Lado a Lado

22 A vida é feita de fases


Notas iniciais
Boa leitura!

Emma olhou a mulher a sua frente, mas pela mascara cirúrgica em seu rosto não conseguia associa-la com as fotos que vira da mãe na casa da morena. Porém a pose altiva e jeito de entonar sua voz, eram idênticos aos de sua namorada, Emma não tinha duvida que a mulher a sua frente fosse mesmo Cora Mills.

— Sou Emma Swan, namorada da Regina. — Emma respondeu. Cora a olhou com desdém e a loira sentiu um frio na barriga.

— Parece que minha filha adquiriu novos gostos na minha ausência. Meredith percebeu que as coisas poderiam sair do controle e resolveu interferir.

— Pelo que estou vendo você duas ainda não se conhecem, mas creio que apresentações possam ser feitas depois. Não esqueçam que esse lugar é centro de tratamento intensivo, existem outros doentes que precisam de descanso e um ambiente tranquilo. E o mais importante Regina também precisa descansar agora.

Emma entendia bem do que Meredith estava falando e de modo algum, queria arrumar problemas ou entrar em discussão com Cora Mills naquele momento.

— Tudo que eu quero é poder ver Regina por alguns momentos Meredith. — Swan se pronunciou.

Cora olhou para a médica e depois para a loira parada a porta, ela foi se afastando da cama e não disse uma palavra.

— A única coisa que importa agora é o bem estar da minha filha. Apenas não se demore demais senhorita Swan. —A velha Mills pediu antes de deixar o quarto da filha.

Emma sentiu certo alivio, não sabia bem o porquê, mas aquela mulher a intimidava como ninguém. Meredith não disse nada apenas acenou com cabeça, e saiu do quarto com Cora e Emma finalmente pode ficar a sós com sua namorada. Regina parecia serena adormecida e mesmo com aparência abatida, Swan não conseguia deixar de acha-la a mulher mais linda do mundo.

— Você me deu o maior susto meu amor. — Emma disse baixinho. — Pensei que tinha te perdido. A fotógrafa não conseguiu segurar as lagrimas, assim que suas mãos pegaram a da namorada. — Você se lembra de como era no começo? Brigamos sempre, e lá no fundo eu só queria te beijar e fazer você parar de reclamar. E depois todos aqueles sentimentos confusos, até quando eu descobri que poderia te perder. E eu me vi completamente apaixonada por você, quantas vezes você me fez querer desistir e ainda sim eu fiquei porque descobrir te amar mais que a mim mesmo. E quando eu te tive em meus braços pela primeira vez, eu soube que era amor de verdade. Você se tornou meu mundo Regina Mills.

Emma sentiu um aperto em sua mão e percebeu que Regina reagia aos poucos.

— Eu me lembro de tudo Emma. — A voz de Mills não passava de um sussurro. — E mesmo quando estávamos longe, e nos falávamos todas as noites. Meu coração acelerava cada vez que eu recebia uma mensagem sua. E toda vez que meu telefone tocava, eu esperava que fosse você ligando. Eu me sentia solitária.

­

— Eu estou aqui agora Regina.

— E é isso que eu mais preciso Emma.

Não foram preciso, mais muitas palavras à presença era suficiente. Regina ainda estava confusa, e tudo que conseguia se lembrar de era de um barulho alto e Anna gritando alguma coisa, depois disso tudo era apenas um borrão.

***

No corredor do lado de fora Meredith conversava com Cora Mills, e tentava explicar a ela o estado frágil da saúde de Regina.

— Tudo que Regina precisa agora é de descanso Sr. Mills. Espero que o que tenha que resolver com Emma Swan, seja em outro momento. Sua filha precisa de apoio e carinho e não de brigas, isso só ira causar desgaste emocional a Regina.

— Não vim para causar esse tipo de problema a minha filha Dr. Meredith. Eu estou aqui para cuidar de minha filha e meus netos, e ajudar no que eles precisarem.

­— Sr. Mills pelo pouco que acompanho do relacionamento da sua filha com a Emma, sei que aquela loira lá dentro faria qualquer coisa pela Regina, e ela tem demonstrado isso a cada dia. Outra pessoa no lugar dela teria caído fora, e a abandonado, mas Emma não ela permanece e da à Regina a força necessária para seguir em frente. E eu me arrisco em dizer que é graças a Emma Swan, que sua filha ainda permanece de pé e lutando com tudo que ela tem contra o câncer.

