Lado a Lado
3 Entre farpas e beijos
Notas iniciais
Era sábado e Killian resolveu levar os filhos ao parque na tentativa de passar um momento a sós com eles e para contar que passariam o resto do fim de semana com Emma. O moreno achava que seria uma boa forma dos filhos e a namorada conviverem, mas Anna não achava isso.
– Quanto tempo vai ficar fora? – Anna perguntava ao pai enquanto eles caminhavam pelo parque.
– Até domingo de manhã.
– Eu estou preocupada.
– Com o que filha?
– Ficar sozinha com aquela loira um final de semana todo. E se ela colocar fogo na casa?
– Ah. Você fica de olho nela e não larga o extintor de incêndio. – Killian finalizou querendo suavizar a conversa. Ele abaixou com Ben ao seu lado, perto do canal onde colocariam o barquinho na água.
– Vamos solta-lo agora filho.
– Vamos. – O garoto disse abaixando junto ao pai.
– Pronto?
– Pronto papai.
– Vamos empurrar com força. – Pai e filho empurraram juntos o barquinho que logo estava sobre o canal e Ben pode controlar o barquinho com controle remoto.
– Pai mais por que ela foi morar com você? – Anna questionou o pai.
Killian se viu perdido pela primeira vez na conversa sobre seu relacionamento com a filha, mas ele queria ser honesto sobre seus sentimentos por Emma e não mentiu sobre o que sentia.
– Porque nós nos amamos e queremos passar a vida juntos. – Anna olhou o pai com ar de decepção e respondeu.
– Mas você já tinha uma vida com a minha mãe.
– Anna, eu e sua mãe já não estávamos nos dando bem e não era bom para vocês nos ver brigando o tempo inteiro. – O homem argumentou se sentando ao lado da filha.
– Eu brigo com Anna o tempo todo. – Ben se manifestou logo atrás. – Vou ter que mudar?
– Não filho e vocês dois são irmãos. – Ben fez uma cara de sapeca como se tudo que pai dissesse tivesse feito sentindo em sua pequena cabeçinha.
– E vocês são casados, não significa nada? – Anna continuou a conversa com o pai.
– E significa... Mas... Bom quando crescemos, as relações ficam mais complicadas e todos os tipos de sentimentos pairam no ar. As vezes alguns desses sentimentos mudam. – Killian se virou para filha e viu lagrimas nos olhos da filha e aquilo era tudo que ele não queria.
– Então você deixou de amar a mamãe? – Anna disse enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto.
– Bom... é... eu acho que sim, mas eu ainda amo sua mãe Anna. É que agora é um amor diferente, só isso. – Killian respondeu abraçando a filha. – Continuamos amigos e sempre seremos amigos.
– Algum dia deixara de amar seus filhos, papai? – Ben perguntou ao lado deles. Killian se abaixou ficando na altura do menino antes de responder.
– Não, isso é impossível.
– Tipo missão impossível? – O menino completava sorrindo.
– Exatamente isso... Missão impossível. – Killian disse e em seguida pegou o menino no colo lhe fazendo cócegas e tirando gargalhadas do filho.
Anna se juntou ao pai e irmão na brincadeira e momento triste entre eles foi esquecido.
(...)
Com um chapéu de mágico e sentado em um banco alto com os braços sobre a bancada da cozinha Ben aprontava mais umas de suas travessuras.
– Cérebro de lagarto em pó. — Ben dizia enquanto colocava o achocolatado dentro do liquidificador e em seguida o açúcar. — Orelha de lobisomem amassada.
Anna estava sentada a frente do irmão rindo da imaginação fértil do garotinho.
– E olhos de vampiro. Puff! — O menino termina e liga o liquidificador sem tampa, fazendo a maior sujeira da bancada da cozinha e tomando um baita susto com barulho feito pelo utensílio doméstico — Nossa! — Ben exclamou vendo toda aquela sujeira e depois começou a rir sem parar.
Ana balançou a cabeça de lado para outro em sinal de negação como se dissesse “meu irmão só apronta”. Ben continuou mexendo nas coisas sobre o balcão como se estivesse preparando uma poção mágica.
