Lagrimas de Sangue

4 Primeiro Capítulo' Parte 3


O rosto, o tamanho, a voz, a delicadeza, quase tudo na menina em sua frente o lembrara de Elisa. As únicas diferenças eram o cabelo negro e seus olhos...

Seus olhos eram cor de verdes, um tom de verde que John nunca vira... Um tom calmo e delicado.

Ao olhar em seus olhos, John teve vontade de chorar, algo não fazia desde sua infância. Sua garganta estava numa bola e seus olhos lagrimejantes. Queria gritar, correr. Mesmo não sabendo o porquê.

A menina sorriu levemente, um sorriso maroto e deu alguns passos, curtos e silêncios, pequenos e levianos.

John respirou fundo e desviou o olhar, agora a menina estava a sua frente.

-- Você viu minha mãe? -- Sussurrou a menina

Ele a olhou e viu que seu medo era algo que não fazia o menor sentido.

Abaixou-se e ficou diante da menina que o olhava despreocupada.

-- Eu não vi, não... – Respondeu o ex presidiário.

O olhar da menina continuava sem expressão e sua face estava como de um anjo.

-- Que olhos bonitos... – Disse ele

Ela desviou os olhos para o chão, se virou e caminhou até a arvore. Pulou como se o chão fosse de elástico e la estava ela em cima da arvore.

John pensara estar delirando, o que mais poderia estar acontecendo? A menina deu um pulo e subiu na arvore que era mais alta do que ele mesmo.

-- Obrigado... – A menina agora sorria feliz, um pequeno sorriso sem mostrar os dentes... Um sorriso carinhoso.

O vento soou mais uma vez, tocando nas folhas e fazendo um som perturbador, um ruivo alto e agonizante.

John olhou para trás a rua parecia ainda mais triste, escura e fria... Era um cenário para filme de terror, pensou ele.

-- Você não tem medo de ficar sozi-

Ela não estava mais ali. Havia sumido repentinamente.

John olhou para os lados, intrigado, ele tinha visto a menina, não era ilusão. Passando algum tempo ali olhando para o nada sem ser percebido, ele continuou andando. Passou por uma casinha conhecida, era velha e acabada, foi ali onde tudo começou, onde conheceu Louis Harvey. Morar perto do presídio tinha La seus defeitos, a maioria ali eram guardas, mas tinham também sua qualidades, os habitantes da velha cidadezinha não se preocupavam muito com a segurança então era fácil roubar se não for reconhecido.

Sentindo o frio o abraçando ele continuava a andar rumo a casa de sua filha Elisa. Ele não sabia o que lhe esperava, não sabia o que ia dizer, talvez pedir à Katherine que o deixa-se passar a noite e depois ele partiria para arrumar sua vida.

Após algumas horas andando, sentindo as pernas doerem por estarem mau acostumadas, ele não via ninguém na penumbra da noite, nem um sinal de vida por onde passava, caminhava pensando no que viria depois, como seria... Não tinha dinheiro, e arrumar um emprego seria ainda mais difícil, iria procurar Louis? Precisava, agora que estava livre de novo, arranjar umas coisas que lhe dessem prazer.

Ele hesitou algum tempo à frente do portão de entrada da enorme casa verde claro. Pensou os dez anos preso que não era digno de pisar ali novamente, não era digno de uma mulher tão bela e rica, nem numa filha tão amável como a que tinha. A casa não havia mudado muita coisa ao longo do tempo, a casinha onde sua filha brincava estava substituída por uma casinha de cachorro, o balanço que um dia balançou sua filha, também não estava mais no jardim florido. Ele abriu o portão com muita cautela e avançou sem olhar para os lados. Bateu à porta algumas vezes. Ninguém atendeu. Ele bateu um pouco mais forte e nada aconteceu, nem passos nem vozes.

Lembrou-se do dia em que foi preso. Logo depois de fazer uma ótima venda, voltou para casa, era fim de tarde, chovia muito. Ajudou sua filha a fazer um desenho para Katherine.

