Lado a Lado
30 Insegurança e incertezas.
Notas iniciais

(Oceano – Djavan♪)
Vaidade nunca fora algo que Regina Mills colocasse como prioridade em sua vida, mas ainda sim prezava andar elegante, bem vestida com uma bela maquiagem por mais simples que fosse e os cabelos bem cuidados. Então o processo de perda de cabelo, não chegou de uma forma agradável. E a verdade era que para uma mulher o cabelo poderia dizer muito, talvez fosse uma questão de identidade, e de dizer quem você é. Emma temeu esse momento por diversas vezes, porque ela conhecia bem o sentimento de mulheres que perdiam alguma parte importante de sua beleza. Ela lidava com diversas mulheres que viviam sob um padrão estabelecido. Nunca podia ser demais ou de menos, as medidas certas abriam portas, enquanto estar acima do peso ou não ter o cabelo ideal poderia afundar carreiras. A sociedade podia ser cruel, e Emma lutava sempre dentro de seu trabalho com fotografia para quebrar padrões.
A fotógrafa acreditava que cada pessoa era bela a sua maneira. E ninguém deveria se envergonhar pelo seu corpo ou pelo cabelo que tinha. No fundo, Emma tinha receio de que Regina pensasse que ela se importava com os padrões, ou que quando ela cortasse os cabelos, Swan não a achasse mais bonita, o que não tinha nada a ver, mas insegurança fazia parte do caminho delas. E Emma só queria arrumar uma forma de mostrar à mulher que amava que ela não tinha se apaixonado apenas pela aparência de Regina, aquela era só uma das partes. A fotógrafa queria que Regina enxergasse além do físico, pois o sentimento que elas tinham era muito maior que corte de cabelo. Para Emma Regina era linda de tantas formas, que ela poderia passar a vida inteira detalhando cada pedacinho da morena, mas o difícil era fazer com que a cabeça de Regina entendesse isso.
— Deixa de bobagens, Regina. Eu te estou acostumada a te ver todos os dias. E sempre estará linda para mim. — A loira dizia, tentando convencer a namorada a abrir a porta. — Anda abre essa porta e vamos conversar.
Regina tinha se trancado no banheiro, estava com vergonha e detestando sua aparência. Ela tinha medo que se Swan a visse e desistisse de tudo que tinha lhe prometido meses atrás. Não queria se sentir daquela forma, mas não conseguia controlar sua insegurança.
— Eu não quero ver ninguém hoje Emma. Deixa-me. — Regina respondeu com voz embargada.
— Você está agindo como uma criança. Que droga Regina! Eu disse que não ia desistir e eu estou aqui caramba. Eu sei que tudo isso não é fácil, eu sei que você tem medo, mas eu também tenho. E você agir dessa forma não é justo. — A fotógrafa desabafou.
Emma estava frustrada, ela não queria desistir de Regina e não faria isso, mas às vezes se sentia impotente diante das reações da morena.
— Talvez você deva procurar alguém que te ofereça mais Swan. — Mills respondeu sem pensar.
— Eu não quero desistir de nós Regina. — A fotógrafa gritou em desespero. — Para que tudo dê certo em uma relação, os dois lados precisam querer Mills. Eu não quero desistir das crianças e nem de você. Só que você precisa querer que eu fique, você precisa me deixar participar de tudo. E quando eu digo tudo, estou falando das partes ruins também. Eu não estou com você por pena, eu estou com você porque eu te amo. Espero só quero que entenda, mas não faça isso quando não tivermos mais tempo.
Emma resolveu apelar. Estava cansada e em pedaços. Ela se doava de corpo e alma por amor e não por pena. Naquele momento ela resolveu ceder, e pela primeira vez ela daria espaço a Regina. Ela saiu do quarto batendo a porta e nem percebeu que os filhos tinham presenciado tudo do corredor.
— Anna elas brigaram feio. — Ben se lamentou e abraçou a irmã.
— Calma pirralho, tudo vai ficar bem. Adultos às vezes são burros e brigam por bobeiras, assim como a gente. — A garota tentou confortar ao irmão.
No fundo ela estava com o mesmo medo, mas não queria demonstrar. Anna confiava na promessa de Emma, ela tinha prometido que não ia desistir, tinha dado sua palavra então a garota se apegou a isso.
— Só não quero que ela vá embora como o papai foi. — Ben confessou já com os olhos cheios de lágrimas.