– Legal. — O menino disse por fim, colocou o conteúdo que sobrou da jarra dentro de uma caneca e depois desceu do banco que estava sentado levando a caneca com ele e indo até a irmã perto da mesa. – Prova você a poção mágica, Anna. — A menina pegou a caneca olhou o conteúdo e respondeu.
– É chocolate Ben.
– Eu roguei uma praga, quem beber isso dormira por mil anos.
– Tá bom se pingar no meu desenho vou botar você para dormir por mil anos. — Anna repreendeu o irmão, o empurrando para longe e tirando a caneca de perto dos desenhos que ela fazia.
Eles foram interrompidos por Emma que adentrou a sala chamando pelos dois.
– Crianças, eu tenho uma surpresa para os dois ali no sofá pode ser. – Anna levantou da cadeira sem demostrar a menor animação e o irmão a seguiu para o sofá.
– Nossa um pouco de entusiasmo aí, né? – Emma dizia tentando animar os irmãos. – Então pode sentar. – Ambos se sentaram no sofá esperando o que a loira tinha de tão importante para ser mostrado. Emma foi para trás do sofá para pegar algo escondido lá. – Ok, fechem os olhos, por favor. – Enquanto as crianças fechavam os olhos ela se abaixou para pegar o que tinha escondido atrás do sofá para então revelar as crianças o que era. – Atenção! Só podem abrir os olhos quando eu mandar. – Emma disse colocando sobre o sofá sem que Anna e Ben soubessem que era um filhote de labrador. – Podem abrir.
– Puxa! — Ben gritou todo entusiasmado e já pegando o filhote no colo. Emma sorriu achando que finalmente tinha conseguido agradar os filhos do namorado.
– E então o que vocês acharam? — A loira perguntou curiosa para saber a reação de Ben e Anna.
– Ele não vai comer meu coelhinho, vai?
– Não Bem, cachorros não comem coelhos. – Emma se sentou no meio de ambos, ainda temerosa pela reação de Anna.
– O que você achou? – Emma se virou pra Anna e finalmente perguntou.
– Eu sou alérgica a cachorro. – A menina respondeu com cara de poucos amigos. Emma percebeu que mais uma vez com garota tudo era sempre mais difícil.
– Ah... Seu pai não falou nada.
– Ele não sabe nada sobre mim, ele vive ausente. – Emma ficou sem argumentos diante da resposta de Anna e resolveu mudar o rumo da conversa.
– Vocês podiam dar um nome para ele. Afinal ele vai precisar de um nome.
– Já sei. Emma. — Anna disse de forma rude e Emma estava perdendo a paciência com garota.
– Como é que é?
– Ele tem o seu cheiro e como eu sou alérgica a você, ele combina perfeitamente. – A garota ironizou e depois se levantou do sofá indo em direção ao seu quarto, batendo a porta em seguida. Deixando para trás uma loira totalmente sem graça.
Mas Emma já havia esgotado toda sua cota de paciência com Anna, ela tentava de tudo para agradar e ser simpática e o que recebia em troca eram respostas mal criadas, ações rudes e tratamentos estúpidos da garota e queria por fim aquilo.
– Ben, pensa em um nome para ele que eu já volto. — Emma falou com menino e se levantou do sofá indo em direção ao quarto de Anna. Ela abriu a porta sem pedir licença enquanto menina ouvia música no último volume.
– Escuta aqui mocinha, vamos esclarecer uma coisa. — Emma gritou indo até o rádio e deligando o aparelho. Anna puxou a mão da loira bruscamente a tentando impedir de desligar o rádio.
– Não toque nas minhas coisas.
– Escuta aqui, eu realmente eu queria me dar muito bem com você. – Emma a respondeu com voz alterada.
– Eu não tenho que te obedecer. — A menina rebateu se virando de costa.
– Tem sim senhorita.
– Ah não tenho não. Você não é minha mãe.
– Agradeça a Deus por isso. — Emma berrou de volta perdendo o controle total daquela discussão e quando viu a expressão de Anna se arrependeu na mesma hora do tinha dito. — O que eu quis dizer e talvez tenha me expressado mal é que você tem uma ótima mãe e não precisa de outra, mas eu quero ser tratada com algum respeito quando você estiver nessa casa.
Demonstrando raiva e com lagrimas nos olhos Anna não cedeu.
– A casa é do meu pai.
– Acontece que é minha casa também.
