Lady Sensitive..

11 Capítulo 9 - Bottom of the Ocean


Notas iniciais
Bem, como eu tinha prometido, eu voltei :) Demorei muitoooo mas vocês tem que entender, que eu precisava de férias, sério e também estava em fase de fim de ano e tinha vestibular pra prestar e talz. Bem, aqui está o que era pra ser o 'último capítulo', mas não é, não ainda. Porque? Bem, quando você escrever uma história um dia, uma longa de preferência, você entenderá como e difícil se despedir de algo assim :/. Mas não se preocupem, que ela irá acabar em breve. Não pedirei para escutarem música, porque nunca da certo. Mas se quiserem, e só lembrar que os nomes dos capítulos são inspirados em músicas e como só há uma música com esse nome, fica fácil. Espero que sinta a mesma emoção que eu senti enquanto escrevia. Com vocês, o capítulo 9 de Lady Sensitive:

Capítulo 9

Dia escuro. Sim, um dia escuro e muito triste foi esse dia que se formou ao longo de inúmeras histórias e aventuras inimagináveis de Annie. Amor, paixão, ódio. Três palavras que separadas significam muitas coisas, mas junta se resume à um único propósito: lhe destruir. E assim não foi diferente para Annie, assim como não foi para muitas pessoas. E é assim que chegamos ao fim do significado de uma garota, cujo apelido é dado de Lady Sensitive. Senhora da sensibilidade e do apreço a dor, que tem muito a nos mostrar e ensinar.

...

Tudo começa quando Annie pisca. Como numa fração de segundo acontece. Uma crise de histeria que lhe estragaria seu dia. Nervosismo marca o começo, seguido pelas pernas tremulas e raiva. Sheila acabará de entrar porta adentro do quarto.

– Guilher... – a garota de cabelos escarlate não consegue terminar de pronunciar o nome do que um dia foi seu amor

– O que você está fazendo aqui Sheilla? Não acha que já fez confusão demais não? – pergunta Annie um tanto grossa

– Não é da sua conta Annie. Eu vim aqui porque o Gui.. um amigo, de muito tempo atrás – conclui Sheilla

Guilherme que até o presente momento se manteve calado se pronuncia.

– Annie, será que eu poderia falar com a Sheilla por um momento à sós? – pede Guilherme

Annie no começo se sente um tanto insegura, mas decide confiar, no que agora, era seu namorado.

– Tudo bem. Esperarei lá fora – e se retira do quarto

Passam-se longos 15 minutos até que a porta do quarto se abre novamente e Sheilla sai, com os olhos vermelhos e maquiagem borrada. Para pôr um momento e apenas encara Annie, que sem entender nada, encara de volta. Sheilla não esboçava cara de magoa, raiva, ódio nem dor. Ela apresentava uma cara de perdida, de pena, que não foi compreendida por Annie.

Sheilla finalmente se meche e faz uma coisa que foi uma surpresa para Annie. Ela caminha em sua direção é a abraça, em seguida fala uma coisa à qual Annie esteve esperando durante muito tempo:

– Me desculpe – que saiu embolado de algumas lágrimas e sentimentos verdadeiros de uma garota que sofreu mais do que sucedeu na vida

– Eu sei. Eu sei. Você não tem ideia do quanto eu sei – fala Annie, que agora se deixava levar pela emoção do momento e se derretia nos braços de Sheilla – Não foi sua culpa

– Mas e que eu ... – tenta falar mas é bruscamente interrompida por Annie

– Mas nada. Vamos deixar o passado no passado e focar no presente e futuro, pois é o que importa

– Ok – fala Sheilla agora se afastando do abraço colado que dera em Annie – Preciso ir agora, já está escurecendo e não quero passar da hora de recolhimento, minha situação não está nada promissora

– Tudo bem – Annie sorri

– Ah, Annie – Annie olha – Meus parabéns – e se vira, fazendo aqueles lindos cabelos cor de rubi esvoaçar ao vento em uma câmera lenta e mágica.

