Notas iniciais
Voltei pessoar. Obrigada pelos comentários, pessoas bem gente boa que estão acompanhando.

Regina tinha me explicado meio por cima que ela estava indo cobrir uma reportagem ao ar livre e que queria que eu visse o trabalho dela. Confesso que estou nervosa, esta perto da Regina me deixa sempre com sensações conflituosas. Me sinto nervosa em sua presença, mas quando ela fala comigo sua voz me acalma como nada no mundo. É muito complexo essas explosões que sinto, se bem que se tratando de Regina, nada do que sinto quando estou perto dela, ou mesmo quando penso nela é algo comum para mim, é sempre uma sensação nova. O formigamento que sinto no estômago é sempre diferente do outro.

— No que está pensando? – Ela me pergunta enquanto estamos paradas em um semáforo. Eu a encaro e mesmo morrendo de medo de sua resposta, preciso saber.
— Por que você foi embora sem me avisar? – Pergunto meio hesitante e ela me olha surpresa, mas logo volta seu olhar a direção; pois alguém deu uma buzinada indicando que o sinal havia aberto.
— Eu não fui embora sem te avisar Emma – Ela me diz com a voz tranquila e fico atenta ao que ela esta falando – Eu te procurei antes de ir, mas quando fui falar com a recepcionista ela me disse que você havia ido embora assim que Killian chegou. – Ela me explica e percebo a chateação em sua voz.
— O quê? Não – Digo de imediato e indignada com aquela recepcionista – Eu não fui embora. Eu fiquei lá até anoitecer. Eu perguntei por você a todo momento, mas ninguém me informava nada.
— Eu pensei que você tivesse desistido e... – ela suspira parando o carro e me encarando.
— Não Regina. Eu não desistira de esperar por você, pelo contrário eu estava com tanto medo de ter te acontecido alguma coisa e... Eu te fiz uma promessa lembra? – Eu pergunto e ela dá um meio sorriso e confirma com a cabeça – Eu jamais quebraria uma promessa que te fiz.
— Obrigada Emma! – Ela fala com os olhos levemente marejados, logo em seguida suspira e me dá um lindo sorriso – Foi apenas um mal entendido então, certo?
— Certo – Respondo sorrindo para ela também. Ficamos nos encarando por um tempo assim, nossos olhares estavam tão fixo um no outro. Verde no Castanho intenso, tão hipnotizador que não saberia dizer quanto tempo durou esse contato, só sei que foi desfeito quando ela coçou a garganta ainda sorrindo.
— Vamos ao trabalho? – Ela pergunta e já ia saindo e eu a segurei.
— Espera! – Pedi e ela voltou a posição anterior – Mas você está bem? Não está sentido nada? O enfermeiro me disse que você teve um intoxicação alimentar e que fez uns exames, deu tudo certo?
— Sim, eu tive intoxicação alimentar mesmo e fiz alguns exames, e o resultado deu que... – A vi hesitar um pouco, mas olhei de forma que a incentivasse a falar, mas infelizmente fomos interrompidas por batidas na janela do carro. Era os colegas de trabalho dela a chamando para eles começarem a trabalhar.

Eu estava tão perdida em tudo que estava acontecendo que nem me dei conta de estávamos e só notei assim que desci do carro. E senti um arrepio na espinha quando isso aconteceu. Várias coisas, imagens, situações me vieram a cabeça, senti uma vontade vomitar, um nó na garganta, senti minhas pernas enfraquecer.

— Emma? – Ouvi a voz de Regina ao longe – Emma, você está bem?
— Do que... do que se trata essa reportagem, Regina? – Pergunto já sabendo, só querendo uma confirmação.
— É sobre uma fraternidade que mora nas ruas, que tem um código para as pessoas viverem juntas e que comentem alguns crimes... Eu te falei sobre isso, lembra? – Ela me fala e o desespero me assola nesse momento – Por que da pergunta? Você esta bem Emma, você esta estranha?
— Sim, eu só... – Não me vinha nada na cabeça – Estou bem sim. – Forço um sorriso a fim de acalma-la.
— Tem certeza? – Ela ainda insiste desconfiada. E resolvo respirar fundo eu não posso atrapalhar seu trabalho.
— Tenho sim, não se preocupe – Digo com mais convicção e ela solta a respiração em alívio.
— Então vem, que quero que veja como funciona! – Ela meio que ordena e sai me puxando, e tantas coisas estão em minha cabeça, que não tenho forças para protestar e só deixo ela me levar.

— Lado A Lado –

Regina saiu me arrastando por todo os lados que pôde. Me mostrou como funcionava o sistema dos gravadores que eles captavam apenas depoimentos falados das pessoas, câmera e gravadoras em que fariam algumas filmagens. Ela me explicou que chegamos bem antes do horário de costume que as pessoas da irmandade circulavam por ali, pra deixar tudo arrumado.

Depois de tudo pronto ela me convidou para dar uma volta pelo parque, afim de tirar algumas fotos por ali e para podermos conversar um pouco. Eu ainda estava apreensiva , não conseguia relaxar e nem me concentrar no que Regina ia dizendo. Meu medo de o líder aparecer por ali era muito grande. A última vez em que nos encontramos tenho uma cicatriz em minha barriga para nunca me esquecer desse encontro.

