Lady And The Tramp
1 Oneshot
Notas iniciais
Relevem qualquer erro ou mesmo se não estiver muito boa, escrevi tudo correndo hoje no final da tarde para conseguir postar ainda no mesmo dia.
História pura, sem malícias, digo desde já.
“Eu estava atordoada, ainda tentava absorver tudo aquilo que havia me acontecido. Sim, eu sei que tive culpa. Eu queria que aquilo acontecesse, porém, de uma forma não tão ruim. Planos... há muito tempo eu tinha ciência de que nada poderia planejar e realmente, nada aconteceu como eu quis. As coisas fluíram da pior maneira possível e ali estava eu.
Sempre soube que deveria tomar alguma atitude para tentar mudar meu destino mas em certos momentos eu me perguntava se havia feito a coisa certa. Realmente foi a melhor decisão? Estranhamente... eu não estava mal.
Amigos se assustavam ao saber da “novidade”, às vezes comentavam que estava mais do que na hora de fazer algo por mim mesma, mas os olhares arregalados em minha direção entregavam a surpresa de tais. Minha tese à respeito é que, por um lado, eu tentava demonstrar aos outros que tinha uma vida perfeita, já aqueles que realmente me conheciam, sabiam do quanto eu era tola.
Cansei de escutar conselhos e mais conselhos... amigos, meu tio, meu pai... minhas companheiras de banda. Todos sempre me alertaram mas eu simplesmente fingia não ouvir.
Não, eu não estava cega. No fundo eu sabia que eles estavam certos quando diziam que eu deveria tomar uma atitude para melhorar de vida, ser feliz. Eu só... não queria. Lembro-me de certa vez ter feito algo à respeito. Não demorou nada para que eu me arrependesse amargamente.
Alguns sempre me tiveram como um exemplo se força e sim... eu tive que ser forte. Mas no fundo não passava de uma menininha fraca e chorona. Talvez se eu tivesse sido mais firme em minha decisão, lá no passado, hoje em dia eu estivesse bem melhor. Talvez eu só tivesse desperdiçado meses de minha vida. Coração maldito... sempre falando mais alto que a razão.
Eu estava viva mas parecia sem vida. Mais uma vez repito, eu não estava mal, mas também não estava bem. Me tornei uma pessoa neutra durante aqueles dias. Excerto por alguém, You. Sim... eu tenho muito o que agradecer à ele por ter me encorajado a mudar, por estar ao meu lado quando precisei. De certa forma ele foi meu “apoio”, que não me deixou cair.
Certo dia acabei por cruzar com alguém na rua, Shun, que há dias atrás havia me convidado para ser madrinha da filha que a esposa dele esperava. Eu não a conhecia, nem ao menos sabia se ela gostaria de mim como comadre mas de uma coisa eu tinha certeza: sentia inveja dela.
Eu sempre quis ser mãe mas sabia que na situação em que estava isso seria um sonho impossível de ser realizado, nem mesmo se eu implorasse. Isso me fez sentir um aperto no peito quando recebi o convite para ser madrinha da criança mas é claro que eu havia aceitado. Não apenas por não ter um filho mas eu cuidaria daquele bebê como se fosse realmente meu.
Mas como eu ia dizendo, naquele dia encontrei Shun, porém este parecia abatido. Aos poucos foi me revelando o que houve. O guitarrista já havia me dito que estava tendo problemas com o casamento porém eu tinha em mente que logo tudo se resolveria. Não nego, eu os invejava. Pareciam ser o casal perfeito, isto é, ao menos ela parecia ter o marido perfeito.
Cenas passadas vinham à tona em minha mente, fazendo-me recordar do dia em que soube que os dois estavam namorando. Eu não o amava, eu não podia sentir aquilo mas eu estava com ciúmes. Sentimento estranho, repentino, este que guardei somente para mim afinal eu era casada e amava meu marido.