Cora não disse nada por longo tempo, parecia absorver as palavras da medica. — Terei tempo suficiente para conhecer a senhorita Swan e julgar por mim mesma esse relacionamento.

— Eu espero que veja o melhor, e acima de tudo veja o quanto Regina esta feliz. — Meredith finalizou deixando Cora sozinha no corredor.

A velha Mills voltou à porta do quarto da filha e viu uma cena inusitada, Regina nos braços de Emma. A morena estava com a cabeça em seu peito, enquanto Swan lhe fazia carinho em seus cabelos. E algo no olhar de Emma Swan fez Cora Mills entender, que aquela mulher amava sua filha de forma plena e verdadeira. Talvez com o tempo ela pudesse ver tudo mais claramente, mas em seu coração algo se abrandou e o medo de que sua filha sofresse novamente sumiu ao menos momentaneamente.

***

Emma ficou com Regina por cerca de duas horas, até a morena dormir novamente, não conversaram muito, pois a Mills ainda estava sobre efeito da medicação. Emma saiu do quarto, mais tranquila ela sabia que Regina não tinha nenhuma lesão do acidente e que agora só precisa de cuidados referentes ao seu tratamento. Emma voltou ao quarto, onde Anna estava para finalmente dar noticias a garota sobre a mãe.

— Emma finalmente você voltou. — A garota disse pulando da cama assim que viu a loira. — Como está minha mãe?Ela se machucou?

— Calma pestinha uma pergunta de cada vez. — Emma a respondeu tentando acalmar Anna. — Sua mãe não machucou nada, mas está sedada para poder descansar um pouco.

— E quando vou poder vê-la? — Anna insistiu.

— Amanhã, por enquanto eu vou ficar com você e seu irmão até sua mãe receber alta.

— Nossa, estamos ferrados então. — Anna brincou. Emma fez uma cara de indignada e logo estava fazendo cócegas na garota.

— Chega Emma eu me rendo... HAHAHAHA... Se eu molhar a cama a culpa será sua... HAHAHAHA.

— Agora você fala isso, terá fazer melhor. Diga que sou a melhor madrasta e se renda. — Swan provocou.

— Eu me rendo Emma, você é a melhor mãe do mundo. — Anna falou, mas uma vez em meio à brincadeira.

Sem perceber a garota arrancou lagrimas novamente de Emma. Não tiveram tempo de falar sobre o assunto, pois logo a foram, interrompidas pela chegada de Belle.

— Vejo que paciente está bem melhor.

Emma parou a brincadeira com Anna, mas permaneceu com a garota em seus braços, e Anna não fez a menor questão de sair daquele abraço.

— Não queria interromper só vim dar alta a sua filha Emma. — A medica informou.

— Obrigado doutora French.

— Não acredito que já vou poder ir para casa hoje. — Anna comemorou.

— Nada de esforço ao menos até amanhã mocinha. — Belle advertiu a garota. — E Emma se possível a monitore pela noite, apenas por precaução.

— Tudo bem, eu ficarei de olho nesse pestinha.

— Então está tudo ok, Anna pode se trocar já assinei sua alta e depois podem ir. E se houver algum problema basta ligar para meu telefone, o numero está na receita.

Belle apenas deu mais algumas recomendações a Emma com relação à Anna, enquanto a garota se trocava e alguns minutos depois deixaram o hospital.

***

Enquanto voltavam para casa Emma conversou com Anna e combinaram de não contar nada a Ben sobre o acidente. O que o menino sabia que sua mãe estava doente, e muitas vezes, precisava fica no hospital. Então essa seria a desculpa. Diriam apenas que a mãe precisava ficar alguns dias por lá e Emma cuidaria deles, e em breve Regina estaria em casa.

— Emmaaaa — Ben gritou quando viu a loira entrar pela porta, e correu pulando em seus braços.

— Ei garoto se acalme ou derruba nós dois. — Emma respondeu adorando a euforia do pequeno. Ela o pegou no colo e o encheu de beijos.

— Cadê minha mãe? Cadê minha a Anna? Cadê todo mundo Emma? — O garotinho perguntava mil coisas, entre os beijinhos que recebia de Swan.

— Assim vou ficar tonta com tantas perguntas Ben.

— É moleque da uma folga para Emma. — Anna disse aparecendo logo atrás de Emma.

