Lado a Lado
33 Não existe mais medo
Notas iniciais
Perfect — Ed Sheeran & Beyonce (Boyce Avenue Acoustic cover)♪
A semana foi se passando, e o incidente com Olivia ainda não havia sido mencionado. Regina queria conversar sobre o assunto, mas não sabia bem por onde começar, e ao mesmo tempo queria dar aos filhos espaço e segurança para virem a ela quando estivessem prontos e seguros para falar sobre tudo que havia acontecido. Vendo a preocupação estampada no rosto da namorada, Swan resolveu tocar no assunto. Emma esperou que estivessem elas estivessem em um momento calmo e relaxante, para começar o assunto despretensiosamente. Enquanto Regina lia um livro deitada, Emma estava na escrivaninha do outro lado do quarto, adiantando alguns de seus trabalhos. Com um tom voz, um tanto brincalhão a loira iniciou a conversa.
— Quando vai tomar coragem Mills? — Ela questionou a namorada.
— Eu não tenho a menor ideia, do que você está falando Swan. — A morena respondeu se fingindo de desentendida.
— Maria Regina Mills, eu não achei que fosse tão covarde, ou melhor, sonsa. Você sabe muito bem, do eu que estou falando.
Regina continuou fingindo não saber do que, Emma estava falando. O que claramente irritou a fotógrafa, a loira foi até ela e resolveu apelar.
— Eu estou falando de ir lá... — Swan foi pausando a frase, enquanto beijava o pescoço de Regina. E conversar com a nossa filha, Mills.
Regina se virou para a loira e soltou um longo suspiro, seguido de um sorriso. O “nossa filha,” nunca passava despercebido por ela, e como um bônus fazia seu coração se encher de amor. Regina gostava de como aquilo soava.
— Eu ainda não sei como, além do mais Swan não é tão simples assim. Não quero que ela se sinta pressionada a falar sobre o que aconteceu, a situação já foi desconfortável o suficiente. Então, eu quero a Anna venha a mim. E fale se ela se sentir confortável em conversar bem, mas se não, tudo bem também.
Swan ponderou por alguns segundo, e entendeu facilmente o ponto de vista de Regina. Anna tinha o seu próprio tempo, não adiantava forçar, aquilo a fez lembrar-se de quando Regina lhe contou sobre o nascimento da menina. Regina teve um parto longo, mas não quis nenhum remédio para induzir o parto da filha, pois algo dentro de seu coração lhe dizia que sua garotinha iria nascer quando estivesse preparada. E bem, a garotinha agora já crescida, não tinha mudado muito desde seu nascimento. Era preciso calma e paciência, quando estivesse pronta Anna mesmo procuraria a mãe para ter aquela conversa.
— Se você sabe disso, eu não entendo o porquê de toda essa preocupação, Regina. Tem algo mais, o que está acontecendo que não quer me contar?
— Eu estou apenas estive pensando Emma... — Mills fez uma pausa, procurando as palavras certas para dizer a namorada.
— Esses últimos acontecimentos me fizeram pensar mais sobre algumas coisas. — Mills respondeu tentando se justificar.
A fotógrafa ficou confusa, e achou que talvez houvesse algum problema do qual ela ainda não tinha conhecimento. Emma se virou de frente para a namorada, se sentar na cama ao lado de Regina e resolveu levar aquela conversa mais a sério.
— Regina se estiver acontecendo, eu quero te lembrar de que estou aqui... Eu estou aqui para tudo, seja o que for lá o que for. Eu ainda persisto no nosso lema. “Eu não desisto no primeiro tombo”
— Fique tranquila Swan, não é nada desesperador. Foram apenas algumas coisas, que me vieram à cabeça com tudo que já nos aconteceu. Eu parei para pensar, que nunca conversei aberta e diretamente com as crianças sobre a nosso relacionamento, Emma. Eu nunca perguntei a eles como se sentem com relação a isso, se estão bem e confortáveis. E a parte que realmente me deixa assustada, é que por mais que eu esteja criando Anna e Ben para serem seres humanos sem preconceito algum. Eu não os preparei devem lidar com o mundo real lá fora, porque no fundo eu mesma nunca me preparei para lidar com situações assim. Só que eu sou adulta e posso lidar melhor com isso, mas eles não. E quando não estivermos por perto, para protegê-los, tenho medo do que podem enfrentar. Sabemos como as pessoas podem ser cruéis e preconceituosas. — Mills desabafou tudo de uma vez só.