...

– Oi Annie – fala Guilherme com um sorriso de derreter um bairro inteiro. Annie não responde, apenas se caminha em direção a ele e o abraça. Um abraço não só de amor, mas de carinho, amizade é uma especial dose de ‘muito obrigada’ que saiu em forma de um sussurro mental.

– Sabe – sussurra Annie ainda colocada com Guilherme – não vejo a hora de sairmos daqui, de ter uma vida normal, e você sabe... – ela rubra – namoramos – que sai quase como um sussurro

– Não seja boba – ele à agarra pela cintura e puxa-a mais pra perto – a gente pode fazer isso quando quisemos

Ambos sorriem e se beijam.

No outro dia bem cedo Guilherme tem alta do hospital com uma única recomendação: não fazer esforço e descansar bastante. Ele foi levado a um quarto no dormitório da escola, já que ele agora poderia ser considerado um aluno do internato.

Sua mãe tinha implorado para que ele ficasse com ela em casa, onde ela poderia cuidar melhor dele, mas ele não quis, pois ficaria longe da Annie quanto também não estava se sentindo agradável o suficiente para tentar se relacionar de uma maneira saudável com sua mãe nesse momento.

Annie cuidaria dele. E mal sabia ela, que seria por muito, muito tempo.

Três dias se passaram na mesma velocidade que uma folha demora para cair de uma arvore. Annie e Guilherme estavam cada vez mais próximos, contavam pedaços de sua infância um pro outro e em muitos pontos ambas as histórias se encachavam: passado sofrível, triste, e não desejado à ninguém. Angelica e Joana apoiaram-na em tudo nesses últimos dias. Gabriel e Felipe também. Nenhuma notícia até aquele momento foi recebida sobre Danniely, até que...

Era uma manhã um tanto estranha. Primeiro Annie acorda com falta de ar e com um pressentimento ruim, mas não deixa que aquilo mecha com seu emocional e decide continuar o dia normalmente. Segundo, o dia estava nublado, muito nublado até mesmo para aquela cidade. E terceiro, realmente havia acontecido algo.

Pouco mais cedo, naquele mesmo dia, o Internato Para Jovens Angeli de Vergunia, havia recebido a visita de 3 pessoas, sendo uma delas, uma jovem na casa dos 30 bem elegante, acompanhada de dois homens um pouco mais velhos que ela. Eles vieram em um carro público, usado apenas por pessoas autorizadas. Era um carro de polícia.

Sr. Margaret, ainda dormia quando foi tirada de seu sono por vozes no andar abaixo. Com certeza tinha visitas e muito barulhentas. Ela vestiu seu robe e desceu lentamente as escadas, sua idade não permitia que ela abusasse da pressa adolescente. Chegando ao destino, encontra as três figuras bem vestidas.

– Olá, no que posso servi á três jovens policiais no meu colégio a essa hora da manhã? – pergunta

– Bem, temos um assunto a tratar de extrema urgência – quem fala é a mulher, provavelmente a superior dos outros dois – e acredito que a senhora seja a responsável por esse ambiente, certo? Sra...?

– Margaret. Prazer em conhece-la – e estica a mão em um gesto de cumprimento

– Luana, policial chefe em treinamento. Prazer em conhece-la Sra. Margaret. Esses são Eduardo e Bruno, guarda municipal

– Prazer em conhece-los, sentem-se – ela aponta para as poltronas da cor bege que preenchem a sala de visitas.

– Bem, há alguns dias vocês procuraram a delegacia da cidade prestando uma queixa de desaparecimento de uma de suas alunas – Luana para e procura alguns arquivos em sua bolsa – Deixe-me ver, uma tal de Danniely. Estou certa?

– Certíssima. Continue.

– Bem, tivemos notícias, mas acredito que não seja das melhores.

