Ladrões de Coroas Interativa

14 O mercenário e o amuleto


Notas iniciais
Oi meus amores, até agora eu estou conseguindo cumprir o cronograma, espero que vocês gostem desse capítulo porque ele é bem relevante para a trama principal da historia. Só recapitulando: Fanny: Vampira morta, esposa do Ariel. William: Vampiro que tomou o sangue de Anjo. Gregori: Mercenário, dono da taverna, filho de um ladrão com a princesa Amélia Montenegro. No qual a Fanny contratou pra fazer um serviço pra ela. Noah: É o Viajante que passou a charada pra Ellah e que está querendo alistar o Kian para os viajantes. Kian: O ex capitão que encontrou a garota misteriosa.

Ele cavava o solo úmido com determinação enquanto a lua se dissolvia no céu, estava um pouco frio, mas as vestes pretas que uma vez serviram de uniforme para o seu pai o envolvia com alento em meio ao clima mutável do norte.

A cova era mediana, do tamanho do corpo da vampira, Gregori deveria ter ficado, ela precisava ser salva, ele deveria ter aproveitado a oportunidade para tentar matar todos os ladrões, mas do que adiantaria? Ele lutava bem para um humano, mais rápido graças ao sangue de seu pai, porém ele não era como os inimigos nem como Fanny, seu corpo era limitado, provavelmente teria morrido junto com a vampira.

Ele havia agido corretamente, só não se sentia aliviado, foi por isso que ele retornou ao ponto e encontrou o corpo da mulher jogado como uma boneca na lama, eles a haviam matado com uma espada de prata e a deixado a mercê das feras com seu rosto petrificado e o corpo duro, ela lembrava uma escultura angelical de mármore só que com veias expostas e presas.

O mercenário conhecido como demônio do norte se comoveu mesmo não compreendendo a ação de Fanny, ele sabia que ela merecia pelo menos um túmulo, por isso ele naquela noite cavou uma cova, limpou o corpo de Fanny e depositou uma tiara de capim cuidadosamente trançado por si na cabeça da mulher.

Era comum ao velar um corpo feminino colocar um diadema sobre a cabeça por isso Gregori trançou uma para Fanny antes de cobri-la com terra e sair sem nenhuma oração ou prece, ele não conhecia o senhor dos anjos, muito menos os deuses pequeninos.

Ele havia feito sua parte, a vampira não iria repousar na superfície da terra como muitos cadáveres insignificantes, além do mais ele havia marcado a cova com uma lapide de madeira escrito “Fanny” era tudo que ele podia fazer por ela, afinal, ele ainda tinha um serviço para cumprir.

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Antes do amanhecer Gregori havia retornado para o estabelecimento, seu corpo fedia a barro e sangue. Ele estava pensativo sobre seu atual serviço, precisaria conferir se havia realmente um pagamento para si conforme Fanny havia alegado.

A carta estava sobre a cama junto com a localização de onde encontraria o amuleto, o lençol estava levemente manchado de barro e as roupas que uma vez havia sido de seu pai já estavam enxaguadas enquanto secavam na haste de metal, ele havia pegado chuva durante o percurso de volta a taverna.

Depois de conferir que o corpo estava intacto ele tomou um banho gelado na ducha, a marca em seu peito ficava cada vez mais evidente, ao se encarar no espelho após secar ele conseguiu vislumbrar a coroa sangrando em seu peito símbolo que dizia sua descendência, filho de um ladrão de coroa.

As roupas que Gregori escolheu eram mais duras, não sugavam a água, isso garantiria que ele ficaria seco. Suas botas também haviam sido trocadas por um par novo. Para a missão ele havia colocado no frasco um pouco de sangue de vampiro, uma precaução caso se machucasse, além de bastante comida na sacola de viajem e alguns outros equipamentos como bússola, canivete, alguns ents, papel e tinta. Ele também havia pegado um recipiente de couro para carregar água fresca. Além do armamento.

Sua espada curta e as outras adagas escondidas tinham um bom corte, as laminas brilhavam prontas para ferir mortalmente qualquer ser que tentasse o impedir.

Depois de conferir que tudo estava devidamente preparado para a missão o dono da taverna passou um cadeado pelas portas se verificando de que nenhum intruso adentrasse no seu estabelecimento.

O endereço que Fanny havia deixado no papel indicava uma vila mais próxima de forte do Dragão, era no território da família Wieser por isso Gregori apressou o passo, queria chegar no local antes do por do sol e mesmo estando no crepúsculo do amanhecer todo o tempo poderia ser pouco.

Durante o caminho o mercenário se encontrou com algumas damas retirando água do posso, soldados da realeza menor protegendo as estradas principais do norte, pastores tosquiando ovelhas, além de alguns carroceiros com mercadoria para ser vendidas nas vilas.

