Lady Scarlet
1 Único
Único
Lady Titânia
“Acultura celta era extremamente bem organizada e o seu calendário era dividido em quatro meio trimestres, que na verdade representavam as estações do ano e eram adequadas às épocas para colheitas. O dia 31 de outubro era uma destas datas de transição marcando o fim do ano céltico e o começo da entrada para o inverno, ou seja, anunciava uma época em que não haveria colheita e deveria ser de privações. Para os druidas, 31 de outubro era a noite em que Samhain, deus celta dos mortos e príncipe das trevas, voltava com os espíritos dos não vivos. Segundo a lenda, todos que morreram ao longo daquele ano regressavam à procura de corpos vivos para possuir e usar até a próxima noite de 31 de outubro.
A vigília de Samhain passou então a ser considerada pelo povo celta como um dia maldito e de azar, pois os vivos não queriam ser possuídos pelas almas que vagavam nesta noite. Fogueiras eram acesas nas colinas para afugentar tais espíritos, enquanto que as tochas dos vilarejos eram apagadas para que o local fosse considerado frio e sem vida pelas almas e estas não circulassem pelo lugar. Alguns grupos de moradores das aldeias utilizavam “fantasias” e máscaras a fim de assustar os espíritos que procuravam corpos para possuir.”
Século XVII – Casa dos Scarlet
As madeixas de um vermelho intenso como o sangue estavam cacheadas; pó de arroz estava sendo passada em seu rosto já alvo; os lábios naturalmente rosados, estavam sendo pintados com o suco da cereja que sua serva tinha em mãos.
O espartilho vermelho como seu cabelo, estava passando por ajustes por outra serva da ruiva que se olhava intensamente no espelho. A peça escarlate, assim como seu cabelo, dava um tom mais bruto e intenso ao seu vestido de noiva.
Oh, querida lady
Oh, respeitável cavaleiro
Oh, honrável sir
Oh, vossa majestade
Com tudo pronto e terminado, finalmente a filha do governador Christopher Scarlet, Erza Scarlet, colocou a flor de lótus que seu noivo lhe dera em seu cabelo. Um sorriso brotou nos lábios vermelhos, um sorriso satisfeito e feliz. Dispensou as servas depois que colocou os sapatos, se olhou no espelho novamente
Que se tenham muitos espelhos
Que se tenham muitos olhos encantados
Que se tenham muitas admirações
Que se tenham muitas idolatrações
Oh, lady Scarlet
Oh, novo rei
Que todos venham sua beleza
Oh, meus antigos reis
Oh
Ela já estava no a caminho do altar, caminhando pela estrada cheia de pétalas brancas, que foram jogadas pela filha de sua amiga. Seu coração estava a mil, apertava o buque de rosas azuis em suas mãos, sorria nervosa.
Seu pai não estava ao seu lado,ninguémestava. Ao chegar ao altar, cruzou seu braço com seu noivo, Mystogan Fernandes. O lorde de estranhos cabelos azuis sorriu para a ruiva, tendo um sorriso mais tranquilo como resposta.
Logo o padre deu inicio a cerimônia, fora tão lento ao ver dos dois que iam ser rei e rainha, mas logo Mystogan e Erza ouviram a tão esperada frase:
— Pode beijar a noiva, meu lorde.
E assim o fez, puxou a cintura da ruiva e uniu os lábios em um beijo intenso. Os convidados estavam de pé aplaudindo e jogando as pétalas das rosas brancas e azuis. Os recém-casados riram e saíram correndo para fora da igreja com os gritos dos convidados.
E esse fora o maior erro das novas majestades de Rosemary.
(…)
Atualmente – Museu de História Antiga
— Ainda não se sabe como e quem fora o culpado pela morte de Erza Scarlet e o desaparecimento de Mystogan Fernandes. Só se sabe que os convidados ao saírem da igreja para seguir os casados até o salão real para a festa, encontraram o corpo de Erza com uma enorme mancha escarlate em seu vestido, no lugar onde, de acordo com os livros achados, seria seu ventre.
Disse o responsável por aquela excursão.
— E por que a mataria logo pelo ventre? — perguntou as alunas, que como diria JellalFernandes, que eram do grupo “nerd”, Lucy Heartfilia.
— Muitos lordes e reis queriam a filha do governador, mas nenhum fora o suficiente para agradar ele e muito menos sua filha. Quando Mystogan se tornou o pretendente de Erza Scarlet, muitos lordes se revoltaram, e um deles: Dominic Mikazuchi, declarou guerra ao governador. — respirou antes de continuar — Erza tinha em torno dos 20 quando se casou com Mystogan, e de acordo com lendas, mitos e boatos que passaram de geração em geração entre as famílias antigas, a nossa queridaladyestava grávida quando morreu.
