Ladrões de Almas
11 Affair
Frederick não apareceu depois do intervalo e após o toque final, quando fui procurá-lo no estacionamento, a vaga que ele havia pego já estava ocupada por um outro carro. Talvez Tony tivesse razão, o assunto da aula de Ethan deixou-o agitado. Seria ele capaz de algum mal contra o professor? Ora, ele era um demônio!
– Annie! — Vi Ethan correr entre alguns alunos.
Apressei o passo enquanto caminhava até a vaga onde havia estacionado meu carro, tentando fugir da conversa.
– Annie, espera! — Ele pediu ofegante. — Preciso ver o tal vídeo que você falou.
– E eu preciso saber qual o rastro que você esta seguindo. — Disse.
– Eu posso levar meu material à sua casa.
Tony se encostou em meu carro, estava esperando a carona de sempre. A casa dele ficava próxima à minha, então tínhamos o mesmo trajeto sempre, ao menos pela manhã.
– E aí, qual a boa agora?
– Eu preciso ver esse maldito vídeo. — Ethan insistiu.
– Depois que nos mostrar o que coletou esse tempo todo. — Abri a porta do carro. — Uma mão lava a outra, professor.
Tony e eu entramos no carro, logo estávamos saindo do estacionamento e então da escola. Ethan cruzou os braços nos vendo partir.
– Acha que ele é confiável? — Perguntei.
– Não sei. Ele falou que conhecia seu pai e seu avô.
– E daí?
– Bom, eles deviam confiar nele.
– Mas Ethan me pediu que não contasse nada para Melissa.
– Deve se preocupar com ela...
– Não! Ele disse que ela sabe sobre essas criaturas e que já tinha se envolvido nisso e não tinha acabado em boa coisa. Eu preciso saber de que se trata. — Suspirei inconformada. — Ele também falou que o erro do meu pai foi não ter parado de caçar.
Tony me olhou preocupado.
– Então, porque ele não parou?
– Eu não sei.
Depois de deixar Tony em sua casa, parti para a minha. Estacionei em frente a garagem, Melissa ainda não havia chegado. Atravessei o jardim rapidamente enquanto observava a casa da frente e imaginei se aquele homem, que durante a gravação fora puxado com tanta violência por Lauren, ainda estaria vivo. Senti um arrepio percorrer minha espinha. Afinal, quem era aquele homem?
Esquentei uma porção de comida congelada no microondas, o cheiro invadiu minha mente e meu estômago respondeu. Estava faminta! Devorei todo meu almoço e assim que me saciei voltei ao meu quarto, precisava terminar de ler aquele diário e principalmente, escondê-lo em algum lugar melhor.
Pedi para que Tony mandasse por e-mail todas as informações que ele havia conseguido durante a visita ao escritório. Em poucos minutos recebi alguns arquivos.
– Oi? — Atendi a ligação de Tony.
– A escuta implantada no carro de Frederick capturou uma conversa. — Ele aproximou o celular do notebook e pude ouvir a voz de Frederick. — "Eu te falei. É claro que eles iriam desconfiar. Não, não demonstrei nada. Acha que sou imbecil? Não é justo, estamos limpos há anos. Entendi. Vou ligar para Lauren e avisar. Não! Não podemos abandonar, esse é nosso território. Mande esses imbecis embora. Eu não vou sair daqui." — O áudio parou e logo a voz de Tony novamente. — Deu pra ouvir?
– Sim... Só conseguiu isso?
– Infelizmente.
– Envie esse arquivo também. — Pedi. — Será que ele estava se referindo ao assunto hoje na aula de filosofia?
– Creio que sim.
– E quanto ao "Estamos limpos há anos"? — Pensei um pouco. — Eles não matam há anos?
– Annie, não importa há quanto tempo eles não matam. O que importa é que mataram muitas pessoas, com certeza. — Tony suspirou. — E vão matar. Ele vai. Ouviu como ele falou? Talvez tenha se referido à cidade como território da família dele.
– Talvez não.
– Talvez sim e você sabe. Mas esta tentando não acreditar. — Ele falou alterando a voz — Não pode perder o foco.
– Bom... Então ele pode ter razão quanto o "Eu não vou sair daqui".
– Porque?
– Vamos matá-lo. — Disse por fim.
Ouvi aquela voz rouca umas cinco ou seis vezes a mais em meu notebook. Ele estava mesmo com raiva durante essa ligação. Após salvar os arquivos que Tony havia enviado, ia fazer a lição de casa. No final do dia, ouvi o ronco do motor do carro de Melissa. Guardei o diário rapidamente e fechei todas as abas que continham os arquivos no computador.
– Annie? — Ela abriu a porta.
– Estou aqui. — Gritei pra ela.
– Querida, você não vai imaginar o partidão que eu arranjei. — Ela dizia animada, entrando no quarto.
– Partidão? — A olhei confusa.
– Isso. Um homem maravilhoso, educado, lindo. — Ela cobria o rosto — Ele é muito gostoso!
– Mãe! — Reclamei ofendida. Não queria imaginar minha mãe com outro homem, principalmente depois da morte do meu pai. — Não diz isso!
– Hum... Acha que só você tem o direito de namorar, garota?
– Eu não namoro. — Retruquei.
– Acha que eu sou idiota, é? — Ela cruzou os braços. — E o garotão aí da frente, hum?
– Não namoro. — Insisti.
– Frederick conversou comigo e o assunto foi você!
– E daí? — Dei de ombros. — Não estou afim dele.
– Nossa, como você é boba, menina. — Ela pareceu surpresa. — Até eu estou afim dele!
– Mãe!
Ela riu e se sentou ao meu lado na cama.
– Lembra quando ele tomou café aqui? — Ela perguntou.
– Lembro. — Assenti, lembrando de quando ela havia me deixado sozinha com Frederick.
– Ele falou que estava bastante interessado em você e perguntou se eu estava de acordo com isso.
– Não acredito que não me disse isso antes. — Olhei-a furiosa.
– Ele me pediu segredo. — Ela deu um tapa leve em minha testa. — Mas você é muito lenta mesmo! Não havia percebido?
– Você é louca! — Retruquei. — Frederick é um... Desconhecido. Você me deixou sozinha com um garoto que mal conheço.
– Ele não faria nada. Lauren e eu já estamos amicíssimas. — Ela deu de ombros e falou de forma sorridente. — Prepare-se! Fomos convidadas para um chá da tarde na casa deles amanhã.
– O que?! — Olhei-a boquiaberta. — Você aceitou?
– Claro! — Ela assentiu.
Melissa precisava saber a verdade. O quanto antes!
– E amanhã você vai conhecer o meu novo affair. — Ela continuou e me mostrou a foto do tal partidão. — O que achou dele?
Droga! Meu coração quase parou. O que diabos estava acontecendo ali?
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