Lady Sensitive..
5 Capítulo 3 - Blue Eyes
Notas iniciais
Musicas para ouvir enquanto ler: Blue Eyes e Good gone girl, ambas do Mika.
Desejo um otimo capitulo.
Capitulo dedicado à Joyce Dias, minha melhor amiga que acompanha a fic e a que mais me influencia a continuar com ela.
- Doce, doce. — pedia Annie sentada na cadeira da mesa enquanto Aline colocava doce de mamão em uma tigela para ela.
- Calma meu amor, já estou colocando – falava Aline enquanto entregava a tigela a Annie, mal sabia ela que seria sua última refeição.
{Presente}
- Annie, venha querida. Você está ficando muito cansada. Acho que você deveria dormir um pouco – falava Adriana para Annie
- Não. Eu estou bem. Não quero sair daqui até ele acordar – fala Annie
- Eu sei querida, mas eu tenho certeza que ele não irá acordar agora. Desça um pouco, vá tomar uma água e comer alguma coisa, deixe eu cuidar dele agora – falava Adriana enquanto segurava a mão de Annie e a levantava
Annie estava a 1 dia inteiro sem comer nada. Ela havia chegando no hospital junto com Guilherme, a 2 dias, que tinha passado por serias complicações. Depois de uma cirurgia longa e angustiante Guilherme saiu da UTI e foi para o quarto, onde Annie e a mãe de Guilherme, Adriana, ficaram desde então. Annie se recusou a sair por um minuto sequer do lado dele.
- Tudo bem, irei, mas volto logo – falou Annie em tom sério
- Pode voltar querida – falou Adriana com um sorriso verdadeiro no rosto – tenho certeza que ele vai querer lhe ver quando voltar
Annie corou e saiu apreensiva do quarto, sempre olhando para trás. Foi em direção ao elevador mais próximo, estava em manutenção. Decidiu ir pelas escadas até a lanchonete. No caminho avistou seus Joana e Gabriel.
Todos os seus amigos tinham vindo logo após Annie ao hospital, porém a coordenação do colégio obrigou ambos a retornarem, alegando que não poderia liberar todos de uma só vez e que a situação era um pouco seria para que eles pudessem ficar sob responsabilidade. Apenas Annie foi liberada. Após 1 dia e meio de muita insistência, a coordenação liberou que de 2 em dois fizessem companhia a Annie e tentassem fazer com que ela retornasse ao colégio e descansasse. Annie recusou sem pensar duas vezes.
Ela estava com a cabeça cheia e decidiu evita-los por enquanto. Deu meia volta e seguiu pelo outro lado até a lanchonete. Ela estava bastante vazia até. Ela foi em direção ao balcão e pediu um café.
- Mas alguma coisa Sra.? – perguntou a garçonete a Annie
- Não obrigada. Estou sem fome — e foi em direção a mesa mais próxima e se sentou
Annie virou para a janela e fitou o vazio. Observou os pássaros cantarem, o vento soprar, as crianças correrem e um balanço. Aquilo lhe fazia ter nostalgia e lembrar muito do seu passado. Seu lindo e maravilhoso passado que ela insiste em esquecer.
- Posso sentar com você? – perguntou um homem, com cabelos grisalhos, altura mediana, branco e com barba para fazer. O modo como ele chegou fez Annie dar um pulo
- Claro. – concorda Annie reconhecendo o Sr.
- E então Annie, como está você, primeiramente? – pergunta o sr.
- Estou bem, sr. Augusto. Não tive ferimentos graves, apenas alguns arranhões – responde Annie
- Não foi isso o que eu quis dizer querida – fala calmamente o sr. Augusto, como se estivesse se dirigindo à uma criança – eu pergunto sobre seu bem estar
- Ah! – suspira fundo Annie e fica o vazio novamente – Estou tentando levar. Sabe... é muito difícil ter que lidar com isso. Eu pensei que depois do acontecido com a minha família, eu iria levar coisas desse tipo numa boa. Mas não foi isso que está acontecendo, está piorando, n-não sei o que eu faço – fala Annie e enxuga a lagrima que insiste em correr pelo seus olhos
- Entendo. Mais você sabe que é pra isso que eu estou aqui. Para a gente conversar e você me contar por tudo que tem passado. Sabe, eu observo você Annie. Eu não sou um apenas um conselheiro, um psicólogo do colégio, eu sou seu amigo. Você devia me contar mais essas coisas – fala o sr. Augusto olhando profundamente nos olhos de Annie
- ...