Jellal aumentou o volume da música que escutava, olhava para todos os lados. Não queria escutar aquela idiotice que o cara de 30 e tantos anos falava, pertencia a uma das famílias mais antigas daquela cidade.É claroque já tinha ouvido sobre a história de Lady Scarlet, já sabia que também que Mystogan sobreviveu ao encontro com o assassino, afinal…
Como ele estaria ali se o lorde estivesse morto sem ter um único filho e irmão?
O que Jellal não sabia sobre sua família era que o mesmo eraidêntico ao lorde Mystogan Fernandes.Sua mãe nunca teve coragem de contar esse fato a ele, só contaram que o mesmo tinha a mesma marca que Jelllal tem no rosto.
Mas do que vale esconder isso seelavoltaria para dize-lo esse fato no lugar dos pais?
Primeiro vem a bênção de tudo o que você sonhou
Mas depois vêm as maldições dos diamantes e anéis
Só no começo ele teve o que queria
Mas agora você não pode separar o falso do verdadeiro
Em quem você pode confiar, em quem você pode confiar
Quando tudo, tudo, tudo o que você toca
Vira ouro, ouro, ouro?
Tudo, tudo, tudo o que você toca
Vira ouro, ouro
Ooh, ouro
Ooh, ouro
Ooh, ouro
Ooh, ouro
Estátuas e impérios estão todos em suas mãos
Água transformada em vinho e a melhor das areias
Quando tudo o que você tem está se tornando obsoleto e frio
Oh, você não sentirá mais nada quando seu coração virar ouro
— Senhor Fernandes? — chamou o professor. Jellal recebeu uma cotovelada de seu amigo para que o mesmo prestasse atenção. O azulado tirou rapidamente os fones de ouvido.
— Desculpe, o que disse?
— De acordo com as lendas e mitos de sua cidade natal, senhor Fernandes, qual era o descendente de Mystogan que surgiu em Rosemary depois da morte da lady Scarlet?
Jellal bufou.
— Jellal Fernandes.
— Mais conhecido como Siegran na cidade natal do nosso descendente de uma das famílias mais antigas que viveu na Europa.
Jellal bufou novamente, seus pais tinham justo que dar esse nome para ele?
— Enfim, alunos da Crime Socièrce, essa é uma pintura da lady Scarlet encontrada nas ruínas de um templo em Rosemary — “Oh, Deus, acabe logo com isso”, pensou o Fernandes olhando para o teto — Por favor, apreciem o motivo de todos se revoltarem ao não ser pretende da filha do governador.
Todos se maravilharam ao olhar para a pintura, o sorriso da mesma era gentil e doce, mas seus olhos eram tristes e quase imploravam para aquele tormento acabar.
Mas qual tormento? Por que esses olhos?
(…)
Um dia depois do enterro da rainha Erza Scarlet, uma das mulheres anciãs, Daya, andava ao redor da cova da ruiva e com a mão erguida sobre a cova. Fechou os olhos sentindo ainda mais aquela vibração estranha que sentiu no enterro.
— Como você morreu, majestade? — se perguntou,mas...
Queremos glórias
Queremos vitórias
Queremos tesouros
Queremos ouro
Queremos tu no poder
Oh, lady
Oh, lorde
Queremos tu nós protegendo
Oh, sir
Oh, cavaleiro
Queremos tu nas terras ferteis
Oh, camponês
Oh, camponesa
Queremos você de volta
Oh, lady Scarlet
Daya não esperava ter uma resposta.
— Pergunte ao bastardo do Simon, querida Daya — a morena conhecia bem essa voz, olhou para trás, mas tudo que viu foi um vulto.
— Se-senhorita?
— Já lhe disse que odeio que me chamem assim. — a escutou ralhar, mas só viu outro vulto.
— Me desculpe, Erza. — pode ver um sorriso no vulto e continuou — Por favor, me diga: o que aconteceu?
— Como já disse antes, anciã — falou a palavra em tom de deboche. Aos poucos, enquanto girava para acompanhar o vulto, Daya pode ver que a mesma não usava um vestido longo. Usava um vestido branco e um tanto curto, mas cheio de manchas de sangue. —Pergunte à Simon.
— Mas…
— Eu sei, eu sei — disse depois de suspirar — Ele não vai responder, é um assassino. Irá negar e negar…
— Erza — disse firme e finalmente Erza parou de andar a olhando, deixou que ela visse seu espírito. — Por favor… diga o que ele fez.
