Ladybug: a Rebelde da Rádio
4 O primeiro dia
Notas iniciais
Já na Miraculous FM, Marinette suava de nervoso, seu padrasto estava ao telefone pedindo para que anunciassem em todas as redes sociais que a Ladybug estaria na Miraculous naquela noite e isso só deixava a garota cada vez mais nervosa.
Fu desligou o telefone e começa a dialogar com Marinette:
—Marinette, o seu primeiro programa começa hoje. Então temos pouco tempo para as considerações importantes. — explicava Fu a sua enteada –Resolvi manter no mesmo horário que você já transmitia, mais fácil para você e os ouvintes. Você pegará o DJ Nino, que era vai para domingo à noite
Ela ouvia com atenção, estava muito assustada com seu primeiro programa e não queria estragar tudo. Se prendia a cada palavra como se sua vida dependesse daquelas instruções. Tudo que ela queria era sair correndo...
—Estou tão animado com isso! — comemorava Fu –A Miraculous FM vinha em decadência e acho que você pode ser nossa salvação. Eu coloquei propaganda em massa, aposto que todos vão ouvir. Acho que a ideia de manter a identidade da Ladybug em segredo é muito boa, então não conte a ninguém. — pediu ele — É só relaxar, não pense como se isso fosse a única coisa que salvaria a Miraculous depois daquele fracasso com o XY e que se isso não der certo eu perco meu emprego. Sem pressão! — Ele diz fazendo joinhas com os dedos — Ta... — quando olhou para o lado ela já não estava ali, sua timidez havia vencido
Marinette entrou em uma sala qualquer, precisava fugir da pressão. Sentia que o mundo estava em suas costas e que ela o deixaria cair, matando todos. Só queria ficar sozinha e sentir-se insignificante. Se todos a olhassem, qualquer erro seria rapidamente percebido.
Quando achou que finalmente poderia descansar, ouvir uma mulher falando animadamente com ela:
—Oi, Marinette! Lembra de mim? – Ela fez que não com a cabeça. – Tikki, eu fui na festa de ano novo da sua família ano passado, lembra agora? — “É claro” pensou Marinette “A mulher legal que me deu biscoitos” a garota assente com a cabeça. – Garota, quando o seu padrasto me disse que você era a Ladybug eu nem acreditei, porque ele sempre falava que você era muito tímida, mas você é demais elevado a dez, menina. – Ela se vira pra pegar o café que fazia na cafeteira e essa foi a chance de Marinette se esconder atrás da geladeira. – Eu não vejo a hora de.... Ué, desapareceu? — Ela ouve um suspiro de alivio. – O que tá fazendo atrás da geladeira?
Marinette colocou a cabeça para fora de seu esconderijo e deixou todo o seu medo contido fugir por entre os seus lábios em desespero:
—É muita pressão, meu padrasto disse que o futuro da Miraculous depende disso! Minha mãe disse que eu tinha que cozinhar, mas eu não sei cozinhar tão bem e eu não vou conseguir falar para toda aquela gente... Vou fazer alguma besteira e todos vão ouvir, o programa será um fracasso e a Miraculous FM vai a falência por minha culpa! — ela estava desesperada
—Não é tão diferente de falar no seu quarto.
—Lá, posso fingir que ninguém está ouvindo. Aqui eu sei que a cidade toda está...
Tikki sorriu e abraçou Marinette:
—Você vai conseguir. Primeira coisa, saí daí! – Lentamente, ela sai de trás da geladeira.- Agora vem cá. – A garota foi até Tikki. – Olha, todo mundo fica nervoso, é normal, a partir de agora, eu vou ser a sua melhor amiga aqui na Miraculous, qualquer coisa pode me procurar e eu vou ficar junto com você na hora da gravação e se ficar nervosa, respire e conta até três que dá tudo certo. Vamos lá, respira. – A garota inspira o ar e o expira em seguida. – De novo. – Ela repete o mesmo processo. -Agora, nós duas vamos sair daqui e ir lá pro estúdio, tudo bem?
—Tudo.
—Vem, vou te levar até lá.
Tikki levou Marinette para seu novo estúdio, afinal já estava chegando o momento em que o programa ia ao ar e elas não muito tempo. Como era o primeiro programa, não havia necessidade ainda de que ela conhecesse minuciosamente todo o lugar, mas sempre era bom ter um tempinho para experimentar uma coisa ou outra antes de ir ao vivo.
—Esta é a sua sala.
Ao ver tudo aquilo, Marinette ficou boquiaberta. O lugar era enorme, devia ter várias vezes o tamanho do seu quarto. Havia de tudo ali, desde o melhor do conforto até o melhor da tecnologia. As paredes na cor vermelho eram perfeitas com a decoração, que era na maioria preta, havia um microfone e uma mesa com uma cadeira vermelho, possivelmente onde ela sentaria para gravar, um computador com músicas listadas, posters de bandas e cantores e ao fundo um vidro onde possivelmente atrás estariam as pessoas que a colocariam no ar ,no outro canto da sala, uma poltrona e um sofá pretos, tudo era simplesmente maravilhoso. Dava até vontade de criar uma lista de músicas aleatórias ocupando todo o tempo do programa só para aproveitar melhor todo aquele espaço. Por uns segundos ela ficou olhando todos aqueles aparelhos pensando se saberia como usar tudo.
—Se quiser andar pelo estúdio é só usar o headset. Aqui está o modificador de voz, acho que você já sabe como usar. Aqui tem uma lista de músicas, pode escolher qualquer uma para tocar... — Tikki apresentava todo o material disponível a ela -Que tal colocar uma música só para ver como é?
