Lado a Lado
20 Acertando os eixos
Notas iniciais
Regina dirigia pensativa não tinha ideia da situação do iria encontrar na casa do ex-marido. A morena sabia como Killian poderia ser teimosa, mas também sabia como sua filha poderia ser extremamente firme quando decidia algo. Essa era uma característica que a garota tinha herdado dela, e por isso aquela conversa de pai e filha a sós não era uma boa ideia, não em meio ao caos que estavam vivendo. Quando finalmente chegou a frente ao prédio do ex-marido procurou uma vaga estacionou o carro e subiu com pressa, eram apenas alguns andares e preferiu subir de escada. Quando chegou a porta encontrou entre aberta, e já ouvia o som da voz de Anna que parecia bem exaltada.
— Eu vou apoiar a minha mãe, pai. Eu apoiar ela e a Emma em tudo. — Anna dizia.
— Acha que está preparada para enfrentar o que está por vir Anna? Você pensou em como isso pode ser ruim para o seu irmão? Ou como as piadinhas de mau gosto podem magoar ele?
— Eu não tenho medo de enfrentar o preconceito das pessoas. E tenho pena de quem acha duas pessoas não podem ser amar, só porque são do mesmo sexo. E Ben entende o que é amor de verdade pai, ele gosta da Emma e da mamãe juntas tanto com eu. E se as pessoas disserem coisas ruins, eu vou enfrenta-las, vou defender o irmão e disser para cada uma dessas pessoas que o que elas não têm eu tenho de sobra agora em casa pai. Eu tenho amor, algo que elas nunca terão.
Regina estava ainda parada do lado de fora do apartamento, sentindo o maior orgulho das palavras da filha. Queria saber em que momento sua menina tinha crescido tanto ela não tinha percebido. Mas era hora de intervir, antes que Killian pudesse dizer algo que ele se arrependeria no futuro. Regina adentrou o pequeno apartamento, seguiu pelo corredor até chegar à sala onde pai e filha, discutiam.
— Chega Anna. — Regina disse assim que entrou na sala.
— Mãe o que está fazendo aqui? — A garota perguntou surpresa em ver sua mãe ali. — Você devia estar com a Emma agora.
— Sou eu quem faço as perguntas aqui Anna Elise Mills Jones. Tem noção de como eu morri de preocupação quando cheguei em casa, e não encontrei você lá? – Regina respondeu a filha.
— Me desculpe mamãe. — Anna tentou desculpar. Killian olhava a cena ainda perdido, não entendia como sua ex-mulher tinha entrado em seu apartamento sem a chave.
— Killian pare de olhar como se eu fosse um fantasma. Você deixou a porta entre aberta por isso entrei sem bater.
— Mãe eu... — Anna não conseguiu terminar a frase, pois Regina a interrompeu.
— E você Anna desça e me espere no carro conversamos em casa. Eu preciso ter uma conversa a sós com seu pai.
A garota não tentou argumentar, apenas pegou as chaves do carro com a mãe e desceu para espera-la no carro. Já sozinha com Killian Jones, Regina estava pronta para começar a enfrente o mundo de frente para defender o que tinha com Emma, e aquela conversa com toda certeza seria o primeiro passo. Assim que Anna deixou a sala Killian olhou para ex-mulher como se esperasse o que viria a seguir.
— É assim cuida dos nossos filhos Regina Mills? Sai para namorar e deixa as crianças com qualquer um. — Jones questionou Regina. Mas em seu tom de voz as palavras saíram mais como acusações, do que como perguntas. E Regina não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir.
— Como ousa dizer que eu não cuidou dos meus filhos Jones. Eles não estavam com um estranho, estavam com Lily. Ela amiga da Emma de longa data e as crianças a conhecem muito bem. — A morena respondeu furiosa. Killian conhecia Lily, mas sua magoa e ressentimento ainda se faziam presente.
— E você quer que eu pense o que Regina? Anna apareceu na porta a essa hora da manhã sozinha, e me acusando de coisas que ela ainda nem entende.
— Pare de querer bancar o pai preocupado que você não é Killian. Anna veio até aqui porque você simplesmente se nega a aceitar as coisas. Está cego por sua magoa. Você se nega a tentar entender o meu lado ou dos seus filhos. Seu lado egoísta ainda fala mais alto, está pensando só na sua dor. E não tem a menor ideia de como me senti quando, comecei a ter sentimentos pela Emma. Ou como ela ficou arrasada por te magoar. Tudo é sempre sobre você. Mais eu lamento lhe dizer Killian Jones o mundo não gira em torno de você. E se quer mesmo fazer parte da vida dos seus filhos, vai ter aceitar as coisas como elas são agora, ou eu vou pedir a custodia das crianças. E só ira vê-los quando o juiz determinar.
