Lado a Lado
36 A esperança do incerto
Notas iniciais

O dia parecia ter amanhecido diferente. E mesmo não sabendo bem o porque, Emma sentiu aquilo, uma parte dela achava ser um sonho e a outra parte decidiu apenas seguir com a maré. E se fosse um sonho definitivamente não queria ainda acordar.
Quando seus olhos abriram, e um cheiro familiar lhe invadiu as narinas ela se deixou ser levada por ele, e as lembranças que vieram a sua mente eram tão boas quanto aquele cheiro. Bolo de milho, café moído e feito na hora, leite morno e uma das suas comidas favoritas no mundo inteiro, pão de queijo. Uma comida típica do Brasil, que Emma tinha conhecido com uma amiguinha em acampamento de férias quando tinha oito anos, na época Mary Margaret procurou por receitas em todos os lugares e aprendeu a fazer só para agradar a filha. Assim que Swan estava completamente desperta, se virou para lado em busca da namorada, mas não a encontrou lá, Regina certamente já tinha se levantado a um bom tempo. A fotógrafa se sentou e buscou pelo seu celular, que ficava em móvel ao lado da cama, já passava das 09hrs, e ela se perguntou se teria acontecido algo, já que Regina não havia vindo desperta-la.
— Onde você se meteu, Mills? — Emma perguntou a si mesma. — Meu Deus, esse cheiro está me dando uma fome enorme. Então vamos levantar e descobrir o que Regina Mills, está aprontando.
O cheiro tão bom que vinha da cozinha, continuava, a lhe despertar uma grande fome que obrigou Emma a se levantar da cama mais rápido. Ela foi até o banheiro, fez sua higiene matinal e depois desceu, indo em direção a cozinha atraída pelo cheiro da comida e também em busca de Regina. O que encontrou na cozinha, a fez duvidar ainda mais se estava sonhando ou acordada. De um lado Regina arrumava a mesa, colocando xícaras e alguns pratos. Do outro Mary Margaret estava no fogão fritando algo, e o mais inusitado era que elas conversavam animadamente como se já fizessem aquilo há anos. Um cenário bem diferentes de dias atrás, onde sua mãe mal dava um bom dia a Regina, e só fazia as refeições no quarto. O que também lhe chamou atenção foi a mesa bem posta, com uma variedade de comidas, certamente Mills não tinha feito aquilo tudo sozinha. O alvoroço das crianças sentadas à mesa, também deixou Emma intrigada.
— Sra. Nolan, esse cheiro está muito bom. — Anna comentou enquanto colocava chocolate em sua caneca.
— Está mesmo, e me deu mais fome ainda. — Um garotinho animado comentou do outro lado da mesa.
— Nenhuma novidade né Ben, você já comeu duas fatias de bolo. E ainda está com fome, você vive com fome. — A garota provocou o irmão.
— Eu estou em fase de crescimento, e por isso como muito. A Ma me disse. — O pequeno se defendeu.
Mary acabou dando algumas risadas e Regina a acompanhou.
— Anna muito obrigado! Fico feliz que goste da minha comida. — Mary agradeceu a garota. E depois a serviu com os bolinhos que tinha acabado de fritar. — E Ben sua Ma, está certa. Meninos da sua idade, devem comer bastante, pois estão sempre crescendo.
— Viu Anna. — Ben disse mostrando a língua para a irmã.
Anna revirou os olhos e se voltou para os bolinhos em seu prato.
Da porta Emma ainda observava tudo, e não conseguiu não rir. Aquela era uma típica cena de família em uma manhã qualquer, uma cena que ela tinha sonhado viver por muito tempo, mas achava ser um sonho distante. E agora, estava ali vendo tudo acontecer diante de seus olhos. Logo sua risada, denunciou sua presença e assim que Regina a viu ali sorriu.
— Swan você finalmente acordou. — Ela disse indo em direção a Emma.
Contrariando tudo a loira imaginava Regina a beijou, foi apenas um selinho, mas se tratando de fazer aquilo na frente de Mary Margaret Nolan era uma tremenda afronta.
— Bom dia, meu amor! — Regina a cumprimentou e sorriu.
E diante daquele sorriso, Emma esquecia tudo, ela lhe devolveu o sorriso e sentiu que o mundo a sua volta tinha se renovado novamente. Mary olhou discretamente e percebeu como a filha se iluminava nos braços de Regina, o sorriso genuíno e o olhar apaixonado lhe diziam muito... Emma jamais tinha dado aquele olhar, a Killian ou a qualquer outra pessoa com tivera um relacionamento.
— O que está aconteceu? — Emma perguntou baixinho, ainda abraçada a namorada.
A morena deu um sorrisinho discreto, se divertindo com a confusão estampada no rosto de Swan.