- Annie. Você gostaria de contar o que aconteceu naquela cozinha? – pergunta o sr. Augusto olhando fixamente nos olhos de Annie
- Não. Acho que não – responde Annie sem encarar o sr. Augusto
- Tudo bem Annie. Não posso lhe forçar e não irei fazer – fala sr. Augusto respirando profundamente e se afundando na cadeira da mesa
- Eu.. eu não estou pronta. Não ainda – responde Annie com os olhos marejados de lagrimas
- Não se preocupe Annie, quando quiser conversar, estarei sempre aqui. Bem, não aqui, nessa cafeteria, mas estarei naquela mesma sala, à todo o momento lhe esperando. Dê uma passadinha lá de vez em quando – fala sr. Augusto. Annie sorri, pela primeira vez em dias. Sr. Augusto se prepara para se levantar – Bem, vou indo agora, acho que meu tempo acabou aqui. Tenho que voltar pro colégio, não é só você que precisar de atenção mocinha!
Sr. Augusto se levanta, passa a mão na cabeça de Annie e vai embora. Annie ainda fita o vazio.
Flashback ON
- GUILHEEEEEEEEEEEERMEEEEEEEEEEEEEE! – grita Annie desesperada
Guilherme acaba de desfalecer na frente dela e ela não o que fazer. Desesperada, começa mexer nos bolsos de Guilherme à procura de um telefone celular. Não obtém resultado. Decide que é hora de agir. Se levanta às pressas, completamente encharcada de sangue e sai correndo em direção à saída da cozinha. Hesita em deixar Guilherme sozinho, mas precisa salva-lo, nem que isso lhe custe uma consciência horrivelmente pesada.
Annie passa pelo refeitório e vai em direção ao auditório. Parece que todas as pessoas estão aglomeradas lá, pois Annie não acha ninguém até chegar lá.
~Alguns minutos antes
- Mas o que foi que deu nessa menina? Ela anda muito estranha esses dias – reclama Joana para Angelica. Ambas estavam sentadas no meio do auditório enquanto a cerimonia de retorno as aulas começava
- Não sei, mas até que entendo um pouco o lado dela, pelo menos agora. – fala Angelica meio pensativa
- ÉÉÉÉ?! O que é então? – pergunta Joana. Ela tinha colocado a bolsa na cadeira ao lado para guardar a cadeira para quando Annie retornasse
- Bem, pense comigo: ela foi praticamente salva na noite anterior, por um garoto super gato que ninguém conhecia. Ela pode negar o quanto quiser, mas que ela ficou atraída por ele ficou. Outro ponto que podemos contar é o fato dela ver seu ‘príncipe encantado’ nas mãos de sua arco rival algumas horas depois. Não é de se estranhar ela ter saído correndo. Por isso que eu pedi para não ir atrás dela. É melhor deixar ela pensar um pouco e se acalmar. Ela ficará bem – explica Angelica
- Hmmm, você tem razão, mas bem que a gente poderia dar uma fugidinha também né?! Ninguém merece ter que assistir essa abertura idiota e aquela velha coroca falando por horas! Isso realmente cansa – se queixa Joana
- Eu sei, mas não podemos. Não ainda. A gente não sabe para onde a Annie foi. Quando ela voltar ela precisará do maior suporte que podemos lhe dar e se a gente sair assim e quando ela chegar não nos encontrar, seria uma terrível tragédia, ela ficar aqui sozinha vendo a Sheilla e o Guilherme no maior love – fala Angelica
- Bem, sobre a Sheilla você está certa, mas não ela não está com o tal Guilherme, olhe lá – Joana aponta para outro lado do auditório, onde Sheilla conversava com 2 garotas, até então desconhecidas
- Estranho. Muito estranho, mas acho melhor ficarmos aqui por enquanto mesmo assim – fala Angelica – Vamos ver no que isso vai dar – e se posiciona ereta e de frente para o palco
- Tudo bem, vamos fazer como você diz. Não tenho muita experiência com isso mesmo – fala Joana fazendo biquinho
- Menos drama Joana, menos drama – fala Angelica com um sorrisinho nos lábios
{...}
- Ei, vocês ai – fala a sra. Margaret para Gabriel e Felipe – o que estão fazendo aqui? – pergunta
Gabriel que estava apoiando a cesta na mesa dá um pulo quase a deixando cair. Felipe apenas sente um calafrio.