E por mais que temesse que Emma não a compreendesse, a loira a entendia, era um medo compreensível. E Emma entendia tão bem que a lembrança da visita sua mãe, ainda estava fresca em sua cabeça. A forma como Mary Margaret tinha reagido ao descobrir sobre o relacionamento dela e Regina diante de Ben, ainda doía na loira. O garotinho tinha se sentido culpado por revelar algo, que para ele na sua inocência infantil, era normal. Afinal na concepção de Ben, amar não era errado, amor era apenas amor, não importava a forma. Naquele dia Emma entendeu que o pequeno talvez, ainda precisasse de proteção e muitas conversas, para fazê-lo forte diante de qualquer situação preconceituosa que pudesse vir a enfrentar no futuro. Já Anna, era um pouco diferente, e ao lembrar-se das inúmeras demonstrações de afeto e compreensão de garota diante tantas coisas, Emma não tinha a menor dúvida que Anna a aceitava em todos os sentidos em sua vida. Assim como pouco se importava com o que as pessoas pensavam.
Com Ben também não havia dúvidas, a loira tinha plena certeza que tinha conquistado um lugar no coração do pequeno, assim como ele no já tinha o seu espaço no dela. Emma abriu um sorriso com seus próprios pensamentos, porque ela compreendia Regina, era o tal sentimento materno cada dia se aflorando mais. E ela concluiu que aquilo não era um grande problema, diante de tantos que elas já haviam enfrentado. Swan sabia que a insegurança de Regina era algo normal, mas ela tinha certeza que Anna estava pronta para enfrentar qualquer coisa, simplesmente porque a garota tinha todos os valores de sua mãe. E se havia algo no mundo em que Regina Mills era incrível, era sendo mãe. Tudo que Emma precisava naquele momento, era mais uma vez fazer sua namorada lembrar-se disso.
— Minha morena, amor da minha vida… — Swan usou seu tom de voz mais carinhoso. — Anna é parecida demais com você, e não só no jeito mandão. Ela tem seus valores, e ideias, porque você fez um bom trabalho. E se existe algo no mundo, que você é perfeita Regina Mills é sendo mãe, Anna e Ben são o que são por sua causa. E se você quer mesmo conversar com eles sobre a nossa relação, sobre como encarar o preconceito das pessoas, eu vou estar aqui para te apoiar. Eu ainda estou aprendendo, com toda essa coisa de ser mãe, mas estou aprendendo com a melhor. Você é uma mãe maravilhosa Regina, nunca duvide disso.
O coração de Regina de aflito se tornou inquieto, mas não por um motivo ruim. Seu coração estava inquieto porque, batia forte no peito, porque batia forte por Emma Swan. Era um efeito estranho que a loira tinha sobre ela, primeiro Swan a desestabilizava, para depois fazê-la inteira de novo, “uma bagunça arrumada, mas cheia de amor” era o que Swan sempre dizia sobre elas e Mills não podia deixar de concordar.
— Você sempre me desmonta com suas palavras Swan, e simplesmente encaixa tudo novamente. — Regina praticamente sussurrou e abraçou Emma. — Obrigado, por sempre me apoiar. Cada dia que passa, eu te amo mais. — Algumas lágrimas vieram e Emma concluiu que era um presente agridoce. Ela apenas apertou Mills ainda mais forte em seus braços, como se afirmasse sua promessa de sempre estar lá.
— Eu sempre vou estar aqui Mills, assim como sempre eu vou amar você.
Elas ficaram tão imersas naquele mundo só delas, que não perceberam que tinham uma espectadora. Anna tinha ido ao quarto da mãe, apenas para pedir ajuda com a lição de casa, e no fim acabou ouvindo boa parte conversa de sua mãe com Emma. Ela sentiu um misto de sensações, não sabia bem descrever o que bem o que era, mas teve certeza que o diálogo era o melhor caminho para entender tudo, mas de tudo, ela decidiu conversar com Ben. Saber como seu irmão caçula se sentia era importante para ela, só assim depois poderia se abrir sem medo com sua mãe.
***
Anna entrou no quarto do irmão e o observou por segundos, o garotinho estava no chão sentado, em meio a várias folhas papel com diversos desenhos.
— O que você, está aprontando pirralho? — Anna se pronunciou, assim que Ben percebeu sua presença.
