— Então Becket, vai colaborar hoje ou vou precisar usar algumas ferramentas? — o pirata falou risonho.

Beckett era apenas um marinheiro a serviço da Inglaterra, mas já sabia que precisava ser forte e não permitir que os piratas descobrissem as novas rodas mercantis criadas pelos navegadores do rei.

— Vá pro inferno. — ele cuspiu no rosto do pirata que contraiu sua face em puro ódio.

— Então será do jeito dificil. — ele se virou e deixou Beckett acorrentado em uma cela imunda e umida. — Dois dias sem comida e não há homem que resista.

Beckett fechou os olhos e implorou para Deus que o ajudasse. Não aguentava mais as torturas, a fome, o frio... sentia saudade de casa, de sua mãe e seu pai que foram covardemente mortos pelos tripulantes daquele navio. Sentia ódio. Tanto ódio que desejava matar um a um daqueles malditos piratas com suas próprias mãos. O cansaço cobrou seu preço e ele se sentia sonolento demais para resistir a Morfeu.

— Eu me perdi no mar, já não posso mais voltar... — uma voz feminina e suave que cantava acordou Beckett junto à luz do sol na manhã seguinte.

— Eu jurei ao meu amor, para sempre vou te amar, mas o mar jamais irá me libertar.... — a garota de costas cantava enquanto passava um esfregão no chão.

— Quem é você? Um anjo? — ele começava a delirar por causa da sede. A garota se assustou e esbarrou no balde com água suja. Por pouco ela nao o derrubou no chão.

— Não sabia que tinha alguém aqui. Eles já venderam todos os prisioneiros no ultimo porto. — ela falou.

— Diga a Deus que eu fiz o que pude anjo. — Beckett respondeu delirante e desmaiou.

A garota se compareceu do rapaz, que apesar de estar em frangalhos, era bonito. Subiu as escadas para chegar onde era guardada a comida. Habilidosamente roubou um pouco de carne seca, pão, alguns pêssegos e uma garrafa de rum. Enrolou tudo em uma trouxa feita com seu avental velho e seguiu em direção a cela onde estava o marinheiro da marinha inglesa.

— Katherine, você lavou todas as roupas do capitão? — o braço direito do capitão perguntou. Ele era um homem perigoso que já havia tentado machucar Katherine antes.

— É claro senhor. Estão passadas e engomadas como é do gosto do capitão. — ela tremeu. Não queria ser punida e tinha medo que o homem percebesse que ela carregava uma trouxanas mãos e decidisse ver o que havia la dentro.

—Onde você as guardou? -ele falou impaciente.

— No baú, ao lado da mesa do capitão meu senhor. — Katherine fez menção de ir embora e o homem segurou seu braço.

— Sua sorte é que pertence ao capitão e ele precisa de uma serva. Um dia você vai ser minha. — ele sussurrou em seu ouvido.

Katherine saiu em disparada. Ela tinha horror em imaginar o que aqueles homens que navegavam roubando e matando poderiam fazer com ela.

Pegou a argola de chaves das celas que ficava pendurada numa viga de madeira proxima a escada e seguiu silenciosamente, atentaaos barulhos do convés.

Ela empurrou a porta e se aproximou de Beckett. Seu estado era ruim, machucado, sedento e febril. Katherine arrancou a rolha da garrafa de rum e com muito esforço conseguiu recortar a cabeça de Beckett em seu colo. Deu-lhe vagarosamente o rum, para reanimar seu corpo e espírito.

Beckett bebeu e aos poucos acordou e percebeu que a garota estava cuidando dele. Seria mais uma artimanha para fazer com que ele falasse? Entretanto ele não disse uma palavra.

— Coma! — Katherine estendeu a trouxa com comida para ele.

Ele comeu com voracidade, mas ainda sentia fome quando a comida acabou. Permaneceu em silêncio, desconfiado de Katherine.

Isto se repetiu todos os dias. Ela levava para ele água e comida, cuidava de seus ferimentos e pouco a pouco nasceu uma amizade entre os dois.

— Quantos anos você tem? O que fez para parar aqui? — Katherine perguntou.

— Dezenove. Eu sou parte da marinha da Inglaterra e o capitão deste navio que informações sobre nossas titãs, navios e poder de fogo. — Beckett parecia animado — E você Katherine?

— Eu tinha 11 anos. Eles tomaram o navio, roubaram tudo. Fizeram coisas horríveis com as pessoas. — Katherine falou seria — Eu me escondi, mas não adiantou. Eles me acharam. Talvez por um pingo de bondade, ou egoísmo, o capitão poupou minha vida e fez de mim sua escrava.

— Eu sinto muito... — ele pareceu inconformado.

— Tudo bem, eu me acostumei. Acho que tenho 15 anos agora, mas nao sei. Os dias no mar parecem sempre iguais. Já não sei em que mês estamos. — Katherine sorriu.

Beckett falava em escapar, mas Katherine sabia que era um feito quase heroico conseguir sair com vida daquele maldito navio.

— Venha comigo. Podemos fugir juntos. Eu protegerei sua honra quando chegarmos a Inglaterra. Não te acusarão de pirataria Katherine. — Beckett a olhou esperançoso. — Preciso de você junto à mim.

—Por mais que eu me sinta tentada, você sabe que não tenho para onde ir. Eles mataram minha família, tomaram tudo que tínhamos. — Katherine suspirou — E seria uma tarefa impossivel para nós.

— Venha Katherine. Confie em mim. -os olhos de um verde profundo de Beckett a fitavam.

— Certo... vamos planejar nossa fuga. — ela respondeu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.