o casaco azul escuro por cima, estava pronto. Era hora de Blue Nightmare entrar em ação.

Coity acordou as oito em ponto, estava deitado no sofá, a casa estava vazia Laijin tinha saído. Será que voltaria vivo? Se encontrasse Cody de novo com certeza morreria. Coity abriu a janela, olhava a noite, as estrelas, os prédios. Estava decidido. Saiu pulando a janela.

Estava agora na frente de uma grande mansão, era tudo ou nada, tocou a campainha. Mas ninguém respondeu, a porta abriu sozinha. Coity entrou e já sabia aonde ir. A sala de estar, onde estavam seu irmão, Yuki e Shikaro a mãe de todos os vampiros, a mais velha de sua raça, uma mulher bonita de olhos azuis e cabelos dourados.

- Demorou para vir Coity, estava ocupado?

- Ele demorou pra sair de casa minha rainha.

- Até que para um traidor do próprio sangue você anda fazendo tudo direitinho. — disse Cody.

- Quando foi que eu mostrei ser um traidor?

Coity estava anormalmente calmo, falava com o irmão com uma frieza, tratava sua rainha com total polidez e nem ligava para a garota agarrada ao seu irmão. Conversaram por um bom tempo e Coity seguia a discussão com um sorriso no rosto, um sorriso de satisfação.

- Amanhã a noite agiremos. — concluiu Cody.

- Por que esperar? Por mim que façamos isso hoje- interviu Coity.

- Pode ser um erro fazermos isso hoje irmão, Blue pode suspeitar.

- Ele não vai suspeitar de nada, tem total confiança em mim. Mas é claro que a decisão é sua minha rainha.

-Concordo com Coity. -Shikaro sorria assustadoramente- Quanto antes eu tiver aquele rapaz pra mim melhor. Vá na frente Coity, sabe o que fazer, siga o plano a risca.

Coity ia saindo da sala, curvou-se para sua rainha e despediu-se de seu irmão. Olhou a garota com seu irmão por alguns segundos porem não disse nada.

- Se você soubesse o que eu tenho em mente. — pensou — Talvez eu saia um pouco de seu plano minha rainha.

Coity encontrou Laijin perto do shopping, tinha matado muitos vampiros, pela luz que vira a pouco constatou que tinha usado uma de suas granadas.

- Laijin. — gritou correndo ao seu encontro.

- O que faz aqui Coity?

- Estava te procurando... Não queria ficar sozinho e pensei em te ajudar.

- Então está certo, vou ao metrô, não sei por que, mas vampiros gostam de metrôs.

Foram juntos até o metrô, Coity acompanhava Laijin tenso, tinha medo de estar com ele, e medo de que tudo desse errado. Não só morreria como colocaria seu plano abaixo.

- Está com medo? -perguntou Laijin a Coity.

- Um pouco.

- Não precisa se preocupar, eu estou aqui.

Esperaram quase meia hora e nada, Laijin tinha plena certeza de que encontraria vampiros aqui hoje, já Coity estava achando tudo uma bela perda de tempo. Como era bem experiente Laijin estava certo, tinha vampiros no metrô, daqueles bem fraquinhos, mas tinha. A maioria cercou os dois e falavam todos juntos, não dava pra entender o que diziam. Uns três avançaram, Coity se encolheu por trás de Laijin, este atirou acertando o alvo com precisão. Os outros avançaram todos juntos. Habilidoso com as artes marciais, Laijin derrubou a maioria, atirando logo em seguida. Facilmente derrotou todos os vampiros que havia lá.

- Viu só Coity, fácil como varrer a sala.

- Comparações idiotas a parte, não sei se acabou ainda, estou com um mau pressentimento.

- Não se preocupe, posso derrotar qualquer um.

- Tem certeza? — disse uma voz familiar a suas costas.

- Olhe só se não é o gêmeo do mal! — respondeu Laijin irônico.

- Correção. O gêmeo do mal e sua mulher. — disse Cody abraçando Yuki- E o que temos aqui? Um caçador de vampiros maníaco por azul e um vampiro que tem medo da própria sombra!

- Meça suas palavras antes de falar de Coity, ele é mais corajoso que vocês dois juntos. — Laijin e Cody travavam uma batalha verbal, apelidos, insultos, insinuações.

A batalha logo se tornaria mais intensa, Cody queria acabar com Laijin, sabia que para isso teria de começar pelo ponto fraco dele. Cody começou partindo para cima de Laijin a luta corpo a corpo começara. Por mais que Cody fosse rápido e forte Laijin sabia lidar com adversários assim, a luta entre os dois era de igual para igual. Mas Cody tinha seu plano, Yuki pegou Coity por trás e o mordeu, fazendo-o gritar muito.

- Coity!!!- exclamou Laijin tentando se desviar de Cody que o prensou contra parede.

- Para que a preocupação? Ele é só um vampiro. — disse Cody rindo.