- E-estamos esperando a senhora – responde Gabriel
- Para que? – pergunta a sra. Margaret levantando as sobrancelhas
- Para que a senhora possa começar o sorteio. A gente ficou encarregado da cesta do sorteio de retorno as aulas – responde Felipe
- Entendo. Só que esse ano não terá sorteio nenhum, não avisaram à vocês? – fala a sra. Margaret se dirigindo até eles
- Não. A gente não soube de nada. O Rodolfo apenas disse que era para a gente pegar a cesta no almoxarifado e trazer para o auditório, mais nada. – fala Gabriel
- Bem, agradeço a ajuda e a intenção, mas por hoje, já podem ir. – conclui a sra. Margaret e se vira para sair
- Certo – fala Gabriel, largando a cesta e se dirigindo para fora do backstage, seguido por Felipe
- Aquela velha nojenta, nós fazendo de besta novamente – xinga Gabriel, antes olhando para trás para o caso da sra. Margaret está próximo e ouvi-lo
- Não acho que tenha sido culpa dela, não dessa vez – fala Felipe pensativo
- Como assim? É claro que foi! É ela quem organiza isso aqui, é tudo culpa dela! – se expressa Gabriel
- É, eu sei. Mas eu estou falando que não e culpa a gente ter trabalhado de besta. Provavelmente ela passou o comando que não iria haver sorteio hoje, mas algum incompetente, não, algum não, o incompetente do Rodolfo não prestou atenção, ou simplesmente não quis, passar a informação correta, penso assim – fala Felipe. Ambos agora se aproximam de onde está sentada Angelica e Joana
- É, deve ser isso mesmo – conclui Gabriel
- Eaew meninas! – cumprimenta Felipe e se senta no lugar atrás delas
- Oi Felipe. Gabriel – cumprimenta de volta Angelica
- Cadê a Annie? – pergunta Gabriel observando a ausência da garota
- Hmm... – as garotas se entreolham antes que Angelica respondesse
- Foi ao banheiro, volta já
- Tudo bem. Vamos ficar aqui mesmo? Assistindo isso? – pergunta Gabriel indignado
- Claro que sim. Se sairmos agora e formos notados e dias de advertência, e eu não estou afim de perder meu precioso tempo com serviços pós-aula. – fala Angelica
- Ta bom, só perguntei – fala Gabriel abusado
...
- Bem vindos de volta, queridos alunos. Hoje é um dia um tanto especial aqui no Angeli de Vergunia. Para aqueles que retornam hoje e para aqueles que ingressam hoje, um maravilhoso bem-vindo e obrigada. Aqui é um lugar onde priorizamos o aprendizado e o convívio social, então a partir de agora, quero que todos vocês, principalmente aqueles que acabam de chegar, dê um oi para quem estiver ao seu lado – começa o discurso de boas-vindas a sra. Margaret
- Boa pessoal, não sejam tímidos! – insiste. Alguns alunos se remexem na cadeira e preferem obedecer a ordem – Muito bem. Bem agora, iremos todos ficar de pé para que possamos cantar o hino do nosso adorável país de Linovva.
Todos já de pé, começam a cantar:
“Linovva terra dos gigantes
Resplandecida de amor, paz e cultura
Iluminando os jovens e sua bravura
Para que um dia, espante o mal
E assim, vitória gritar
Para todos os quatros cantos do nosso lindo país
Escutar.
Cante Linovva, cante Linovva
País dos grandes,
País dos indomáveis
Seja guerreiro e vença a derrota
Cante Linovva,
Viva Linovva!”
Logo após todos voltaram aos seus lugares e continuou a sra. Margart
- Estou realmente emocionada. Há muitos anos que não cantava esse maravilhoso hino tão bem. Agora tenho algumas informações para anunciar para vocês. Primeiramente anuncio que esse ano não teremos mais o clube do terror... – pretexto e vaias cercaram o auditório
- Silencio! Silencio! SILENCIO! – pede a sra. Margaret – Agora, por favor, se comportem até eu terminar de falar. Esse ano não terá o clube do terror. Ano passado tivemos vários problemas com ele por culpa dos... – a sra. Margaret para bruscamente e encara o vazio a sua frente, todos seguem seu olhar
Do outro lado do auditório, na porta, passava correndo Annie, completamente lambuzada de sangue e chorando muito. Todos apenas a encaram. A sra. Margaret e alguns funcionários correm até ela e ela histérica, apenas fala “salve ele”, “salve ele”, “salve o Guilherme”.