O sol estava leve no dia 22 para sua sorte, em nenhum momento precisou retirar as vestes que eram próprias para suportar as chuvas. Gregori nem parou para comer, se alimentou ainda andando devido à pressa em chegar ao tal endereço.

No entardecer ele percebeu a diferença dos terrenos, as terras de forte do dragão eram mais pisoteadas e o monitoramento era maior, além de se encontrar muitas rochas pretas pelo percurso. A bandeira de dois dragões de pé em um escudo estava esparramada por todas as partes para que todos soubessem que quem mandava ali era a família Wieser.

Já era por volta das seis da tarde quando Gregori finalmente encontrou a casa cujo endereço constava no papel, ela era uma construção considerável, Gregori bateu na porta, ele viu que ao redor havia muitos moradores, em sua maioria, comerciantes, a cidade era bem organizada.

Depois de um tempo sem resposta ele tornou a bater, talvez precisasse arrombar a porta para entrar. A casa tinha uma bela sacada e era feita de pedras pretas iguais àquelas espalhadas pelo caminho. Gregori tornou a bater, mas então uma senhora que morava na casa ao lado apareceu.

— Você é o primo terceiro de Fanny? — A mulher especulou já tirando uma chave de bronze do pescoço enrugado. — O dono da taverna que iria ver a casa?

— Como? — Ele perguntou assustado, mas logo compreendeu que se tratava de uma desculpa. — ah, sim sou eu, Gregori, é um prazer. — Ele estendeu as mãos entrando na encenação.

— Bem, aqui está a chave da casa. — A senhora entregou a Gregori. — Diga a sua prima Fanny que estamos com saudades dela.

— Direi sim. — Ele meneou com a cabeça despedindo da senhora e abrindo a porta da casa.

Se o imóvel já parecia bonito por fora ele era três vezes melhor por dentro, havia um carpete de camurça no piso de madeira, a pintura era recente e a mobília luxuosa, o sofá era macio, a tapeçaria de ouro e bronze, havia até a escultura da ordem celestial juntamente com o senhor dos anjos.

Gregori gastou um bom templo explorando a casa, havia uma banheira feita de cerâmica em um dos quartos, as roupas do baú era de um tecido confortável. Só depois de bons minutos ele se lembrou do motivo de estar ali.

Ele precisava encontrar o tal amuleto e seu dinheiro, primeiro o mercenário olhou nas caixas e baús, depois ele conferiu na cristaleira e nos potes de porcelanas, sem muito sucesso ele foi para o quarto, talvez estivesse junto com as joias.

No fim das contas ele gastou mais duas horas revirando a casa até compreender que provavelmente haveria um sótão. Dito e certo, depois de arrancar o carpete de camurça ele encontrou uma abertura que dava para um andar inferior.

O Sótão era mal iluminado, mas a lamparina que ele havia pegado no cômodo a cima conseguiu clarear o local. Havia muitos papeis sobre uma mesa e também tinha um mapa de todo o império, ao lado estava uma caixa pequena feita de carvalho.

A claridade produzida pelo lampião era amena, mas fez com que Gregori vislumbrasse obras de artes nas paredes, ele viu um retrato dos atuais monarcas maiores, um quadro de mãos feéricas trabalhando em uma coroa, uma imagem de uma arvore genealógica com nomes esquisitos e por fim uma imensa pintura que ocupava quase toda a parede retratando a guerra do cerco.

O mercenário franziu o cenho enquanto contemplava os traços de vampiros, gigantes e humanos, todos lutando, a obra não transmitia gloria alguma, era na verdade uma verdadeira carnificina.

Depois de sentir o efeito da pintura passa ele tornou a olhar para a mesa. A caixa de carvalho era antiga, mas simples, ao abri-la ele se deparou com uma peça igual aquela que Fanny usava no pescoço, ele já ia toca-lo quando relembrou das instruções.

— “o amuleto vai te enfraquecer. Tente não tocar nele e seja rápido na entrega, ele lhe causará fome, sede, frio, calor, moleza, sono, desanimo... Os efeitos são catastróficos, evite encostar nele é minha maior recomendação”.

Gregori fechou a caixa novamente percebendo que encima havia um bilhete, a caligrafia era a mesma de Fanny. O mercenário encarou o local mais uma vez antes de começar a ler.

“Se estiver lendo esse bilhete caro Gregori é porque eu adquiri êxito na minha missão, ou seja, estou morta, mas tudo bem, o dinheiro do qual lhe prometi está na gaveta da escrivaninha, isso é só a metade, porém o suficiente para você pagar muitos homens para lutar por você.