Yuki sugava o sangue de Coity que nada podia fazer, foi sentindo cada gota de seu sangue deixando seu corpo, estava ficando fraco. Tomado pela raiva, Laijin se desvencilhou de Cody e avançou em Yuki, socando-a, jogou-a longe. Cody não pode acreditar, sabia que Laijin protegeria Coity, mas não achou que iria machucar Yuki, afinal ele a amava. Ou será que não? Coity caiu no chão ainda estava consciente, mas estava muito fraco.

- Coity. — Laijin disse o elevando do chão e aninhando-o em seus braços. — Você está bem?

- Não se preocupe comigo, fuja. Eles vão te matar.

- Eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Não deixarei aquele que amo nas garras desses seres nojentos.

Coity arregalou os olhos, tinha mesmo ouvido o que Laijin tinha dito. Ele o amava? Mas eram homens. Laijin não devia estar se importando com o que todos estavam pensando, levantou-se com Coity nos braços.

- Você me paga Cody. Vai me pagar por colocar Coity em perigo, e vai me pagar por tudo que fez de mal até agora!

Cody via a raiva, pura fúria nos olhos de Laijin, teve medo sabia que Laijin quando estava com raiva era capaz de qualquer coisa, iria embora, sua parte no plano já estava feita.

- Vou pagar? É bom você cobrar depois, pois no momento tenho de ir embora, quanto ao meu querido irmão, não tem muito tempo perdeu muito sangue. Acho que vai ter de se acostumar com a perda de mais um ser amado.

Coity tinha desmaiado em seus braços, estava branco, suado, agora não era hora de se preocupar com Cody, Coity era mais importante.

A porta da casa de Laijin escancarou quando ele a abriu com um chute, a porta quebrou, mas isso agora era o de menos, Coity estava morrendo e não havia nada o que ele pudesse fazer, deitou-o no sofá e pensava no que fazer. Cody disse que ele perdera sangue então o melhor a fazer era dar sangue a Coity, mas não havia mais saquinhos. Teria de ser direto da fonte mas com isso o veneno presente nas presas de Coity o transformaria em vampiro também. Não havia tempo para retirar mais sangue teria de fazer isso.

-Coity acorde- implorou Laijin chorando — Abra os olhos meu amor, olhe pra mim.

Timidamente, muito fraco, Coity abriu os olhos, fraquejou ao olhar Laijin nos olhos e virou o rosto, mas Laijin forçou-o a olhar pra si.

- Estou morrendo. — disse baixinho.

- Eu não vou deixar isso acontecer, jamais.

- Não tenho salvação.

- Me morda! Por favor, é o único modo de você sobreviver.

- Nunca! Você viraria um vampiro, não quero que isso aconteça.

- Se você morrer eu vou junto! Eu te amo Coity, preciso de você. Por favor fique comigo. Eu te amo!

Laijin puxou Coity para si e seus lábios se tocaram, Laijin forçou Coity contra seu pescoço.

-Por favor Coity, não morra.

As lágrimas de Laijin escorriam pelo rosto de Coity e se fundiam com as suas. Coity não queria, mas fez, mordeu Laijin, alimentou-se de seu sangue. Laijin podia sentir que o veneno das presas de Coity seguia por seu corpo seu sangue gelara, seu coração parara. Morria para reviver como vampiro. Desmaiou nos braços de seu amado.

Acordou amarrado a fortes correntes em uma espécie de calabouço. Ele chamou por Coity, mas este não veio, quem vinha era uma mulher de longos cabelos loiros e olhos azuis.

- Shikaro! — disse surpreso.

- Eu. — respondeu alegremente. — Gostou de seus novos aposentos? Finalmente eu tenho você em minhas mãos. Meu plano funcionou brilhantemente. Graças a meu lacaio mais fiel.

Logo atrás de Shikaro apareceu um rapaz, a quem Laijin não acreditou quando viu. Coity! Ele estava trabalhando para Shikaro? Lágrimas correram soltas e silenciosas pela bela face do rapaz de azul, tinha sido enganado.

- Dói não é mesmo, ser traído por aquele que ama. Mas logo essa dor vai passar, vou sugar seu sangue até a ultima gota, vai morrer aos poucos uma morte dolorosa, mas será que a dor será maior do que essa que esta sentindo?

Laijin não se importava mais, fora traído, mas não estava se importando, não mais. Morreria, era esse seu destino, não amaria mais ninguém. Mesmo por que, por mais que fosse doloroso admitir, não conseguiria matar Coity, o amava demais, mesmo que este não correspondesse seu amor e ainda mais, desejava sua morte.

- Quer fazer as honras Coity? Afinal a presa é sua. — disse Shikaro deixando Coity passar a sua frente.

- Obrigado minha rainha.