Annie e rapidamente retirada do auditório e esse virá um caos. A maioria dos alunos, com exceção a poucos, correm em direção a entrada mas são barrados pelos seguranças que foram acionados, enquanto Annie e levada até a sala de emergências.
Annie começa a explicar o que está acontecendo, porem as poucas palavras ouvidas dentre seus soluços foram “Guilherme”, “salve ele”, “faca” e “cozinha”. Por meio de dúvidas, a sra. Margaret manda um funcionário, o Tiago, para averiguar a cozinha, já que Annie não parava de falar nisso.
Passam pouco mais de 5 minutos, Annie ainda incontrolável não aguenta mais e sai se levanta, empurra o enfermeiro que estava lhe ajudando a tirar as roupas meladas de sangue, e sai em correndo em disparada a cozinha. Chega lá bufando e encontra o Tiago abaixado enquanto tentava ouvir os batimentos cardíacos. Aos poucos, a cozinha ia lotando.
Passaram-se alguns segundos até que Annie gritasse “Vocês vão ficar ai parados?! Vão deixar um aluno morrer?!” e eles acordassem de um transe automático para “liguem para a ambulância”, “chame os enfermeiros e mandem trazer um quite de primeiros socorros” e “Annie você precisa sair daqui”.
Annie institivamente se recusou a sair e começou a espernear, até ser deixada no canto, observando enquanto o sangramento de Guilherme era parado. Pouco mais de 15 minutos de tortura, os paramédicos chegam e levam Guilherme. A essa altura o colégio todo está sabendo por alto o que está acontecendo e lotam os corredores.
Enquanto levam Guilherme, Annie gruda na maca e se recusa a soltar ou se afastar. Quando perguntada se estar bem por um dos paramédicos, ela responde que precisa dos primeiros socorros também, pois sofre do coração é também foi vítima do incidente (sendo a primeira parte mentira).
Annie, Guilherme e a sra. Margaret seguem na ambulância até o hospital mais próximo, enquanto o vice-diretor Rodolfo segue em um carro particular. Chegando ao hospital, é tudo meio borrado para Annie. Ela lembra de ser conduzida para fora da ambulância, enquanto um grupo de pessoas (provavelmente enfermeiros, pensou Annie), retirava a maca com Guilherme e a conduzia para dentro de um sala onde estava escrito UTI. Annie tentou ir junto mas foi barrada, ela lutou um pouco até que perdeu a consciência e não lembra mas de nada.
Quando Annie acordou estava em uma sala com as paredes brancas, uma pequena televisão pendurada no teto, que estava ligada, uma maca vazia ao seu lado, alguns aparelhos de monitoramento ligado à ela (que logo deduziu que era soro e medidor de frequências cardíacas, provavelmente causado por alegar sofrer de problemas no coração) e 4 pessoas sentados em silencio no sofá ao lado seu lado direito. Eles não notaram que ela havia acordado até que ela tentou se levantar.
- Wooow, vai com calma ai madame. Você ainda não está 100% — fala Felipe que estava mais próximo à cama de Annie e corre para ajudá-la a se deitar novamente
- Me solta Felipe. Eu estou bem – alega Annie empurrando Felipe de volta ao sofá
- Calma ae! Só estou tentando ajudar, foram ordens – fala Felipe que fica emburrado
- Oi Annie, a gente também veio – fala Joana – A sra. Margaret ficou uma fera quando viu a gente, dizendo que era pra gente voltar para o colégio naquele mesmo momento, quando percebeu que precisava de alguém para ficar aqui e ela tinha muitos problemas para resolver. Bem, estamos aqui então. Não fique com raiva da gente – fala calmamente Joana, tentando não causa tumulto
- Não. Não é isso. Eu só estou... preocupada. E o Guilherme? Cadê o Guilherme? – pergunta aflita quando começa a se situar da situação
- Ele ainda está na UTI, já fazem tipo 6 horas que a gente chegou aqui e já tinha um tempinho que ele tinha entrado lá. Não tivemos notícias. Mais tenho certeza que ele ficará bem Annie, tenha fé! – fala Angelica tentando consolar a amiga
- E você Annie? Como está se sentindo? – pergunta Joana
- Estou bem. Não tive nada sérios, só alguns machucados nas mãos e no joelho, pelo que me lembro. E cadê a Danny? Ela está bem? – pergunta Annie preocupada
- Danny? Você fala daquela vadia da Danniely? – fala de repente Gabriel, nervoso – O que ela tem a ver com essa situação?