— É uma longa história. — Regina respondeu rapidamente.
As crianças logo se agitaram vendo a interação das mães, e trataram de interromper o momento delas.
— Mãe, até que enfim você acordou. — Anna disse primeiro toda animada.
— Eu pensei, que você ia dormir para sempre Ma. — Ben completou.
— Vocês dois são muito exagerados. — Emma respondeu às crianças, sem sair dos braços da namorada.
Mary Margaret percebeu que o “mãe” dito por Anna tinha sido direcionado a sua filha, e ela se encantou um pouco mais. Ver todos aqueles momentos da filha com Regina e os filhos, lhe estava dando uma outra noção das coisas, e em seu coração as barreiras se derretiam um pouco mais. Mas nada a tinha preparado, pelo o que ainda estava por vir.
— É porque, você nunca dormiu tanto assim Ma. — garotinho justificou.
— Sua mãe estava muita cansada filho. — Regina explicou a Ben.
— Acho que ela já descansou bastante, e deve estar com muita fome…
— Nessa parte você acertou pestinha.
— Então vem comer, olha todas essas comidas gostosas que a vovó Mary fez. — Ben disse inocentemente.
Emma e Regina se entreolharam e Mary paralisou do outro lado da mesa. E Anna arregalou os olhos, parando de comer suas torradas e esperando uma reação dos adultos. Ben olhou para os adultos e depois para irmã, todos tinham quase a mesma cara e o garotinho ficou confuso.
— O que foi? Eu falei algo errado mamãe? — O pequeno direcionou sua pergunta a Regina.
— Não querido, é só… — Mills não conseguiu terminar a frase, pois foi interrompida por Mary.
— Não, meu anjo. Você não fez nada de errado. — Ela afirmou se levantando de sua cadeira, depois colocou uma cesta com pães de queijo sobre a mesa.
— A vovó Mary fez muitas coisas gostosas, mas ela teve ajuda de sua nora Regina. — Mary Margaret afirmou.
A parte final deixou Emma sem palavras, ela olhou para mãe e pela primeira vez viu compreensão em seus olhos.
— Anda Emma, se sente e vamos tomar café.
A fotógrafa sorriu, e foi sentar à mesa acompanhada por Regina. Todos se serviram de tudo um pouco, muitos assuntos começaram e Emma olhou para Regina, ela moveu os lábios dizendo um obrigado e a morena buscou sua mão em baixo da mesa e apertou, como se respondesse não foi nada. David se juntou a todos sem fazer muitas perguntas, apenas se sentou e apreciou o café da manhã em família. Era o começo de algo bom, e eles não sabiam como iria terminar, mas as esperanças e expectativas lhes diziam que ao menos paz e compreensão não faltariam mais.
Na casa de Regina, os cafés da manhã em família incluindo Mary a mesa tinha se tornado rotina. Emma, por muitas vezes se pegava olhando todos a mesa, e não conseguia acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo. Emma e a namorada tinham conversado brevemente sobre o que tinha acontecido alguns dias atras, e toda aquela mudança de comportamento tão repentina de sua mãe.
— Nós tivemos uma conversa franca Emma. Ela me ouviu e eu a ouvi, sem julgamentos ou cobranças, eu a fiz ver as coisas de uma outra forma usando muitos dos argumentos religiosos dela. E é claro, eu frisei o quanto a falta de compreensão da parte dela, lhe estava a afastando de você. — Regina disse dando uma explicação resumida de sua conversa com Mary a Emma.
— E eu não tenho palavras suficientes, para te agradecer por isso. Minha mãe parece uma outra pessoa. — Swan concluiu.
— Eu acho que está se rendendo as crianças, principalmente ao Ben. — Mills fez uma observação apontando para a sala.
Lá Ben estava sentado sobre o tapete, debruçado sobre a mesinha de centro fazendo a lição de casa. Tudo acompanhado pelos olhos atentos de Mary, que hora ou outra o ajudava com algumas coisas.
— Não há quem resista a esse pestinha. — Emma disse brincando.
— Emma, não fale assim dele. — Mills a repreendeu dando um tapinha em seu braço.
— Rainha do gelo, você tem para de me agredir quando eu digo a verdade. O garoto é um pestinha, mas eu o amo exatamente por isso.
— Eu odeio, quando você me chama assim Swan.
— Não foi o que pareceu ontem, quando eu estava no meio das suas pernas. — Emma provocou.
E como consequência, levou outro tapa só que dessa vez mais forte. Para não haver mais discordâncias Emma calou a morena com um beijo, e trocaram alguns carinhos e um te amo aqui e outro ali. A fotógrafa concluiu que nunca esteve tão em paz, mas ainda faltava uma coisa… Ela precisava ter uma conversa franca com sua mãe, só assim se iriam se acertar de uma vez por todas.
