Laftel

2 Capítulo 1 - Sim, era ele mesmo


Notas iniciais
GEEENTE DESCULPAA PELA DEMORAA! Eu estava viajando para um congresso então nem tinha como eu escrever! E como eu terminei o prólogo na correria, nem deu pra apresentar direitinho minha fanfic. Essa história foi pensada quando eu tinha uns 16 anos, e minha ilustre e diva amiga Ariele me ajudou muito a melhorar e incrementar a história. Juntamos pedaços que imaginamos e criamos essa nova crônica que faz parte das inúmeras histórias que tecem a trama de One Piece. Espero muito que vocês se envolvam com a história, porque eu estou A-MAN-DO escrever essa fanfic. E é claro que espero corresponder às expectativas de vocês. Obrigada à todos que já estão acompanhando e aos comentários maravilhosos que recebi. Estou seguindo sua dica Marimachan (é beeem mais tranquilo escrever!). Muito obrigada diva !!! Sem mais delongas, boa leitura!

Era domingo de manhã.

Não devia passar das 9hrs30min.

Mizuki entrou no bar andando a passos rápidos e se sentou em frente à bancada.

Hoje completava dois anos.

Exatos dois anos que deixara tudo pra trás e se enfiara no mar naquela busca maluca.

Tamborilou com os dedos na mesa por alguns minutos, pensativa. Ouviu um ruído e um homem alto, com músculos evidentes, barba rala e cabelo castanho escuro amarrado num rabo de cavalo apareceu por uma porta no canto do bar. Assim que viu a garota sentada distraidamente apoiando os braços na bancada, o homem sorriu.

–Hahahaha! Se não é a Mizuki-chan!

Mizuki sorriu.

–Jim-san!

Ele se aproximou da garota com um pano de prato nas mãos.

–O que vai pedir hoje?

–Um suco de laranja, por favor!

Ele correu para os fundos do bar e trouxe uma caneca de vidro enorme repleta do líquido amarelo-alaranjado.

–O que te trás de volta à Longuetown, Mizu-chan?

A menina bebeu um gole e limpou a boca com as costas da mão.

–Estou perdida, Jim-san. Já faz dois anos que estou procurando e não encontro nenhuma pista.

Jim Flint fitou a menina profundamente. Várias vezes ela aparecera em Longuetown, sempre à procura da mesma coisa que nunca nomeara para ele. Jim tentara oferece-lhe ajuda, mas ela se recusava a dizer o que procurava.

–Se eu pudesse ajudar...

Ela baixou os olhos.

–Acho que não vou encontrar nada fora da Grand Line ou do Novo Mundo. Acho que vou ter que voltar pra lá... De novo.

Ao dizer isso, a menina estremeceu.

O dono do bar suspirou e voltou a manusear os copos que acabara de limpar. Nesse momento, um grupo de crianças barulhentas entrou no bar, e uma jovem acompanhava-as.

–Ohayo, Jim-san. – cumprimentou ela timidamente.

–Ohayo, Karin-chan! – o bom dia do taberneiro fora deveras animado, o que fez Mizuki levantar uma sobrancelha ao analisar a cena.

A jovem corou e baixou os olhos para os meninos.

–Para de puxar meu cabelo, Owen!

–Você que começou!

–Eu quero suco, Karin-san!

–Hai, hai. Crianças parem de brigar e sentem-se.

Karin demorou alguns minutos para colocar o grupinho no lugar. Enquanto Jim se aproximava para ajudar, a porta do bar se abriu e uma nova figura adentrou o recinto. Sem hesitar, o recém-chegado se dirigiu ao canto mais afastado da bancada e ali se instalou. Mizuki reparou em sua silhueta encoberta por um manto negro, que se confundia com a juba de cachos que emoldurava o rosto. Era, com certeza, uma mulher. Do pouco que se via de sua pele, podia-se notar que era bastante pálida. Usava tinta vermelha nos lábios, a única cor que se sobressaia em sua figura misteriosa.

Depois de acalmar as crianças, Jim foi atender a recém-chegada. Logo depois o dono do bar trouxe uma taça enorme cheia de um líquido escuro. Devia ser vinho.

–Oo-san! Conta uma história pra gente! – gritou um dos menininhos do grupo.

