La vie nocturne

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Desculpem a demora! Literalmente terminei esse capítulo agora. Espero que gostem.

—O que você está dizendo – eu disse, calma e lentamente. – É que a avó de Erick, na verdade, é minha avó?

Dave assentiu. E o mundo perdeu todo o sentido, agora completamente.

—Na verdade, ela é tia-avó de Erick. Mas ela cuidou da mãe dele como se fosse sua filha. Justine e Adele nunca foram muito próximas, mas ambas resolveram se afastar mais ou menos na mesma época. Prometeram que seus filhos não saberiam sobre nosso mundo. Justine pegou o primeiro avião para fora da cidade e logo conheceu Matthew. Eles passaram anos viajando antes de terem Erick, e não me pergunte como, mas convenceram Celia a cuidar dele sem contar sobre nossa família. A essa altura Adele já estava grávida, morando aqui com seu pai. Eles visitaram Erick por muito tempo enquanto ele era apenas um bebê. Ele teria sido criado como seu primo, se Celia tivesse permitido. Ela se ressentia com Adele e Justine. Decidiu que Erick nunca saberia que você fazia parte da família dele.

Ele ficou pensativo por um momento, depois completou:

—Acho que Celia amoleceu com o tempo. Ela nunca teria permitido que você ou Erick ignorasse a história da nossa família. Nunca teria concordado em criar uma criança que não se tornasse um Caçador mais tarde. Ela era considerada a líder mais rígida dos Caçadores em muito tempo.

—Além de tudo – eu falei, quase sem fôlego. – Ela é a líder dos Caçadores? A avó de Erick? A minha avó?

—Eu sei que é muita informação... – eu quase ri, e Dave me lançou um olhar de censura. – Fique calma, Angel. Isso é para o seu bem.

—Eu duvido muito disso – murmurei, mas meu tio me ignorou.

—Celia é a líder por causa da linhagem. A cada geração, deve ser escolhido um novo líder. Antes dela, era Darden. O líder atual deveria ser eu, mas minhas escolhas me levaram a caminhos diferentes. Digamos apenas que caçar vampiros em troca de pagamento não faz parte do “código” de um Caçador.

—Então... Se não foi você, quem vai ser o próximo líder? – perguntei, pressentindo o perigo da resposta. – Porque Celia não vai durar muito tempo.

Dave ficou em silêncio, e isso me assustou mais do que se ele tivesse falado.

Nesse momento, Anthony pegou abruptamente meu pulso, me dando um susto. Ele analisou algo com muita atenção, e depois olhou surpreso para Dave. Meu tio suspirou com certa tristeza.

—Sim, é isso que você está pensando. – Respondeu à pergunta não feita. – Quem carrega essa marca – ele levantou o próprio pulso, mostrando uma linha fina com algumas ramificações, parecida com um sol – é destinado a ser o próximo líder dos Caçadores. Adele não a tinha. Justine também não. Acho que por isso Celia se ressentiu mais ainda comigo. – Ele deu uma risada fraca.

—Então... Se eu recusar...

—A responsabilidade passa para seus filhos. Mas não fique tão esperançosa assim – Dave disse, e sua voz estava mais grave. – Os Caçadores não podem ficar sem um líder. E se Celia morrer antes de outro ter sido escolhido...

—O que acontece?

—Guerra Civil – Anthony respondeu, já que Dave parecia hesitar. – Caçadores que não fazem parte da linhagem original lutando para assumir o posto de líder. Por enquanto, todos cooperam em perfeita harmonia, mais internamente, existem diversas disputas por poder. Se o líder cair, e não tiver alguém para substituí-lo... – ele balançou a cabeça como se já tivesse visto mais guerras em sua vida do que qualquer um deveria ver. – É como se a sua família fosse a realeza dos Caçadores. Se o rei morre sem um sucessor, os nobres ficam loucos tentando reivindicar o trono para si. E muitas vezes acabam eliminando possíveis concorrentes.

—Entendi – sussurrei. – Nesse caso, se o rei tivesse um sucessor, tentariam matá-lo também.

Anthony me encarou, e pela primeira vez vi um vestígio de medo em seus olhos. Enquanto o olhava, uma ideia passou pela minha cabeça e eu me voltei rapidamente para Dave.

—O incêndio – falei, as palavras atropeladas pela rapidez dos meus pensamentos. – E se não foi um acidente, e sim uma tentativa de matar uma possível sucessora? Alguém tentando matar minha mãe, pensando que ela era a próxima líder?