— Lição de casa, a professora pediu para desenharmos as coisas que amamos e que nos fazem feliz. Então, eu to desenhando várias coisas. E depois vou escolher os desenhos mais legais. — O garotinho respondeu entretido e continuou o que estava fazendo.
Anna se aproximou e se sentou ao lado do irmão, e foi olhando todos os desenhos que Ben já tinha feito. Havia de tudo um pouco, de super heróis aos animais favoritos do pequeno, e alguns separados no canto chamaram mais atenção de Anna.
— Mulher Maravilha? — A garota perguntou ao irmão. — Achei que, seu herói favorito fosse o Capitão América Ben.
— Fala sério Anna, Capitão América eu gosto ele é legal, mas a Mulher Maravilha é demais. Ela é uma Amazona, Semideusa tem superpoderes e em luta ela pode derrotar até com o Super-homem. É claro que ela é minha favorita. — Ben explicou empolgado.
Aquela definitivamente era surpresa para a garota, afinal meninos sempre tendem a gostar de heróis masculinos. E seu irmão estava lhe mostrando o contrário dos meninos da sua idade. Anna percebeu que Ben estava se tornando alguém tão livre de preconceitos quanto ela, e conversar com aquele a respeito de certas coisas não seria tão difícil, quanto ela temia.
— Isso é super legal maninho, porque meninos sempre gostam dos heróis que são meninos.
— Mas eu gosto de super-heróis meninos, só que o meu favorito é uma menina ué. — Ben justificou gesticulando com as mãozinhas no ar. O que arrancou algumas risadas de sua irmã.
Os irmãos falaram sobre super-heróis por algum tempo, dividindo novos gostos e ideias. O que os deixou um pouco mais próximos. Mas logo Anna se atentou mais ao desenho que irmão estava terminando de fazer.
— E esse desenho ai Ben, sobre o que é? — Se você adivinhar, eu faço um pra você. — Ben respondeu virando a folha de papel de frente para que Anna pudesse ver. Não foi muito difícil para Anna identificar os bonequinhos no desenho. Cada uma tinha características particulares, e seguravam objetos que os identificavam facilmente.
— Eu acho que tenho uma ideia, essa morena de cabelos curtos e segurando um livro é a mamãe, essa de cabelos amarelos e com foto na mão é a Emma, essa outra menor com o celular sou eu, e esse com o chapéu de mágico é você. Esse último aqui eu ainda estou meio em duvida, mas tenho um palpite. — Anna concluiu olhando o desenho do irmão.
A verdade é que ela tinha certeza quem era a última figura no desenho, afinal já tinha visto outros desenhos iguais aquele, mas queria ter certeza.
— Me diz qual seu palpite, e eu digo se está certo ou não. – Ben respondeu com sorriso sapeca.
— O papai? — A garota arriscou.
— Sim, é ele mesmo.
Anna não pode deixar de sorrir tendo quando teve a confirmação, do irmão aquilo era uma coisa muito boa. E seria um caminho fácil para começar a conversa com o irmão de modo simples.
— Você desenhou a nossa família Ben.
— Sim, porque de todas as coisas no mundo, a nossa família é que mais me deixa feliz. — Ben confirmou empolgado.
As coisas pareciam começar a se encaixar, sem pressa e de forma natural. Um papo leve e sem medos, uma conversa de irmãos, Anna pensou. Um caminho calmo para se falar sobre coisas delicadas, mas que faziam parte da vida. A garota sabia que faziam parte do processo de crescer, mas ficou feliz em dividir as etapas mais importantes com seu irmão caçula.
— Você não acha estranho Anna, eu ter desenhado o papai junto com a mamãe e a Emma?
O pequeno temia pela resposta da irmã, afinal Anna e o Killian ainda não estavam bem. A garota ainda não havia reencontrado o pai, e com a doença de Regina, Anna acabou priorizando a mãe e mesmo de forma involuntária acabou deixando a questão pai em segundo plano. Ainda que ela tivesse plena certeza, que as coisas entre eles ainda fosse delicada.
— Não Ben, mesmo que as coisas sejam diferentes agora. Ele ainda é nosso pai, e isso nunca vai mudar.
— Então, você ainda acha que ele também faz parte da nossa família?
— É... Então... – Anna fez uma pausa, e pensou por alguns segundos. — Ele faz. — Por fim ela afirmou sem nenhuma dúvida. — Que bom, porque não eu quero que ele fique longe da gente, igual ao pai da Olivia. Não quero ficar chato, sem família quem nem ela.
