Lady Rin
6 Páginas de um Sonho
Notas iniciais
Ficwriter: Shiia-chan :3
Spoilers: Capítulo 115 Atraída pela luz negra.
Uma boa leitura a todos :)
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A alegria de se estar vivo é simplesmente a capacidade de você se recordar de seus acertos e de seus erros, só que infelizmente, sou desprovida de algumas páginas da minha própria vida...
A noite estava calma ali. Naquele solitário quarto com pouca iluminação. O local era sem muito luxo; um futon simples, um armário com vários quimonos, uma mesinha e a janela da qual eu mais gostava. Era ali, naquele pequeno quarto isolado do castelo que eu via que através daquela janela eu poderia recuperar minha tão valiosa memória. Só que... Por mais que os dias chegassem e mesmo que meus inúteis tratamentos fossem mais rigorosos eu não conseguia recuperar nem mesmo fragmentos de um sonho passado.
Pequenos detalhes, algumas poucas lembranças, sob uma melodia dramática e triste tocada sobre teclas do antigo piano chinês do salão principal. Uma orquestra solitária, com diversos instrumentos, uma meditação simples e um esforço sobrenatural... Até quando? Até quando eu vou ter que sofrer sozinha? Chorar e derramar lágrimas da dor que sinto, do vazio que me atormenta à noite.
Sinto minha mente velha, processando vagarosamente cada pequeno detalhe da minha curta vida, esquecendo-se de tudo, de minhas duras batalhas e de tudo que posso sentir. Sempre num ritmo lento, quase parando... Meu cérebro, minhas lembranças... Tudo se vai com o vento, com a brisa fria da madrugada entre um sonho e outro.
Intensos sorrisos, imagens belas, sensações novas, tudo... Vivendo no presente, mas nunca no passado. Ah, vida má! Como me maltrata... O que foi que eu fiz de errado? – Só quero entender a confusão que está dentro da minha mente e desvendar as mirabolantes histórias de Lorde Sesshoumaru...
Sempre... Impossível...
Mesmo que tão solitário fosse meu estado de espírito eu tinha fé. Fé naquilo que poderia vir. Uma piada antiga, um jogo de xadrez, uma aventura esquecida... Oh, minhas queridas amigas estrelinhas no céu... Dêem-me uma chance de viver um sonho novamente...
Por favor... Por Kami-sama...
O puro é impuro. O impuro se torna puro. Bom se transforma em mau...
Eu me lembrava bem daquela cantiga tocada pelas crianças do pequeno vilarejo sob os pés do Monte Hakurei. – Sim... Eu me recordava... Não tão nitidamente, mas me recordava de algumas coisas que aconteceram naquele dia. Pode-se dizer que eu estava tendo uma visão passageira. Uma recordação relâmpago, como às vezes eu tinha em sonhos... Afinal, era o que estava acontecendo naquele momento. Eu estava tendo um sonho.
Um belo homem de cabelos prateados e sua magnífica espada lutavam bravamente contra um ser que havia ressuscitado. Eu estava lá, um pouco perdida talvez e ao meu lado tagarelando algumas coisas um yokai verde e seu bastão de duas cabeças... – A sua presença era nenhum pouco agradável. Estávamos perto de uma ponte de madeira e o clima estava pesado devido ao Monte surgindo assim no ar muita névoa. Eu podia até dizer que estávamos no outono, talvez pelo frio, pela névoa e pela pouca claridade.
O adversário do belo cavaleiro era um dos subordinados de seu tenebroso inimigo denominado Naraku, a criatura à sua frente nada mais era que um cadáver que havia sido ressuscitado por um fragmento de uma jóia muito poderosa, um ser estranho, com um jeito afeminado e um gosto peculiar de nome Jakotsu. Debochado, de raça inferior, esse ousava desafiar o poderoso e impiedoso Sesshoumaru. Um Príncipe, um Deus. – Tudo no começo era engraçado, eu via aquela situação com grande humor e um pouco de receio por estar correndo perigo também.