Ela suspirou.
— Não foi óbvio quando me acharam, Daya? — deu um suspiro triste e se sentou no chão, ficando de imediato na posição que usava para meditar. — Simon cravou uma adaga em meu ventre e para completar tentou formar uma letra, formando diversos cortes.
Daya se sentou ao lado dele e a tocou, a pele fria como gelo.
— Deve ter sido horrível.
— Não diga coisas patéticas, Daya! — ralhou —É claro que foi!Acha que não foi horrível ver Mystogan se esquecer quem eu sou?! Acha que não foi horrível ter… ter… — sua voz embargou e ela se deitou no colo de Daya — Ter seu filho com apenas dois meses em seu ventre morto?
E chorou.
— Erza…
— Do que vale isso agora? — se levantou aos prantos — Ele não me ama mais…
— Não diga isso.
— Como não dizer? Ele não me conhece agora, e eu estou morta. — fungou e estalou a língua em desgosto — Do que vale…?
— Mystogan pode não se lembrar de você agora? Masnóslembramos, e eu estou aqui, Erza — a consolou — E se esqueceu de meusdons?
As duas riram.
(…)
No museu
— De acordo com os registros, o filho do rei Dominic, Simon Mikazuchi, morrera misteriosamente meses depois da perda das mais desejadas majestades.
— Por que “ das mais desejadas majestades”? — perguntou Levy McGarden, outra “nerd”. “Por favor, apenas parem de fazer perguntas”,pediu Jellal em pensamentos.
— O lorde, Mystogan Fernandes, fora um dos nobres e ricos lordes de Portugal.
— Mas Rosemary é uma pequena cidade de Praga, como ele pode ser rei de Praga sendo que é de Portugal? — perguntou Levy, o azulado bufou de novo.
“Deus! Só pode ser brincadeira” — revirou os olhos.
— Senhorita McGarden, vejo que está atenta aos meus dizeres — a azulada riu sem graça — Pois bem, o lorde somente nascera em Portugal. Depois disso, sua mãe morrera e o mesmo fora sequestrado pelo assassino.
Rumores.
— Sim, um casal trágico.
“E poético”— pensou Daya observando todos ao longe atrás de uma haste.
— Quando fez 10 anos, encontrou o aliado de seu pai, o governador Christopher Scarlet. De imediato, o governador de Rosemary levou a criança para Portugal.
Levy o interrompeu com outra pergunta:
— Como ele pode reconhecer de tão imediato o filho do lorde Jebediah?
— Senhorita, está vendo a estranha marca no rosto de seu colega?
Ela assentiu e junto com o resto da classe, virou o olhar para Jellal que ficou sem graça com tanta atenção.
— Essa marca não é uma tatuagem como já ouvi vocês dizerem contradizendo o senhor Fernandes. — sorriu — É uma marca de nascença que quase todos da família Fernandes possuem.
Todos exclamaram em surpresa.
— Pois bem, vamos para a última parada.
Andaram até um quadro grande, um homem de cabelos negros e olhos verdes, como os de Jellal estava pintado ali.
— Esse é o lendáriosir, Siegran Fernandes. — deu uma pausa — Ao salvar muitas cidades de conflitos enormes e arrasadores Siegran, ou Jellal como preferirem, foi nomeado à sir pelo rei Balthasar Óctavian da antiga Romênia.
— Por que o chamam de Siegran? — perguntou Juvia Lockser, prima de Jellal.
“Pô, Juvia! Até você!”— pensou Jellal bufando, não aguentava mais se arrastar pelo museu com as muletas.
Oh, sim! Jellal não podia mais mover totalmente suas pernas, por isso para todo lado precisa de suas muletas para se locomover sem se arrastar pelo chão.
— Ao que parece Jellal não gostava desse nome. De acordo com os diários que achamos, o mesmo diz não sentia que esse nome era seu.
As garotas deliravam.
— Que tipo de viado escreve o que sente? — ralhou Natsu Dragneel.
— Siegran Fernandes teve três esposas, sem contar os boatos que diziam que ele traía todos. — O professor riu em deboche, os garotos murmuravam exclamações e as garotas reviram os olhos. —Porém,— todos murcharam, não gostavam de quando ele falava um ”porém” ou um “mas” — sua terceira esposa, Sayra Milkovich, o… Como posso dizer?
— O segurou com chá de buceta? — perguntou Erik, e os demais alunos riram. O professor riu antes de responder:
— Sim, sim — deu uma breve pausa — Aos termos nada formal, ela o segurou com “chá de buceta” — riram novamente. — Alunos, acabamos por aqui.