Sem que Anna se desse conta, o assunto surgiu de forma natural, Anna soltou uma gargalhada e viu a oportunidade de conversar o que tanto queria com o irmão.
— Ninguém quer ser chato Ben, mas às vezes pessoas acabam sendo mesmo sem querer.
— Igual você, quando a mamãe contou que estava doente. E fez todo aquele escândalo? — O pequeno questionou a irmã com uma carinha sapeca.
Anna sentiu uma pontinha de vergonha, mas ela entendeu o raciocínio do irmão. Mesmo sendo seu jeitinho, Ben conseguia compreender as coisas à sua volta, o que deixava tudo mais simples na hora de conversar assuntos sérios e delicados.
— É mais ou menos desse jeito, mas a diferença é que eu não tinha a intenção. E quando reconheci que estava errada me desculpei com mamãe e a Emma. Já Olivia continua sendo uma chata porque ela quer. Ela gosta de atazanar a vida das outras pessoas, porque não gosta de ver outras pessoas felizes.
— Eu fiquei pensando sobre isso Anna, e depois fiquei triste. — O menino se lamentou. — Nós temos a mamãe, a Emma e o papai. E a Olivia não tem ninguém... Ninguém para dar amor e ensinar o que é certo, e o que é errado. E isso é muito triste.
As palavras do irmão fizeram Anna refletir sobre suas atitudes com relação ao pai, ela percebeu como tinha sorte. Killian ainda fazia questão de estar lá, ele queria estar presente e tentava sempre ser um pai melhor mesmo que às vezes errasse.
— Eu entendo isso maninho, mas muitas pessoas não entendem e agem como a Olivia. Anna tentava achar a melhor maneira de explicar a Ben, que situações como aquela poderiam voltar a acontecer. Mas que eles não deveriam se abater por isso, nem se sentirem tristes por ser quem eram.
— Anna será que sempre será assim. As pessoas sempre vão querer dizer coisas ruins sobre a nossa família?
— Eu queria dizer que não, mas eu não quero mentir para você. Vamos encontrar outras pessoas como Olivia por aí, e até um pouco mais malas. Pessoas que não entendem que todos nós somos diferentes, e ao mesmo tempo iguais. E que amor é só amor não importa a forma. Vão dizer coisas feias só pra nos deixar tristes, mas eu quero que saiba que não devemos agir como eu fiz com Olivia. Nunca devemos agir com violência contra alguém, mas também não devemos nos calar e deixar que nos magoem.
O garotinho olhou para a irmã por alguns poucos segundos, e depois se aproximou e abraçou bem forte.
— Então vamos estar juntos, e mostrar as essas pessoas chatas que nossa família é muito mais forte.
Anna recebeu aquele abraço com a mesma intensidade, assim como as palavras simples de Ben. Anna percebeu que seu irmão assim como ela não entendia muito bem o porquê o preconceito existia, mas sabiam que era algo que deveria ser enfrentando sem medo. Afinal não estavam sozinhos, tinham uma família que os amava e que não desistia uns dos outros no primeiro tombo.
***
Superman (It's Not Easy) — Five For Fighting♪
Era madrugada quando Regina acordou Anna, a menina abriu os olhos sem entender bem o que estava acontecendo e encontrou sua mãe ao seu lado de sua cama sorrindo.
— Mamãe, o que está acontecendo? — Anna perguntou ainda sonolenta.
— Nada demais sua preguiçosa. Apenas hoje é quinta feira se levante, e vamos dar um passeio só eu e você. — Regina respondeu puxando a filha da cama.
Assim que se levantou e se sentou sobre a cama, Anna ficou mais alerta, a sonolência tinha passado. Ela levantou a cabeça, e algo sobre uma cadeira a sua frente lhe chamou a atenção. E quando viu o que era a garota sorriu, era sua roupa de montaria. Quando Ben nasceu Anna passou por uma fase de insegurança, apenas medo de ser deixada de lado por causa do bebê. Regina percebeu de imediato o comportamento da filha, e buscou algo que pudesse fortalecer ainda mais o vínculo materno e mostrasse a Anna que ela era tão importante e amada quanto seu irmãozinho. E foi no amor em comum por cavalo dividido por entre elas, que Mills encontrou a solução. Ela passou a levar a filha para cuidar dos animais, e lhe ensinando tudo o que sabia sobre equitação, com o tempo Anna passou a montar tão bem quanto sua mãe. Elas passaram a cavalgar todas as quintas no final da tarde, iam assistir ao pôr do sol em riacho próximo a hípica em que frequentavam. No caminho conversam sobre tudo, era um momento só delas, um hábito que se tornou tradição entre mãe e filha. Regina apenas tinha resolvido mudar um pouco a tradição.