O dia se seguiu turbulento pelo horário da manhã. O colégio seguia calmo e funcionando na medida do possível. Ninguém sabia o que estava acontecendo no lado de fora, exceto três pessoas: Sra. Margaret, um dos monitores e Annie.

Quando a policial veio notificar o colégio ela solicitou duas pessoas para reconhecimento do corpo da garota. Margaret era uma delas e foi aconselhável que alguém próximo a ela nesses últimos dias acompanhasse, no caso Annie.

Annie foi escolhida pelo envolvimento que ela tinha mantido com Danniely e por ser uma das últimas pessoas a ver ela ainda viva.

Quando Annie soube do acidente se recusou a acreditar e se recusou mais ainda a ir reconhecer o corpo. Ela chorou. Lágrimas de incredulidade. Lagrimas de tristeza.

...

Eram exatamente 13:25 da tarde quando o carro estacionou na frente do Necrotério da cidade. Era um prédio de dar arrepios mesmo de longe. Tinha uma estrutura arcaica, pois ali funcionava um hospital há muito tempo atrás e foi reformado para abrigar os mortos da cidade. Realmente tenebroso.

Elas foram encaminhadas por uns corredores largos, onde se via gente de todo o tipo: desde chorando pela perda de algum conhecido, até pessoas sorrindo loucamente. Annie não entendeu essa parte.

Elas pararam em um corredor um pouco mais estreito do que o que haviam entrado, porém suficiente largo para passagem de umas 10 pessoas simultaneamente. No final desse corredor tinha uma porta cinza bastante larga, era revestida por um plástico e ao se aproximas mais um frio atormentador tomou conta do ambiente. Era algo realmente tenebroso.

Ao passar pela porta cinza, Annie teve certeza, era o pior momento da vida dela. A sala era enorme, com estrutura para abrigar um ginásio de colégio tranquilamente. As paredes eram altas e cheias de gavetas gigantes, parecia que o mundo ao redor delas tinham encolhido. A maioria dessas gavetas estavam em processo de ferrugem. O resto da sala era coberto por mesas e.. restos humanos.

Annie decidiu não se preocupar com aquilo. Com certeza aqueles pedaços de pessoas que cobriam muitas mesas, um dia já foram pessoas lindas, e que tinham um maravilhoso futuro e que infelizmente foi tirado delas.

O homem que estava acompanhando Annie, Margareth e Luana mandou elas esperarem um pouco e verificou por alguns instantes uma prancheta minúscula que estava em seu bolso. Foi até uma das gavetas e abriu e as chamou. Não precisou. Annie viu.

Danniely estava realmente morta.

Foram os mais difíceis passos de sua vida. Cada puxada na perna que era forçada a dar era uma facada em suas costas. Annie nunca fora muito amiga de Danniely mas ela sempre gostou da garota tímida e simples que era ela. Quando essa namorou com Gabriel ela ficara muito feliz, pois os dois se combinaram muito. Coitado do Gabriel.

Realmente não precisava fazer muita coisa lá, já que estava evidente quem era. Annie nada falou, apenas acenou quando era perguntada e chorou caladamente.

Quando ela retornou ao colégio horas depois, todos já sabiam. Guilherme veio conforta-la assim que ela chegou, mas sua preocupação era apenas com uma pessoa: Gabriel.

– Vocês viram o Gabriel? – perguntou Annie ao resto de seus amigos assim que chegou no orfanato

– A última vez que o vi ele estava almoçando com a gente – responde Joana

– Foi mesmo – confirma Angelica e troca olhares com Annie

– Acho que devemos procura-lo – fala Annie e não espera a resposta do resto

...

Essa era a desvantagem de se estudar em um colégio tão grande, porque era fácil se esconder. E esse era o maior problemas deles atualmente. Enquanto o colégio tentava contatar a sumida da mãe da Danniely para o caso do velório e demais assuntos sobre o falecimento da mesma, Annie, Angelica, Joana, Felipe e Guilherme procuravam todo o colégio atrás de Gabriel. Só quem conviveu com ele esses últimos anos sabe como o temperamento dele é muito sensível.