Exclamaram em vitória.
— Há muitas lojas efest-foodaqui, podem ir se quiserem. O ônibus vai esperar mais vinte minutos. Caso, queiram ir embora logo como o senhor Fernandes, avisem ao senhor Orland e peguem um táxi.
Assentiram e se viraram para sair do museu o professor deu seu último aviso:
— Quero uma redação de no mínimo 40 linhas sobre o que eu disse aqui, até quinta-feira. Feliz Dia das Bruxas. — E os alunos saíram do museu em meio as exclamações de aleluia e reclamações da redação.
(...)
— Graças a Deus! Já posso ir embora! — Comemorou o Fernandes indo para o ponto de ônibus e esperando o sinal ficar vermelho para poder atravessar a rua. Ao menos, a vantagem de ter ido nesse passeio fora o fato de que morava logo à alguns quarterões.
Assim que atravessou a rua e fechou o portão, se virou olhando primeiro para a grama verde que nesse meio tempo começou a morrer. Jellal ainda se perguntava como sua mãe havia parado com os escândalos sobre seu jardim. Afinal, não fora só a grama verde que morrera.
Assim que olhou para a casa, mais precisamente a janela de seu quarto...
Cair no chão fora a única coisa que fizera ao olhara mulher de esbelto cabelo escarlate.Seus olhos eram tão tristes, um sorriso amarelo lhe brincava a face. Lágrimas caíam de seus olhos enquanto fazia um sinal de silêncio.
— JELLAL! JELLAL! — despertou com os berros de sua mãe que buzinava para ele sem parar. A mesma estava em seu carro e entrava pela garagem, se não fosse por ela virar para o lado nem veria seu filho caído no chão e olhando pálido para a sua janela.
“Será que ele a viu?”— pensou a azulada. Saiu do carro e foi em direção ao seu filho caído no chão.
— O que aconteceu, filho?
— Nada — se segurou em sua mãe para levantar — Eu devo ter só esbarrado em alguma coisa.
— Jellal…
— Está tudo bem, mãe — sorriu para a mulher a sua frente — Vou dormir, qualquer coisa eu não cometi suicídio outra vez. — murmurou as duas últimas palavras olhando para a sua janela. Mas aruivajá tinha desaparecido.
Sua mãe disse alguma coisa sobre não brincar com isso, mas o mesmo já estava longe, em questão de passos e pensamentos. Com certa dificuldade subiu as escadas, hoje era Halloween e sua mãe havia tido a ideia de uma festa.
Mas Jellal não ligava para isso e muito menos estava afim disso. Se jogou em sua cama se vendo livre das muletas e de qualquer outra coisa. Pegou se notebook, que estava ao seu lado carregando. E assim que ligou e abriu uma página elaestava ali novamente.
— O que tem demais…nisso? — uma voz firme, porém feminina, falou. Jellal rapidamente olhou para frente, dando de cara com a mesma ruiva que viu quando chegou.
— Q-Q-Quem é… — ela riu sem graça.
— Perdoe-me — o interrompeu — Esqueci de me apresentar. — Se curvou e aquele ato fora o mais estranho que Jellal presenciou — Erza Scarlet, meu caro.
Fez uma leve reverência segurando o vestido manchado de sangue.
— M-M-Mas… — a mesma rapidamente mudou de humor.
— Responde logo minha pergunta! Ou se apresente adequadamente! — Ah! Se ela tivesse prestado atenção no rosto dele…
“Não se irrita um espírito, Jellal”— lembrou dos dizeres de sua mãe, e rapidamente respondeu:
— J-Jellal Fernandes…
Ela engoliu em seco e o encarou. Andou em direção ao azulado, o olhando curiosa, ela logo subiu em cima da cama engatinhando até ele. Ele gostaria muito de poder andar agora.
Mas há uns dois anos atrás as pernas do mesmosimplesmente pararam de funcionar.Ah, se Jellal soubesse que onde Erza estaria o lugar decairia a desgraça. Não que a ruiva quisesse isso, a mesma nem se quer sabia desse fato.
Era uma maldição decretada por Rosier, outra anciã de Rosemary no século XVII.
— E… — ela o encarou mais confusa ainda — Não sei explicar o que há demaisnisso.
— Mystogan…? — murmurou ignorando a resposta recebida. Jellal escutou tal murmurio e se perguntou rapidamente porque todos da sua família diziam isso.