Marinette passou os olhos pela lista interminável de músicas que havia ali. Se perguntou como, no momento do programa, poderia escolher uma e localizá-la rapidamente:
—Meu Deus! Deve ter mais de mil músicas aqui.
—Pra dizer a verdade aí tem umas sete mil. Por que não pratica? Assim se sente mais confortável na hora de falar.
—P-po–pode ser, vou colocar uma música só pra ver como funciona. — Engoliu em seco e selecionou a primeira em que seu dedo bateu, mas sem querer ela seleciona mais de dez músicas que abrem de uma vez. – Desculpa!- Pronuncia fechando as abas. – Que mico! E se isso acontecer quando eu estiver ao vivo, ou se eu quebrar o microfone? Isso não vai dar certo...
—Só finja estar no seu quarto – disse Tkki enquanto sentava em um canto para preparar tudo para a transmissão -Você entra no ar em 15, 14, 13... — começou a contagem regressiva
Marinette sentou-se junto ao microfone e olhou o lento movimento dos ponteiros do relógio. Eles pareciam se arrastar.
Assim que ouviu Tikki zerar, o relógio dar 19 horas e a luz de gravando se acender, sentiu-se como uma nova pessoa. Naquele momento, ela não era Marinette, ela era Ladybug. E Ladybug não tinha vergonha de dizer o que pensava.
Uma voz começa a falar antes da garota:
—Você está ouvindo a Miraculous FM, fique agora com a nossa mais nova estrela, Ladybug!
—Olá, aqui é a Ladybug ao vivo da Miraculous FM. Antes eu era uma menina como qualquer outra, mas agora me sinto uma super heroína. É meio assustador pensar que cheguei tão longe... Mas mudanças são necessárias. Todas as pessoas mudam, seja para melhor ou pior, e nós sempre devemos dar a chance as pessoas para que elas possam alcançar o seu melhor. Além disso, pessoas podem te julgar por você mudar seu jeito, estilo ou até o seu modo de viver, mas não vamos deixar que ninguém nos impeça de ser o que realmente somos. Por exemplo, um garoto nerd que cria um robô com sentimentos hoje pode muito bem ser a primeira pessoa no mundo a criar um foguete que viaje até outro planeta com vida. E como a arte é uma das formas para nos transformar em melhores pessoas, eu mando essa música especial para que todos mudar para uma outra versão de si. Se vocês concordam comigo, usem as cores de joaninha amanhã, como uma forma de protesto. Tchau, tchau, borboletinhas...
No dia seguinte, Marinette observava as pessoas no colégio, admirada. Praticamente todos usavam roupas com estampas de joaninha.
—O que acha da minha nova armação? — perguntou Alya, mostrando seu novo óculos
—Seu grau aumentou? — Marinette estranhou
—Não. A moda não precisa ser funcional. Esse vai ser o tema das minhas roupas para o desfile da professora Bustier, inclusive. Suponho que saiba o motivo dos novos óculos, visto sua blusa de bolinhas... — disse irritada
—Eu ainda não acredito que todos estão com roupas de joaninha só porque a Ladybug pediu – ainda estava impressionada com o seu próprio sucesso.
—Então você realmente ouviu a Ladybug sem mim! — Alya sentia-se ultrajada
Nesse momento Chloé apareceu com uma fantasia gigante de joaninha:
—Como eu estou? — Alya e Marinette riram –Estou muito perto de descobrir quem é a Ladybug, sabem o motivo? Bem, eu vou explicar, ela citou um garoto com um robô, Max e Marcov. Falta muito pouco pra eu descobrir a real identidade dela! — Chloé estava muito animada — Então eu vou me apresentar para ela e seremos melhores amigas. Eu vou ficar famosa e vou ter meu próprio reality show e eu chamaria a Ladybug para co-apresentar comigo... — Chloé sonhava acordada –Marinette, — ela de repente teve uma grande ideia –seu padrasto é o dono da Miraculous FM. Poderia me ajudar!
—Eu não posso entrar no horário do programa é para manter o sigilo – disse nervosa
—A Marinette não faz coisas para os amigos – Alya resmungou e começou a se afastar
Ao ouvir o que Alya falou, Marinette não aguentou mais. Guardar esse segredo para si, agora que tudo tinha dimensões maiores, era uma tarefa muito difícil. Ela puxou Alya para um lugar vazio e disse:
—Vou contar-lhe agora o meu maior segredo.
Alya, surpresa, olhou séria:
—Tá, conta, o que é?
Marinette ia falar algo, mas não conseguiu.
—Calma, respire antes de falar... — incentivou Alya
—Eu sou a Ladybug – cuspir isso para fora lhe deu um alívio tremendo
—Eu não acredito — Alya foi sincera
—Se não acredita, vai depois da aula na minha casa e eu vou te mostrar!
Mais tarde, logo depois da aula, Marinette levou Alya à sua casa. Já no seu quarto, mostrou a ela o que antes usava para transmitir seus podcasts e mostrou como funcionava. Depois ligou e falou um pouco das coisas que a Ladybug tipicamente diria, para provar a amiga a veracidade do que afirmou:
—Se você for como eu e acredita que se cada um fizer sua parte o mundo se tornará diferente, preste bem atenção na letra dessa música!
Alya estava com um fone e Marinette falava com um headset:
—Oh, caramba! Você é ela e ela é você!
—Eu sei, loucura né? Eu estava enlouquecendo, eu queria te contar desde o início, mas tinha medo de você contar para todos e...
—Eu nunca faria isso com você, Mari, você é a minha melhor amiga! — Alya a cortou
—Eu sei, isso estava me matando, mas agora você sabe!
—Sim! Eu nem estou acreditando! — Alya pulava de emoção
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