Nós tivemos uma conversa bem descontraída. Confesso que há tempos eu não ria tanto... havia esquecido do quanto é gostoso ficar o dia inteiro falando bobagens ao lado de um amigo. Não demorou muito para que eu fosse à casa do moreno.
- Bem vindo ao meu quarto, gato! — Pisquei para ele enquanto brincava.
- Seu quarto? Achei que fosse o meu. — Ele havia olhado em volta e em seguida riu.
- Depois do casamento tudo o que é seu passa a ser meu... Ou está pensando só em fazer um filho sem casar?
- Não! Eu sou um rapaz respeitador, consigo esperar até o nosso casamento. — Ele entrou na brincadeira, liberando uma forte gargalhada que logo foi silenciada.
Shun havia mudado por completo sua expressão e confessou que o casamento dele estava por um fio. Mesmo que tudo se resolvesse, sabia que as coisas não seriam mais como antes. Em meio à uma conversa mais profunda acabei abrindo meus sentimentos à ele, revelando-lhe minhas dores... meus sonhos. A partir de um certo momento o que eu dizia parecia fazê-lo sorrir, nossos sonhos eram simplesmente os mesmos. A princípio desacreditei. Como poderia haver uma pessoa que sonhasse em ter a vida que sempre sonhei em ter?
Ele estava distraído e em um ponto da conversa acabou por achar que não estava sendo muito “receptivo” e perguntou-me se eu queria fazer algo. Eu deixei a seu critério. Ainda em meio à brincadeiras ele me chamou de princesa. Tudo bem, pode ser besta da minha parte mas eu adorei isso.
Como o dia estava frio Shun resolveu fazer miojo. Ele nunca foi nenhum especialista na cozinha e eu, bem... não sirvo para cobaia. No fundo acho que ele preferiu não arriscar.
Em poucos minutos após retirar-se o moreno voltou com uma tigela e dois pares de hashi.
- Itadakimasu!
Fui a primeira a experimentar, ao menos miojo pude comprovar que o rapaz sabia bem como fazer. Pouco antes havíamos comentado algo sobre A Dama e o Vagabundo, ele me cobrou. Prendi apenas um dos longos fios de macarrão no hashi e provoquei-o.
- O miojo já está aqui. Uma ponta, duas pontas. Agora... só falta sugar.
Olhei-o provocantemente e introduzi uma das pontas do macarrão em minha boca. No fundo eu queria aquilo e meus desejos estavam prestes a serem atendidos. O moreno utilizou o hashi para erguer a outra ponta do macarrão e não demorou para introduzi-la na boca, começando a sugá-la antes mesmo de mim. Dei continuidade ao que fazia porém, já próximo aos lábios dele, hesitei. Mantive-me ali, imóvel a fitá-lo até que o mesmo percebeu meus olhares e os retribuiu.
Em meu interior silenciosamente eu gritava para que ele continuasse até que senti os batimentos do meu coração dispararem pois os lábios dele tocaram os meus. Me assustei um pouco e prendi a respiração por alguns segundos, mantendo meus lábios junto aos dele por um curto período, logo interrompendo aquele toque ao usar os dentes para partir o macarrão.
Eu estava completamente envergonhada e sorri sem graça à ele na tentativa de disfarçar inutilmente a coloração rubra que minhas bochechas haviam assumido naquele instante.
- Você é digna de ser amada intensamente. — Ele disse após afastar-se, notei o mesmo parcialmente corado.
- Ou... de ficar esperando pela boa vontade de alguém. — Fui um pouco grossa na resposta, aquilo tudo me parecia perfeito demais para ser verdade.
Eu tinha que ir, já estava bem tarde. Ele se despediu de mim depositando um suave beijo em minha bochecha mas antes, foi firme ao dizer que me visitaria no dia seguinte, não aceitando um “não” como resposta. Me senti uma adolescente suspirando apaixonada.
