Labirinto de Callif

3 Carta do Castelo Monter Viv


Fui correndo até minha casa, a cara que meu pai estava só aumentava a velocidade dos meus passos. Cheguei em casa exausta e logo vi meu pai sentado na cadeira.

-Pai?

-Kiara -- ele deu-me autorização para sentar-me ali com ele.

-O que aconteceu?

-Ah, filha, problemas, problemas...

Um imenso aperto invadiu meu coração naquele momento.

-É alguma coisa com a sua doença, pai?

-Que doença?

Ele sempre negou que tinha alguma coisa, por mais que ele possa estar doente, ele não aceita.

-Pai, o senhor sabe muito bem, quando o médico veio aqui ele falou para o senhor, \"permaneça em casa e qualquer problema...

-Informe-me\"! Eu sei Kiara, não precisa ficar repetindo. Por mais que você queira cuidar de mim, você tem que saber, eu sei cuidar-me, filha! Não preciso que a senhorita fique sempre atrás de mim.

Aquilo soou como um banho de água fria para mim, não pensei que meu pai falaria assim comigo, é um pouco difícil de suportar esse jeito dele, ele até ofendeu-me, mas depois de tantos anos de convivência, eu já estava acostumada, não que ele seja assim, mas quando ele está realmente nervoso e desânimado ele fala assim. Minha vontade era sair correndo de lá e deixá-lo com sua impaciência em paz, mas achei melhor ficar, me segurar e saber o que estava acontecendo.

-Pai, são problemas de saúde?

-Não, Kiara!

-O que éres então?

-Você quer mesmo saber?

-Ora, Pai! Sou sua filha! Tenho direito de saber o que estás deixando meu pai assim!

-É o vilarejo.

-O vilarejo? O que aconteceu?

-Olhe as cartas.

-O quê?

Aquela não era a resposta que eu esperava.

-Olhe as cartas!

Fui até elas enquanto meu pai ia dando-me ás ordens.

-Procure e veja se tem alguma do Castelo de Monter Viv.\'

Procurei em meio ás cartas e lá estava, uma carta branca com detalhes em dourado, cuidadosamente feita.

-Abra.

Por algum motivo, eu estava com receio, sabia que o que eu estava prestes a lêr não traria-me felicidade, pelo contrário.

-Abra, Kiara!

O grito de meu pai fez com que as minhas mãos agissem automáticamente e fazendo com que os meus olhos se arrastassem por cada palavra.

-Já é a terceira vez que eles mandam uma carta como essa, minha filha -- Meu pai remoía-se no desespero.

Aquelas palavras simplesmente não penetravam na minha mente, não faziam senso algum. Fui sentindo meu corpo cada vez mais fraco, minhas mãos já tremiam tanto que eu não estava mais conseguindo ter conciência sobre elas. Queria rasgar, queimar e fingir que jamais havia existido aquela carta.

Quando terminei de lêr, não conseguia mais saber o que fazer. Saí de casa, largando a carta na porta e apenas corri, eu conseguia ouvir o Ricco chamando-me, mas eu não queria dar explicações, queria fugir.Entrei no Labirinto de Callif, eu ainda corria, agora as lágrimas invadiam-me o rosto, malditas palavras que agora queriam voltar a minha mente. Eu corria o mais rápido que eu conseguia, queria seguir um caminho diferente, não queria chegar a lugar algum, queria perder-me lá dentro, queria correr até esquecer de tudo. Mas a cada passo que dava piores as palavras vinham-me.

\"Leonard,

Já avisamos-lhe sobre o quê pode ocorrer. Não queremos ser obrigados a tomar medidas mais fortes, mas a circustâncias estão pedindo.

Seu vilarejo está localizado na porção mais baixa de todo o nosso território e como já deve ser da sua conciência, os Rulfoos estão há décadas tentando invadir o nosso território e agora estão chegando mais perto. Todos nós sabemos dos grandes estragos que eles causaram quando conseguiram. Se o senhor não souber, Rulfoos são criaturas com no mínimo, dois metros e meio de altura, com garras enormes e afiadas, com dentes pontiagudos, com gritos ensurdecedores e capazes de paralizar o mais forte dos seres , com os olhos amarelos intensos, totalmente selvagens, capazes de estraçalhar qualquer ser em segundos e totalmente negros, como o Deus da Morte.

Seria de grande importância, se o senhor pensasse do que os Rulfoos seriam capazes de fazer se encontrassem o Labirinto de Callif e o seu povoado é o lugar mais fácil dessas criaturas entrarem, por isso o melhor a ser feito agora é o seu vilarejo deixar de existir. Teremos de fechar a entrada do seu vilarejo para o Labirinto de Callif.

Nosso castelo fica no topo da montanha e aqui, com a sabedoria dos Deuses, sabemos que essa é a melhor opção a ser tomada.

Damos um prazo de duas luas cheias para o seu povoado, se o senhor não os retirar, teremos que tomar medidas piores.

Castelo Monter Viv.\"

Minhas pernas já não conseguiam mais correr, eu as forçava ao máximo, sabia que elas deveriam estar doendo, mas a dor que estabelecia-se em meu peito era maior, agora as lágrimas já eram tantas que embaçavam-me os olhos.

Já não sabia há quanto tempo havia corrido, muito menos sabia aonde estava, eu não conseguia mais correr e minhas pernas cederam ao cansaço. Ajoelhei-me forçadamente e já não tinha mais porque esconder minhas lágrimas, queria sentir o silêncio, fechei os olhos e não quis pensar em nada. Cheguei por um momento á ouvir uma voz falando bem perto de mim, já havia ouvido aquela voz antes, mas fui incapaz de reconhecer e entreguei-me ao cansaço.

Notas finais
E aí? O que acharam?? Estou curiosa, digam, digam ^^