Coity via nos olhos de Laijin, não era raiva, nem fúria, era tristeza, uma profunda tristeza. Tentou manter seu olhar frio por mais que quisesse abraçá-lo e lhe pedir desculpas, não podia hesitar estava tudo perfeito, chegou perto de Laijin e inclinou seu pescoço, este não fez nada para impedir, se Coity desejava sua morte ele a desejava também. O mordeu, seu sangue se misturava com suas lágrimas, Coity foi descendo a mão vagarosamente pelo corpo de Laijin até encontrar o que procurava, sua arma, puxou-a devagar e escondeu-a em seu casaco. Coity não tinha bebido nem uma gota sequer de Laijin tinha apenas perfurado sua pele. Afastou-se de Laijin e lhe sorriu discretamente.

- Minha rainha, creio eu que não poderá desfrutar de tão saboroso sangue.

- Sei que é guloso Coity, mas deixe um pouco pra mim também. — Shikaro ria de seu lacaio, achava que ele lhe fazia uma piada.

- Creio que não esteja entendendo. — Coity virou-se para Laijin e atirou nas correntes, despedaçando-as. Laijin que entendera o recado puxou duas outras armas de seu casaco e atirou varias vezes em Shikaro que caiu pra trás. Sabia que talvez eles não teriam acertado, pulou sobre Shikaro, ela estava viva, o coração intacto, mas tinha tomado um bom susto. Laijin não deixou que esta se recuperasse, fincou a mão em seu peito e lhe arrancou o coração, esmagando-o entre seus dedos.

Tanto ele quanto Coity sentiram seus corpos arderem, suas vidas voltavam e suas presas sumiam. Os dois ficaram quietos sentindo tudo o que acontecia. A porta do calabouço foi abaixo, era Cody e Yuki. Esta passou correndo por Coity, derrubando-o no chão e abraçando Laijin.

- Você libertou a todos. Laijin você é o melhor! — ela dizia empolgada, ela tinha sido possuída por Cody, por isso não se lembrava de nada desde o dia em que se separaram. — Meu amor você foi demais.

O coração de Coity se despedaçara, será que Laijin ficaria com ela? Era lógico que depois do que ele havia feito, Laijin não ficaria com ele. Uma lágrima silenciosa caia pela face de Coity enquanto ele via Laijin abraçado com Yuki. Laijin viu que Coity estava triste, que podia ter passado por sua cabeça que ele não ficaria com ele.

- Yuki, eu acho que você devia largar Laijin. — disse Cody.

- Cody, você sabe que eu fiquei com você só porque estava possuída, e que meu verdadeiro amor é Laijin. — disse Yuki indignada com Cody.

- Disso eu sei, mas você acha que depois de tanto tempo Laijin ainda a ama?

- Claro que ama! Não ama meu amor?

- Yuki eu cumpri minha promessa, salvei você, mas não pense que ainda sinto por você o que eu sentia antes. — disse soltando-a

- Laidi! Eu não posso acreditar. Mas por que?

- As pessoas mudam Yuki, não existem mais vampiros, meu ódio minha vingança se extinguiram, assim como meu amor por você.

- Eu entendo que você já não é o mesmo, entendo que nossas vidas mudaram, mas por que não podemos ficar juntos?

- Por que eu amo outra pessoa.

Yuki não podia acreditar no que ouvia, muito menos Coity, um estava triste, e o outro estava muito feliz, mas confuso.

- Como pode me perdoar assim? Desse jeito, eu quase pus em risco a vida de todos por causa desse plano. Se não tivesse saído tudo certo estaríamos todos mortos, eu acho que...

Coity não terminou de falar Laijin empurrou Yuki pra um lado e abraçou seu amado com força, depositando-lhe, logo em seguida, um beijo em seus lábios.

- É porque que eu te amo seu bobo. Não importa o que aconteceu, eu só quero me ligar no que está pra acontecer. Eu te amo tanto que não me importo com mais nada.

- Você já pensou na hipótese de eu não sentir o mesmo que você sente?

Laijin aproximou-se de Coity seus olhos estavam fixos nos dele.

- Se você não me amasse me deixaria fazer isso?

Laijin beijou Coity, mas dessa vez foi um beijo pra valer, Laijin pedia passagem com a língua e Coity logo a deu, uma vez dentro da boca de Coity Laijin explorou cada canto, só o soltou quando não tinha mais fôlego algum.

- Me diga que não me ama e eu sumo pra sempre. — disse olhando fundo nos olhos castanhos de Coity.

- Se eu disser uma mentira dessas algum dia pra você, me mate. Eu te amo Laijin, mais que tudo.

Yuki via que o amor entre os dois era lindo, não podia existir espaço para ela nesse meio. Agora o que tinha a fazer era ir pra casa, Tokio. Cody não tinha pra onde ir, mas saiu da sala, os dois precisavam ficar sozinhos um pouco.

- Agora não existem mais vampiros. — suspirou Laijin — fiquei sem trabalho.

- O que pensa em fazer.

- Podia estudar para-normalidade, daí ao invés de \"Laijin — O caça vampiros\" eu seria \"Laijin — O caça fantasmas\".

- Vai sonhando.

- O que, vai dizer que fantasmas não existem.

- O único que não existe aqui é você!

Não importava o que aconteceria daqui pra frente, a única coisa que importava é que estariam juntos, em todos os momentos.

Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!