- Como assim o que ela tem haver? FOI POR ELA QUE ISSO ACONTECEU! Cadê ela? Cadê?! – se exalta Annie gritando com seus amigos
- Calma Annie. Não tivemos notícias dela. Para começar nem sabíamos que ela tinha alguma relação com o ocorrido. A sra. Margaret pediu para a gente contata-la assim que você acordasse, ela precisa de um breve esclarecimento sobre a situação, para poder explicar as autoridades e talz. Mas ainda não fizemos isso. Decidimos antes de você acordar que isso iria ser decisão sua. – fala Angelica, seria
- Eu não sei. Preciso saber notícias da Danny logo. Como assim ela não... espera. Quando eu voltei a cozinha, não me lembro de tê-la visto! Ai meu Deus! Será que aquele nojento do... – Annie tem uma breve anciã de vomito e leva a mão rapidamente a boca – estou bem, estou bem, o nojento do Lucas fez alguma coisa com ela? Ai Meu Deus! – e torna a levantar
- Annie pare! Você ainda não está em condições de estar andando por ai. Tenho certeza que você est ótima, mas esse soro ai contem tranquilizante, à menos tentativa de andar você se estatelaria no chão – fala Angelica
- Tudo bem – fala Annie e puxa com tudo o fio de soro que estava grudado em seu braço, à fazendo soltar um grito agudo e sentir uma dor momentânea
- Annie! – fala Joana e corre para ajudar ela a limpar o pequeno sangramento que se formava no local onde antes passava soro – Isso é perigoso.
- Eu sei, mas não posso ficar simplesmente aqui parada enquanto... enquanto um amigo morre e outra está desaparecida
Nesse momento entra uma enfermeira e parece até surpresa com o estado de Annie.
- Olá querida. Não pensei que iria acordar agora, não depois de uma dosagem tão alta de ansiolíticos está presente no seu sangue. – fala a enfermeira enquanto adentra a sala – A propósito, meu nome é Karen, sou sua enfermeira por enquanto
Todos pareciam surpresos demais com a chegada fantasma da enfermeira e ficaram meio que sem reação.
- O.. E o Guilherme? Está bem? – pergunta Annie preocupada
- Não sei dizer querida. Mas tenho certeza que ele ficará bem – ela solta uma piscada com o olho direito para Annie – Vejo que arrancou o soro. Menina má. Deixe eu colocá-lo novamente, não irá doer nada e levará apenas alguns segundos – falava Karen enquanto abria uma gaveta
- Não, por favor não. Eu já estou bem, não preciso de mais soro ou calmante, por favor – implorou Annie segurando o pulso de Karen. Karen pareceu analisar a situação por alguns segundos
- Tudo bem. Dessa vez irei confiar na palavra de um paciente. Preciso dar um voto de confiança mesmo – Karen pareceu falar para si mesma.
Karen guardou a agulha e o soro de volta na gaveta do criado mudo e começou a se retirar.
- Irei avisar aos meus superiores que você já acordou – fala Karen se retirando
...
- Annie, você sabe o que eles estão planejando né? Você provavelmente terá que falar tudo o que aconteceu naquela cozinha. Vai ser difícil mas você consegue, eu tenho certeza – fala Felipe
- Tudo bem. Vocês poderiam me deixar sozinha agora? Preciso pensar e colocar minha mente em foco – pede Anne
- Claro, já estamos saindo – fala Angelica e se levanta junto com Felipe, Joana e Gabriel
- Vejo vocês mais tarde!! – fala Annie e tenta sorrir, o que sai mais como uma careta do que como um sorriso.
Alguns minutos depois, entra no quarto a sra. Margaret, o vice-presidente do colégio Rodolfo, um homem completamente engravatado e uma mulher, ambos desconhecidos.