– E esse é meu quarto, trate com respeito e saia daqui. – Emma desistiu mais vez de enfrentar a garota e resolveu deixar o quarto dela.
– Eu saio. — Disse por fim e Anna mais uma vez ia bater a porta do quarto quando percebeu o filhote de labrador vindo em sua direção. Ela se abaixou, pegou o cachorrinho nos braços e depois entrou para quarto e fechou a porta.
(...)
Era hora de pôr Ben na cama, mas o menino só dormia se ouvisse uma história e Emma teve que providenciar uma para o menino.
– Corre, corre, corre o mais rápido que puder, não pode me pegar sou o queijinho fedorento. — A loira lia um trecho do livro deitada na cama ao lado de Ben e logo começou a bocejar.
– Não vai beber o seu chocolate que fiz especialmente para você? — Ben questionou Emma.
– Ah... vou... claro, chocolate especial. — Emma respondeu se virando para mesa de cabeceira e pegado a caneca que estava lá e bebendo em seguida. O garoto tinha sorriso travesso nos lábios.
– Que delicia Ben. O garotinho... oooh disse... — Emma tentava continuar a historia mais voltou a bocejar e Ben a interrompeu.
– Não, você está me enrolando, você pulou a parte da vaca.
– Eu estou com tanto sono. Não dá para terminar amanhã?
– Não, agora temos que reler desde o início e vai ler tudo até o fim. Ou não consigo dormir. – Emma se deu por vencida e voltou a ler o livro desde o início ou sabia que menino jamais iria dormir.
– Era uma vez uma mulher bem velhinha... E um menininho... — Logo Ben completou. — E um menininho que viviam juntos numa velha casinha. — Emma bocejou de sono pela terceira vez e passou o livro para Ben para que ele continuasse a ler.
– Olha que ótima ideia! Você agora vai ler para mim.
– Eles estavam sós, então a boa velhinha, decidiu fazer um boneco usando queijo. Ela usou um pedaço de bacon para fazer a boca e duas azeitonas para fazer os olhos.
Quando Ben olhou para lado viu que Emma tinha adormecido completamente.
– Emma... Emma... — Ele chamou a loira diversas vezes sem resposta.
Ben se aproximou do rosto dela e chamou de novo e nada. O menino entrou em choque constatando talvez algo incrível na sua lógica infantil, ele se levantou da cama e correu para corredor.
– Ai minha nossa, minha nossa. — Ben dizia enquanto corria para quarto da irmã, desceu as escadas apresado ainda não acreditando no que achava que tinha feito.
Abriu a porta do quarto da irmã na euforia e se jogou sobre a cama, encontrando Anna acordada lendo um livro e com o cachorro no outro braço.
– O que foi? — Anna perguntou assustada pela chegada repentina do irmão.
– Eu matei, ela. — O garotinho respondeu com carinha sapeca. Anna fez uma cara de desacreditada enquanto o menino comemorava seu grande feito. — Matei, matei, matei. Pruuum. — Ele deu um gritinho e mostrou a língua fazendo Anna rir de suas palhaçadas.
(...)
Era segunda e Emma deveria levar as crianças de volta para casa da mãe. Como sempre a loira saiu atrasada e chegou ainda mais atrasada na casa de Regina, isso era péssimo significava grandes problemas e muitas discussões.
Emma chegou rapidamente, estacionou o carro de frente à casa dos Mills e assim que carro parou Anna e Ben saíram, às pressas do carro em disparada para casa. Emma os seguiu depois esperando que clima lá dentro fosse tranquilo. As crianças deixavam as coisas no armário perto da escada e Emma foi em direção cozinha a procura de Regina.
– Bom dia. — A loira cumprimentou Regina assim que viu na cozinha.
– São sete e vinte três. Deviam estar aqui às seis e meia, Anna perdeu a aula de leitura matinal. — Regina respondeu completamente nervosa. A morena odiava atrasos.
– Não, hoje é segunda e aula de leitura é na terça. — Emma rebateu querendo se defender.
– Exceto na terceira terça do mês quando muda para segunda e em novembro quando ela monta as quintas. — A morena disse mostrando os horários dos filhos que estavam gravados na porta da geladeira. — Não é tão difícil assim senhorita Swan. Será que você não tem uma agenda preta em que possa anotar essas coisas.
