Lado a Lado
6 Um pedido inesperado.
Notas iniciais
Regina se sentia em meio a uma tempestade furiosa sobre mar, onde tudo se virava e a incerteza de chegar a calmaria era grande. Tantas sensações e turbilhão de sentimentos que ela não julgava estar pronta para sentir. Descobrir uma doença tão grave em um momento que sua vida estava um verdadeiro caos sentimental e pessoal. Qual caminho tomar primeiro? Contar às crianças primeiro ou ao ex-marido? Tentar definir o que Emma Swan significava em sua vida ou que viria a ser daqui para frente? E os beijos que trocaram... O que significavam? Regina Mills não tinha a menor ideia de como responder a todas aquelas perguntas e novas que surgiam em sua cabeça. Ligar para Killian, e contar a ele primeiro. Talvez fosse a melhor solução, o moreno mesmo depois da separação havia se mostrado tão amigo, a apoiou em tantas coisas. E Regina tinha certeza que dessa vez não seria diferente, ele seria seu apoio.
Regina discou o número de Killian e marcou um encontro no restaurante que costumava ir sempre. Era hora de encarar o problema de frente. A morena respirou fundo, adentrou o salão do restaurante e sentou para esperar Killian e contar uma verdade que ela não sabia como enfrentar. Killian desceu o taxi apreensivo, sem entender direito, Regina parecia estar nervosa ao telefone quando ligara para ele mais cedo. O moreno temia que algo grave tivesse acontecido com dos filhos. Entrou no restaurante as pressas a procura de Regina e foi recebido pelo garçom.
— Olá, já encontrei quem procuro. – Ele disse ao rapaz e seguiu para mesa onde Regina estava sentada. Ela parecia distante e meio triste isso deixou Killian ainda mais nervoso.
— Oi. – Ele disse assim que chegou a mesa.
— Oi. – Regina respondeu sem a menor animação.
— Como vai? – O moreno respondeu simpático e lhe deu um beijo na bochecha e se sentou na cadeira ao lado.
— Obrigado por ter vindo Killian.
— De nada. Está bonita hein.
— Obrigado... – Regina respirou fundo buscado forças para iniciar aquela conversa. – Killian escuta... – Mas ela foi interrompida pelo moreno.
— Foi bom você ter ligado, tem uma coisa que quero falar também.
— Ah é? Então você primeiro Killian. – Regina disse cruzando os braços sobre a mesa.
— Eu vou tomar um drinque primeiro. – Killian pegou o Martine sobre a mesa e virou tudo de uma vez. Ele tentava achar um jeito fácil de começar aquela conversa, pois sabia que depois que dissesse haveria mil problemas.
— Eu vou pedir a Emma em casamento. – Ele soltou de uma vez só. Regina olhou para ele com cara de espanto e depois acabou sorrindo de nervoso.
— Uau.
— Regina, eu sei que você não pensa muito nela como boa pessoa. Ela é uma pessoa especial.
— Sei... – Regina completou irônica.
— É sim Regina.
A morena balançou a cabeça negativamente. Não era assim que imagina que aquela conversa terminaria, ou melhor, não esperava que começasse assim.
— E agora... – Killian continuou falando e dessa vez Regina o interrompeu.
— Por que está me contando isso?
— Porque eu quero que me diga que está tudo bem Regina.
— Não precisa da minha aprovação para se casar Killian.
— Mas as crianças precisam.
— Boa noite. – Garçom chegou interrompendo o assunto. – O senhor e sua esposa querem olhar o cardápio? – Rapaz perguntou em seguida.
— Eu não sou esposa dele. – Regina o cortou secamente.
— Não, obrigado. – Killian respondeu por ambos. — Traga-me outro Martine, por favor, dose dupla.
O garçom anotou o pedido e deixou a mesa. Killian voltou a conversar com Regina.
— Eu acho que vai ser difícil para crianças e eu queria que contássemos juntos.
— Seria mais fácil para crianças ou para você? – Regina o questionou com seu ar sarcástico. – Não pode ser nós ou a gente sempre que for conveniente para você. – A morena explodiu, estava farta e com mil problemas, para o seu ex-marido vir jogar sobre ela os problemas pessoais dele.
— Regina nós estamos...
— Nada de Regina, nós nos separamos. Acabou Killian.
— Regina, nós ainda seremos os pais dele nos próximos cem anos.
Aquela era uma verdade amarga que a morena tinha que reconhecer. Seus olhos se inundaram de lágrimas e ponderou tudo por segundo.
