Lady Sensitive..
12 Capítulo 10 - Obsessed
Notas iniciais
Uma, duas, três pessoas... e aos poucos o auditório do colégio se encheu. Muitos não a conheciam, mas o sentimento da garota morta e de ela ser uma ex-colega atingiu a muitos dos alunos.
Eram exatamente 9hrs da manhã quando a diretora do colégio, sr. Margareth sobe ao palco e começa seu discurso de despedida, poucas palavras que emocionaram a muitos.
– Estamos aqui hoje reunidos perante esses jovens alunos e o membro do corpo docente dessa instituição para nos despedimos de uma aluna, e acima de tudo, de um ser humano. Danniely era uma garota tímida, linda e que tinha um futuro muito promissor pela frente, mas que infelizmente foi tirado dela, sem explicação nenhuma.
– Para aqueles que não sabem, ela foi encontrada ontem pela madrugada em um beco... – pausa silenciosa. Margareth podia ter muitos anos de experiência em sua vida, mas algo assim realmente a abalava muito – em um beco, morta. Não se sabe ainda o que a aconteceu, mas já estão trabalhando nisso e espero que o culpado seja encontrado logo. Ela merece justiça.
– Com esse momento muito triste, gostaria de pedir a todos que se levantassem e fizessem uma oração silenciosa pela alma dela. São momentos difíceis que temos passados, mas com certeza ele irá passar e a luz da esperança continuará sempre a reinar.
Com esse pedido, todos se mantiveram de pé, em frente a uma foto de 1 metro de altura onde estampava o sorriso lindo e gracioso que um dia pertencerá a Danniely. Foi um momento lindo e eterno.
Todos já sentados, a sr. Margareth retoma a frente do palanque e continua a falar.
– Não sei dizer quantos amigos ela tinha, nem quantos gostavam dela, mas gostaria de perguntar se alguém gostaria de deixar umas últimas palavras em nome dessa jovem. – silencio por algum tempo
– Alguém? – ninguém respondeu – Bem, se é assim vamos dar continuidade a nossa cerimonia
– Espere – falou uma voz feminina – Eu gostaria de ler algumas palavras
Era Annie. Parecia muito tensa e nervosa, mas mesmo assim continuo caminhando em direção ao palco. Ela carregava um papel de carta na cor vermelha em suas mãos.
– Muito bem querida. Pegue, e fique à vontade para se despedir de sua amiga. – Sr. Margareth entregou o microfone a ela
Antes que ela começasse a ler o papel que estava em suas mãos ela foi até o ‘o cara do som’, como era chamado o homem que comandava as músicas do colégio e falou alguma coisa a ele. Pouco tempo depois, começa a tocar uma música, não bem uma música, era só o toque.
– Olá, começa Annie. Antes de começar eu gostaria de explicar a música que está tocando. Bem, é uma longa história mas gostaria de compartilhar com vocês antes de ler o que eu tenho aqui. Danniely já foi namorada de um amigo meu e nesse período realmente fomos muitos próximas e ela foi realmente importante para mim. Um dia estamos assistindo um filme, apenas eu e ela, não me lembro bem do filme mas me lembro muito bem do momento, porque foi quando começa a tocar uma música nos créditos do filme. Danny olhou pra mim e disse ‘OMG, essa e a música mais linda que eu já ouvir na minha vida’, e aquela música e exatamente essa que vocês estão ouvindo agora. E por isso gostaria de compartilhar essa música, assim como essas palavras com vocês – ninguém falava nada, apenas observava tudo silenciosamente
– Essas palavras não são minhas, são de um amigo que era muito amigo, ou amiga, dela e que não se sente bem para falar aqui e então eu resolvi falar por ela.