Já Regina sabia que tinha feito sua parte, ela e a sogra estavam bem… Agora poderia voltar a se focar em sua saúde e retomar seu trabalho na fundação OUAT.
***
Killian, estava finalmente vivendo uma boa fase em sua vida depois de tantos problemas. A relação com os filhos melhorava dia a dia, e com Zelena tudo caminhava perfeitamente bem. Ele tinha decidido dar um passo importante, e iria pedir a ruiva para firmarem um compromisso ou palavras mais simples: pedi-la em namoro.
— Eu estou tão nervoso. — Jones comentou com Emma.
— Kill, relaxa está tudo lindo, e eu tenho certeza que a moça vai gostar de tudo. — A loira respondeu querendo tranquilizar o amigo.
Sim amigos, depois de tantos meses, Killian já tinha deixado seu rancor e mágoa para trás.
Já Emma conseguia lidar bem em ser amiga de seu ex. Eles começaram conversando sempre nas visitas do moreno aos filhos, ou quando Emma ia buscar as crianças na casa dele. Uma conversa aqui e outra ali e tudo foi se ajeitando, quando perceberam estava tomando cerveja e vendo futebol aos domingos.
— É Zelena, Swan, o nome dela é Zelena. — Ele corrigiu a amiga.
— Ok, a Zelena vai adorar tudo Killian. — Emma levantou as mãos em sinal de concordância.
Os dois acabaram rindo, Jones parecia um adolescente no primeiro encontro.
— Tenha calma, vocês estão saindo a quatro meses e esse passo que está dando é algo natural.
— Você tem razão, mas e se ela achar que só devemos ficar sem compromisso… Sabe essa coisas modernas.
— Killian Jones, deixa de ser medroso. Além do mais, eu não acho que ela envolveria a filha nesse rolo de vocês. — Emma fez um sinal com os dedos, como se fossem uma aspas no ar. — Se não esperasse algo sério com você, então só relaxe e aproveite a noite.
O advogado deu um longo suspiro de alívio, e resolveu seguir o conselho da amiga iria aproveitar a noite.
— Obrigado Swan! — Ele agradeceu.
— Não há de que Jones.
— Eu não estou agradecendo, só por hoje, Emma. Eu estou agradecendo por tudo, por cuidar das crianças quando eu não estava lá. E principalmente por cuidar da Regina, ela merece tanto ser feliz e ela merece você. As palavras de Killian saíram carregadas não só de gratidão, mas também de emoção, e Emma sentiu isso.
— Isso é o que família faz Kill.
— Sim, isso é o que família faz. — Ele repetiu.
A fotógrafa achou que um abraço cabia no momento, um abraço forte e apertado. Eles eram agora amigos e família, se apoiando, se ajudando e estando sempre por perto.
Era quase oito da noite, quando Swan se despediu do amigo, já que Zelena chegaria às oito e vinte e ela queria deixar Killian a sós para recebê-la. Agora ela ficaria na torcida, para que Killian pudesse ser tão feliz com Zelena, quanto ela era com Regina. As 20:19 hrs a campainha do apartamento de Jones tocou, ele correu para atender e quando abriu a porta seus olhos se depararam com a cena mais linda que já tinha visto. Zelena estava linda em vestido roxo, e nos braços a pequena figura de sorriso banguela. Jess vestia um vestidinho da mesma cor de sua mãe, e Jones teve certeza que a felicidade tinha batido na sua porta aquele dia.
— Sempre pontual Mcalister. — Ele provocou assim que Zelena entrou.
— É um costume inglês Jones, acostume-se. — Ela devolveu na mesma moeda. A noite seria pra lá de interessante.
***
No final da tarde, quando todos estavam ocupados com seus afazeres Emma finalmente tomou coragem. Ela caminhou até o quarto de hospedes, onde sua mãe tinha ficado os últimos dias, parou próximo a porta que estava entreaberta.
— Mãe? — Emma chamou pela mãe dando batidinhas na porta. Mary que estava entretida tricotando levantou a cabeça e olhou em direção a porta.
— Oi, filha.
— Está ocupada? — A loira questionou a mãe.
— Não querida, pode entrar, você quer alguma coisa?
— Não mãe… quer dizer… — Emma fez uma pausa. Não sabia como começar. — Na verdade sim.
— Então diga, Emma.
— Eu gostaria de conversar com senhora. — Swan revelou e depois deu um longo suspiro.
Embora sua mãe estivesse sendo cordial nos últimos dias, Mary Margaret ainda era uma incógnita para a filha. E aquela seria uma conversa no escuro, a fotografa não sabia o que esperar.
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