“--Papai... – Disse ela encarando o desenho – Será que ela vai gostar?

Ele sorriu ainda mais.

-- è claro que vai gostar, alem de estar lindo, foi feito com muito amor, e é isso que importa!”

E derrepente alguém bateu à porta, a empregada abriu a porta e apareceram três homens uniformizados.

“—Papai, o que esta acontecendo? – Perguntou Elisa atrás do pai olhando com os olhos lagrimejantes. – Papai...?

-- Tudo bem filha... eu não vou embora-

-- O senhor irá conosco agora mesmo, você tem o direito de permanecer calado – Disse o homem mais alto enquanto os outros dois o pegavam pelo braço e afastando o de sua preciosa filha

--Elisaaa! – Gritava tentando lutar contra os dois – Elisa! – Tentava de alguma forma alcançar a mão estendida da filha que chorava muito.

-- Papai, aonde você vai?! – Ela soluçava – Papai, volta, eu ainda não terminei o desenho! – Ele gritava”

Até que ele sentiu as mãos grudadas e ele sendo empurrado para dentro do carro sem nenhuma cerimônia. Não desistiu até que estava na solitária, ainda gritava e chorava, jurava vingança, mas passando-se os anos, sem nenhuma visita de Katherine e Elisa, percebeu que não era digno de visitas...

Puxou a maçaneta e a porta se abriu rangendo um pouco.

-- Ola?! Ele pôs uma parte do corpo para dentro da casa – Alguém? – Ninguém respondeu então ele ouviu passos no andar de cima e falou ainda mais alto do que antes. – Alguém em casa?!

Os passos pararam com o som da sua voz. E passando alguns minutos alguém desceu as escadas correndo. Uma linda jovem de cabelos um pouco abaixo do ombro, loiro formado por pequenas ondas, com um olhar negro no rosto esbelto. Elisa o encarava perplexa.

-- Entre logo! – Ela deu um pulo e correu para fechar a porta às costas de John. – Não acredito que a minha mãe deixou a porta aberta! Ela não sabe o que anda pelas ruas?

Ela olhou para o homem alto em sua frente, ele a olhava como se não existisse nada mais ali do que ela, poderia ficar ali para sempre, admirando a, como era bonita e como tinha crescido. Deveria estar agora com seus quatorzes anos de idade.

--Eu lhe conheço? – Perguntou ela ainda o encarando. – Não me lembro do senhor, mas sei que já o conheço... han... Quem é o senhor?

John não parecia estar ouvindo, quando viu estava a abraçado, abraçando apertado, sentindo as lagrimas querendo fugir dos olhos, uma mistura de emoções passaram por seu corpo, orgulho por ter feito algo tão perfeito, tristeza por não vê-la crescer, felicidade por vê-la, angustia de ela não ter o abraçado com a mesma intensidade...

Ele a soltou lentamente, ela estava parada, encarava perplexa o nada em sua frente. John sentiu as lagrimas escorrerem seu rosto sujo e viu que era um estranho imundo para a delicada Elisa a sua frente

-- Desculpa... – Disse ele limpando as lagrima do rosto. --... eu sou se-

-- John?! – Gritou uma voz sobre as escadas ás suas costas. – Óh meu Deus! John!

Ele se virou e viu Katherine correndo em sua direção de braços abertos. Ela, ao contrario de Elisa, não havia mudado nada, ainda tinha os cabelos longos e andulados, negros como os olhos...

John a pegou pela cintura e a girou no ar, como fazia à dez anos atrás, os dois sorrindo.

-- Eu... Eu... Oh! John, que saudade! – Dizia ela o puxando para a cozinha numa porta ao lado da escada. – Sente-se. Sente-se.-- Ele sentou ainda sorrindo, olhando a filha sentar na mesa o mais longe possível dele. – Eu... Desculpe John... Eu não te visitei, eu não te levei Elisa, mas é que eu, eu, não queri-

-- Tudo bem Kath... Eu entendo, ela não iria gostar de La... Foi melhor...