— Por que? Por que acha que esse casamento vai dar certo e o nosso não deu? – Regina perguntou com lagrimas descendo por sua face. Killian deixou se levar e acabou com olhos marejados também, ele abaixou a cabeça tentando limpar as lagrimas.
Ele queria dar uma resposta a sua ex-mulher, mas a verdade é que ele não tinha as respostas que Regina queria ouvir.
— Hum. – Regina murmurou numa última tentativa de obter uma resposta que ela sabia que não viria. Killian olhou para ela e resolveu mudar de assunto.
— Regina, por que você me chamou aqui mesmo?
— Nada. – A morena disparou, sua coragem se foi depois daquela notícia. — Acho que já temos problemas demais agora que com essa novidade.
Voltaram a beber seus drinques, perdidos em seus pensamentos. Killian estava mais tranquilo e buscava ideias de como faria o pedido a Emma, já Regina sentia uma angústia em seu peito em saber que seu ex-marido iria pedir Emma em casamento. O que ela achava estranho é que ela sentia uma enorme raiva de Killian por ser ele que iria estar com a loira irresponsável, seria ele que beijaria e sentiria o corpo junto ao dele. E Regina no seu interior achava que ela era digna daquela sensação e não Kilian. O ciúme a corria por dentro e ela nem entendia o porquê daquele sentimento. Sua mente se tornou ainda mais confusa e não sabia se conseguiria lidar com tantas coisas ao mesmo tempo.
(...)
Emma estava deitada em seu sono profundo, sonhando com certa morena, quando Killian engatinhou sobre a cama e ficou por cima dela, lhe dando um beijo nos lábios. Emma sorriu acreditando que fosse Regia que lhe tomava os lábios naquele instante, Killian continuar a beija-la. Ele abandonou a boca e foi até seu pescoço, até finalmente falar algo e Emma se dar conta que era Killian ali e não a Rainha do Gelo.
— Bom dia. – O moreno disse ao pé do ouvido.
— Bom dia amor. – Emma respondeu ainda sonolenta.
— Eu tenho uma surpresinha para você.
— Ah é?
— É minha linda. – Killian passou o dedo pelo nariz de Emma fazendo um carinho. — Mas terá que acordar para descobrir.
— Está bem... eu já acordei. – Emma falou sorrindo.
— Oi.
— Oi para você também Swan.
Emma finalmente se levantou e se sentou sobre a cama.
— Pronto, acordei.
Killian lhe entregou uma caixinha pequena e Emma lhe deu um sorriso lindo. Ela ansiava por aquilo havia algum tempo e talvez agora finalmente fosse se realizar, mas algo lhe deixou nervosa. Quando ela pensou o que aquela caixinha poderia significar e o fato de que depois de abri-la jamais poderia tomar para si os lábios de Regina Mills novamente. Tentando deixar aqueles pensamentos absurdos de lado ela abriu a caixinha e encontrou o que queria, um anel de noivado. Sorriu novamente para homem a sua frente e Killian começou a falar.
— Da primeira vez que me casei, nós convivíamos juntos desde a faculdade e o casamento acabou sendo o passo mais lógico. E depois de um tempo acabou acontecendo, mas eu acho que o amor não foi suficiente pois precisamos de muito mais do que só amor. Devemos ter companheirismo e mesmo que se queria desistir todos os dias, mesmo que tudo pareça errado, eu deixei que um amor acabasse e dessa vez não vou deixar. – Killian finalizou pegando a caixinha das mãos de Emma e fazendo a famosa pergunta. – Emma Swan, você aceita se casar comigo?
Emma pareceu exigente por breve momento, mas ela sabia que aquele era o caminho certo a se seguir, mesmo seu coração lhe dizendo o contrário.
— Aceito. – Ela respondeu por fim.
Kilian colocou a aliança em seu dedo anelar e eles trocaram um beijo apaixonado. A certeza de um futuro juntos parecia mais perto agora.
(...)
Anna tinha o rosto transtornado e olhos brilhavam em lágrimas que ameaçavam por sua face, não imaginaria ouvir aquilo de sua mãe. E o simples fato de imaginar seu pai casado com Emma lhe dava repulsa.
— Meu amor, não fica assim. – Regina tentava consolar a filha que já não segurava mais o choro.
