Lady Annabetth
4 Wecome to Kira.
Notas iniciais
Desde que entramos nesta carruagem não se ouviu um som. Só os guardas avisando aonde estávamos e se faltava muito para chegar ao nosso destino. Eu dividia a carruagem com meu pai, minha mãe e Tenássia. Os outros vinham na que nos seguia. Meu pai segurava uma taça de vinho em suas mãos e olhava para o nada pensativo. Minha mãe tecia alguma coisa nervosa e Tenássia apenas olhava a vista pela janela. Não disse nada desde que saiu de perto de Tobias, aonde chorava. Não quis a incomodar achei que poderia se zangar.
Levei meus pensamentos e pensei em como seria Kira, lugar onde nasceu Vitor e onde moram seus pais. Dizem por entre todos os reinos que é o mais cruel deles. A pena para todos os crimes é de morte ou morrer apodrecendo em uma de suas celas. Vitor nunca falou de seus pais, o que não me fazia imaginar como seriam. Logo a carruagem parou bruscamente e todos exceto meu pai, se assustaram. Vitor abriu a porta.
— Antes de entrarmos lá quero dizer a todos que eu sinto muito por qualquer indelicadeza de parte da minha mãe. — ele parecia nervoso. — Inclusive a você, Salina que é uma das ladys mais educadas que já conheci em toda a minha vida. E Tenássia, não ligue para o que ela disser. — ele me olhou apreensivo sem dizer nada. — E também não liguem para meus irmãos, são cópias dela.
— Conheço sua mãe, Vitor. — minha mãe sorriu.
— Do mesmo modo, sinto muito desde já. — ele sorriu fraco e se retirou. Minha mãe parou de tecer e olhava apreensiva pra meu pai que olhava para o chão, sem querer responder nada.
Assim que ouvimos os guardas nos anunciarem e o barulho de um grande portão ser aberto, meu coração bateu mais rápido. Resolvi olhar pela minha janela e vi, milhares de guardas, com lanças enormes nas mãos e civis caminhando rápido. Alguns apanhavam em um canto, minha mãe logo viu e cobriu a janela com a cortina.
— Poupe-nos disso. — ela disse com seriedade.
— Desculpe. — me encolhi mais ainda no meu canto e fiquei quieta até nos avisarem que chegamos. Desci primeiro e senti a mão de Vitor tocar a minha, ele sorriu fraco pra mim e eu sorri de volta, caminhando ao seu lado, logo atrás de meus pais que distribuíam sorrisos a todos, como se o que tivesse acontecido em nosso castelo fosse bobagem. Tenássia vinha abraçada a Mercedes, logo atrás de Hideo e William.
Vitor dava olá a todos, parecia muito bem recebido. Alguns civis que passaram por nós se curvaram rapidamente.
— Príncipe Vitor. — uma mulher já de idade se curvou com certa dificuldade, e quando foi levantar caiu. Eu me impulsionei para ajudá-la mas Vitor botou seu braço em frente a mim e me impediu. Olhei para ele incrédula, que olhava para a frente com certo ódio no olhar. Resolvi ver o que ele tanto olhava. Me deparei com uma mulher de cabelos longos e castanhos escuro, deveria ter entre os trinta e seis anos. Seus olhos eram verdes e seu corpo era exuberante. Vestia um vestido cinza, reto com um decote que demonstrava as extravagâncias do corpo dela. Ela caminhou em direção até nós.
— Kirianda. — meu pai sorriu fraco e beijou as costas de sua mão.
— Theodor. — ela disse sem demonstrar sorrisos ou felicidade voltando o olhar para minha mãe, pra quem dessa vez ela abriu um enorme sorriso. — Salina. — as duas se curvaram diante delas mesmas.
— Kirianda. — minha mãe sorriu e logo se impulsionou para um abraço, que foi muito bem retribuído. Achei muito estranho. Quando o olhar dela se direcionou a mim, me analisando de cima a baixo.
— Vitor, querido. — ela sorriu aliviada e o abraçou, tirando sua mão da minha.