–E, por favor – replicou Toru, o mais velho. – Não conta história repetida! Chega de contar sobre o Shirohige ou o Ruivo! Queremos uma nova!

O homem ficou pensativo. Karin acomodou um dos mais novos em seu colo, que olhava para Jim esperançosamente.

–Uma nova... Hm... Vocês já ouviram... A lenda de Atlântida?

Mizuki sentiu como se tivesse sido atingida por um raio. Todos os seus músculos se contraíram. Sua cabeça girou automática e bruscamente na direção de Jim Flint.

Os meninos olharam assustados para o homem, e, lentamente, discordaram com as cabecinhas. Ele sorriu e puxou uma cadeira para perto do grupo.

–Pois bem, então... Atlântida é uma cidade muito antiga construída no fundo do mar. Nela vivem sereias e tritões...

As palavras do taberneiro deixaram Mizuki num estado letárgico de nostalgia. Ouvira tantas vezes aquela história quando era criança... A lenda dos três filhos do rei, a disputa pelo trono, o décimo portão de Atlântida sendo arremessado para o céu...

–Sugoooooi!

–Jim-san, onde está o décimo portão de Atlântida agora?

Mizuki apurou os ouvidos. Seu corpo tremia.

Seria possível que Jim Flint, seu velho amigo que encontrara tantas vezes no mar, teria a resposta para a aquilo que buscava há dois anos?

–Eu-

Jim foi interrompido por um estrondo na porta do bar. Um grupo de piratas barulhentos adentrou a taverna.

–Gyahahaha! Aqueles marinheiros idiotas!

Eles logo ocuparam uma mesa próxima ao grupo de crianças e, colocando os pés sobre o disco de madeira, ordenaram em vozes debochadas:

–Oh taberneiro! Uma rodada de saquê!

Jim Flint parecia claramente irritado. Respirou fundo e se levantou.

–Eu já volto, Reid – e bagunçando o cabelo do menininho assustado que se encolhia no colo de Karin, Jim se dirigiu para a bancada.

Serviu os piratas em total silêncio, e assim que terminou, voltou para a mesa.

–Então Reid – ele pigarreou. – Sobre o décimo portão de Atlântida...

PÁ!PÁ!PÁ!

–GYAHAHAHAHAHAH! – o pirata que parecia ser o líder do grupo soltou uma gargalhada estrondosa e bateu ruidosamente na mesa. – Está contando esse tipo de histórias pra esses moleques! GYAHAHAHAHA! Não acredito que ainda existem fanfarrões que espalham essas lendas idiotas!

O bando riu espalhafatosamente. Bateram garrafas, pés e mãos. Mizuki sentiu o sangue subir-lhe até a cabeça, e seus músculos se contraíram num desejo quase incontrolável de socar a cara daqueles desgraçados. Porém, seu grito de raiva foi dado por outra pessoa:

–CALA A BOCA, SEU PIRATA MALDITO!

Toru, o mais velho do grupo se levantara furioso de sua cadeira e encarava os piratas com ódio nos olhos. O bando parou de rir. O capitão se levantou e caminhou calmamente até o menino.

–O que você disse, pirralho?

–Pra vocês calarem a boca! – berrou ele sem hesitar.

O homem barbudo e encardido encarou Toru por alguns instantes. Depois explodiu novamente em risos.

–Vocês escutaram? Esse moleque aqui quer que a gente cale a boca! Por que , hein?

O garoto loiro já estava vermelho de raiva.

–VOCÊS ESTÃO ZOMBANDO DO JIM OO-SAN! CALEM A BOCA!

Os piratas riram ainda mais alto.

–Baaaka! – debochou o capitão. – Temos que zombar mesmo! Um idiota como o seu Jim oo-san que fica espalhando essas lendas de merda para vocês garotos... Só vai criar uma geração de iludidos! Baaaaaaaaka! Baaaaaaaaaaaaka! Atlântida? All Blue? O One Piece? GYAHAHAHAHAHAHAHAHA! Isso é só história pra boi dormir!

O estardalhaço era tanto que Mizuki estava por um triz de começar uma briga feia. A mulher misteriosa observava tudo em silêncio, vez ou outra bebericando sua taça. Jim não abrira a boca para se defender. Apenas assistia calado.

–Se estão satisfeitos, podem sair da minha taverna. – disse ele por fim, num tom ríspido. – Se continuarem com essa bagunça, serei obrigado a chamar a marinha.

