Lado a Lado

6 O Garoto de Liverpool


Notas iniciais
Faz tempo, né? Desculpem por isso, espero que esse capitulo compense a demora. Título tirado de um dos meus filmes favoritos, "Nowhere Boy", ou, na tradução, "O Garoto de Liverpool", sobre John Lennon. Agradecimentos à Julia Baird, Sam Taylor-Wood e The Beatles.

“Se você está aqui, perto de mim
Podemos imaginar que somos invencíveis.”

–Somos Invencibles, Rock Bones.

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Junho de 1978, dormitório masculino da Grifinória, Hogwarts.

Que engraçado, tudo aquilo.

Antes, era James, o Maroto. James senhor detenção. James Prongs, James delinquente, James dos casacos de couro, dos cigarros e das bebidas. James das festas, James fã de Bob Dylan, James irmão mais velho de Grace, James companheiro de detenção de Sirius. James Potter, era demais.

Depois de Evans, James passou a ser – e apenas a ser – o “James da Lily”. Era simples e fácil, regra geral, como “Frank da Alice”, “Caradoc da Amelia”, “Edgar da Mary” e “Remus da Dorcas”. Ninguém se lembrava deles sem elas.

E por isso, Grace tentava convencer o irmão de que ‘perder o posto’ acontece com todo mundo.

“Não acontece com vocês.” Ele disse emburrado.

“Porque nós somos estrelas, e vocês não ofuscam nossa luz.” Ela respondeu, olhando para James como se ele realmente fosse um estranho por dizer aquilo.

James bufou. Grace continuou.

“Além do mais, não sei por quê você está reclamando. Sabe muito bem que foi quase um milagre Lily aceitar namorar com você depois de anos de tentativas falhas, planos furados e- James Richard Potter!” Ela colocou as mãos nos quadris e olhou furiosa para James. “O que você pensa que está fazendo?!”

“Está apertado, Grace Di!” Ele respondeu desesperado tentando afrouxar o nó da gravata.

“Merlin, James, não posso virar as costas um minuto!” Ela foi até ele e refez o nó da grava. “Hoje é seu baile de formatura, Jimmy! Você precisa estar apresentável com esse seu cabelo e tudo mais!” Ela passou a mão nos ombros dele para ajeitar o terno. James ia se formar. Era seu último ano em Hogwarts, e aconteceria o baile dos formantos.

Grace passou as mãos no cabelo de James, tentando coloca-los em ordem. Sem resultado nenhum, para não perder o costume. Ela bufou e se afastou, murmurando qualquer coisa como “Esse ninho na sua cabeça!”. James sorriu de lado e virou-se para o espelho, Grace tinha feito um bom trabalho nele. Claro; ela sempre fazia. Por isso Lily a queria para ajuda-la a se arrumar. Mas ela não pode, porque Os Marotos precisavam mais dela e-

Por falar naquelas coisas...

“Onde eles foram?” James virou-se para Grace, que arrumava suas coisas na bolsa em cima da cama dele.

“Desceram jimmy. E você está atrasado.”

“Relaxa, Grace Di,” Ele sorriu arrogante. “é charmoso chegar atrasado nas festas.”

“Ah, é?” Ela cruzou os braços e sorriu maldosa. “Lily não vai achar nada charmoso.”

“Merda!” James arregalou os olhos e fez expressão de desespero, correndo rapidamente para a penteadeira e passando um pouco de perfume. Grace gargalhou alto.

“Não é para rir, Diana!” James disse olhando emburrado para ela pelo reflexo do espelho. “Ela vai me matar!”

“E eu vou sambar na sua cara!” Grace respondeu se aproximando. Segurou nos ombros de James e recostou o queixo na curva do pescoço dele. James sorriu, o desespero momentâneo esquecido.

“Você é tão linda.” Ele disse. Grace riu baixinho.

“E você também não é de se jogar fora, Potter.”

Os dois olharam o reflexo do espelho por um tempo. Então, James ficou sério e virou-se para ela, olhando nos seus olhos.

“Eu sei que você está com receio, da Guerra,” Ele começou. “Mas eu prometo, Grace Di, prometo que vou lutar por você, eu juro!”

Grace suspirou cansada. Quantas milhares de vezes James tinha repetido aquilo para ela no último ano, desde que seus pais...se foram? Ela já tinha perdido a conta. Sabia que ele estava apenas tentando parecer forte, por ela, para não desespera-la, mas ele mesmo estava na beira do abismo.

“James, eu sei disso. Ah, olha,” Ela segurou as mãos dele e os dois se sentaram na cama do Maroto. Ela esfregou os olhos, anciosa. “por favor, pare de querer mostrar para todo mundo que você está bem! Eu sei que você está usando uma máscara para tentar esconder a dor. Mas. Eu lhe peço, por favor, tire-a. Mamãe e papai não iriam querer isso! Não iriam querer que você se escondesse quando tem tanto para dar!”

James ouviu em silêncio. Ele pensou em dizer que não, que tudo ia ficar bem, que ele estava bem, mas parecia que Grace já tinha realmente percebido que nada ficaria bem. Ele só queria proteger sua irmãzinha. Não era capaz nem de fazer isso? De garantir que tudo ia dar certo? De garantir a segurança dela?

Como ele era incapaz! De que adiantava toda aquela popularidade, se a pessoa que ele mais amava no mundo, estava completamente sem esperança! Merlin, por que com eles?!

Seus olhos lacrimejaram, e ele olhou para os sapatos, tentando disfarçar. Grace viu, sempre via. Seu irmão, seu herói, a dor que ele sentia, doía nela tambem. Ela o puxou para o peito e encostou o queixo em seus cabelos negros, chorando silênciosamente olhando para o teto. James, nesse momento, escondeu o rosto com as mãos, e chorou como nunca. Seu corpo todo tremia com os soluços. Grace o apertou mais, lhe beijou os cabelos, murmurou para ele “estou aqui, meu irmão, sempre!”.

Depois de um tempo, ele se acalmou e levantou os olhos para ela.

“Eu te amo.” Ele sussurrou urgentemente.

Grace sorriu fraca.

“Eu tambem te amo.”

Depois daquilo, ela limpou as lágrimas, dele e dela, e o recompôs. Estava na hora. Antes de sair do dormitório, James olhou mais uma vez para sua irmã.

“Obrigada, Grace Di!” E lhe beijou o topo dos cabelos. Grace fechou os olhos por um segundo.

“Vá logo!” Ela sorriu e deu tapinhas nas costas dele. “Não deixe Lily sózinha. Faça Remus dançar com Dorcas. Impeça Sirius de beber demais. Separe as brigas de Marlene e Stanley Travers. Diga para Alice parar de agarrar Frank no meio das pessoas. Divirta-se!”

James saiu, sua risada ecoou no quarto e Grace se sentiu solitária mais uma vez.