O Amuleto é realmente esse que está na caixa de carvalho, espero que não tenha tocado nele como lhe adverti. Lembre-se que esse objeto deve ser entregue para William Bloodstone o mais depressa possível, aliás, seria bom se você conseguisse um pouco de sangue de anjo no caminho, isso não é totalmente relevante, mas se conseguir poupará esforços para o William.

E também tem algumas coisas nessa casa que pode te interessar, me refiro a uns livros, nós vampiros temos o hábito de bancarmos historiadores, normalmente temos a eternidade por isso nossa memória fica um pouco precária, escrevemos para não esquecer. Meu marido Ariel retratou muita coisa em seus diários, tem muita coisa sobre a realeza, sobre os ladrões e sobre os vampiros. Eu deixo você ficar com eles, é um presente.

Aliás, a casa não é sua, entregue a chave para o William, o vampiro se encontra em uma cabana na floresta do cerco, a localização está no mapa, não esqueça de entregar tudo a ele, a carta que regi na noite em que me apresentei a você também”.

Uma sensação mórbida percorreu o corpo de Gregori, Fanny havia escrito a carta com tanta simplicidade, em momento algum ela havia demonstrado medo ou pavor, ela era corajosa e mesmo em morte continuava guiando o rumo das coisas.

Ele olhou o mapa sobre a mesa com inúmeros pontos marcados. Na borda do instrumento estava escrito “Depois de localizar a cabana entregue o mapa para William”.

Sem muito o que fazer Gregori colocou sua nova fortuna na capanga junto com tudo que deveria ser entregue ao tal vampiro William e caminhou até a estante onde localizou uns dez diários diferentes, o mercenário pegou os três últimos que datavam o inicio dos tempos Durante o Império, ou seja dos anos 0 ao 788.

A bagagem havia pesado consideravelmente, mas nada impossível de se carregar. Após ter certeza que não passaria a noite na casa da vampira morta, ele se direcionou para uma taverna na cidade, logo no amanhecer ele procuraria William, mas no momento precisava descansar a cabeça e o corpo.

O estabelecimento que ele encontrou era bem movimentado, nem de longe tinha a mesma variedade que sua taverna, mas era cheio de freguês. Ele preferiu se sentar mais perto do balcão, não tinha musica, mas o murmúrio de conversa era um bom som.

Ele pediu um caneco de cerveja e encomendou um quatro na estalagem vizinha que era do mesmo dono. Ao seu lado um homem forte de cabelo preto e barba bem feita se servia de vinho e algumas frutas fatiadas.

— Esse lugar é seguro para um homem de bem passar a noite? — Gregori perguntou para o sujeito com um sorriso amigável no rosto. O homem o encarou com um olhar intenso.

— Minha família garante sua segurança em nossas terras, nossos soldados são os melhores do norte, não há o que temer. — Kian não nutria sentimento nenhum quando respondeu. Seu irmão costumava estufar o peito para se gabar da segurança em forte do dragão, mas ele não ligava, sua resposta era apenas o que se esperava do herdeiro.

— Você disse minha família e nossas terras? — Gregori se engasgou um pouco com a bebida, ele jamais imaginaria que um Wieser frequentaria aquela taverna.

— Kian Wieser e dispenso a formalidade. — Ele fez um sinal de desaprovação quando Gregori pretendia se levantar para reverencia-lo. O Mercenário ficou satisfeito, ele só reverenciava a si próprio, mas fingiria submissão se fosse preciso naquele momento em pró do disfarce.

— Gregori Belden. — Ele estendeu a mão que foi calorosamente apertada. — Eu pensei que você estivesse no Vale da Guerra, pelo menos esses eram os boatos.

— Vejo que os boatos estão um pouco atrasados, retornei para forte do Dragão para tratar de negócios familiares. — O ex capitão pediu uma nova taça de vinho enquanto continuava a explicar para Gregori o motivo que o havia feito ser excluído do exercito nortenho.

O mercenário encontrou na companhia do Wieser um momento descontraído, ambos compartilharam historias e falaram sobre vampiros, nenhum se aprofundou verdadeiramente em seus sentimentos, mas a conversa se estendeu prazerosa.

Kian contou sobre as atividades no exercito e Gregori compartilhou algumas técnicas de como ser um taverneiro. Ambos ao passar das horas já estavam embriagado e sorriam mais.

{...}

23/02/788 D.I

Gregori acordou com dificuldade o sol já adentrava pela janela, seu plano de partir ao primeiro cantar do galo havia sido frustrado, já eram quase oito horas da manhã, por sorte seu organismo diferenciado o impediu de uma forte ressaca, ele estava tão habituado com as doses do Draconi que nada o afetava com muita intensidade.

O único resquício da bebedeira era uma leve dor de cabeça, após se alimentar ele partiu na direção da floresta do canto. Local onde William estava conforme marcava o mapa. Ele gastaria quatro dias e meio de viagem repousando só durante a noite.