— Vocês duas estão querendo me enrolar. Cadê a mamãe?

— Ninguém está querendo te enrolar Ben, mamãe está no hospital. Ela se sentiu mal e precisou ficar um pouquinho lá. E assim que ela estiver melhor vai voltar par casa.

— Por isso a Emma saiu correndo e não me disse nada? — Ben continuava com suas perguntas.

— Isso mesmo garoto. E eu vou ficar por aqui cuidando de vocês até sua mãe voltar.

— Oba. — O pequeno comemorou. — Vou poder dormir tarde e comer um monte de chocolates antes do jantar.

— Não é bem assim garoto, ainda teremos regras.

— Acho que seus planos de comer besteiras não vão dão certo. — Anna zombou do irmão.

— Mais a Emma é a mãe legal, e brava é a mamãe. A loira gostou de ouvir aquelas simples palavras de Ben. Era bom saber que o pequeno, assim como a Anna não a via como madrasta e sim uma segunda mãe.

— Isso não é verdade Ben. Sou legal, mas quando tenho dar bronca eu dou. E propósito já fez seu dever de casa?

— Eu fiz. E Tia Lily me ajudou.

— Ok, os dois subam e tomem banho para almoço então.

Emma botou Ben no chão, Anna deu um sorriso e ambos subiram sem reclamar, era um voto de confiança que ambos acabavam de dar a Emma. Era um sinal para mostrar a Regina que Emma poderia sim cuidar dos pequenos sem dar moleza para ambos, mas sem perder seu jeito brincalhão. Swan contou tudo que tinha acontecido à amiga, e agradeceu por toda ajuda que tinha recebido dela.

— Emma não precisa agradecer, eu sei bem como as coisas são. Sabia que a fundação estará de portas, para qualquer coisa que Regina e você precisem.

— Obrigado Paige. Talvez seja uma boa ideia leva-la para lá enquanto se trata.

— Existem muitas atividades na fundação que ocuparam o tempo de Regina, são terapias alternativas que a não deixara entrar em depressão ou qualquer tipo de tristeza.

Ambas tiveram a conversa interrompida por batidas na porta. Swan foi atender a porta e sua maior surpresa foi encontrar Cora Mills parada lá.

— Olá senhorita Swan. Acredito que temos uma conversa pendente.

Emma parecia em transe não queria, não sabia o que responder e muito menos como agir diante daquela mulher.

— Não é educado deixar a sogra em pé, na porta à espera senhorita Swan.

E gesto automático a fotografa saiu do caminho e deu passagem para Cora entrar. Sabia que aquela conversa seria longa. Já na sala, Lily percebeu a situação e se despediu rapidamente de Emma, e prometeu entrar em contato depois para saber de Regina. Cora e Emma se sentaram na sala, e a loira não tinha ideia por onde começar aquela conversa. E vendo o nervosismo de Swan a velha Mills deu o primeiro passo.

— Bem pelo que eu vejo você está bem habituada na casa de minha filha.

— Sim, bem é uma longa historia... — Emma respondeu tropeçando nas palavras.

— Senhorita Swan, não é preciso ficar nervosa. Sei que a todo um mito sobre sogra e genro no nosso caso nora, mas posso lhe garantir que não motivos para que tenha medo de mim. Quero saber como anda a saúde de Regina antes de qualquer coisa e depois podemos falar o resto.

— E bem então deseja beber alguma coisa? —Emma perguntou querendo ser cordial.

— Um café seria bom.

Emma pediu licença e foi até a cozinha preparar o café, loira ainda estava nervosa e nem mesmo o discurso de boa sogra tinha feito ela se sentir bem.

— Mantenha a calma Swan, ela não deve ser tão ruim assim. — Emma murmurou para si mesma. Voltou sua atenção a cafeteira e esperando o café ficar pronto.

***

Los Angeles.

Killian tinha desembarcado há meia hora, e não tinha conseguido um taxi. Estava cansado e de mau humor, em meio ao calor da Califórnia.

— Droga! Será que eu não consigo um maldito taxi, nessa droga de cidade. — Jones reclamou.

E quando ele menos esperava, um taxi parou perto da calçada. Sem pensar ele entrou de um lado enquanto uma ruiva saltava do outro lado com celular agarrado ao ouvido.

— Preciso falar com Lily Paige, esse é o nome que me deram. – A ruiva falava ao telefone.