— Não ousaria fazer uma coisa dessas. — Killian disse não acreditando nas palavras da ex-mulher.
— Não me desafie Killian. Pelos meus filhos eu sou capaz de tudo.
O moreno ponderou a situação, o álcool recente em suas veias ainda fazia efeito. Ele se sentou no sofá e suspirou.
— Não é fácil para mim Regina. Eu estou tentando processar tudo, e eu ainda amo a Emma.
Regina passou as mãos pelos cabelos curtos em sinal de frustração. Por um instante viu novamente resquícios do homem, com quem fora casada um dia.
— Ninguém disse que seria Kill, não está sendo fácil para mim também. E nem para Emma, e ela ainda te ama também.
— Não do jeito que eu queria Gina. Ouvir Killian a chamar por seu apelido trazia nostalgia, e mostrava que as coisas estavam começando a se encaixa.
— As coisas nem sempre são como queremos Kill. Eu não queria ter câncer novamente. E muito menos, me apaixonar pela namorada do meu ex.
Killian acabou soltando uma risada, aquilo era irônico demais. Ou vida estava sendo irônica, com ambos, ele não tinha uma resposta só uma situação confusa a qual ele ainda não sabia como lida.
— A verdade é que eu também ainda amo você Kill. Seus filhos te amam. Todos nós amamos você, e ainda somos uma família.
— Isso soa estranho, Regina.
— E talvez seja estranho no começo, mas tudo é questão de costume. Nenhuma família é perfeita todas tem suas peculiaridades, e ainda se amam se apoiam e são felizes. Não precisa ser diferente entre nós.
Era estranho Jones sentia isso, mas fazia sentido o que Regina estava dizendo.
— Eu preciso de tempo ok. Tempo para me adaptar a isso, tempo para superar uma relação que não deu certo e tempo para juntas os pedaços do meu coração quebrado. — Jones desabafou.
— Você terá todo tempo que precisar Kill. Só não deixe que sua mágoa lhe afaste dos seus filhos. Eles já sofreram demais. — Regina pediu.
— Eu recebi uma proposta de trabalho em na Califórnia. Estou pensando em aceitar e tirar um tempo para colocar a cabeça no lugar.
Não era a melhor das soluções, mas talvez fosse a melhor solução no momento. Longe de tudo Killian podia respirar novos ares, conhecer pessoas novas e voltar um pouco mais leve.
— Talvez seja uma boa ideia. Praia, mar e sol te farão bem, e quando voltar ainda estaremos, aqui esperando por você. Todos nós Kill.
Killian sentiu a sinceridade das palavras da ex-mulher, ele conhecia bem Regina e sabia quando ela dizia a verdade. Seu gesto foi deixar as lágrimas rolarem por sua face, Regina foi doce e levou as mãos ao rosto do moreno secando seu rosto.
— Se me dissessem há 15 anos que Killian Jones o durão do time de futebol chorava, eu não ia acreditar. — Regina comentou em tom brincalhão. Killian virou o rosto e lhe beijou a mão da morena que estava em sua bochecha.
— Há 15 anos ele ainda não tinha se apaixonado. E nem se casado com rainha do baile. — Killian respondeu sorrindo em meio às poucas lagrimas que ainda desciam por seu rosto. — Obrigado Regina.
— Está me agradecendo Killian Jones?
— Estou Regina Mills. Você é uma mulher maravilhosa e me arrependo de não ter lhe dado o valor que merecia.
— Você me fez feliz Kill, e me deu dois filhos maravilhosos. Anna e Ben são a maior prova que fomos nós felizes. Não menospreze isso.
— Sim fomos felizes até eu estragar tudo. — Killian se lamentou.
— Você ainda é importante na minha vida Kill. Você é meu melhor amigo, pai dos meus filhos e sempre vou amar você.
Killian não respondeu apenas abraçou Regina. A morena foi pega de surpresa por aquele abraço, mas correspondeu, aquele era um sinal que as coisas começavam a se acalmar entre eles finalmente.
— Eu também sempre vou amar você Regina. Espero que Emma lhe faça feliz, como eu não consegui fazer. – Killian disse ainda abraçado a ela.
E Regina soube que tudo ente eles ficaria bem. O clima ficou ameno e ambos conversaram um pouco mais sobre as crianças, até Regina se despedir e deixar Killian sozinho e pensando sobre os últimos acontecimentos. Jones queria um recomeço, aceitaria a proposta de emprego na Califórnia, e deixaria a vida se encarregar do resto.
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