A caminhada foi intensa no primeiro dia, o mercenário estava cansado, pois havia ficado a noite anterior aquela acordado lidando com Fanny, depois ele havia caminhado sem parar para forte do Dragão, sem mencionar que havia bebido muito e ido dormir tarde, pois passou metade da noite conversando com Kian, esse acumulo de cansaço fez com que ele andasse menos do que o previsto.

A fortuna em sua capanga ainda o assustava, ele era um homem com dinheiro agora e ainda nem havia recebido tudo pelo serviço, mas um extinto começava a despertar a curiosidade de Gregori, porque pagar tão alto pelos seus serviços? Porque William precisava do amuleto? Porque os ladrões queriam o objeto? E ainda mais instigante será que esse era realmente o amuleto que sue pai havia contado na historia? Fanny poderia estar mentindo, mas os ladrões a mataram, isso era prova suficiente de que Mizael realmente queria o amuleto.

Enquanto andava Gregori foi martelando os pensamentos, seu corpo estava cansado, porém não havia chegado nem ao meio dia, e a fome lhe revirava o estomago, mal parecia que ele havia lanchado dois pães com ovos e chá antes de partir.

O mercenário andou mais uma hora, porém quando olhou para trás não tinha se locomovido nem dois quilômetros, seus corpo começou a sentir o efeito da ressaca, ele precisava de água, estava suando e a sede lhe causava delírios.

Por sorte tinha um cantil de couro cheio de água fresca, Gregori bebeu tudo antes vomitar o que estava no seu estomago. O mundo parecia que ia pegar fogo de tão quente. O mercenário vomitou outra vez.

Com calor, sede, fome e cansaço ele permaneceu firmo no percurso, sua visão não era confiável uma vez que uma crise de labirintite o afetou antes de tornar a vomitar. Dez paços e uma parada para recuperar o fôlego. Havia algo errado, isso não era ressaca. Ele teve que pensar por um tempo até compreender o que acontecia.

O maldito amuleto estava causando aquilo, mas ele não havia o tocado, tinha obedecido às ordens de Fanny, talvez esse fosse o problema, o amuleto deveria ser tocado, a vampira não sabia de nada.

Gregori abriu a bolsa e pegou a caixa de carvalho, o mundo pareceu ganhar cor quando seus dedos roçou a madeira, ele abriu a caixa e lá estava o amuleto com um brilho magenta, no centro dele uma gema lilás que parecia conter toda a imensidão o convidou. O mercenário encostou o dedo na joia e se sentiu conectado com tudo que tinha vida, tudo que respirava.

Sem conseguir resistir ele colocou o amuleto no pescoço e sorriu como nunca antes, sua mente era um misto de possibilidades, seus olhos conseguiam ver até mesmo os micro-organismo, escutava cada respiração.

Ele estendeu a mão para uma árvore e a mesma se encolheu até morrer, depois ele moveu os dedos no solo e um jardim de rosas vermelhas brotou ali. Seu sorriso ficou cada vez maior enquanto ele sentia que poderia criar o que desejasse e que mataria tudo que não gostasse.

Sem ter medo ele abriu os braços para um amontoado de árvores que logo foi reduzido ao nada. A fraqueza desapareceu sendo substituída por uma onda de autoconfiança e poder.

Ele moveu as mãos próximas ao solo fazendo com que a grama morresse, depois ele mentalizou uma borboleta e assim a criatura nasceu do nada e começou a bater asas, porém algo dizia que aquilo não era nada, ele poderia criar um exercito de humanos, de feras como também poderia matá-los.

Ele criaria soldados para si, assim poderia tomar o trono que era seu por direito. Mas então algo o atingiu por trás, a ultima coisa que o mercenário viu foi um homem com capa escura e veste prateada como as estrelas.

Noah o impediu. Ele estava a caminho de forte do Dragão para alistar Kian Wieser na comunidade dos viajantes quando se deparou com a situação mais improvável do mundo.

Um homem forte e um pouco intimidador brincando com uma das coisas mais valiosas e procuradas em todo o império, ele estava com o amuleto que continua a joia do norte. Isso parecia uma piada e ao mesmo tempo um presente do senhor dos anjos.

Noah não havia perdido a oportunidade, bateu com força na cabeça do homem retirando o amuleto dele e guardando em uma caixa. O viajante sabia que estavam em perigo, Mizael poderia estar rastreando esse tipo de magia, por isso ele colocou o homem desmaiado no cavalo e começou a andar com seus pertences e o do outro sobre a costa enquanto guiava o cavalo.

Notas finais
Bem meus amores do core ♥ estou conseguindo seguir o cronograma, logo apareço no grupo pra dizer quem acertou a chara. E lhes constar umas coisinhas a mais ;)