Foi Guilherme que o achou. Ele estava escondido no vestiário da quadra masculina.

– Gabriel. Até que fim encontramos você – fala Guilherme

– Não sei porque a preocupação – fala seco e sem olhar para o maior

– Estávamos preocupado com você cara, não seja tão egoísta – fala Guilherme em tom casual

– Não pedi ajuda de ninguém e muito menos que se preocupassem comigo, eu estou bem – fala, praticamente cuspindo as últimas palavras

– Tudo bem, vamos fingir que eu nunca falei nada, OK? Mas ainda acho que você deva uma explicação para seus amigos, não é sempre que alguém se preocupa com alguém como eles.

– Pode dizer que estou bem. Que ficarei bem. Pode sair daqui e me deixar sozinho

Guilherme pondera por uns segundos até se virar e começar a ir embora.

– Guilherme – esse se vira – Obrigado.

– Não há de quê – e sorrir. Pelo jeito aquele era apenas o começo de uma nova amizade.

...

Guilherme volta e conta ao pessoal o que aconteceu no vestiário masculino. Eles nada falam, mas parecem respeitar a opinião e decisão dele.

Enquanto isso Gabriel fica no mesmo lugar onde foi encontrado: entre dois armários não utilizados no vestiário masculino da quadra. Ele escolheu aquele lugar pois quem frequenta aquele lugar não dá a mínima pra ninguém, inclusive ele, e aquele dia estava sendo muito tumultuado no colégio, o que o deixou completamente vazio. Ele não esperava que ninguém o achasse ali, mas ficou feliz em ver que foi o Guilherme que o encontrou. Não queria que o Felipe o achasse, pois não saberia bem o que dizer e nenhuma das meninas pois elas tentariam consola-lo e isso era exatamente o oposto do que ele precisava naquele momento.

Ele não chorou. Sentiu uma tremenda vontade mais não iria chorar. Não queria. Por mais que Danniely tenha o traído, em sua concepção pelo menos, ele sempre gostou dela e nunca deixou que ninguém falasse mal dela com ele por perto. Seus amigos sempre souberam disso e sempre respeitou isso dele. Era uma qualidade para toda a vida.

Ele estava em um estado tão caótico que nem se tocou que gigantescas lagrimas abriam caminho sobre seus olhos enquanto ele recordava os momentos em que passou ao lado dela, pareciam cenas de filmes, eles almoçando junto sobre os olhares atentos de muita gente, eles tomando sorvete na praça em um sábado ensolarado enquanto viam as pipas abrirem caminho dentre as nuvens, mais lagrimas, e quando eles correram da chuva que insistia em cair exatamente por onde eles passavam, enquanto fugiam do maluco da peneira, o qual Danny insistiu que ele estava encarando-os desde que eles tinham chegado à praça naquela tarde de segunda.

Lagrimas. Lagrimas de ele insistia em conter com a manga da camisa, a qual já estava ensopada. E foi ai que ele lembrou, lembrou da promessa que fez a ela, a promessa a qual ele não pode cumprir. Sua vontade era de bater em alguém, de preferência quem fez isso com ela, e matar, matar da forma mais lenta possível, para que ele sofresse por todo o mal que fez aquela garota.

Enfim, ele não conseguiu protege-la.

...

Amanheceu. Um dia nublado e com tema tenso no ar. O colégio se preparava para um velório que aconteceria no auditório do colégio, onde alguns amigos próximos falariam e seriam acompanhados por uma breve missa à alma de Danniely.

Pobre Danniely...

Notas finais
Gostaram? Agora que voltei, prometo que não irei parar mais, ele realmente terá fim por esses dias. Não se se faço outro capítulo só, ou prolongo mais. Enfim, opinem que dependendo disso, eu escolho. XOXO Até mais. Só lembrando, que assim que acabar essa, terá uma fic muito triste que eu venha preparando (não escrevendo) há muito tempo. Então, aguardem.