(…)
17 anos atrás – Casa dos Fernandes
Jellal tinha um ano de idade, os seus familiares estavam presentes na festa do pequeno Fernandes. O tio de Jellal, Enzo Lockser, o encarava, até que a irmã de sua esposa se dirigiu a ele:
— Algo errado? — Perguntou Diana.
— Diana… — começou ainda encarando Jellal — Já sabe o que vai acontecer com ele, não é? — finalmente olhou para a mãe do azulado.
Diana congelou.
“As anciãs de Rosemary… só uma, Daya Lockser, era leal à Erza.”— uma voz disse em sua mente, a mesma voz calma e doce, porém tão aterrorizante —“As outras… simplesmente amaldiçoarão o descendente de Mystogan que for igual a ele.”
— Sinto muito pelo seu marido, Diana — começou Enzo — Mas sabe que uma hora ou outra ele terá as mesmas características de Mystogan.
— Sim… — abaixou a cabeça segurando a mão do filho — Eu sei que ele parara de andar sem motivo algum.
Afinal, o motivo ocorreu há muitos anos atrás.
(…)
Agora
O azulado ainda se via perdido pelos olhos castanhos, que deixaram de ser sofridos.
— Meu nome não é Mystogan… — se questionou se devia a chamar pelo nome
“Ela é uma lady, quando a encontrar se comporte adequadamente”— Jellal finalmente entendera o porque de sua mãe lhe ensinar os modos antigos e oquando.
— …senhorita Scarlet.
(…)
Dia anterior
Jellal se estava em sua casa, mas nãoexatamente dentro de casaou encarando sua casa. Estava deitado na grama morta, no lugar onde estava deitado parecia que havia uma cova cavada recentemente.
— Onde estou? — se perguntouficando de pé.Olhou para o chão e ficou pasmo, era real? Ele estava de pé? E sem as muletas? Oh, sim!
Devia ser real.
Mas do joelho para baixo o mesmo não conseguia mais mover para andar, o que era tão estranho. Porém, achando que aquilo era real o mesmo começou a correr pela grama descalço, feliz por finalmente ter de volta o movimento inteiro de suas pernas.
Tropeçou em algo e caiu, mas não ligou só se deitou de barriga para cima e sorriu. Uma rajada forte de vento veio de repente trazendo uma voz calma.
Terrivelmente calma.
“Aproveite a pequena chance de andar novamente, Fernandes” —o som deuma música de ninar tocou de repente fazendo Jellal se sentar— “Logo, vai acordar”
Riu gostosamente.
“E encontrará o espirito da pessoa que está enterrada abaixo da sua casa”
A terra mudou, não estava mais aquela grama verde e viva. A grama havia morrido e a cova começou a se mover. Jellal se assustou e começou a levantar,mas ele não andava mais.
Uma mão ossuda saiu de dentro da terra, parecia estar sendo controlada por alguém. Logo um esqueleto com carne apodrecida estava ali, com um vestido branco.
“Diga ‘olá’ para a lady Scarlet, descendente de Mystogan”— disse a voz com desgosto.
Foi o suficiente para ele acordar.
(…)
Atualmente – Casa dos Fernandes
Já era de noite e a festa de sua mãe já estava com muitos convidados, uma música boa para dançar tocava lá embaixo, mas Jellal estava muito envolvido em pensamentos para aproveitar a música que gostava. A ruiva que conversara de manhã havia ido embora depois de sua mãe entrar de súbito no quarto o perguntando se estava tudo bem.
Wendy, sua irmã mais nova, entrou no quarto. Com uma bandeja de doces perguntou:
— Jelly, não vai descer?
— Não vai parar de me chamar assim? — ironizou.
— Humf! Não. — Respondeu e o Fernandes se sentou.
— Não estou afim, Wendy. Feche a porta e não deixe ninguém entrar quando sair. — se deitou novamente, pegou seu travesseiro para cobrir o rosto e dormir. — Não coma todos os doces com sua namorada escondido.
— Chelia não é minha namorada! — rebateu corada, seu irmão mais riu.
— Nãoagora.
Wendy bufou e brutalmente fechou a porta.E de novo ela estava lá.
— Como ainda pode odiar festas? — perguntou Erza. Jellal suspirou, pelo menos tinha conseguido o que queria.
— Sou tão parecido assim com ele? — perguntou, mais para si do que para ela. Por que justo agora? E por que ela ainda se referia a ele como se o mesmo fosse seu marido.
Ou seu ex-marido.
E por que com tantos registros de seus antepassados o mesmo nunca encontrou uma foto desse tal de Mystogan?