–GYAHAHAHAHAHA! Mas é um cuzão mesmo! Ter que depender da marinha! É tão cuzão quanto seu pai!

Mizuki se levantou rapidamente e avançou na direção deles. Jim segurou-a no último instante. Os piratas se levantaram e saíram gargalhando porta afora. Nem sequer pagaram pelo sakê.

–Desgraçados! – rosnou a menina entre os dentes.

–Não vale a pena, Mizuki-chan! Sente-se e tome o resto do seu suco.

Mesmo contrariada pela atitude de Jim, a garota obedeceu. O dono do bar, por sua vez, dedicou-se a limpar a bagunça. Reid, o menino mais novo do grupo, chorava ruidosamente. Toru espumava de raiva.

–Calma, calma... – repetia Karin baixinho.

A garota se apoiou na bancada e ficou remoendo a cena que acabara de acontecer. Por que Jim não se defendera? Por que ele deixou zombarem do velho Flint?

Seus olhos vagaram pelas paredes da taverna. Aos poucos seus pensamentos se acalmaram e sua mente se voltou para problemas mais imediatos.

O que ia fazer agora?

Não tinha um barco para voltar para a Grand Line. Tinha que obter uma pista que nem dois anos de procura pelo mar lhe forneceram. Encontrara-se com figurões do mar, mas... Nada.

Nenhuma pista sobre o portão perdido de Atlântida.

Mizuki rodava os olhos distraidamente quando um detalhe na parede lhe chamou a atenção. Ela se inclinou e analisou-os. Cartazes de procurados pela marinha. Havia alguns ali muito antigos, meio carcomidos e enrugados pela umidade, poeira e tempo. Porém, havia um mais recente colado mais abaixo dos outros. A garota apertou os olhos para enxergá-lo melhor no canto escuro do bar. Assim que reconheceu o rosto do cartaz, seu coração deu um pulo.

Seria possíve!?

–BUÁÁÁÁÁÁ! – o choro de Reid arrancou-a de seus devaneios.

–O que você tanto chora, Reid?

–Eu-eu... Queria achar Atlântida! BUÁÁÁÁ! Mas ela não existe!

Mizuki ficou observando a cena. Jim terminou de limpar a mesa dos piratas e dirigiu-se para o menino.

–Oi, oi! Está tudo bem, Reid. Não acredite no que aqueles piratas disseram. Atlântida existe sim.

Mizuki arregalou os olhos.

–Buuu-buuu... – choramingou o menininho. – C-como voc-cê sabe, J-jim oo-san?

Ele sorriu.

–Uma vez, meu pai contou essa história aqui nesse mesmo bar. Piratas debocharam dele da mesma forma que debocharam de mim. Porém, havia um homem no bar aqui que sabia sobre Atlântida. E eles nos contou que ela existia.

–Mas como ele sabe? – disse Owen num tom desafiador.

Jim abriu um enorme sorriso e seus olhos ficaram enevoados como se guardasse um enorme segredo.

–Ele disse... Disse que vira o décimo portão de Atlântida.

Um “oh” de assombro correu o grupinho. Mizuki congelou onde estava.

–Q-quem ele era!? – perguntou Toru todo afobado.

Jim parou por um momento, como se ponderasse se deveria responder. Enfim, colocou a mão sobre a cabeça do menino loiro e sorrindo, respondeu:

–O nome dele era Gol D. Roger.

O mundo pareceu parar de girar naquele momento. Mizuki não ouvia mais nada. Apenas um nome lhe ressoava na mente.

Gol D. Roger.

–O Rei dos Piratas? – Owen estava boquiaberto.

–Esse mesmo!

As crianças se entreolharam. Ficaram um tempo em silêncio, digerindo a incrível história que acabaram de escutar. Por fim, Toru disse:

–Será que é mesmo verdade?

A garota que escutava tudo tremia dos pés a cabeça.

A resposta estivera debaixo do seu nariz o tempo todo!

Por que fora tão idiota? Deveria ter perguntado a Jim desde o começo!

Um estardalhaço começou do lado de fora. Jim foi até a janela checar o que estava acontecendo . A garota morena continuou imersa em pensamentos, apoiando a cabeça nas mãos.