Anna o abraçou mais e lhe disse palavras de conforto até que ele se acalmasse. No banheiro Regina desabava e seu choro era silencioso. Não sabia o que fazer e todas as sensações vieram ao mesmo tempo. Quando finalmente saiu do banheiro encontrou os filhos na porta e desabou mais uma vez, mas dessa vez foi amparada por eles. Um momento intenso, que jamais os três tinham dividido antes. Choros, afagos e carinhos eram trocados, até terminarem os três na cama abraços e mergulhados em amor incondicional.
***
Sem rumo e com a cabeça a mil. Emma acabou parando na casa de Lily. Ela era sua melhor amiga e sempre tinha uma palavra de conforto para Emma nos momentos difíceis.
— Pela sua cara as coisas não estão bem. — Lily disse assim que abriu a porta. Emma não conseguiu dizer uma palavra e abraçou Paige caindo no choro. A morena a recebeu carinhosamente e enquanto lhe dizia coisas positivas fazia carinho em suas costas no intuito de acalmar Emma. — Vai ficar tudo bem Swan. – Lily dizia tentando confortar a amiga.
Não houve perguntas, ela esperaria o tempo de Emma, afinal ela estava ali e quando a loira achasse que era o momento lhe contaria o que estava acontecendo. Depois de um longo tempo, paradas no hall do prédio de Paige, e com Emma mais calma, a morena sugeriu que entrassem, assim poderiam conversar melhor.
— Eu vou fazer um chá e você pode me contar o que aconteceu. — Paige sugeriu. Emma apenas balançou a cabeça em concordância. Lily não demorou muito para voltar com chá e depois de servi-las se sentou esperou que Emma começasse a falar.
—Eu não sei mais o que fazer. — Emma disse do nada.
—Problemas com a Regina? — Paige perguntou.
— Sim, ela está cega pela insegurança. E agora que os efeitos da quimioterapia começaram a aparecer, ela tem se escondido de mim. Não deixa dormir com ela ou vê-la no banho. Há dias mal a toco e não sei mais o que fazer Lily. — A loira desabafou tudo de uma vez.
E finalmente Paige entendeu, afinal ela lidava com aquele tipo de reação na fundação. A autoestima baixa de inúmeras pacientes a tinham deixado em situações completamente difíceis. E era complicado muitas vezes convencer as pessoas que aparência não importava quando a sociedade mandava outra mensagem.
— Emma isso era previsível, nós conversamos sobre isso lembra? Você precisa ter paciência com Regina e mostrar a ela todos os dias isso. Mesmo que seja difícil, e eu lhe digo que não será fácil, haverá dias, como os de hoje, e você vai querer jogar tudo para alto, mas também haverá dias lindos em que você conseguirá mostrar a ela o quanto a ama e que resto não importa.
—Ela não facilita em nada as coisas para mim.
— Regina Mills é a Rainha do gelo Swan, não importa o quanto seu corpinho a aqueça. —Paige brincou.
— Lily! — Emma exclamou. Ela sabia que amiga estava apenas brincando, mas não tinha como ter outra reação.
O clima parecia estar mais ameno e a loira já dava alguns sorrisos tímidos.
— Só disse a verdade Swan. E bem, temos algumas coisas na fundação que talvez possam ajudar.
— Como o que?
— Bom, que tal você melhorar essa cara e podemos dar uma ida lá e você mesma descobre. — Lily sugeriu.
A conversa prosseguiu por mais um tempo. Emma sentia-se mais leve e pronta para enfrentar tudo novamente. Elas finalmente saíram indo em direção à fundação e Lily mostrou um pouco mais do seu trabalho para amiga. Como sempre, Emma se inspirou e novas ideias lhe vieram à cabeça.
— Perucas coloridas são divertidas Swan, as crianças gostam. E alguns adultos também. Eles mesmos ajudam na fabricação, algumas usamos na oficina de teatros e outras eles usam no dia a dia fora daqui. — Paige explicava.
—Eu gostei da ideia Paige, mas acho que pode ficar melhor.
— Tem alguma sugestão?
— Na verdade eu tenho várias. Vamos conversar Paige.
Emma e Lily passaram algumas horas conversando e as ideias da fotógrafa foram bem aceitas. A verdade mesmo era que a morena ficava feliz com as contribuições que Emma trazia aquele lugar. Swan trazia mais luz e esperança a tantas pessoas mesmo sem saber, e mesmo que fizesse aquilo por Regina ela ajudava muitas outras pessoas.