— Mas… — balançou a cabeça e respondeu: — Sim, até o fato de não ter dificuldade de andar com…
— Dificuldade? — interrompeu se sentando na cama e encarando a mulher que quando viu um retrato dela pela primeira vez a única coisa que fizera fora pensar nela por horas e horas, dias e dias,anos e anos.— Minhas pernas pararam de funcionar sem motivo algum! Eu nunca sofri um acidente que levasse à isso! Nunca se quer tive uma doença grave! Minha mãe disse que Mystogan havia amputado uma perna e colocado uma cópia de madeira no lugar, depois de meses ele se adaptou, e eu?
Bufou.
— Simplesmente não posso ter a mesma sorte! — esbravejou, sabendo muito bem que irritar um espírito que podia ter morrido com o sentimento de raiva não acabaria bem.
— Desculpe… — o mesmo suspirou, estava ao menos aliviado por ter falado o que tanto queria.
— Me desculpe, eu não devia ter gritado com você… — “E muito menos estar pedindo desculpas para uma pessoa morta” — Só que…?
— Como é? — ele sabia que ela havia se sentado ao seu lado, não havia um peso que dedurasse isso. Mas… ele apenas sabia.
— Como é o que, Erza? — perguntou cansado, não queria ser formal. Não queria ter alguma coisa a ver com o tal de Mystogan, não queria vê-la ali.
— A sensação de quando tocam em suas pernas. — Jellal se espantou pela pergunta infantil dela.
— Como?
— É — sorriu — Qual a sensação de quando eu faço isso? — beliscou a perna do mesmo sobre a calça, o mesmo teria exclamado alguma coisa, mas o mesmo só sentiu um toque, um toque de uma agulha, por breve segundos e depois mais nada.
— Quando se toca em uma agulha afiada por uns segundos e depois se afasta, essa é a sensação — respondeu. — Qual é a sensação de…?
— Estar morta? — ele assentiu hesitante. — Não é diferente de estar viva, só…
— Só?
— Não tenho as necessidades que vocês tem. Eu não sinto mais necessidade de sair do lugar onde está meu corpo.
— Mas… Rosemary é em Praga — rebateu — Como pode estar em Nova Orleans?
— Nunca ouviu a lenda do Halloween? — ironizou — Hoje é o único dia do ano em que eu posso sair para onde quiser, e como eu não aguento mais aquela cidade estúpida, trouxe meu corpo para cá e o enterrei em algum lugar que você não precisa saber — “Ela está com raiva?”,Jellal se perguntou.
— E por que está na minha casa? — ela o olhou, a mesma havia deitado e Jellal se sentou encostado na cabeceira.
— Não é óbvio que eu enterrei meu corpo aqui? — rosnou e Jellal engoliu seco. — Voltando ao assunto de suas pernas… — deu uma pausa sem saber o que dizer — Como é…? Você sabe…
— Não, eu não sei.
— Ah, para. Vai me dizer que é virgem? — riu irônica. Jellal olhou para qualquer canto que não fosse o rosto da mulher ao seu lado. — Oh, meu Deus — começou a rir — É sério?
— Pensei que fosse umalady— resmungou.
— E eu sou, mas… Por favor, isso foi no século XVII — revirou os olhos — E não é como se esse fato deixasse as pessoas ao meu redor com seu pudor.
— O que quer… — foi interrompido com a ação súbita dela de se sentar em seu colo. — O que está fazendo? — sentiu um arrepio quando ela colocou seus braços gelidos ao redor do pescoço dele, se ajeitou em seu colo e subiu o lençol para cobri-los.
— Achando uma posição melhor para ver seus olhos — respondeu com falsa inocência. Analisou melhor o rosto rubro daquele que tinha a mesma aparência de seu antigo marido —Nem tão idênticos… — sussurrou, mas Jellal ouviu seu sussurro.
— Como?
— Os olhos… — respondeu — Os olhos de Mystogan eram avelãs, o seus são verdes e se confudem com o avelã — suspirou em agrado —Tão poético.
Jellal riu baixo, ao que parecia ela ainda não perdeu o jeito antigo de falar.
— E o que mais eu tenho de diferente? —“Por favor, que sejam muitas coisas”, pensou em seguida.
— Depende… — respondeu Erza e Jellal abaixou a cabeça, nem se incomodou mais com o fato dela estar em seu colo, ou com o fato de seus braços incrivelmente gélidos estarem em seu pescoço.Ou com o fato de ela ter o beijado em seguida.