Eles falavam coisas que eu não compreendia até que uma hora eles começaram a lutar ali. – Incrivelmente fantástico!
"Humano idiota! Pare de resistir e morra de uma vez.", comemorava entusiasmado Jaken, o sapo verde com seu bastão de duas cabeças. Eu prestava atenção em cada movimento dos lutadores. Espantada, admirada e torcendo para que o cavaleiro ganhasse. Arg! Eu estava tão distraída que nem vi quando Jakotsu nos atacou.
"Nanico, você disse alguma coisa? Hein?", e ele novamente nos atacou com aquela espada que mais parecia uma serpente com tantas lâminas voando no local tão rapidamente.
Só que já era esperado que o homem alto e de lindas madeixas prateadas nos salvasse. Com um golpe esplendoroso, o Príncipe atacou o verme plebeu e ordenou em alto bom tom que Jaken e eu fugíssemos dali.
Jaken me puxou pela mão, levou-me para longe dali. Fugir, realmente, fugir dali era a melhor opção. Mas, tudo ficaria bem, Sesshoumaru-sama nos salvaria! Disso, eu tinha a mais absoluta certeza.
"Espero que Sesshoumaru-sama fique bem."
"Tola! O Sesshoumaru-sama nunca perderia para um humano."
"Mas você está fugindo, Jaken-sama."
"O que você quer dizer com isso? Eu também sou um yokai! Eu jamais perderia para um humano!"
Era sempre assim, Jaken-sama nunca aceitava que estava errado e que vivia fugindo pela sua própria segurança e eu, às vezes, nunca tinha forças para rebater certas coisas proferidas por ele. E naquele momento, em que estávamos na ponte, eu não respondi e vi que nossa situação havia ficado um pouco delicada. – Era o médico curandeiro, que tinha uma expressão demoníaca no rosto... Amigo de Jakotsu provavelmente... O tal Suikotsu.
Ele nos atacou e pude sentir que isso havia afetado de alguma maneira Sesshoumaru-sama, será que o susto que Suikotsu havia dado em mim e Jaken desconcentrou Sesshoumaru-sama de sua luta? – Desculpe-me...
Suikotsu nos atacou sem dó e sem piedade, Jaken-sama fazia de tudo para me defender e salvar sua própria vida, desviando dos ataques... E eu tentando mais uma vez fugir... Sempre assim...
"Tome isso! BASTÃO DE DUAS CABEÇAS (Nintoujyou)!", e num rápido movimento entre tanta névoa, a boca do bastão abriu e de lá saiu muito fogo... Tanto fogo num gesto tão impensável que pôs a minha vida, a dele e de Suikotsu em grande perigo, já que a ponte foi destruída...
"J-Jaken-sama, a ponte vai cair!"
"Eu sei! Vamos correr!"
"Hai."
Mas, foi em vão... Quando nós tentamos correr Suikotsu apareceu de baixo da ponte, sim... Ele não havia morrido e estava ali para atacar novamente. Todavia... O que eu temia havia se concretizado e a ponte havia caído, porém e nós? Talvez... Mortos.
Eu realmente não me recordo o que aconteceu depois, tudo ficou tão escuro e apagado e por um momento senti algo me agarrar e cair dentro de um rio onde tinha uma forte correnteza que me levava para longe... Acho que eu havia desmaiado...
Novamente olhei as estrelas da janela do meu quarto. Elas estavam mais brilhantes do que antes e a lua infelizmente não aparecia, eu não conseguia me recordar. Ter sonhos quebrados e fragmentados já era uma rotina bem comum durante aqueles dias. Às vezes, eu custava acreditar, seria imaginação minha? Depois de ouvir centenas de vezes as histórias encantadas que Lorde Sesshoumaru contava pra mim, estaria eu fazendo imagens e formando memórias que realmente pertenceram a mim?
Era tão difícil de lembrar e de acreditar.