***
Emma tinha passado a maior parte do dia em OUAT e isso tinha feito bem. No final da tarde ela achou que era melhor voltar para casa. Swan esperava que a namorada estivesse mais calma e elas finalmente pudessem conversar. Mais assim que Emma entrou em casa foi pega de surpresa.
—Mãe, você voltou. — Anna disse e correu em direção a Emma a abraçando forte. A palavra mãe a cada dia mais presente, e de forma tão natural, ainda deixava Emma sem palavras.
— É claro que eu voltei meu amor! — Swan respondeu e recebeu a garota em seus braços, com o mesmo entusiasmo.
— Eu moro aqui, minha família está aqui Anna.
— Eu pensei que você ia desistir.
Ouvindo a confissão da filha, Emma concluiu que ela tinha ouvido a briga entre ela e Regina. Então entendeu a recepção tão calorosa.
— Você ouviu nossa discussão não foi?
— Me desculpa. —Anna disse e abaixou a cabeça. O gesto parecia demonstrar arrependimento. — Eu não estava ouvindo atrás das portas eu juro. Só que os gritos acordaram o Ben, e ele veio me acordar e uma coisa levou a outra. Só queria saber o que estava acontecendo.
— Tudo bem Anna, não precisa se justificar. Só quero lhe dizer uma coisa: eu não vou a lugar nenhum. Talvez possamos ter outros momentos como aquele, mas eu não desisto das pessoas que amo, mesmo elas sendo teimosas e rabugentas.
— Como a mamãe? —Anna perguntou com uma carinha sapeca.
— Sim como sua mãe e como você também.
— Eu não sou rabugenta mãe.
— Às vezes você é filha.
Ambas caíram na gargalhada e Anna teve certeza que Emma dizia a verdade.
— A questão é que eu nunca vou desistir vocês, Anna. Eu amo demais essa família para abrir mão dela. — Emma afirmou.
Em gesto um de carinho beijou a testa da garota, um carinho que acalmou o coração de Anna. Elas estavam tão envolvidas que não perceberam a presença de Regina no corredor. A morena tinha ouvido cada palavra dita por Emma e sentiu certa culpa. Sua insegurança era algo que não conseguia controlar, mas talvez com Emma ela fosse sem fundamento. A loira sempre demonstrou tudo que ela desejava: Emma era paciente, participativa e principalmente amorosa e não havia porque ter medo. Regina foi tirada de suas reflexões, pelo esbarrão lhe dado pelo filho, que passou como um foguete na direção de Emma. Ben se juntou a irmã abraçando a loira e fazendo a mesma festa com sua volta para casa.
— Ma, você voltou. E vai me contar historinhas antes de dormir. — O pequeno pedia.
— Lhe conto até duas, macaquinho. — Emma respondeu e pegou o menino no colo.
Logo a loira olhou para frente e viu Regina, seu coração se aqueceu. Emma se perguntava se cada vez que olhasse para Regina, poderia se apaixonar uma vez mais. Todas as coisas bobas e clichês vinham a sua cabeça, assim como as palavras de Lily, haveria momentos ruins, mas eles faziam os bons valerem a pena. Porque aquele momento que estava vivendo agora apagava todo o resto.
— Vai ficar parada ai Mills? Não vai vir me dar um abraço também? — A fotógrafa perguntou com sorriso nos lábios.
A morena sentiu seu mundo voltar a fazer sentido com aquele sorriso. A sua frente estava tudo que iluminava sua vida e fazia todo resto valer a pena. A mulher que amava e seus filhos, a sua família. O seu mundo inteiro, um mundo que ela faria de tudo para manter vivo. Sem pensar mais, ela caminhou a passos rápidos de encontro a eles e foi recebida com todo amor do mundo. Emma lhe deu um selinho demorado, e os filhos lhe beijaram as bochechas. — Eu te amo Regina. — Emma disse a única frase Regina desejava ouvir naquele momento.
— Não mais que eu amo você Emma.
Pronto, e ela agora recebia sem restrições, em grandes quantidades, doses fortes do remédio mais eficaz do mundo: o amor. Não precisavam dizer mais nada. Emma e Regina sabiam que estavam novamente em paz.