— Mãe, aonde vamos? — Anna questionou a mãe enquanto selavam seus cavalos.
— Cavalgar, conversar e ver o sol nascer. — Mills respondeu a filha com um sorriso no rosto.
— Me parece bom.
Diferente das inúmeras vezes que haviam cavalgado juntas, não haviam dois cavalos, apenas um.
— Mãe, onde está o Thunder? Achei que fossemos cavalgar.
— E nós vamos, mas só seremos eu, você e Rocinante hoje. O Thunder vai ficar estábulo e descansar. Agora me dê a mão e suba.
Sem mais questionar Anna fez o que Regina pediu, e final gostou da ideia. Não havia nada melhor no mundo, do estar nos braços de sua mãe, naquele amanhecer frio. Elas percorreram o pequeno percurso até o riacho aonde sempre iam, e foi quando os primeiros tons de laranja começavam a surgir que Anna deu o primeiro passo para uma conversa que Regina jamais esqueceria.
— Eu não me importo com o que as pessoas pensam ou falam mãe.
Regina puxou as rédeas do cavalo, o fazendo andar um pouco mais devagar. Ela ainda parecia um pouco confusa, sem entender bem do que sua filha estava falando.
— Do que está falando querida?
Percebendo que a mãe estava um tanto confusa, Anna entendeu que precisava ser mais direta.
— Sobre você e Emma, sobre nós e a nossa família. Eu quero que você saiba que eu não importo com o que as pessoas vão dizer, ou pensar sobre a gente. Eu estou bem com tudo isso, porque estamos juntos e felizes. E o Ben mesmo que seja do jeitinho dele, também se sente da mesma forma. Nós sabemos que ainda vão ter pessoas que vão dizer coisas ruins, vão nos ofender só porque nossa família não é igual à de todo mundo. E que você acha que não estamos preparados para enfrentar tudo, mas você está errada mãe, nós estamos. Porque não somos como Olivia, temos duas mães e um pai que nos amam muito e que nunca desistem no primeiro tombo. As palavras de Emma estavam lá, saindo da boca de sua filha, e lhe dando total certeza que tudo ficaria bem.
Mills queria dizer algo, mas o nó em sua garganta lhe impedia. Ela não tinha palavras para expressar tudo o que estava sentindo naquele momento, somente conseguia resumir em uma única coisa no mundo: Amor.
Mãe e filha cavalgaram por mais alguns poucos minutos, até chegarem ao destino, quando finalmente pararam diante do pequeno riacho o sol já começava a nascer. Elas desceram do cavalo e o amarram próximo á árvore, e se sentaram em tronco de frente rio e apreciaram em silêncio o nascer do sol. Anna se deitou sobre o ombro de sua mãe, e Regina lhe beijou o topo da cabeça.
— Eu amo você, minha pequena. E tenho orgulho de ser sua mãe. — Mills disse com todo amor.
— Eu também amo você mãe. E tenho orgulho de dizer que sou filha, de Regina Mills. — Anna declarou em um tom brincalhão.
Tudo era diferente agora, mas um diferente bom. Antigos medos eram deixados para trás, as relações estavam consolidadas e mais fortes do que nunca. Regina sentia-se finalmente pronta para enfrentar qualquer coisa no mundo.
O dia seguinte pareceu comum, preparar o café da manhã, alimentar as crianças, levar para escola, quimioterapia no meio do dia e voltar para casa e esperar todo mal estar passar. Mas um dia comum pode mudar de repente, sem que sequer percebamos, e Regina descobriu aquilo da melhor forma. Exausta de mais uma sessão de quimioterapia, e sentindo todos os efeitos colaterais, ela deixou o ambulatório de cadeira de rodas auxiliada por uma enfermeira.
— Eu vou pegar a sua bolsa, e posso lhe chamar um táxi. — A enfermeira informou a Mills.
— Obrigado. — Ela agradeceu com um sorriso fraco.
Enquanto aguardava o retorno da mulher, Regina foi surpreendida por uma voz familiar.
— Surpresa. — Exclamou Anna indo na direção da mãe.
