Lady Elsa

5 As consequenciais da guerra


Notas iniciais
Oi gente! Voltei rapido por causa da maravilhosa Flor da noite, então agradeçam a ela. E mais uma vez, bem vinda a nossa família flor! Desejo que voce fique por aqui e que minha historia te agrade. Sem mais delongas vamos ao capitulo, desta vez narrado pela Anna. Boa leitura

Onde Lady Anna tem um lampejo de coragem e resolve seguir o conselho de sua irmã.

Uma semana depois

Há quem diga que sair no meio da noite para ir a casa de um cavalheiro, alem do mais sem ser convidada, é uma atitude insensata e digna das mulheres da vida. E eu sei que se minha mãe se quer desconfiasse disso teria um ataque, no entanto minhas atitudes neste momento tem uma grande explicação.

Quando a alguns dias Elsa respondeu a minha carta as suas palavras ficaram guardadas em mim e se repetindo constantemente. “Lute antes de desistir”.

Eu estava disposta a esperar que Kristoff tivesse seu tempo a sós e voltasse para Londres antes de o enfrentar e pedir explicações, no entanto depois da carta de Elsa e de descobrir que uma das amigas de minha mãe tinha me convidado para uma festa que seguiria de três dias de atividades ao ar livre em sua casa de campo que coincidentemente era vizinha da casa de campo dos pais de Kristoff eu soube que era um sinal do destino, eu tinha de ir falar com ele.

Entao participei de todas as atividades programadas durante o dia e fui me deitar mais cedo com a desculpa de estar com dor de cabeça então mal o sol se pós fugi pela janela e aqui estou eu a caminho.

Antes de ir obviamente deixei a porta trancada e minha empregada pessoal ficou dentro do quarto encarregada de não deixar ninguém entrar dizendo que eu estava dormindo.

Agora aqui estou eu, acompanhada da minha capa e de algo para me iluminar um pouco, caminhando no frio e preparando meu discurso.

Depois de andar ate que tudo ficasse no mais completo escuro, e amaldiçoando o fato das propriedades de campo serem tao longe uma das outras, consegui finalmente chegar ate a casa.

Bati a porta extremamente forte rezando para que abrissem rápido porque estou congelando neste frio.

Quando finalmente a porta abre espero que seja um mordomo mas para minha surpresa se trata do próprio Kristoff.

— Surpresa! – Digo ao ver sua cara de pasmo. – Vai me deixar entrar Kris?

— C-Claro, v-você pode entrar. – Ele me dá passagem ainda me olhando sem entender nada. – Você veio sozinha?

— Sim. – É tudo que digo quando entro. Começo a reparar em tudo na casa, inclusive na aparência de Kristoff.

Todos haviam me dito que Kristoff deveria ter se isolado no campo porque ainda estava mal por causa da guerra. Que a maioria dos soldados fica com algum trauma e precisam de algum tempo para se reestruturarem física e mentalmente. Talvez por esta rezão eu tinha me preparado para encontrar uma casa sombria e maltratada e um Kristoff de aparência maltratada, com cicatrizes talvez.

Mas nada me preparou para ver a casa limpa, com exceção de algumas garrafas de bebidas, e de uma aparência que beirava ao normal.

Ele estava limpo, com roupas muito bem feitas e com o cabelo cortado do mesmo modo de sempre. Eu poderia dizer que era o mesmo Kristoff de antes da guerra se não fossem suas olheiras e seu corpo mais corpulento.

— Não posso acreditar que sua mãe te deixou sair a noite sozinha para vir aqui. – Ele diz incrédulo.

— Você saberia o que minha mãe anda me deixando fazer caso não tivesse fugido para o campo sem falar comigo. – Alfineto tirando minha capa e arrumando minhas duas tranças enfeitadas com fitas.

— Eu não fugi. Mas de qualquer forma duvido que sua mãe deixaria você fazer isto. Visitar um homem em sua casa a noite e desacompanhada não é coisa de mulheres direitas. – Seu sermão parece tentar esconder seu nervosismo.

— Esta querendo dizer que não sou uma mulher direita? – Pergunto irritada.

— Claro que não. Eu sei que você só fez isso comigo e porque me conhece. – Ele responde suspirando fundo e se sentando numa poltrona.