***
A manhã seguinte fora um diferencial, Emma e Regina acordaram com café na cama feito pelos filhos. Não que eles não tenham recebido ajuda, Anna ligara bem cedo para Tia Lily e pedido uma forçinha, mas ninguém precisava saber.
— Café na cama, é alguma data especial? — Regina perguntou aos filhos enquanto mexia na bandeja.
— Não precisa ser um dia especial para se fazermos coisas especiais para quem amamos mamãe. —Anna respondeu de forma tão natural que espantou a mãe.
— Estou impressionada. Até minha geleia favorita tem aqui. — Emma se pronunciou do outro lado da cama.
— Nosso serviço é de primeira, né Anna. — Ben se gabou no pé da cama.
— Isso ai maninho. E vocês duas chega de conversa e tratem de tomar o café da manhã. Hoje eu e o Ben somos os adultos e vamos cuidar de vocês duas. E única coisa que farão é ficar na cama, agarradinhas, vendo os filmes que preparamos e curtindo uma a outra. — Anna praticamente ordenou.
Regina e Emma se entre olharam, e com olhar cúmplice, concordaram em embarcar na ideia imposta pelos filhos.
— Tudo bem senhorita Anna, Emma e eu iremos seguir tudo que disserem. Não é amor? — Perguntou se dirigindo a namorada.
— É claro que é, vamos obedecer tudinho.
— Aêeee. — Ben comemorou.
Anna ficou satisfeita e feliz em poder ajudar as mães a relaxarem. Ela e Ben preparam o almoço, nada muito difícil apenas espaguete e suco de laranja. Acabaram almoçando todos juntos. O dia foi de paz para família: viram filmes, jogaram jogos diversos e até no vídeo game Regina se arriscou, claro que perdeu, mas não que ela se importasse. Eles passaram o dia em meio a sorriso, afagos, carinhos e muitas fotos no Central Park que eternizaram aqueles momentos. Emma sentia Regina relaxar e Regina sentia suas forças se renovarem. Ela estava pronta para enfrentar o mundo. Assim como estava pronta para enfrentar a doença que tinha.
***
Os dias seguintes foram mais calmos, Regina estava mais confiante e Emma tentava demonstrar sempre a namorada o quanto a amava. Anna e Ben já entendiam o motivo da mãe andar mais frágil e evitavam aprontar. Eles sempre faziam as tarefas, cumpriam os horários e o principal: rodeavam mãe de amor, fazendo a morena se sentir mais querida que nunca. Foi naquele clima ameno que Emma resolveu finalmente botar suas ideias em prática. E para isso precisava da ajuda de Anna e Ben.
— Crianças eu preciso que me ajudem em algo. — Emma disse chamando atenção dos filhos, que estavam concentrados fazendo o dever de casa. Ambos olharam para a loira com expressão curiosa, mas não se levantaram.
— Se não terminamos o dever de casa, a mamãe vai pirar. — Ben se pronunciou primeiro.
— É Emma, estamos em paz há uma semana e quero permanecer assim. — Anna completou.
— Eu tenho plena certeza que a mãe de vocês não vai dar nenhuma bronca, se for uma surpresa para ela. — Emma resolveu apelar.
Anna e Ben se entre olharam, e a curiosidade prevaleceu. Eles se levantaram e correram em direção a Swan doidos para saber o que a loira estava aprontando.
***
Killian tinha decidido que deixaria a filha tomar o tempo que precisasse para que se reaproximassem. Com Ben era mais simples e o moreno aproveitava o tempo livre com o garoto sempre que podia. Ele também entrou de cabeça no trabalho voluntário na fundação OUAT e os esbarrões com Zelena Mclister se tornaram mais frequentes, já que a ruiva trabalhava no local.
— Jones, você vive batendo em mim por todo canto. — Zelena reclamava enquanto catava os papéis no chão.
— Você que é lerda e não presta atenção por onde anda Mclister. — Killian respondeu se abaixando para ajudar à ruiva.
— Até parece Jones. — Ela resmungou.
— Não sou eu quem esquece a filha em um táxi. — O moreno disse baixinho, mas claro que Zelena tinha escutado. Ambos se olharam e pareciam que se matariam, embora algo mais estivesse no ar ambos nunca admitiriam tal coisa. E aquelas cenas passaram a serem típicas pelos corredores da fundação: esbarrões, provocações e todos, a volta se perguntando quando Zelena e Killian finalmente ia se pegar.
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