La famiglia è il movimento

1 Cap. 1 – Cugini (Primos)


Tudo estava acontecendo muito rápido. Mudanças tão apressadas que ele mal conseguia acompanhar. De um dia pro outro teve que largar seu lar, seu país, e pisar em terra desconhecida com pessoas que falavam uma língua totalmente diferente da sua. A cidade de Nova Iorque era barulhenta e poluída, e não parecia em nada com Verona. Ele nunca pensou que algo assim pudesse acontecer consigo, mas afinal, quem sequer imaginaria que um dia tivesse que deixar tudo que conhecia para tentar uma vida nova em um lugar tão distante? E não havia nenhuma garantia que essa vida nova seria boa, diga-se de passagem. Tudo estava prestes a mudar para sempre e aquele garoto nunca foi muito fã de mudanças.

Com dezenove anos, Luigi Borelli era o único filho de Dario Borelli, um mafioso. Seu pai tinha poder e dinheiro suficiente para fazer a cidade de Verona funcionar. Literalmente. Ele tinha médicos, advogados, polícia e até políticos trabalhando em seu nome. Era respeitado e temido. Acreditava-se que todos sabiam muito bem o tipo de trabalho sujo com o qual Dario mexia, mas ninguém jamais comentava sobre isso. Ele era apenas um importante homem de negócios. Mas tudo mudou com a morte de sua esposa, Elena. Ela sempre gostou muito de viajar. Queria conhecer o mundo inteiro, ela dizia. E pelo menos uma vez por mês se metia em um avião e ia para alguma parte do país. Às vezes o marido e o filho lhe faziam companhia. Às vezes só o filho. Mas nessa viagem para o interior da Alemanha, ela teve que ir sozinha. Os dois estavam ocupados demais para acompanhá-la. E, na volta, um mau funcionamento do avião fez com que ele caísse em alto mar e explodisse antes que os passageiros pudessem tentar escapar.

Dario sentiu-se tão culpado pela morte da esposa, que acabou começando a se autodestruir. Ele sempre foi de fumar e de beber, mas agora estava fazendo tudo em dobro, ou até três vezes mais. Ele era visto sempre sozinho. Elena havia sido a única mulher que ele amou em toda sua vida e ela era seu bem mais precioso. Sendo assim ele começou a perder todo o seu dinheiro com apostas. Luigi tentou várias vezes falar com ele, mas o velho Dario parecia ser incapaz de escutar o filho. Quando ele foi parar no hospital depois de beber muito e desmaiar sobre o próprio vômito, seus sócios mais próximos o colocaram contra a parede. Ele tinha que mudar, tinha que voltar a ser o poderoso Borelli de antes. Mas ele teria muita dificuldade de se reerguer ali. Os sócios o aconselharam a ir para a América. Se ele conseguisse poder e fama lá, conseguiria em qualquer outro lugar. Insistiram tanto que Dario aceitou. Pegou o filho, seus homens mais confiáveis e habilidosos, e o dinheiro que lhe restava e foi para Nova Iorque.

Nova Iorque era a cidade perfeita e ao mesmo tempo era um grande desafio. Várias outras gangues estavam sempre brigando para conquistar cada vez mais territórios e ganhar cada vez mais poder. No entanto, a maioria dessas gangues deixava a violência guiar seus atos, por isso eles disseram que Borelli poderia se dar bem lá. Dario Borelli era um grande estrategista, sempre teve os melhores planos, e raramente teve que sujar as mãos. Ele sabia o que dizer e na hora certa. Era mais evoluído que os outros grandes chefões, eles diziam.

E Dario parecia estar se esforçando de novo. Parecia que ele queria mesmo sair do fundo do poço onde havia ele mesmo se jogado depois da morte de sua amada Elena. Mas já na primeira semana, seus planos foram arruinados. Dario reclamava de uma dor na região próxima ao estômago. Uma dor tão forte que o fez perder a consciência. Luigi e dois fortes homens o levaram para o hospital mais próximo e lá receberam a notícia de que Dario havia adquirido um câncer no fígado.

- Você tem que ficar no lugar do seu pai, Luigi.

- Precisamos de um líder, e só pode ser você, Luigi.

- Seu pai não pode continuar resolvendo os problemas da família nesse estado. Ele precisa de muito descanso. Está na hora de virar homem, Luigi.

Todos simplesmente jogavam aquilo tudo sobre as costas dele que para muitos ainda seria considerado só um garoto. Luigi saiu do hospital e foi direto para casa. Ele correu para o escritório do pai e trancou as portas. O jovem italiano lentamente deixou seu corpo ir ao chão e, de joelhos, encarou o enorme quadro de sua mãe que havia na parede.