– Bem, vamos lá. Se por um instante Deus esquecesse de que somos uma marionete de pano e nos presenteasse com mais um pouco de vida ao teu lado, possivelmente não diríamos tudo o que pensamos, mas definitivamente pensaríamos em tudo o que dissemos. Por tanto, pensando no que dissemos, fizemos e sentimos, percebemos que os momentos de história que realizamos juntos foram mais grandiosos do que pequenos. Trabalhamos, mas também rimos muito, e podemos dizer que se Deus nos concedesse mais um pouco de vida ao seu lado, morreríamos de tanto rir. Neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na saudades que iremos sentir, mas sorriso é o que te demonstraremos neste instante por ser o motivo deste até logo, a realização de mais uma vitória em sua vida. – Annie se embolava em lágrimas enquanto lia, assim como muitos na plateia — Sempre há um amanhã e a vida nos dá sempre mais uma oportunidade para fazermos as coisas bem, e temos que aproveitar cada oportunidade, por isso sabemos que você tem que ir, mas ficaremos aqui enquanto não chega a nossa hora para que enfim nos reencontramos novamente. Eu te amo.
Ao terminar de ler, Annie realmente não acreditava no que tinha acabado de ler, que aquelas palavras tinham sido as mais lindas e inocentes que ela já tinha visto em toda a sua vida. Enquanto ela pensava nisso, estouros de palmas eclodiam por todo o ginásio, onde muitas pessoas também tinham se emocionado. E assim, todos tristemente dizem adeus a Danniely, sabendo que em algum lugar lá em cima ela os observava e com certeza estava muito feliz por todos eles.
... Algumas horas antes ...
– Danny, me dê sua mão, por favor, você vai cair – implorava Annie enquanto via Danny na beira de um penhasco
– Não Annie. Eu fiz muita besteira, chegou minha hora de partir – falava Danny enquanto essa dava cada vez mais passos para a beira do penhasco
– Não seja tola Danny. A gente lhe ama. Você não teve culpa do que aconteceu com você. – Annie tentava se aproximar devagar, antes que fosse tarde demais – Por favor, me dê sua mão. – o suor escorria sobre a testa de Annie e seu coração batia assustadoramente muito rápido
– Não Annie. Acabou para mim – nesse momento Danny se vira e se joga do penhasco.
Sobre a luz da lua e a sombra das estrelas Annie corre até o penhasco, mas não consegue ver Danny, a única coisa que consegue ver é um mar que cobria toda a ilha. ‘Estou em uma ilha?’ ela se pergunta, enquanto vê o mesmo mudar de cor e borbulhar. Em alguns segundos o mar vai de um azul celestial para um vermelho sangue borbulhante. A borda do penhasco onde estava não era mais um precipício. Agora ela estava em pé sobre uma arvore em chamas. Ela estava em chamas. Annie começa a gritar desesperada.
– Annie... Annie... Annie, acorde. Sou eu, Gabriel, eu poderia falar com você?
Annie se senta na cama, ‘então aquilo não passava de um sonho? Ou melhor, um pesadelo’, ela se levanta e vai até a porta, mas não sem antes olhar que horas era. O relógio marcava 04:15 da manhã.
– Gabriel? O que você faz uma hora dessas fora da cama? – perguntava Annie enquanto mandava ele entrar no quarto – Você sabe que não pode andar por ai a essa hora da madrugada, e muito menos no lado dos dormitórios feminino. – sussurrava, pois não queria que as meninas acordassem.
– Eu.. eu preciso lhe pedir um favor – falava – Você está bem Annie? Parece tensa.
– Estou ótima, só tive um.. pesadelo, nada demais. Continue – pediu
– Bem, não sei como falar isso. Você poderia...
– Sim?
– Bem é que você sabe, eu não namorava mais com a Danny, mesmo assim eu gostava dela ainda – tentava se explicar – você sabe, como amigo
– Sei. Por mais que a gente tenha se afastado durante esses tempos, eu realmente me sinto da mesma forma em relação a ela.