Emma e Ben estavam logo atrás, dando a Regina os seus melhores sorrisos. Pela primeira vez o pequeno viu a mãe naquele estado e aquilo o preocupou.
— Emma porque, a mamãe está na cadeira de rodas? — Ben perguntou se virando para Emma.
— Porque ela tomou alguns remédios, que a deixam muito cansada. — Swan respondeu se abaixando para ficar na altura do menino. — Agora chega de perguntas, e vai lá dar um abraço bem gostoso nela. — Ela o encorajou querendo não render mais perguntas.
Seguindo a irmã ele correu em direção a mãe e a abraçou fortemente.
— Ah, vocês vieram me buscar. — Mills disse com os filhos em seus braços.
Ela olhou para Emma vindo em sua direção e sentiu que seu mundo estava completo.
— Então Mills, vamos para casa.
— É uma grande ideia Swan.
Elas se cumprimentaram com um selinho discreto, e Emma se juntou aquele abraço.
— Foi uma bela surpresa. Obrigado. — Regina agradeceu por fim, e os quatro caminharam em direção à saída.
O trajeto até em casa foi feito em calmamente, e poucas palavras foram trocadas. Emma estacionou em frente à casa de Regina, e Anna foi a primeira a sair. A garota parecia extremamente ansiosa, Ben começou a reclamar no banco de trás parecendo compartilhar a mesma ansiedade da irmã.
— Ei, me deixa sair. Abre essa porta.
Anna o ignorou e abriu primeiro a porta da frente para que sua mãe pudesse descer.
— Obrigada, querida. Agora abre para o seu irmão.
— Desculpa Ben. — Anna disse se desculpando e em seguida abriu a porta para que Ben pudesse descer do carro.
— Ei, eu sou da família também. — O pequeno reclamou e disparou na frente.
Anna ajudou a mãe a subir os degraus da varanda, enquanto Emma tirava as coisas do carro.
— Obrigado, filha.
— Lar doce, lar mãe.
Anna e Ben eram só sorrisos quando entraram em casa, os dois foram guiando a mãe em direção às escadas fazendo um certo mistério.
— O que foi? Vocês dois estão aprontando algo. — Mills comentou desconfiada.
— Nós temos uma surpresa para você. — Anna se adiantou na resposta.
— Não diga.
— Aham…
— O que é?
— Não podemos dizer mãe, se não estraga a surpresa.
— Ah, pode sim. Ben me conta. — Mills pediu ao filho fazendo beicinho.
— Não, mamãe.
— Por favor, filho me conta.
— Não mesmo.
— Fecha os olhos. — Anna pediu a mãe e colocou a mão sobre seus olhos.
Adorando toda aquela diversão, Regina fez o que os filhos pediram e se deixou ser guiada pelos dois ao andar cima.
— Com cuidado nos degraus, pisa, pisa, pisa. — Ben e Anna diziam juntos. Enquanto auxiliavam a mãe pelo caminho.
— Já cheguei?
— Não, não está quase lá.
— Não, Anna é para o outro lado.
— Ai, meu Deus para onde vocês estão me levando.
Entre tropeços e gargalhadas eles finalmente chegaram ao quarto de Regina.
— Pronto. Um, dois, três… vai. — Os irmãos gritaram juntos.
E Regina abriu os olhos. O que tinha sua frente lhe deixou sem palavras, seus olhos se inundaram de lágrimas. Inúmeras fotos de Ben e Anna em tamanho real decoram o quarto. Fotos novas e antigas, momentos importantes da vida de cada um. Anna e Ben jogando basquete, Anna tocando piano, Ben vestido de coelho… Uma vida inteira retratada em poucas imagens, Regina queria expressar o que estava sentindo naquele instante, mas as palavras tinham se perdido em algum lugar entre o amor e a felicidade e ela decidiu apenas admirar o que tinha sido lhe dado.
— Nossa! — Foi tudo o que ela conseguiu pronunciar.
— Não é incrível, mamãe. A Emma que fez.
Por instante Mills tinha se esquecido de Emma, mas ela estava ali da porta observando tudo. Regina abraçou Anna que estava mais próxima e lhe beijou a testa. Ben correu na direção de uns dos banners e imitou a pose da foto, arrancando gargalhadas da mãe. Emma se aproximou e envolveu a namorada e a filha em seus braços, e Ben se juntou a elas logo depois. E foi como se o tempo congelasse e só existisse ali os quatro e nada mais.
Fale com o autor