— Emma? – Regina me para bruscamente fazendo-me encara-la – Você está bem mesmo?
— Sim Regina, me desculpe. Você disse algo?
— Bom tem um tempo que estou te chamando e você não me responde. Você esta com algum problema no seu lar, com sua família? – Ela me pergunta solicita, não sei explicar o que senti quando ela disse a palavra lar e família em uma mesma frase que eu não me contive, me veio um choro compulsivo em que não pude mais segurar. Regina vendo meu choro, rapidamente me abraçou, apertando-me contra si.

Seus braços estavam em volta de mim, me transmitindo segurança. Talvez por ser uma das poucas vezes em que senti algo tão bom como o abraço de Regina que mais lágrimas me vieram. Ficamos por muito tempo assim, Regina foi paciente e carinhosa. Não me questionou nada até eu parar de chorar, alisando meus cabelos. Quando finalmente criei coragem para encara-la, me afastei de seu abraço e encontrei seu olhar que mesmo aflito me olhava com ternura. Regina é tão especial, que eu sentia que precisava ser honesta com ela. Regina sugere de nos sentarmos em um dos bancos que tinha embaixo de uma enorme árvore eu a sigo.

— Está melhor? – Ela pergunta ainda acarinhando meus cabelos. Eu apenas confirmo com a cabeça – quer falar sobre? – Me pergunta com sua voz doce e calma, o que me acalma também.
— É complicado – Só consigo balbuciar isso, minha vontade era contar tudo a ela. Mas, eu tinha tanto medo. Medo de ela mudar comigo. Medo de ela começar a me olhar com olhar de pena, ou com o que geralmente as pessoas me olham, com desprezo.
— Tenta, eu prometo não julga-la – Me pede com sues olhos envolventes e atentos.
— Eu... Eu não sei se estou...
— Pronta? – Ela completa minha frase ao ver que novas lágrimas envolveram meus olhos. Ao perceber que eu não diria mais nada – Eu te entendo. Se sentir que não esta pronta, eu respeito. Tenha o tempo que quiser, mas saiba que eu sempre estarei aqui, certo? – Ela diz firme e olhando em meus olhos. Afirmo com a cabeça – diz dessa vez desviando os olhos para o chão – você me perguntou se meus exames estavam tudo bem ontem e bem... – Dessa vez ela diz me encarando e vejo que seus olhos estão quase submergindo em lágrimas – Eu estou bem, e aparentemente terei que comparecer uma vez no mês ao médico por – Ela para pra pensar nesse momento e diz – Acredito que por sete meses.
— Mas... Por que? Você não está bem? – Eu não entendi bem o que ela estava querendo dizer. Me veio a voz de Candice me perguntando se ela tinha câncer e me apavorei – Você está doente? É câncer? O que quer que seja nós vamos dar um jeito, Rê e.... – Eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro e só parei ao sentir Regina me virando para ela.
— Emma se acalma! Eu não estou doente nem é câncer. Pelo contrário é vida... – Ela diz dessa vez sorrindo e eu fico sem entender, ela percebe minha confusão e então leva as mãos em seu ventre e sorri – Eu estou grávida Emma. – E eu faço uma cara de espantada que desse ser muito engraçada, pois Regina dá um gostosa gargalhada, seguida passa o dedo na ponta de meu nariz e diz – Minha menina chorona – Fala com a voz sapeca e eu faço uma cara de ofendida. – Estou brincando – Ela diz dando-me um beijo no rosto e sussurra – Só quero que fique bem, meu anjo – Disse por fim e entrelaçou nossas mãos – Eu também estou apavorada, mas eu sei que vamos ficar bem – Ela diz segurando em minha mãe e a outra em seu ventre, não sei dizer o que estava sentindo naquele momento, era uma sensação completamente nova, confusa. Ficamos assim em silêncio e olhando as pessoas andando pela praça, como sempre fazíamos.

— Lado A Lado –

Regina com seu jeitinho doce, calmo e brincalhão acaba sempre me envolvendo, fazendo-me esquecer de todo o resto o que geralmente é sempre bom. Porém, despertamos de nossos devaneios quando Peter o câmera nos despertou de nosso transe particular.

— Regina, vamos! Depressa... – Ele dizia eufórico – Você não vai acreditar, o líder da irmandade está aqui.
— Onde ele está? – Regina pergunta também eufórica, acompanho seu gesto e me coloco em pé também. Peter aponta com o dedo para frente, Regina e eu acompanhamos seu gesto e mal posso acreditar no que meus olhos estão vendo.
— Não pode ser... – Digo perplexa. Regina escuta, mas pensa ser outro motivo de minha fala.
— Eu sei... – Ela fala e sai em disparada com Peter em direção ao grupo e nessa hora eu não sei o que fazer.

Notas finais
eita e agora? Nós vemos em breve... Gente se estiver confuso alguma coisa, é só perguntar ou falar algum erro, fiquem a vontade.