— Se bem me lembro a ultima carta que você me escreveu dizia que o tempo e as circunstancias mudam as pessoas. Então como você pode ter tanta certeza que eu não me tornei o tipo de mulher que sai por ai visitando homens. – Alfineto novamente. Eu queria que ele se zangasse, saísse desse bloco de gelo sem expressão.

— E quais circunstancias poderiam fazer você mudar tanto? Pelo que eu saiba sua vida se resumiu as festas nos salões nobres de Londres então eu não vejo motivo que a tenham levado a isso. – Sua voz ainda é fria e suas palavras tem um toque de acusação.

Suspiro fundo sentindo raiva e decepcao lutando dentro de mim.

— Ser ignorada pelo noivo e depois vê-lo fugindo para longe e levantando fofocas por toda Londres parece um bom motivo para fazer uma mulher se rebelar. – Afirmo magoada. Eu não tinha culpa de Kris ter ido para a guerra nem de ter de comparecer a festas.

— Nós não estamos noivos oficialmente, apenas nossas famílias e amigos mais próximos sabem que pretendíamos nos casar. – Ele diz e sinto meu coração doer ao ouvi-lo dizer que pretendíamos- no passado e que nosso noivado não é oficial.

— Recebi propostas de casamento e recusei porque disse que esperava por você. A essa altura Londres inteira já sabe que sou a idiota que esperou pelo “noivo” e em troca o noivo fugiu. – Digo dando um sorriso irónico.

— Porque você contou para todos? Nada estava decidido, alem do mais nossa família concordou que você teria uma temporada normal e aproveitaria tudo para que testássemos se realmente nos amamos. –

— Contei porque eu confiei em você Kris. Confiei nas suas palavras e eu sabia que não precisava de temporada normal porque tenho certeza dos meus sentimentos por você. – Gritei batendo com a mão fortemente na mesa. – Você prometeu que nos casaríamos mal voltasse da guerra e também prometeu que nos comunicaríamos por cartas durante toda a guerra. Mas você mentiu, tive de assistir você mandar cartas para sua família, mas nunca para mim, tive de assistir você ignorando minhas cartas e principalmente tive de assistir sua fuga para esta maldita casa quando sabia que eu estava em Londres ansiosa para te ver.

Depois disso eu já não via as coisas direito porque minhas lagrimas embasbacavam minha vista. Kristoff tinha uma expressão de dor no rosto, mas não se mexeu.

— Eu preciso me casar esse ano Kris. Algo muito de errado se passa com o casamento de Elsa e sei que parte disto tem haver comigo embora ninguém me explique nada em casa. Elsa foi obrigada a se afastar, meus pais parecem cheios de culpa e também se afastaram e eu estou sozinha. Mas sinto que se me casar e deixar de receber a ajuda financeira do Hans talvez Elsa tenha como sair desse casamento, ela não esta feliz. – Pauso minha narração para que Kristoff diga algo caso deseje, mas diante do seu silencio continuo. – Então decidi que me casarei esse ano, de uma forma ou de outra. Vim ate aqui dizer que se você ainda me ama precisa me dizer agora e cumprir sua promessa de casamento porque senão aceitarei outros pedidos e me casarei.

Eu já tinha me decidido quanto aquilo. Eu precisava fazer isso por Elsa. Por isso me preparei para que caso Kris me dissesse que não me ama mais para que eu não desabasse.

Juro que me preparei, mas mesmo assim quando ele disse as palavras sinto meu coração quebrar e caio de joelhos no chão.

— Não posso me casar com você Anna. Volte para casa. – Ele também tinha lagrimas nos olhos, sua mão apertava o braço da poltrona com tanta força que eu achei que a poltrona fosse rasgar mas mesmo assim ele não se mexeu.

Chorei no chão me sentindo uma idiota por estar de forma tao humilhante assim. Mas eu não podia controlar, eu tinha acabado de descobrir que vivera uma mentira durante minha infância e adolescência.

Todas as vezes, desde os meus 10 anos, que eu dizia a Kris que um dia iriamos nos casar eram verdadeiras e todas as vezes que ele concordava eu acreditava em suas palavras e em seu amor.

