Lagrimas na chuva
2 Um homem na praia
Notas iniciais
De manha a chuva já tinha passado, o sol brilhava forte no céu limpo do pós-chuva, uma brisa fresca batia contra as árvores dali. Um homem maltrapilho andava pela praia, possuía uma espessa barba desgrenhada assim como o cabelo, suas roupas, muito surradas estavam desbotadas e rasgadas em muitos lugares, ele não aparentava ter menos de 40 anos, seus olhos eram profundos, como se não dormisse a eons, mas brilhavam como se o sol habitasse os mesmos. O homem caminhava tranquilamente, olhava do céu para o mar muito sorridente e dizia.
–Deus! És tu o maior de todos os artistas do universo! – O homem abriu os braços e virou-se para o mar – Pode uma escultura ser uma pintura? Ou pode-se enquadrar uma escultura? Ó arquiteto da vida, nos mostra a beleza da natureza esculpida por suas mãos, pinta nos céus as nuvens que vagueiam pelo infinito azul, movidas por seus leves suspiros de perfeição!
O homem deu uma volta em torno de si mesmo ainda com os braços abertos e olhou para cima e então voltou a andar na orla da vasta praia. Após alguns minutos andando e admirando a paisagem o homem avistou uma pessoa caída, um pouco a frente do mar, quase entrando na floresta, e então andou lentamente de para ver oque havia acontecido, o homem estava aparentemente dormindo, ajoelhou-se e cutucou-o enquanto o chamava, para acorda-lo.
–Senhor, o senhor está bem? Acho que dormir na praia não é saudável, você pode pegar uma gripe.
Fernando gemeu e abriu os olhos, olhou confuso para o homem que lhe deu um sorriso amarelo com alguns dentes faltando.
–O senhor... O senhor está aqui... – Disse um pouco confuso com a voz falhando
–Bem, devo dizer que alguns filósofos discordariam, ou diriam que meus pensamentos me tornam reais, mas, sim, estou – disse o homem todo sorrisos.
–Desculpe? – Fernando não entendia oque o homem queria dizer, mas sentou-se mesmo assim, e então se deu conta da figura que se ajoelhava ao seu lado, oque aquele homem queria dizer? – O senhor... Poderia chamar um salva vidas ou uma ambulância por favor?
–Desculpe, mas deve haver uma confusão aqui, eu iria te pedir o mesmo favor, estava no barco também?
Fernando então se deu conta, o homem devia estar no barco, o pior de todos os seus medos talvez fosse real, a ilha não era habitada, mas oque um homem tão mal vestido estava fazendo no barco? Fernando se levantou e o homem fez o mesmo
–Achei que morasse aqui
–Não, mas acho que me equivoquei ao pensar em perguntar à você se morava aqui
O homem que aparentava ser um mero mendigo, falava bonito, como se lesse o tempo todo, como se fosse culto, como pode um pobre te sabedoria o suficiente para algo assim? Quando ele iria perguntar quem era o personagem ao seu lado um grito tirou a atenção deles, outro homem em um bote salva-vidas vinha sendo levado pelas ondas do mar, ao se aproximar da orla, o bote virou-se e o homem caiu, foi à beira da praia nadando e disse, ao chegar ofegante, o homem que gritava com o empregado no corredor disse
– Julio Mendes, médico cirurgião, preciso estar na América do Sul urgente, exijo uma ambulância agora mesmo – O homem dizia com ar de imponência
–Ahn... Sou Fernando e receio que não possamos fazer isso
–Porque não? – Disse o homem que cobrava respostas
–Porque essa ilha é deserta – Respondeu o outro homem
–E você mendigo?! Como é seu nome?!
–Não possuo
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