A essa altura Regina estava perto demais de Emma falando e falando e loira estava perdendo a paciência logo pela manhã. Emma tirou os óculos escuros e mudou o rumo da conversa.
– Será que posso tomar um cafezinho, por favor.
– Não usamos café.
– Já sei naturalistas. — Emma debochou.
A voz de Ben interrompeu a discussão e as trouxe de volta a realidade. O garotinho correu para braços da mãe e Regina o recebe o pegando no colo.
– Oi macaquinho. — Anna apareceu e Regina cumprimentou a filha com Ben nos braços.
– Oi meu bem, como está Anna? – A menina não deu muita atenção apenas subiu a escada olhando furiosamente para Emma. — Anna... — Regina tentou mais uma vez, mas a filha já tinha subido e não ouviu mais nada. Regina colocou Ben no chão e instruiu o filho.
– Vai mudar a camisa. — O garoto obedeceu e subiu para fazer o que mãe tinha lhe pedido. Regina se voltou para Emma para saber o que tinha acontecido com Anna.
– O que houve com Anna? O que você fez?
– Será que você pode me dar um tempinho, por favor?
– O que houve?
– Não houve nada. É que o Killian estava no chuveiro hoje de manhã e a Anna meio que entrou sem bater antes.
– Mas eu não sei por que isso poderia aborrecê-la. Nós sempre tivemos o hábito de tomar banho juntos.
– Eu estava lá com ele. – Emma despejou de uma vez.
– E algum de vocês falou com ela sobre isso depois?
– Não, eu achei que não seria incomodo para ela.
– Incomodo para você. – Regina a corrige. – Uma garota de doze anos tenta entender o fato de que seu pai nunca mais voltará para casa e para sua família. Ela vê o pai nu no chuveiro com outra mulher pela primeira vez e você acha que seria melhor para ela se fingisse que não houve nada?
– Eu estou de saco cheio desse seu pedantismo. Eu nunca disse que eu era perfeita.
– Para inferno com todo seu deboche Swan. Nessa casa você vai abaixar o tom de voz. — Regina já estava aos berros e Emma também falava alto.
A loira simplesmente não aguentava mais todo aquele falatório. Por Deus aquela mulher insuportável não calava a boca. Sem pensar Emma colocou uma das mãos de Regina sobre sua nuca e puxou colando seus lábios aos da morena em beijo desesperado. No começo Regina resistiu, mas Emma era mais forte e imprensou sobre o balcão e continuou a atacar a boca de Regina com vontade como se quisesse descobrir cada pedacinho dela.
Não sabendo o porquê logo Regina correspondeu e não resistiu mais, sentiu seu corpo ficar mole quando Emma colocou a língua dentro de sua boca e encontrou a dela. As línguas se enroscando era algo que as duas mulheres nunca tinham sentindo antes e quando tudo estava ficando intenso, Regina se deu conta do estava fazendo e com estava fazendo, empurrando Emma de forma brusca a fazendo bater no armário atrás dela.
– E se toda vez que surgir um problema e você quiser ter uma conversinha comigo de doze horas toda terça de cada mês. Você arranja outra para fazer porque eu tenho muito mais o que fazer minha senhora. — Emma disse ainda sentindo o gosto dos lábios de Regina sobre os seus.
– Ah e eu não, por que eu tenho filhos? — Regina respondeu suspirando e limpando a boca dos resquícios do batom da loira que tinham ficado lá.
– Sabe qual é o seu problema Swan? É tão egoísta que nem poderia ser mãe.
– Talvez o problema seja sua filha, por ser uma garotinha insolente e mimada igualzinho a mãe.
– Se acha isso mesmo por que me beijou Swan?
– Era o único jeito de te falar calar a boca Mills.
– Saia da minha casa. Sai agora.
– Tem certeza? Isso não estava na agenda. — Emma diz com deboche, colocou os óculos escuros e saiu a pisando forte.
Regina se encostou sobre bancada tentando dirigir tudo o que acontecera na sua cozinha. Ela tinha trocado farpas com a namorada do ex-marido o que até ai tudo bem, mas ela também tinha trocado um beijo com Emma Swan. E o pior era que ela tinha gostado daquele beijo, mas jamais admitiria isso para ninguém.
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