— Você não me ama mais? E teve de fazer tudo isto para dizer? Não poderia ter me dito durante aquelas cartas a algum tempo atras? Teve de me fazer ansiar por isso durante todos os bailes, todos os saraus, todos os momentos do meu dia? – Pergunto tremendo devido ao meu choro. – Porque todos se afastam? O que há de errado comigo?

Finalmente alguma coisa parece fazer efeito em Kristoff e ele se levanta e me abraça de rompante.

— Não a nada de errado com você Anna. Você é perfeita e eu nunca te mereci, nem quando era normal imagina agora. – Seus braços me rodeavam acolhedoramente enquanto ambos estávamos de joelhos e eu podia escutar seu coração bater.

Sinto suas lagrimas molharem minha cabeça e o abraço mais forte desejando que suas palavras anteriores tenham sido apenas uma brincadeira.

— Eu sofri um ferimento durante uma batalha. Uma de minhas pernas enfraqueceu e agora manco alem de não poder mais andar longas distancias. Eu não posso me casar com você sabendo que serei um peso para você. – Ele se levanta e me mostra me deixando surpresa por não ter notado que ele estava mancando quando abriu a porta para mim.

Estava tao concentrada em falar com ele que nem percebi.

— Você nunca será um peso para mim Kristoff. Você não está impossibilitado de andar, apenas precisa ir mais devagar. – Rebato rapidamente.

— É claro que serei um peso Anna. Você sempre foi uma pessoa alegre, gosta de caminhar e andar a cavalo, de correr e saltar e dançar rapidamente e não poderei mais acompanha-la. Alem do mais quando durmo ainda tenho sonhos com aquelas batalhas, quando esta silencio posso ouvir os gritos dos soldados agonizando e morrendo em batalha. Eu estou quebrado Anna. Prefiro te ver casada com outra pessoa do que te prender a mim, te amo demais para te amaldiçoar com um casamento infeliz ao meu lado.

Mil e um protesto vem a minha mente para dizer, mas paro e olho para ele tao seguro de suas palavras e sei que quaisquer palavras não o convencerão.

Penso durante vários segundos no que dizer para o convencer e por fim digo:

— Se lembra quando peguei aquela doença contagiosa? Tínhamos uns 9 ou 10 anos e fui proibida de ficar perto de qualquer criança. Eu estava tao triste e me sentindo tao abandonada e aí tu e Elsa entraram escondidos no meu quarto e se deitaram comigo. Eu não queria porque tinha medo que vocês adoecessem também, mas você me disse que quem ama de verdade está presente em todos os momentos e não abandona nem por causa de doença ou quando o outro se torna um velho rabugento como tua avo era. Eu fiquei tao encantada com aquilo que nunca mais esqueci. E no fim tu e a Elsa acabaram adoecendo também. É a mesma coisa agora Kris. – Conto olhando fundo em seus olhos. – Eu te amo e vou estar contigo independentemente de qualquer doença. Vou andar lento junto contigo, não preciso dançar porque olhar nos teus olhos e ver amor será toda a alegria que preciso, quando você tiver sonhos maus vou te abraçar e te beijar e nunca vou deixar que a casa fique em silencio para que nunca mais escutes os gritos.

— Tudo tem concerto e o amor cura tudo. Eu só serei infeliz se não me casar com você. Eu te amo Kris. – Finalizo me aproximando dele e o beijando.

Quando sinto suas mãos me afastando dele tenho medo de que seja para me dizer que não vai se casar comigo, mas em vez disso ele diz:

— Também te amo Anna. E vou lutar todos os dias para ser melhor para você. – E assim ele volta a me beijar.

Eu sabia que a partir deste momento meu felizes para sempre começaria e assim eu poderia finalmente me livrar do dinheiro de Hans.

Mesmo que nós nunca seremos ricos eu sei que com o meu dote e o dinheiro que Kris ganhou com a venda dos seus títulos militares seriamos muito felizes e mais importante ainda eu faria Elsa feliz.

Mal podia esperar para escrever a próxima carta a minha irmã.

Notas finais
Eai? Comentem o que acharam por favor. Se quiser me dar dicas de como melhorar aceitarei com toda a humildade. Entao foi isso, um beijo e até a proxima.