—Já pensamos nisso – Dave parecia triste. – Investigamos. Nenhum Caçador esteve envolvido no incêndio.

—Mas... – Anthony agora tinha o mesmo brilho de inspiração nos olhos. – E se não fosse um Caçador?

Dave e eu o olhamos, e eu percebi onde ele queria chegar.

—Tem um motivo para Rose querer me matar – sussurrei. – Talvez pelo mesmo motivo que ela incendiou minha casa, pensando que minha mãe tinha essa marca.

—Isso... Na verdade, faz sentido – Dave esfregou os olhos, mais cansado do que eu já o vira em anos. – A maioria dos rituais envolve fogo. Queimar coisas. Pessoas.

Estremeci. Muitas coisas se encaixaram ao mesmo tempo.

—Então... O que faremos? – perguntei finalmente.

—Você, nada – Dave respondeu. – Eu vou pesquisar mais sobre o que Rose está tentando realmente fazer. E você... – Ele olhou para Anthony. Ainda parecia meio incerto se deveria confiar nele ou não.

—Vou rastreá-la – Anthony disse. – Tentar descobrir onde ela está, e se tem ajuda de alguém.

—Não precisa fazer isso – sussurrei. – Não é como se ela estivesse perturbando você.

—Mas está – ele me encarou com tanta firmeza e por tanto tempo que eu me calei e desviei o olhar.

Dave nos observava. Tentei esconder minhas emoções, mas só consegui apertar os lábios numa linha fina e ficar mais preocupada ainda.

—E Erick? – indaguei. – Ele não deveria saber disso tudo também?

—Não vou desrespeitar a vontade de Justine enquanto não for necessário – Dave disse. – Não conte a ele.

Assenti. Então os planos de sábado teriam que esperar.

Subitamente me levantei. Ficar parada por tanto tempo estava me estressando, em especial por conta da carga de adrenalina que eu sentia. Eu precisava andar, fazer alguma coisa. Precisava sair.

—Vou para a casa de Annie – decidi de repente. – Não consigo ficar aqui.

—Isso não seria muito inteligente – Dave se levantou também e colocou um pouco de uísque para si. Acho que ser um Caçador também significava ser super resistente aos efeitos do álcool. – Não temos certeza se Rose foi ou não convidada a entrar lá. E ela estava aí fora há pouco tempo.

—Se ela não me sequestrou até agora, é porque não precisa – disse com certa exasperação. – Eu não estou exatamente atrás de barreiras intransponíveis. Ela poderia ter me matado, ou feito coisas piores, naquele beco. E poderia me forçar a convidá-la para essa casa a hora que quisesse. Nada disso aconteceu; então eu vou sair.

Dave me encarou sem expressão por um tempo, e por fim, deu de ombros. Subi para arrumar uma mochila com a roupa que usaria na escola no dia seguinte e uma escova de dente. Calcei meus tênis de sempre e desci. Anthony estava de pé na frente da lareira, mas meu tio não estava em lugar algum.

—Ele saiu – Anthony disse. – Foi falar com outros Caçadores.

Assenti. E me senti um pouco mal.

—Talvez eu devesse ficar em casa – sussurrei mudando de ideia.

—Talvez – ele virou e me olhou, mas dessa vez estava sorrindo. – Ou você podia ir para a minha casa.

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Se eu parasse e analisasse minha relação com Anthony, eu poderia confirmar que tinha enlouquecido. Ele, no curto período de tempo que o conhecia, havia tentado me matar, me salvado de seus amigos, fora sequestrado por Caçadores (dos quais eu era, aparentemente, a próxima líder) e salvo por mim, dormira no meu quarto, na minha cama, e nada disso nem era tão importante perto do fato de que ele havia literalmente bebido meu sangue, e que eu bebera o dele. Podíamos dizer que eu nunca fora tão íntima de outra pessoa assim.

A questão era: eu já gostava dele. Bem mais do que admitia para mim mesma. E me preocupava com o que isso poderia significar para ele, levando em consideração tudo que estava acontecendo. Então, eu tentava parecer casual, sentada ao lado dele no carro, fingindo que não estava explodindo de alegria simplesmente por estar lá. Porque, incrivelmente, ele me deixava tão feliz que chegava a ser patético.

Eu já havia gostado de muitos garotos na minha vida, mas nunca me sentira como se eu devesse mesmo estar lá, naquele lugar, ao lado daquele cara. Havia sempre uma sensação de inadequação, de que algo não estava bem encaixado. Como um quadro torto na parede. Ele poderia ficar torto e ninguém reclamar, mas não é assim que deve ser, é?