Eu me pus de pé, ajeitando o fino quimono branco simples que eu usava pra dormir, calcei as sandálias e sai do meu quarto. Eu iria tirar a prova agora! Sesshoumaru, sim... Se realmente houvesse acontecido isso, provavelmente estaria escrito no livro bonito de Sesshoumaru, né?
A passos largos e apresados numa tentativa em vão de chegar rápido aquele aposento que ficava tão longe do meu, eu pus a correr. Depressa! Ligeiro! Rápido meus queridos pés! Preciso chegar lá antes que eu esqueça tudo... Droga!
Eu estava ofegante quando bati a porta do quarto de meu Lorde... De meu marido... Naquele momento, eu estava totalmente desnorteada, clamando por ajuda e por um pouco de atenção. Minhas pernas estavam bambas, meu coração batia acelerado; e provavelmente muitos dos fios do meu cabelo estavam desgrenhados. Eu havia tido um sonho em muitos. Eu precisava saber do resto! Por favor, não me negue isso.
Aquela era a terceira ou quarta vez que eu batia a porta de seu quarto? Eu não suportava mais segurar as lágrimas que insistiam descer de meus olhos, estava fugindo, estava indo embora... Sesshoumaru...
"Sesshoumaru-sama...", batia enquanto sussurrava seu nome totalmente sozinha naquele corredor escuro da ala norte do castelo. "Sesshoumaru-sama...", por que tudo que eu fazia era sempre em vão? "Por favor, abra a porta...", mas ele não ouvia. Talvez nem estivesse no castelo, pois ele não abriu a porta naquela hora.
Meu peito doía e minha cabeça latejava... – Eu caí sobre meus joelhos.
Sesshoumaru-sama, você me odeia por ser assim? – pensei em apuros naquele momento de desespero.
Novamente meus olhos pequenos em meio a tantas lágrimas se fecharam, eu não estava totalmente submersa ao mundo dos sonhos assim dizer e eu pude sentir ser carregada para dentro daquele quarto com fortes braços, braços do cavaleiro do "djavù" que tive. Sendo colocada delicadamente como uma flor sobre aquele futon macio e espaçoso. Um futon de casal...
Ele acariciava meu rosto e enxugava minhas lágrimas como um bom amigo que ele era. Sempre atento a cada detalhe meu. Cortejando-me em sonhos e alegrando-me em momentos tristes e sem querer eu reabri meus olhos e deparei com aquele olhar doce e angelical que eu raramente via. Seus olhos âmbares brilhavam intensamente e refletiam preocupação.
"Eu tive um sonho...", disse por fim.
"Você quer me contar?", ele perguntou sentando-se ao meu lado.
"Sim... Na verdade eu quero saber mais... Porque no sonho eu desmaio e eu não sei o que acontece a seguir."
"Entendo..."
"Lorde Sesshoumaru...", fiz uma pequena pausa e segurei sua mão sob os lençóis. "Você me ama?"
Ele demorou pra responder e eu infelizmente não estava disposta a ficar acordada. Minha mente estava cansada, naquele momento até cogitei a possibilidade dele não ter escutado minha pergunta e o que fiz? Eu me aproximei, eu o abracei forte e fechei os olhos.
"Eu, por algum motivo, te amo muito... E toda vez que eu tenho sonhos assim, quero vim correndo para te falar... Quero que seja o primeiro a saber que eu estou melhorando, ou talvez apenas me iludindo..."
"Descanse Rin...", ele passou a mão em minha cabeça e me abraçou também. "Amanhã a gente conversa..."
"Ei, Sesshoumaru-sama, você me ama?", perguntei novamente antes de adormecer profundamente.
Talvez fosse um sonho, mas eu ouvi, um pouco distante um "Eu te amo, Lady Rin..."
Notas finais
Agradeço de coração ao apoio, ao carinho que vocês têm em deixar uma review pra mim e peço. Deixem seu comentário por favor, isso ajuda bastante!
Beijinhos coloridos com polens, Shiia-chan.
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