- Mamma... Eu não posso. Eu jamais serei como meu pai. Eu... eu não sou nada... – Ele falava sozinho, mas era óbvio que parecia lançar aquela prece para sua mãe, onde quer que ela estivesse, se ela pudesse realmente ouvi-lo.

Luigi estava revoltado. Aquilo não lhe parecia nem um pouco justo. Ter que abandonar tudo e agora ter que liderar a família no lugar de seu pai? Pai esse que sempre foi egoísta e ignorou a dor de Luigi todo esse tempo. Ele também havia sofrido muito com a perda de Elena. Seu pai o ajudou em algum momento? Não. Então por que agora ele tinha que ajuda-lo? Por que ele tinha que se desdobrar e fazer tudo ficar certo só porquê o seu pai incompetente havia acabado com o próprio organismo?

E enquanto ele estava perdido nesses pensamentos, sem saber se conseguiria ou não – ou melhor, se queria ou não – tomar as rédeas daquela situação, Luigi ouviu um bater tímido na porta.

- Eu não quero ver ninguém. – Ele respondeu rispidamente, voltando seu olhar agora para as portas duplas de madeira escura.

- Ninguém mesmo, cugino? – Uma voz feminina e familiar lhe respondeu.

Luigi arregalou os olhos, quase sem conseguir acreditar que estava realmente ouvindo aquela voz. Ele se levantou rapidamente e foi abrir a porta, dando de cara com aquela belíssima garota de cabelos negros e olhos profundamente azuis. Ela tinha olhos de sereia, parecia querer afogar no azul de seus olhos qualquer um que os fitasse por muito tempo. Mas Luigi não temia tal destino. Ele a encarou, piscando algumas vezes para ter certeza de que não era uma ilusão que seu cérebro havia criado nesse momento de desespero.

- O que estava fazendo trancado aí sozinho? – Ela perguntou calmamente, com um simples sorriso.

- Giovanna... – Foi tudo que ele conseguiu responder. Sussurrou o nome da garota enquanto seus olhos verde-esmeralda ainda estavam perdidos nos dela.

Ela lentamente colocou os braços em volta do corpo dele e descansou o rosto contra seu peito. Luigi sentiu as mãos que seguravam as portas duplas enfraquecerem e deslizarem pela madeira até caírem rentes ao seu corpo. Ele fechou os olhos, apenas sentindo o calor do corpo daquela menina que parecia ser poucos anos mais nova que ele.

- Eu já soube de tudo. Eu e papà... nós viemos aqui para saber como vocês estavam depois de tudo. E acabamos de saber que o Zio Dario vai ter que ficar no hospital. – Ela ainda tinha os olhos abertos, mas fitava o nada enquanto as palavras fugiam de seus lábios.

- Eles querem que eu seja o chefe, cugina... Eu não posso. Eu não consigo... Eu... – E ela o interrompeu, afastando-se daquele abraço e fazendo assim com que ele voltasse o olhar e toda sua atenção para ela novamente.

- Luigi, você consegue sim. – As únicas vezes que ela o chamava pelo nome era quando ela estava muito séria sobre algo – Se tem alguém que pode, esse alguém é você. Eu vou ficar aqui e eu vou lhe dar apoio. E você sabe muito bem que eu já sei empunhar uma arma se for preciso.

Luigi não queria nem imaginar aquelas mãos brancas e macias sujas de sangue, mas ele conhecia bem aquele olhar. Quando ela batia o pé sobre algo, ninguém conseguia lhe fazer a cabeça, nem mesmo ele. E aquela determinação e força que ela mostrava eram realmente tudo que ele precisava naquele momento. Luigi esboçou um sorriso e ela lhe respondeu com um maior ainda.

- Eu... vou tentar, cugina. – Ele disse.

- Não, cugino. – Ela respondeu – Você vai conseguir.

Poderia ser que ela o estivesse pressionando como os outros, mas aquele tipo de pressão, vindo de Giovanna, era algo que ele abraçava e repetia para si mesmo em sua mente. Ele ainda não sabia se conseguiria ser tão bom liderando como o pai foi. Mas com certeza ele tentaria ser ainda melhor.

Notas finais
Eu vou adicionar algumas palavras em outras línguas nesses capítulos, mas sempre tentarei traduzi-las aqui.

Mamma - Mamãe
Papà - Papai
Zio - Tio
Cugino(a) - Primo(a)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.