Jones não esperou muito estava cansado, e só queria ir para seu hotel descansar.

— Pode me levar a esse endereço? – Pergunto ao taxista.

O homem de origem asiática olhou o endereço e balançou a cabeça positivamente. Do lado de fora a mulher ruiva percebeu que tinha deixado algo importante dentro do taxi. E estava aos berros gritando para que o taxista parasse.

— Pare esse taxi. — Zelena gritava sem sucesso, pois o taxi virava a esquina. Dentro do taxi Killian logo percebeu o que a ruiva tinha deixado para trás assim que ouviu um chorinho ao seu lado. Uma garotinha ruiva de olhos azuis sentada no bebê conforto.

— Droga. — Killian praguejou e a garotinha chorou mais alto. — Ei pequena vai ficar tudo bem. Eu não acredito que aquela mulher pode ser tão irresponsável, a ponto de esquecer um bebê dentro de um taxi.

A garotinha parecia ter gostado de Killian e foi se acalmando. Jones procurou uma bolsa ou algo da menina, mais encontrou apenas uma etiqueta presa na cadeirinha. Lá estava escrito: Meu nome é Jessica Robin Mcalister, mas minha mãe me chama de Jessie, e caso você tenha me encontrado perdida ligue para ela. Zelena Mcalister.

No final da etiqueta tinha um numero de telefone, só restava ligar para a ruiva doida para entregar o bebê, mas até lá Killian teria que cuidar da garotinha.

— Que ótimo Killian Jones primeiro dia em Los Angeles e terá que bancar a babá.

***

Maine ­— Storybrooke

Mary Margaret tinha chegado de mais uma de suas viagens de trabalho, e como sempre reclamava de alguma coisa.

— David você pode dizer que aquilo é normal. — Mary comentava com o marido.

— Querida são apenas duas pessoas que se amam, e não foi nada demais eles apenas deram um selinho. Nós fazemos sempre isso quando nós encontramos. — David rebateu.

— Mas David nós somos diferentes.

— Diferentes como Mary? Eu não estou te entendendo. Será que poderia ser mais clara.

— Somos um casal normal David, não se faça de desentendido. Você sabe bem o que penso sobre esse tipo de coisa. Era um shopping um lugar publico, tinha famílias de bem lá, e crianças presenciando aquela pouca vergonha.

— Mary você precisa parar com esses comentários preconceituosos. Amar não é crime querida, e os rapazes não fizeram nada demais. Só porque somos um casal hetero, não quer dizer que temos mais direitos que um casal gay.

— Eu não tenho nada contra aquele tipo de amor David, mas que façam isso em casa e não em shopping.

David estava cansado de ter sempre o mesmo tipo de conversa com esposa. E quando se tratava do preconceito cego de Mary Margaret tudo saia os eixos. Ele a amava de todo coração, mas aquela parte de sua mulher repudia fortemente.

— Não existe aquele tipo de amor, é apenas amor. E você só se incomoda porque eram dois homens demonstrando afeto.

— É contra as leis de Deus, e não fui quem as criei. E não entendo porque sempre discutimos, quando lhe digo minha opinião. Eu jamais destratei nenhum desses rapazes.

— Mas faz comentários horríveis. E por Deus estamos em pleno século 21 e todos tem o direito ao amor livre. Imagine se nossa filha ouvisse você falar uma coisa dessas. Sabe bem que Emma tem amigos queridos tanto gays quanto lésbicas. E se você destratasse um deles ela iria ficar uma fera.

— É claro que nunca destrataria um amigo, ou amiga de nossa filha. Eu sei que o mundo da moda em que ela vive tem muitos... — Mary fez uma pausa, deu um sorriso presunçoso e ponderou o que falar. ­— Bem você sabe, mas não me preocupo com nossa Emma. ela está bem encaminhada com belo homem. E o casamento é apenas uma questão de tempo.

David resolveu encerrar aquele assunto, ou acabaria em outra briga com a esposa, mas algo dentro dele dizia que Mary ainda receberia uma lição da vida. E bem a vida brinca com a gente, e às vezes para aprendemos a respeitar ao próximo temos que passar na pele por algo semelhante

Notas finais
Sorry pelos erros, espero que tenham entendido a dinâmica que criamos aqui e como vai funcionar tudo daqui pra frente. Esperamos todos com sugestões, criticas e afins nos comentários. Até!