O beijo era lento e tentador demais para não retribuir. Jellal retribuiu a fazendo arquear a cabeça, aprofundando mais o ato. Quando precisou de ar não deixou que acabasse por ali, roçou as bocas por breves segundos antes de beija-la novamente e com mais ânsia, parecia quenão fazia isso há séculos.
Que sentimento estranho….
Mais uma vez precisou de ar, o que Jellal estava odiando no momento era precisar de ar. Com a voz grave perguntou, fazendo com que Erza soltasse um suspiro:
— Depende de que? — lhe deu um selinho.
— Eu não sei nada sobre você, Jellal… — outro selinho — Mas pelo o que pude ver você é mais impulsivo do que ele. Mystogan era calmo, calmo demais… Já você — deu uma pausa não sabendo direito o que dizer, Jellal escondia se rosto no ombro dela, adorou cada palavra do que ela disse.
Finalmente não se sentia um clone de outra pessoa.
— Já eu…?
— É mais intenso, ao meu ver — respondeu mordendo levemente o ombro dele, que suspirou.
— O que quis dizer com o pudor das pessoas ao seu redor? — perguntou querendo mudar de assunto, com o dedo frio de Erza em seu queixo foi forçado a olhar de novo, e a beijar de novo…
Foi deitado em sua cama com as carícias de Erza, se ajeitou melhor nos travesseiros brancos. Beijando o rosto do mesmo, respondeu:
—Em uma reunião em honra ao um cavaleiro morto…— sussurrou ainda fazendo diferentes trilhas no rosto e pescoço do mesmo e rebolando levemente sobre o mesmo do rapaz. —Assim que meu pai saiu do banquete para mostrar a atração principal, seu aliado das vilas do oeste, olhou na minha cara e disse que eu não deveria ser filha do tão honorável governador.
Socou a parede, assustando Jellal.
— Que eu devia ter nascido pobre e depois mandada a casa dos prazeres, assim valeria a pena gastar todas as moedas de ouro para uma foda comigo.
Jellal apertou com força a cintura de Erza, rosnando em seguida. Isso a fez parar de rebolar sobre seu membro e olha-lo nos olhos.
— Bando de idiotas… — rosnou
— Isso foi há muito tempo… — murmurou.
— Não importa! Se você não ligasse para isso não teria feito uma cratera na minha parede.
Ela sorriu, e passou a rebolar de novo, porém com um pouco mais de velocidade do que da outra vez. Ela gemeu e seu sorriso ficou mais perverso:
— Por que se importa? — disse baixo.
— E-E-Eu…
— Não tem filtro quando está irritado — observou o fazendo a encarar sem entender. — Te explico depois — colocou um dedo na boca do azulado. — Vamos fazercertas experiencias.
— Como? — foi calado pela boca rosada da mesma.
— Apenas — o beijou por um breve tempo — Aproveite.
Tirou a blusa do mesmo, junto com os fones, que ficaram pendurado no pescoço do mesmo em meio a conversa. Fez outra trilha de beijos estalados no peitoral do mesmo até a calça do mesmo, sorriu perversa.
Desceu o zíper e fez a calça do mesmo descer até os joelhos, subiu novamente para ficar com os olhos castanhos encarando os olhos verdes.
— Geralmente, ficam nervosos — murmurou e acariciou a marca de nascença do mesmo. Roçou os lábios e murmurou, quase sendo um sussurro. —Tire meu vestido cheio de sangue, Jellal.
Dito e feito, o Fernandes passou as mãos pelas coxas torneadas até chegar a saia do vestido o levantando e o tirando com a ajuda de Erza, que levantou os braços. Quando tirou totalmente o vestido, o cabelo de Erza ficou de um lado, deixando uma parte do pescoço livre. Se abaixou para beijar o mesmo, porém no meio do ato Jellal começou a inverter as posições com um pouco de dificuldade.
Mas teve a ajuda de Erza para ficar por cima, o mesmo ainda estava de cueca e ela só de calcinha. O azulado explorou o pescoço da mesma por inteiro, recebendo gemidos e suspiros de aprovação, deixou umas belas marcas vermelhas e roxas, que logo sairiam.
Afinal, espíritos já estão mortos para serem feridos.
Guiou seus beijos para o vale de seus seios, sendo lento e tortuoso com a provocação, sorrindo de canto quando a mesma puxava seu cabelo e reclamava. Mesmo com isso, ainda precisava de um pouco de ajuda de suas mão, já que suas pernasaindao deixavam na mão.
Erza não ia ficar atrás e se deixando levar, levou sua mão para dentro da cueca do mesmo e o masturbou lentamente, sendo perversa que nem ele em suas provocações.
Até que ela estava gostandomuitodisso.