– Bem, eu andei pensando sobre isso e decidir que gostaria de deixar algumas palavras pra ela – ele agora parecia muito longe, muito triste – por isso, escrevi algumas palavras pra ela – ele coloca a mão no bolso do roupão que usava e puxa um papel vermelho que estava dobrado ao meio. Ele estende a mão a Annie que pensa por uns segundos antes de pegar
– Eu.. – Annie começou a abrir o papel, mas foi rapidamente impedida por Gabriel
– Não. Não leia ainda, só leia quando chegar a hora. Quando tiver todo mundo reunido você ler para todos – pediu Gabriel
– Gabriel, eu não sei se consigo, eu realmente não sou boa em despedidas
– Não se preocupe, você conseguirá – ele se levanta da cama onde estivera sentado e antes que saísse se vira novamente – tem mais uma coisa
– O que? – ele revira novamente os bolsos e puxa um pendriver e entrega a Annie
– Ai dentro tem uma única música. Gostaria que você pedisse para toca-la enquanto lê.
– Que música é?
– É uma instrumental. Foi a primeira música que toquei para a Danny quando começamos a namorar. Ela adorava. Ela sempre sorria, e ficava com os olhos cheios de lagrimas toda vez que eu a tocava. Ela dizia ser a música mais linda que já ouviu. Mas por favor, não diga a ninguém sobre isso, e particular, eu sei que você consegue inventar alguma coisa se for questionada a respeito, por favor – quem realmente estava ficando emocionado agora, não era Danny
– Tudo bem Gabriel. Eu farei isso por você – fala Annie
– Muito obrigado Annie – ele a abraça, eu não sei o que seria de mim sem você – ambos rirem baixinho enquanto Angelica geme alguma coisa
– Eu sei – completa Annie enquanto Gabriel vai embora.
Annie volta para sua cama, e por muito tempo não consegue tirar aquele seu pesadelo da cabeça, até que depois de muito tentar, adormece novamente. E quase perde a hora no dia seguinte.
...
Passaram-se algumas semanas. Finalmente podia se dizer que a fase ruim e triste tinha passado. Annie e Guilherme estavam cada vez mais próximos e dividiam segredos antes nunca revelados por nenhum dos dois. Angelica estava de olho em um aluno novo, chamado Loki, ele até a tinha chamado pra sair semana que vem, para tomarem sorvete. Joana estava na de sempre, sempre abobalhada com tudo, inocente e estudando. Namorar? ‘Nem pensar agora’, insistia ela. Mas todos sabiam que a situação mudaria logo logo. Gabriel tinha finalmente melhorado, ele tinha estado cada vez mais feliz e já não pensava tanto em Danny. De certa forma ele sempre se culpou e se culpará por sua morte. Felipe estava como sempre, sempre se metendo em confusões e levando bomba nas matérias. O mundo, para eles, finalmente tinham se acalmado. E por muito tempo continuou assim, lindo, engraçado e constantemente perturbado pra alguns.
...
– Mamãe, quero doce – pedia Lucy
– Não querida, você já comeu demais, você sabe que não deve comer tanto assim, principalmente doce
– Mas eu quero – insistia a pequena Lucy
Ela saiu correndo da cozinha e foi atrás do pai, no escritório.
– Papai, quero doce – Ele estava sentando na poltrona de descanso e estava lendo um jornal, logo o abaixou para ver a pequena Lucy. Ela fazia aquela cara que era impossível negar alguma coisa
– Porque não pede a sua mãe querida? – fala
– Ela mandou eu falar com você – ela levou as mãos as costas e começou a se balançar enquanto seu pequeno vestido rosado a acompanhava
– Tudo bem querida, venha com o papai, vamos ver o que a gente pode fazer – ele a pegou no colo e foi em direção a cozinha
– Guilherme! – chama atenção Annie, que vinha soltando fumaça da sala – Você sabe que não deve dar doce demais a ela. Ela pode adoecer!
– Calma amor, é só um pouquinho
– É mamãe, só um pouquinho – ela faz biquinho no colo do pai
– Só um pouquinho em... – ela começa a sair da cozinha
– Sua mãe a chata né? – pergunta baixinho Guilherme a Lucy que confirma com a cabeça
– Do que vocês tão rindo? – fala Annie enquanto vira e começa a andar com a cara seria de volta a eles
– Nada não mamãe
Eles realmente era uma família bonita e feliz.
Fale com o autor