— Mamãe. — ele disse com certa rispidez, quando ela o soltou e olhou para mim.
— Annabetth. — sorriu fraco. — Até que um dia conheci a minha nora.
— Kirianda. — me curvei diante dela.
— Oh, por favor. — ela disse. — Me chame de Kiria. — sorriu simpática. — Hideo e William. — ela se afastou de nós e recebeu os cumprimentos dos dois, e depois os de Mercedes e Tenássia, que havia se recomposto.
— Não sabe o quanto estamos felizes por nos abrigar. — minha mãe dizia alegre.
— Por favor, Salina. — ela já estava perto de minha mãe de novo. — Queria conhecer sua família á tempos, você que nunca veio.
— O meu reino é menos perfeito que o seu. — seguravam uma a mão das outras. Ouvi vários passos saindo de dentro das portas do imenso castelo.
— VITOR! — dois meninos com talvez quinze anos berraram abraçando Vitor.
— Garotos. — Vitor sorriu demonstrando felicidade.
— Vitor! — uma menina que aparentava ter dez anos chegou perto dele, que a levantou no ar.
— Meredith. — ele sorriu.
Percebi que mais uma pessoa vinha vindo, e percebi que era um menino que aparentava ser maior que os outros, aparentava ter a mesma idade que Vitor. Só tinha os cabelos mais escuros que ele. Nele não percebi felicidade em ver Vitor, mas mesmo assim aproximou-se e cumprimentou-nos.
— Liam. — Vitor disse ríspido.
— Vitor. — o tal de Liam respondeu e olhou para mim. — Annabetth? — indagou com certa dúvida.
— Na mosca. — sorri, recebendo o seu beijo nas costas da minha mão. — E você?
— Liam. — disse sorridente, recebendo os olhos furiosos de Vitor sobre ele. Pareceu não ligar e pulou pros meus irmãos.
— Vamos entrar antes que vejam algum ato a qual não estejam acostumados. — Kiria subia os enormes degraus que levavam a porta, seguida de todos, enquanto dava a mão a pequena moça que se chamava Meredith.
— Nunca me contou que tinha tantos irmãos. — disse perto de Vitor, para que só ele escutasse.
— De alguns eu prefiro esquecer. — senti que aquilo era referente a Liam que vinha ao lado de Mercedes e Tenássia.
— Liam. — Kiria berrou brava e Liam se pôs ao lado dela. — Leve os príncipes e princesas a seus respectivos aposentos e depois junte-se a nós, junto de seu irmão. Por favor. — Liam não questionou e foi.
— Venham comigo. — ele disse e todos nós, exceto meus pais o seguimos. Subimos uma grande escadaria cinza, com lindos detalhes. As paredes eram feitas de pedra, e pareciam bem antigas. Quando chegamos ao topo, e segundo andar vimos dois longos corredores e um terceiro que seguia reto, para uma grande porta marrom cheia de detalhes que possuía dois guardas na frente.
— Por aqui. — seguimos pelo da direita. — Aqui, Hideo. — Hideo entrou em um quarto, o primeiro. William logo a frente. — William agradeceu e entrou no seu. — Tenássia, seu quarto. — Tenássia sorriu aliviada e entrou no seu. — Mercedes, querida, logo á frente. — Mercedes sorriu intimidada e entrou no seu se despedindo. — O seu, Annabetth é ali. — ele apontou para o do lado de Mercedes. — Mas, é claro que dormirá com Vitor no dele. — sorriu com certa malícia. Vitor apenas observava o corredor contrário. — Que é no corredor do meio. Venham. — seguimos ele, até o corredor do meio que tinha mais do que um quarto, tinham mais quatro quartos. Deduzi que seriam de Meredith, os dois meninos de quinze anos, um de Liam e outro de Vitor. — Aqui, querido irmão. — senti a ironia na sua voz e Vitor entrou na frente, com certa raiva.
— Obrigada. — sorri agradecida e entrei, recebendo seus olhares. Não sei se eram indecentes ou não, nem liguei. Resolvi tomar um banho, pois pelo que parecia teríamos uma grande ceia a noite.
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