-- Mãe... Eu... – Elisa encarava a mãe intrigada – Mãe, quem é ele.

Katherine se derrubou em lagrimas e John correu ao seu lado segurando seu rosto.

-- Tudo bem Kath, assim foi melhor, eu faria a mesma coisa... Kath, Kath, Katherine! -- Ela o olhou assustada, com o rosto úmido de lagrimas. – Por favor, eu quero um sorriso... no seu rosto.

Katherine enterrou o rosto em suas mãos e John se sentou novamente em seu lugar. Ela levantou o rosto e sorriu ainda triste.

-- Elisa, esse é... o seu pai...

Elisa não mudou de expressão, ainda olhava a mãe. Depois se virou para o homem e então para a mãe.

-- Você foi solto hoje? – Perguntou ela, ainda olhando para a mãe.

-- Sim... – Respondeu ele.

-- Mamãe me contou sobre você, eu me lembro um pouco de quando você foi embora e não voltou, senti muito a sua falta... Eu era muito pequena, ainda não entendia, não é? Você sentiu a minha falta?

-- Muito filha... Mas que tudo...

Ele sorria mais e mais e ela agora o olhava também com um sorriso.

-- A mamãe disse que você foi preso porque ti-

-- Sim, sim, mas é passado, agora quero que formemos novamente uma família, e sermos felizes... -- O sorriso de Elisa caiu e Katherine deu um soluço sobre uma tossida. Ele ainda sorria, não sabia a intensidade da tensão. – Vamos, eu voltei...

-- Mamãe casou. – Disse Elisa séria. – Dois anos depois de você ser preso.

Como não tinha pensado nessa possibilidade? Passaram-se dez anos, é claro que ela não ficaria ali plantada esperando por ele, como foi tão burro de pensar que tudo voltaria ao normal?

A questão é que John entendia tudo de uma forma muito pacífica. Ele mudara muito seu jeito de pensar, de certa forma estava decepcionado...

-- Entendo... – Sussurrou ele, mais para si mesmo do que para elas. – Posso usar o banheiro?

Katherine não respondeu, parecia com medo de dizer algo que o magoasse ainda mais. Ele se levantou e saiu para o saguão de entrada, então entrou num pequeno corredor e entrou no banheiro.

Ao se virar para pia, viu seu reflexo no espelho, estava acabado, seus cabelos loiros estavam sujos e despenteados. Seu rosto úmido e encardido, seus olhos cor de água brilhavam muito.

Ele lavou as mãos e o rosto, passou água nos cabelos e penteou os com os próprios dedos.

Sentia-se com raiva, confuso e infeliz novamente como se estivesse novamente preso.Seu coração batia tão rápido que parecia estar parado, sua cabeça começou a doer e sentiu que estava ficando fraco. Voltou para cozinha de cabeça baixar, agora um pouco limpo. Sentou-se e viu que ninguém tinha se movido muito desde sua saída.

-- Ele esta aqui?

-- Louis esta trabalhando, ele é mesmo muito corajoso de sair de noite por ai sozi-

--Louis! Você casou com Louis?! – John se colocou de pé olhando para Katherine como se ela estivesse ali pela primeira vez. – Eu não estou acreditando. Vou matá-lo! Você esta ouvindo isso Katherine? VOU MATÁ-LO! — Gritou ele

Elisa soluçava e chorava, Katherine estava imóvel na cadeira. Ele colocou-se ao lado da filha e enxugou suas lagrimas com as pontas dos seus dedos longos.

-- Papai te ama, ouviu? Eu nunca vou te esquecer filha, quero que se cuide, eu não demorarei a aparecer... – Ela agora o olhava com medo e John notou isso. – Não se preocupe, não vou machucar ninguém.

Colocou-se de pé e olhou Katherine diretamente nos olhos. – Qualquer um... Por que ele?

Ela não respondeu e ele se jogou rua a fora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.