Se Jim não estivesse mentindo (ela duvidava muito que ele fosse capaz de fazê-lo), o Rei dos Piratas fora a única figura do mar que alegara ter visto o portão perdido da cidade submarina. Por dois anos, Mizuki buscara incansavelmente alguma pista da localização do portão e até da própria Atlântida. Entretanto, foram dois anos totalmente em branco. Nem uma única pista sequer. Quase ninguém mais sabia sobre a lenda da civilização lendária de sereias e tritões. A menina chegara a duvidar da lenda dos três filhos do rei várias vezes durante os longos meses de buscas fracassadas.

Porém ali estava Jim Flint alegando que ouvira da boca do Rei dos Piratas que o portão de Atlântida fora visto.

A cabeça da menina zunia. O coração martelava dentro de suas costelas. Ela sabia onde o seu raciocínio a levaria.

Se Gol D. Roger foi o único homem a ter feito tal declaração, o décimo portão de Atlântida só poderia estar...

–OOOOOOOI! ELE FUGIU POR AQUI! RÁPIDO, HOMENS!

Gritos encheram a rua do bar. A porta foi aberta com um estrondo. Marinheiros invadiram a taverna.

–Estamos sob ordem do capitão Smoker! Alguém por acaso viu esse garoto? – o marinheiro ergueu um cartaz de procurado, o mesmo que chamara a atenção de Mizuki na parede.

Todos balançaram as cabeças.

–Irei revistar o lugar. – acrescentou ele autoritariamente.

Karin levou as crianças para perto da porta e se encolheu envolvida pelos meninos. Mas assim que a busca começou, um grito chamou a atenção de todos.

–É ELE! O CHAPÉU DE PALHA ESTÁ INDO PARA A PRAÇA CENTRAL!

Os marinheiros saíram correndo do bar.

Chapéu de palha?

Mizuki correu até Jim e agarrando pela gola da camisa, fixou seus olhos nos dele:

–Jim-san, por favor, me responda! Você contou sobre Gol D. Roger ter visto o portão perdido de Atlântida para mais alguém?

Meio assustado, o homem demorou um pouco a responder:

–N-não...

Mizuki sentiu seu coração ficar mais leve.

–Por favor! Me prometa! Não conte isso pra ninguém, entendeu? Ninguém!

Jim Flint não entendia o desespero da garota. Porém sabia que a atitude dela não era por um motivo qualquer. Ele segurou a mão da menina que amarrotava a gola de sua camisa e apertou-a gentilmente.

–Eu prometo.

Mizuki sorriu.

–Arigatô!

Ela correu em direção à porta.

–Ei, Mizuki-chan! Aonde vai?

Ela parou na porta, jogou algumas moedas no chão e gritou:

–Preciso encontrar uma pessoa!

E depois simplesmente desapareceu.

Jim ficou olhando o ir e vir da madeira que Mizuki deixara balançando, perguntando-se o que havia acontecido. Lentamente, dirigiu-se para o lugar onde estavam as moedas que a menina jogara para pagar o suco. Virou-se para a bancada. Foi aí que percebeu que a mulher de preto que atendera também havia sumido. Algumas moedas estavam sobre a bancada no exato lugar onde ela estava antes.

–Mas que diabos... Que diabos está acontecendo com esse povo?

Mizuki corria o mais rápido que podia pelas ruas de Longuetown, rumo a praça central.

Finalmente, depois de dois anos sem certeza nenhuma do que deveria fazer e para onde deveria ir, duas coisas estavam totalmente claras em sua mente.

–RÁPIDO HOMENS! CERQUEM O BANDO DO CHAPÉU DE PALHA! – berraram alguns marinheiros que corriam para a praça também.

Mizuki acelerou.

Se Gol D. Roger havia sido o único a testemunhar a existência do portão perdido de Atlântida, ele só poderia estar em um lugar.

Ilha Laftel.

E só havia uma única pessoa em todos os mares que seria maluca o suficiente para levá-la até lá.

–NÃO DEIXEM O CHAPÉU DE PALHA FUGIR!

Sim, era ele mesmo.

Monkey D. Luffy.

Notas finais
O que vocês acharam pessoal? Estão gostando? Deixem suas opiniões, críticas, sugestões e elogios nos comentários! Obrigada pela força mais uma vez! Qualquer dúvida e sugestão que não queiram comentar, entrem em contato comigo! Até a próxima pessoal!