Depois de um tempo Erza trocou novamente as posições ficando por cima e ameaçando de começar a se masturbar com três dedos. O Fernandes engoliu seco e segurou as laterais da calcinha rosada da mesma e rasgou a peça incomoda. A ruiva se surpreendeu com o ato e sorriu em seguida.
— Imprevisível. — observou outra característica diferente.
Porém, não enfiou dois ou três dedos em sua cavidade, roçou as intimidades com ele usando ainda a cueca box. E pelo o que ela podia ver,ele queria muito isso.Deixou de o torturar depois de uns longos minutos e tirou a peça que a incomodava, se surpreendeu pelo tamanho e sorriu sapeca.
“Um pouco maior” — pensou, e o introduziu para dentro de si, gemendo junto a ele.
Logo, o que se ouvia naquele quarto eram gemidos, sussurros, murmúrios e os corpos se chocando.
(…)
Jellal sorria bobamente e ofegava junto com a ruiva ao seu lado, a festa ainda estava rolando e parecia que não ia acabar mais cedo.
— Por que… por que… fez isso? — perguntou buscando ar. Ela se deitou de bruços, seu corpo estava coberto pelo lençol.
— Porque eu devia isso antes de fazer o que eu planejo — falou e Jellal finalmente a encarou.
— O que planeja?
E as lâmpadas quebraram no segundo andar.
Objetos do quarto de Jellal caíram.
O espelho, e qualquer outra coisa que refletia o rosto de alguém foi quebrado.
— Sua morte, meu anjo — respondeu fria e o esfaqueou inúmeras vezes.
(…)
Nenhuma alma viva habitava mais aquela casa, a casa foi fechada para cena de crime em massa. Mas quem olhasse para a janela podia ver a expressão vazia no rosto de Jellal, o filho mais velho da família Fernandes.
— Por que fez isso comigo, Erza? — se perguntou, recebendo a resposta que tanto ansiava:
— Porque você deveria andar, você deveria ter outro rosto, deveria ter características totalmente diferentes de Mystogan — respondeu Erza atrás de si.
— Depois de 10 anos fico feliz em te ver, senhorita Scarlet — murmurou com um sorriso curto, agora entendia a tristeza de Erza nesse sorriso.
Era doloroso ver as pessoas correndo pelas ruas e não poder se juntar à elas, não pode se misturar à elas. Só podendo sair dali um dia no ano,no Halloween.
Claro, ele podia fazer a mesma coisa que Erza levando seu corpo para outro lugar nesse dia, mas… Ele não queria sair dali enquanto não a visse.
— E…
— Não diga mais nada, por favor — ela se calou com o coração aos saltos, claro se ele ainda batesse.
— Jellal…
— Por que não apareceu mais para mim durantes esses anos? Eu-eu… lhe fazia lembrar ele? — como dito por Erza antes: ele era impulsivo, e isso não mudara com os anos.
— Se acalme, meu anjo — ele ainda não entendia porque dela lhe chamar assim, mas fechou os olhos ao sentir as mãos dela secando seu rosto. — Apenas pensei que não queria mais me ver.
— Pensou errado — disse ainda de olhos fechado e se aproximou mais ainda da ruiva que outrora fora uma das mais famosas nobres de Praga — Desde o primeiro retrato, desde a primeira história que eu ouvi sua… Eu quis te conhecer, mas soube que não seria possível. Mesmo com minha mãe me ensinando coisas sobre você e sua vida, sobre os espíritos. Naquele dia eu finalmente entendi…
— Não diga mais nada e nem se explique, por favor — o imitou colocando o dedo indicador em seus lábios — Eu prometo não desaparecer mais aos seus olhos. — Sorriu terna.
— Eu prometo curar sua dor, senhorita Scarlet — com o tempo Jellal se adaptou a fala antiga, mesmo que fosse ter para sempre 18 anos. Devia ser algo de sua ligação com Mystogan.
Secou as lágrimas que ela sempre derrubava. Não queria ver ela chorar, não queria que ela ficasse usando aquela roupa que a lembrava de como morreu, não queria ver os olhos dela serem tão sofridos junto com seu sorriso amarelo.
Queria que a mesma fosse insana do jeito que mostrou ser quando matou todos os convidados daquela festa de Halloween.
— Não chore, Erza — sorriu travesso — O Halloween está chegando, temos que preparar nossas travessuras.
Se beijaram com o desejo contido de 10 anos.
Fim do primeiro ato.
Notas finais
Espero que tenhm gostado, ignorado os erros se tive e pf deixem comentários
Até
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