Shun cumpriu o que havia dito. Na noite seguinte ele foi à minha casa. Com toda certeza aquilo me alegrou, eu estava mofando no sofá. Por não ter nada para fazer por lá sugeri à ele que saíssemos e o outro guitarrista acabou em levando a um lugar que ele costumava ir sempre. Durante o caminho, no veículo, ele dizia que o local era muito bonito, ainda mais à noite e ao chegar neste pude comprovar as palavras do guitarrista.
- Nem perguntei se gostava de areia... — Ele disse olhando-me de canto como se reprendesse a si mesmo.
- Eu não gosto de sol, mas não temos esse problema aqui. — Respondi simpática, admirando à minha volta o que fosse possível captar com os olhos daquele local.
De pés descalços começamos a pisar naquela areia. Já havíamos chegado ao local mas ele tinha apego por um ponto específico onde me levaria. Mais a frente haviam algumas pedras e segurando em minha mão ele subiu nestas, conduzindo-me até a mais alta delas.
Parecia um sonho. Por um breve instante esfreguei meus olhos para ter a certeza de que estava acordada. Dali se podia ver melhor o mar e éramos presenteados com uma maravilhosa visão do céu estrelado. O barulho das ondas chocando-se contra as pedras me relaxava.
- Eu nunca trouxe ninguém aqui. — Ele disse em tom baixo, quase um sussurro.
- Então me sentirei honrada por isso. É realmente um lugar lindo.
- Não há nada para se fazer aqui além de relaxar e... — Ele caminhava enquanto falava, parando exatamente atrás de mim e num ato mais ousado me abraçou pela cintura — ... estar com uma companhia perfeita.
Meu rosto corava. A mão do rapaz percorrendo meu corpo até encontrar a minha havia me causado arrepios combinados com a voz que era emitida bem próxima ao meu ouvido. Se na noite anterior eu havia sentido algo a mais, nesta mais do que nunca eu tinha certeza, eu o queria para mim. Mas não... como algo tão perfeito poderia ser verdadeiro?
- Por que... por que está fazendo isso? — Estava prestes à me entregar, mas hesitava. Ao mesmo tempo em que queria crer que aquilo tudo era verdade eu não queria.
- Porque estar com você é simplesmente maravilhoso. — Ele respondeu com uma voz tão delicada que se tornou quase uma tortura tentar me conter.
- Às vezes você me deixa confusa... — Gaguejei sem mais conseguir respondê-lo. Foi quando o rapaz caminhou para ficar frente a frente comigo.
- Não quero que pense que estou brincando com seus sentimentos. — Ele segurou meu queixo e aproximou a própria face da minha, deixando-as apenas à poucos centímetros de distância.
- Então... o que está fazendo? — Perguntei ofegante ao vê-lo beijar cada uma das pontas dos meus dedos.
- Tornando meus dias perfeitos ao seu lado. Em dois dias conseguiu fazer isso... imagine em muito mais... — Após dizer aquilo ele selou meus lábios.
Um breve momento que desejei ser eterno. Estar ali com ele era algo perfeito, há muito tempo não me sentia tão bem. Assim foi o nosso início. Início de uma nova vida de sonhos que aos poucos iam se materializando. Ele me ensinou que sonhos são feitos para serem realizados, me mostrou a diferença entre estar feliz e ser feliz, me deixou provar o verdadeiro sabor de um amor sincero e intenso.”
Após terminar de escrever, relembrando tudo o que havíamos dito um para o outro enquanto o fazia, fechei o caderno que decorei especialmente para presentear meu amado. Ele ainda não havia chegado do trabalho, porém, eu não estava sozinha.
Ainda sentada levei ambas as mãos à minha barriga e passei a acariciá-la suavemente à medida que um largo sorriso se formava em meus lábios. Perdida em meio aos meus pensamentos eu estava feliz por estar com ele, estava feliz porque sabia que dali a seis meses mais um de nossos sonhos seria realizado.
Notas finais
Nem tudo o que foi escrito é para ser entendido por vocês. -q
Enfim, espero que tenham gostado. <3
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