— Não estou chateada e por que ficaria? – Anna esbravejou olhando para mãe e depois para pai que estava ao seu lado. — Ninguém me perguntou sobre o divórcio, ninguém me perguntou se eu queria uma mãe nova, ninguém me perguntou se eu gostava dela. Se vocês não se importam em manter uma família unida por quê eu me importaria?
— Anna, papai e eu tentamos muito. Realmente tentamos. – Regina argumentava com a menina.
— Não, não tentaram não. Vocês só fizeram uma coisa... discutir. Eu ouvia vocês e nem falavam como falam sempre. – Ben finalmente explodiu e correu para perto da irmã.
— Está legal filho. – Killian tentou abraçar o menino, mas Ben se recusava a sair dos braços de Anna.
— Querido, Emma não vai ocupar o meu lugar de mãe. – Regina interviu.
— Não é isso que quero. A Emma entrará na vida de vocês e vocês vão acabar gostando dela. – Killian justificou.
Anna ainda chorava agarrada ao irmão. Isso partiu coração de Regina que se levantou e se juntou aos filhos.
— Ah meu amor... Querida, a vida é bem complicada e às vezes não é justa. Mas você tem uma escolha, você pode encarar as coisas difíceis e tornar a sua vida melhor ou torna-la pior.
— Mas como mãe?
— Tentando ver o lado bom da Emma e o que ela traz para a vida do seu pai e para vida de vocês. Meu bem... em qualquer família chega o dia em que todos têm que se ajudar.
— Está bem, eu ajudarei vocês. – Anna respondeu mais calma com choro cessando aos poucos.
— E você meu chapa? – Regina se virou para o filho buscando uma resposta do menino. Ben deu um de seus sorrisos sapecas antes de responder.
— Vou.
— Você também. – Killian afirmou brincando com o filho.
— Vou papai.
Eles começaram a brincar como se estivessem lutando e Ben já sorria. O clima se amenizou e Anna abraçou a mãe assistindo ao irmão e o pai brincarem. Seria difícil tentar aceitar Emma em sua vida, mas a garota faria aquilo pelos pais e talvez tudo ficasse melhor.
(...)
Era mais fim de semana em que as crianças ficariam com o pai e Killian precisava trabalhar. Isso significava ter que ficar com Emma sem mais ninguém por perto.
— Ai droga. – Anna reclamava pintando um desenho que era sua lição de casa. O resmungo não passou despercebido por Emma que olhou meio de lado na direção onde a menina estava sentada.
— Qual o problema? – A fotografa tomou coragem e perguntou a Anna.
— Nada. – A garota respondeu sem entusiasmo. Não se dando por vencida Emma se levantou e foi até ela ver o que era.
— Ficou legal. – A loira se referia ao desenho de Anna.
— Olha só que droga de árvore.
— Posso tentar? – Emma olhou para Anna pedindo o pincel que ela tinha nas mãos. Mesmo desconfiada a menina concordou.
— Pode... já estraguei tudo mesmo. – Anna disse frustrada e passou o pincel para Emma.
— Olha, você deve pegar o pincel espalmando. Espalmando é um termo bem técnico. – Emma foi abrindo as cerdas do pincel e molhando sobre a tinta enquanto tentava explicar de forma fácil a técnica de pintura a Anna. Ela foi pintando sobre as arvores de forma simples e garota achou genial.
— Legal! Onde aprendeu a fazer? – Anna perguntou curiosa.
— Eu estudei Artes da Universidade de Nova York. – Emma respondeu sorrindo e passou o pincel para Anna.
— Agora tenta você. – Anna repetiu o que Emma havia feito na cartolina segundos atrás e a loira foi observando.
— Se fizer assim vai ficar melhor, está vendo?
Foi o primeiro momento de paz entre elas sem gritos ou ofensas, uma primeira interação que apenas faziam algo, juntas sem medos. Emma sentiu feliz por aquilo não havia precisado que Regina viesse salvar a pátria. Ela finalmente conseguira fazer um avanço com Anna.
— Obrigado. – Anna agradeceu meio sem graça. Emma estaca contente e olhou para ela com calma.
— De nada. – A fotografa completou e depois deixou a menina terminar sozinha o seu desenho e voltou a seus afazeres de antes.
Anna sorriu pensativa. Talvez Emma Swan não fosse a bruxa que ela imaginava e o que sua mãe dizia fazia sentido. Talvez devesse ver o lado bom Emma e assim conviver em paz. Elas não precisavam ser melhores amigas, mas podiam ao menos tolerar a presença dela sem gritos e brigas. Não era a melhor coisa do mundo, mas já era um começo.
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