- Olá Annie, como vai? – pergunta a sra. Margaret tentando parecer simpática
- Vou bem – fala Annie, seca
- Que bom. Gostaria que você nos contasse o que houve na cozinha ontem à noite. Eu sei que foi um momento muito forte e difícil para você pelo estado como vocês ficaram, mas eu sei que você é capaz de superar suas dificuldades atuais e nos contar. Certo? — quem pergunta agora e a mulher que acompanhava o resto – Meu nome e Marilia e sou advogada, prazer em conhece-la. – se apresenta
- O prazer e todo meu – fala educadamente – Eu irei contar tudo que estiver ao meu alcance, porém, gostaria de saber o que aconteceu e onde está a Danny, digo a Danniely. Ela estava comigo quando tudo aconteceu e não tenho tido notícias dela desde então
Todos se entreolham rapidamente e voltam a atenção para Annie.
- Querida, não posso lhe informar nada agora, porque também não sabemos. Não estávamos nem cientes de que ela tinha algum envolvimento, mas prometo perguntar à alguém logo que saímos daqui. E então, está pronta? – pergunta Marilia
- Estou – conclui Annie
Annie conta o ocorrido por cerca de 30 minutos, sem ser interrompida, causando em muitos momentos caras estranhas nos convidados. Quando finalizou todos se despediram e prometeram que Annie poderia voltar ao colégio logo.
- Não. Não quero voltar. Não sem o Guilherme – retruca Annie mal humorada
Marilia sorri e completa antes de sair: — Entendo. Prometo que irei conversar com calma com a sra. Margaret e logo isso será resolvido
Então eles saem do quarto. Annie não espera que seus amigos voltem, decide que já e hora de se levantar e é isso que faz. Veste um roupão que estava pendurado no armário e se prepara para sair.
Enquanto passa pelos corredores, não encontra ninguém conhecido e nem ninguém parece nota-la. Ela então se dirige à recepção. Lá ela é informada que o paciente Guilherme Petersen deu entrada há 10 mas que não pode lhe informar onde ele se encontra. Ela decide procurar por conta própria e segue para o elevador.
Chegando na ala de enfermos, decide procurar pelo nome. Quando e surpreendida pela sra. Margaret.
- Annie? O que você faz aqui? Você deveria estar descansando, venha, eu lhe acompanho até seu quarto – pede a sra. Margaret
- Não. Por favor não. Eu preciso vê-lo. Agora. Saber se ele está bem, não conseguirei dormir mesmo, já estou me sentindo muito melhor – explica Annie se recusando a seguir para seu quarto
A sra. Margaret pondera a situação por alguns segundos.
- Tudo bem. Mas você não poderá fazer nenhum barulho, a mãe dele também está lá. Seja atenciosa e respeite seus limites, é só o que lhe peço – fala a sra. Margaret enquanto conduz Annie até uma sala do outro lado do corredor, de número 86.
Toc toc é a porta abre. Uma mulher na faixa de seus 40 anos e poucos, com cabelos bastantes negros e longos, bastante branca e com olhos verdes claros abre a porta. Pela aparência ela devia estar chorando.
- Olá. – fala Annie
- Olá querida, acho que você deve ser a Annie, estou certa? – fala a senhora, com um sorriso forçado no rosto
- Sou eu mesma, prazer em conhecê-la – fala Annie um tanto envergonhada e abaixa a cabeça
- Não fique assim querida, ele ficará bem. Venha, entre, levante essa cabeça e enxugue essas lagrimas, aproposito meu nome é Adriana – e assim ela segura no braço de Annie e a conduz para dentro do quarto
O quarto não era tão diferente do quarto onde Anne estava à algumas horas. As únicas coisas realmente notáveis eram a quantidade de equipamentos ligados a Guilherme. Ah Guilherme... Annie se aproximou lentamente, sem conseguir conter as lágrimas e se ajoelhou ao lado da cama. Sem fala nenhuma palavra apenas segurou a mão morta dele e acariciou seu cabelo bem devagar. Guilherme parecia envolto em um sonho permanente e não se mexeu.
A partir daquela tarde, Annie se recusou a sair por um segundo sequer no quarto e Guilherme não dava sinal de que iria acordar tão cedo. Até aquele dia.
Flashback OFF
Notas finais
Bjos
XOXO
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