E Anthony – logo ele. Era como se ele tivesse invadido o cômodo e ajeitado aquele maldito quadro.

Mas nada disso importaria se não encontrássemos um jeito de me manter viva.

—Você precisa parar de se preocupar – Anthony falou de repente.

—E você precisa sair da minha cabeça! – respondi corando. Ele tinha escutado tudo?

—Não precisei ler sua mente, seus pensamentos estão altos o bastante – ele riu.

Suspirei, balançando a cabeça, mas acabei rindo também.

—E esse carro? – perguntei. A essa altura estávamos chegando à sua casa. – É seu?

O sedã preto estava parado na rua quando saímos de casa. Era um carro de aparência antiga, mas bem conservado. Não tinha me dado ao trabalho de checar o nome do carro; eu não reconheceria.

Anthony deu de ombros.

—Acho que sim – então sorriu. – Está no nome de um conhecido meu.

—Ah – resolvi não investigar mais. Se tivesse que lidar com muitas informações ainda naquela noite, enlouqueceria.

A casa parecia vazia vista do lado de fora, mas escutei ruídos quando estávamos na porta. Anthony tinha uma expressão de desconforto. Acho que não queria que seus “amigos” me vissem.

Dei um pulo de susto com o barulho de algo grande se quebrando.

—É Victor – Anthony sussurrou. Ainda estávamos no hall de entrada. – Você pode subir na frente? Tenho que lidar com eles. – E gesticulou com a cabeça para uma porta à direita que eu não havia notado antes. Outro barulho estranho veio lá de dentro, e assenti. Então Anthony desapareceu pela porta.

Entrei na grande sala de estar e comecei a subir as escadas. O lugar estava um pouco abafado e eu me sentia aflita. Por costume, prendi o cabelo no alto, um hábito para combater o estresse. Quando cheguei ao topo das escadas, deixei a mochila no chão e dei uma olhada lá embaixo pelo mezanino.

Eu não havia notado que havia alguém na sala.

Parado no meio do cômodo, o vampiro louco da última vez que eu estivera ali me encarava com espanto. Mark, recordei. Só que o olhar de ódio e sarcasmo dele desaparecera completamente, deixando apenas a loucura.

Em um segundo, ele estava lá embaixo, apenas me encarando como se eu fosse um fantasma. Em seguida, estava parado bem na minha frente. Dei um passo para trás, me assustando, tropecei em minha mochila e me desequilibrei. Então Mark me puxou pelo braço para si, e seu rosto ficou a centímetros de distância do meu. Mal tive tempo de tentar me libertar, ou de notar que seus olhos na verdade estavam mais sem foco do que o normal. Ele me beijou tão subitamente que a única coisa que pude fazer foi ficar surpresa. O beijo era gentil, mas seu aperto era de ferro, não importava o quanto eu tentasse me desvencilhar dele. Meu rosto esquentava cada vez mais, e eu me desesperava com a possibilidade de Anthony aparecer a qualquer momento.

Quando se afastou, Mark tinha os olhos fechados e acariciava meu rosto.

—Mia – ele murmurou.

—Mark – tentei falar e minha voz estava rouca. – Eu sou a Angel. Me solte...

De repente ele abriu os olhos e pareceu me enxergar pela primeira vez. Puxei meu braço e dessa vez ele me soltou. No mesmo segundo, Anthony apareceu e empurrou Mark, fazendo-o cair do mezanino. Sufoquei um grito, mas quando olhei, ele estava de pé lá embaixo, ileso. Porém havia uma tristeza profunda em seus olhos. Seus lábios entreabertos, ele parecia querer dizer alguma coisa. No final, desistiu e desapareceu.

—O que diabos foi isso? – perguntei lentamente, ainda em choque.

Anthony estava de costas para mim, então eu apenas podia imaginar qual seria a expressão em seu rosto. Mas suas mãos estavam fechadas em punhos, e ele parecia rígido dos pés à cabeça.

—Anthony... – Tentei tocar seu ombro, mas ele pegou minha mão no meio do caminho. Agora estava de frente para mim, inexpressivo, porém com um olhar perturbado.

—Mark... É louco – sussurrei o óbvio. – Acho que ele me confundiu com alguém...

Finalmente, Anthony soltou um longo suspiro e largou minha mão.

—Vamos – sussurrou e seguiu pelo corredor. Não me restava muito a fazer a não ser pegar minha mochila do chão e segui-lo.

Notas finais
Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.